quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Prioridades de um Discípulo


João 13.31-38

Em nossos estudos anteriores, no mês de janeiro, vimos:

1º) Em João 13.1-5 – O estilo de vida de Jesus, marcado pelo amor doador; 2º) Em João 13.6-11 – três lições ensinadas por Jesus aos seus doze discípulos sobre um coração ensinável; 3º) Em João 13-12-17 – quatro atitudes básicas daquele que quer seguir o exemplo do seu Mestre; e 4º) Em João 13.18-30 – aprendemos três lições no contexto descritivo da traição.

Hoje, em João 13.31-38, vamos estudar sobre as prioridades de um discípulo de Jesus Cristo.

Havendo Judas se retirado, os acontecimentos finais da vida de Jesus aqui no mundo foram colocados em movimento. “Da perspectiva humana, a morte de Jesus pode ser considerada um crime hediondo. Para Deus, porém, a morte de seu Filho na cruz foi um momento de glória. Jesus foi glorificado e Deus foi glorificado nele (vv.31, 32), no momento em que Ele morreu na cruz”.[1]

Jesus está, aqui, se despedindo dos seus discípulos e indo para o Pai (v.33). “Mas antes da coroa, havia a cruz. Jesus seria ferido e os seus discípulos seriam dispersos, como profetizou Zacarias (Zc 13.7)”.[2] Então, “em vez de centrar-se na agonia da cruz, Jesus encarou a cruz como fato passado, antecipando a glória que teria com o Pai posteriormente”.[3] (Jo 17.4-5; Hb 12.2)

Nesse contexto de despedida, Jesus dá aos seus discípulos um mandamento, que ele mesmo chamou de “novo mandamento” – v.34. O mandamento bíblico do amor não era novo em termos de tempo, pois, no Antigo Testamento em Dt 6.5 há a ordem para amar a Deus e em Lv 19.18 há a ordem para amar o próximo como a si mesmo. No Novo testamento a ordem para amar uns aos outros é repetida pelo menos doze vezes – Jo 13.34; 15.9, 12, 17; Rm 13.8; 1Ts 4.9; 1Pe  1.22; 1Jo 3.11, 23; 4.7, 11, 12; 2Jo 5).

O mandamento de Jesus de amar é novo ou inédito de cinco maneiras e revelam, também, as cinco prioridades que um discípulo deve ter em sua vida: 1) Ele é novo em proeminência; 2) Ele é novo no seu referencial; 3) Ele é novo em sua maneira de expressá-lo; 4) Ele é novo em sua exclusividade; e 5) Ele é novo em sua capacitação.

I. O mandamento de Jesus de amar é novo em proeminência (v.34a)porque, juntamente com o amar a Deus, o amar uns aos outros é o maior de todos os mandamentos.

1. Mateus 22.34-40

a. v.39 – O segundo, semelhante a este, é: Amaras o teu próximo como a ti mesmo.

b. v.40 – Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.

c. 1Jo 4.21 – Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão.
                                
2. Marcos 12.28-31

a. v.31b – Não há outro mandamento maior do que estes.

3. 1Coríntios 13.1-3 – acima de tudo que falamos, de tudo o que sabemos, de tudo o que cremos, de tudo o que damos ou fazemos, deve estar o amor – “... que vos ameis uns aos outros...” (v.34a).

Assim, a primeira prioridade na vida de um discípulo de Jesus deve ser: considerar o amor a Deus e ao próximo como o maior de todos os mandamentos.

II. O mandamento de Jesus de amar é novo no seu referencial (v.34b)
Jesus é o nosso referencial de amor – “... assim como eu vos amei...” 

1. Jo 13.1O amor de Jesus que está acima de qualquer coisa – “... sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passa deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim”.

2. 1Jo 3.16Ao entregar a sua vida por nós, Jesus tipificou a verdadeira natureza do amor cristão – Jo 15.12, 13; Fp 2.5-8; 1Pe 2.19-23. Ele nos chama a amar “uns aos outros de acordo com o mesmo parâmetro de amor que ele usou para conosco”[4]. (1Jo 2.5, 6)

A segunda prioridade na vida de um discípulo de Jesus é ter Jesus como único referencial de amor para o seu ministério.

III. O mandamento de Jesus de amar é novo em sua maneira de expressá-lo (v.34c)O amor deve ser expresso através de ações concretas – “... que também vos ameis uns aos outros...”.

1. 1Jo 3.17, 18 – afirmar que se ama não é suficiente, o amor cristão não é uma questão de sentimentos, mas de atitudes. “Onde não há esse tipo de amor, a presença do amor de Deus é questionada”.[5]

2. Lucas 10.25-37v.37 – Então lhe disse: Vai e procede tu de igual modo. Uma atitude concreta de amor para com o semelhante em necessidade independe de lugar, de hora, de raça, de cor, de sexo, de religião, ou de qualquer outra coisa. A ação do amor cristão deve ser solidaria com o ser humano de forma integral.

A terceira prioridade na vida de um discípulo de Jesus é enxergar quem quer que seja como seu próximo e agir em seu favor para a salvação e solidariedade.

IV. O mandamento de Jesus de amar é novo em sua exclusividade (v.35)somente quem é discípulo de Jesus, pode amar como ele amou – “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos...”.

1. Romanos 12 – o primeiro capítulo da segunda parte da carta aos Romanos, que enfatiza o viver da teologia bíblica. Aqui, temos as diretrizes para os discípulos de Jesus sobre o culto público, sobre a santificação, sobre o uso dos dons e sobre o amor cristão que deve ser sem hipocrisia.

A quarta prioridade na vida de um discípulo de Jesus é viver o amor de Deus em tudo o que faz. É como viver para a glória de Deus. (1Co 10.31).


V. O mandamento de Jesus de amar é novo em sua capacitação (v.35b) – só o próprio Jesus pode nos capacitar a amar como ele amou – “... se tiverdes amor uns aos outros”.

1. A obra de capacitação de Jesus aos seus discípulos começa no inicio da vida cristã e vai até o final dela – Fp 1.6.

2. Paulo deixou muito claro de onde vinha a sua capacidade – 2Co 3.5; 9.8.

3. Deus é quem opera em nós – Fp 2.13.

4. Por isso o amor de Deus foi derramado em nossos corações – Rm 5.5.

A quinta prioridade na vida de um discípulo de Jesus é deixar-se envolver e ser guiado pelo amor de Deus. A capacidade de amar as almas perdidas e a almas redimidas vem do amor de Deus, em nos pelo Espirito Santo.

Concluindo

Então, o mandamento de Jesus de amar é novo de cinco maneiras: Ele é novo em proeminência; no seu referencial; em sua maneira de expressá-lo; em sua exclusividade; e em sua capacitação. Essas cinco maneiras novas do mandamento do amor de Jesus, revelam as cinco prioridades que um discípulo deve ter em sua vida: 1ª) considerar o amor a Deus e ao próximo como o maior de todos os mandamentos; 2ª) ter Jesus como único referencial de amor para o seu ministério; 3ª) enxergar quem quer que seja como seu próximo e agir em seu favor para a salvação e solidariedade; 4ª) viver o amor de Deus em tudo o que faz; e 5ª) deixar-se envolver e ser guiado pelo amor de Deus. A capacidade de amar as almas perdidas e a almas redimidas vem do amor de Deus em nos pelo Espirito Santo.

Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – Jan/2013


[1] Casimiro, Arival Dias. Estudos Bíblicos no Evangelho de João, Z3, p. 15.
[2] Ibid., p. 15.
[3] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1416.
[4] Ibid., p. 1760.
[5] Ibid., p.1760

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Os Resultados do Novo Nascimento e as Consequências de não Nascer de Novo


João 3.16-21

Dentro de nosso tema mensal, já ouvimos as seguintes exposições:

1ª) Em João 3.1-3Três Detalhes: 1º) Um esclarecimento extraordinário – v.3a. 2º) Um requisito indispensável – v.3b. 3º) Uma experiência única – v.3c. A segunda, em Jo 3.4-6, foi sobre a natureza da nova vida.

2ª) Em João 3.4-6 –  A natureza da Nova Vida: 1º) O que significa ter a nova vida; 2º) O que é a nova vida e; 3º) Como receber a nova vida.

3º) Em João 3.7-15Três características fundamentais do ensino de Jesus sobre a nova vida: 1ª) O que ele ensina é de absoluta confiança – v.11; 2ª) O que ele ensina é de origem celestial – v.12 e; 3ª) O que ele ensina somente ele pode ensinar – v.13.

Ainda, no inicio da mensagem da semana passada, vimos quem é o agente que produz a nova vida – o Espírito Santo – v.8. E as três características de sua ação: 1ª) É uma ação soberana – v.8a; 2ª) É uma ação invisível – v.8b; e 3ª) É uma ação convincente – v.8c.

Hoje, em João 3.16-21, vamos ver os resultados e as consequências de e não nascer de novo: 1º) Os resultados do novo nascimento – ver e entrar no Reino de Deus; e 2º)  As consequências de não nascer de novo – não ver nem entrar no Reino de Deus.
                                  
I. Os resultados do Novo Nascimento – ver e entrar no Reino de Deus.

1. O amor de Deus – v.16a – amor cuidadoso de Deus – Romanos 5.5.

2. Vida eterna – vv.16b, 17 – João 10.10; 17.3.

3. Ver o Reino de Deus – João 3.3 – pela fé – Hebreus 11.1; 4.16.

4. Entrar no reino de Deus – João 3.5; Apocalipse 22.14.

II. As consequências de não nascer de novo – não ver nem entrar no Reino de Deus.

1. Alvo apenas do amor geral de Deus (graça comum) – v.16a – Tito 2.11.

2. Não recebe a salvação – não ser salvo – vv.17, 18.

3. Continuar na pratica do mal (pecado, transgressão) – vv.20, 19; 1 João 3.6.

4. Estar debaixo de julgamento – v.19.

5. Não ver o Reino de Deus – João 3.3; 2 Coríntios 4.4.

6. Não entrar no Reino de Deus – João 3.5; Apocalipse 22.15; 21.8; 1 Coríntios 6.8-11.

Concluindo

Durante este mês, janeiro de 2013, vimos, dentro do tema mensal “uma nova vida” com base em João 3.1-21, quatro mensagens bíblicas:

1ª) Em João 3.1-3Três Detalhes: 1º) Um esclarecimento extraordinário – v.3a. 2º) Um requisito indispensável – v.3b. 3º) Uma experiência única – v.3c. A segunda, em Jo 3.4-6, foi sobre a natureza da nova vida.

2ª) Em João 3.4-6 –  A natureza da Nova Vida: 1º) O que significa ter a nova vida; 2º) O que é a nova vida e; 3º) Como receber a nova vida.

3º) Em João 3.7-15Três características fundamentais do ensino de Jesus sobre a nova vida: 1ª) O que ele ensina é de absoluta confiança – v.11; 2ª) O que ele ensina é de origem celestial – v.12 e; 3ª) O que ele ensina somente ele pode ensinar – v.13. E, introdutoriamente nesta mensagem, vimos quem é o agente que produz a nova vida – o Espírito Santo – v.8. E as três características de sua ação: 1ª) É uma ação soberana – v.8a; 2ª) É uma ação invisível – v.8b; e 3ª) É uma ação convincente – v.8c.

Terminamos, hoje, com João 3.16-21, onde estudamos os resultados do novo nascimento e as consequências de não nascer de novo: 1º) Os resultados do novo nascimento – ver e entrar no Reino de Deus; e 2º) As consequências de não nascer de novo – não ver nem entrar no Reino de Deus.

Pr. Walter Almeida Jr.

IBLB Araras – Jan/2013

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A Palavra de Deus para a edificação plena e libertadora


Salmo 119.129-136

A semana passada, estudamos a décima sexta estrofe do Salmo 119, 121-128, que começa com a décima sexta letra do alfabeto hebraico Áin e significa “olho ou fonte”. Esta letra era usada para indicar o numeral 70. Dependendo de como soa no hebraico pode ser representada em português pelas letras “g” ou “r”. Nosso tema foi: Vivendo na dependência de Deus por sua Palavra.

Hoje, nossa estrofe do Salmo 119 é 129-136, que começa com a décima sétima letra do alfabeto hebraico e significa boca. Esta letra era usada para indicar o numeral 80 e é normalmente transliterada como as letras P ou F em português, dependendo do caso.

Nosso tema de hoje é: A Palavra de Deus para a edificação plena e libertadora.

A estrofe mostra a convicção do salmista sobre o caráter sobrenatural da ação da Palavra do Senhor (129) para a edificação plena e libertadora do servo de Deus (130, 135) e seu profundo desapontamento e tristeza pelas atitudes daqueles que não tem temor à Palavra de Deus (136).

Então, vamos estudar a estrofe em dois pontos principais: 1º) A ação da Palavra do Senhor para a edificação plena – vv. 129-132 e; 2º) A ação da Palavra do Senhor para a edificação libertadora – vv. 133-136.

I. A ação da Palavra do Senhor para edificação plena – vv. 129-132

1. v.129 – o salmista expressa aqui a sua opinião sobre o caráter sobrenatural da ação da Palavra de Deus.
a. Ele usa uma palavra hebraica, que foi traduzida por admiráveis, que é semelhante a nossa palavra sobrenatural. E também usa uma palavra hebraica, que foi traduzida por observa, que significa, também: guardar, proteger, manter intacta.
b. Creio que ele quer dizer que, a ação divina admirável ou sobrenatural da Palavra do Senhor é eficaz na edificação completa, quando é aceita, observada ou guardada pelo servo de Deus.

2. v.130 – Ele esclarece melhor sua convicção aqui, mostrando que a luz da Palavra do Senhor, sua ação sobrenatural, ilumina ou dá compreensão adequada aos simples, pessoas que precisam de orientação, para um viver diário de obediência ao Senhor.

3. v.131, 132 – após afirmar sua convicção na ação poderosa da Palavra, para a edificação plena do servo de Deus, o salmista clama em oração por essa ação em sua vida. Ele diz: “... anelo os teus mandamentos. Volta-te para mim e tem piedade de mim...”. E porque ele ora desse modo? Porque sabe que Deus age dessa forma: “... segundo costumas fazer aos que amam o teu nome”.

II. A ação da Palavra do Senhor para a edificação libertadora – vv. 133-136

1. v.133, 134 – Em sua oração, o salmista, mostra que a edificação plena pela instrumentalidade da Palavra, não somente firma os passos do servo de Deus, na Palavra, mas, livra do domínio do pecado e da opressão mundana, e estimula-o a um viver segundo a Escritura.

2. v.135 –  Aqui, no final de sua oração ele, expõe a necessidade pessoal da iluminação diária da Palavra pelo seu ensino que vem do próprio Senhor.

3. v.136 – Ele termina sua décima sétima estrofe intercedendo contritamente diante de Deus pelos homens – “porque os homens não guardam a tua lei”.

Concluindo

A ação sobrenatural da Palavra do Senhor para a edificação plena e libertadora do servo de Deus vem pelo contato direto com a Palavra e com o Deus da Palavra diariamente.

Por isso as afirmações: “A explicação das tuas palavras ilumina e dá entendimento aos inexperientes. Faze o teu rosto resplandecer sobre o teu servo, e ensina-me os teus decretos”. (vv. 130, 135 – NVI)

Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 27/01/13

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O falso discípulo


João 13.18-30

Em nossos estudos anteriores vimos:

1º) Em João 13.1-5 – diante do estilo de vida de Jesus, marcado pelo amor doador, a resposta a três perguntas que sugerimos com base no texto: Em seu estilo de vida marcado pelo amor doador: 1ª) O que Jesus sabia naquele momento? 2ª) O que Jesus sentiu naquele momento? 3º) O que Jesus fez naquele momento?

2º) Em João 13.6-11 – três lições ensinadas por Jesus aos seus doze discípulos sobre um coração ensinável: 1º) Procura aceitar os planos e ações de Deus, mesmo que muitas vezes não os compreenda de imediato (v.6, 7); 2º) Procura entender que há um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, para a salvação e manutenção desta (v.8, 9); e 3º) Procura reconhecer e submeter-se a Jesus, pois ele é o único que sabe realmente quem somos (v.10-11).

3º) Em João 13-12-17 – como Jesus desafiou seus discípulos com base no que ele mesmo tinha feito. Portanto, aquele que quer seguir o exemplo do seu Mestre, deve ter, no mínimo, quatro atitudes básicas que identificamos na passagem: 1ª) Atitude identificar necessidades e agir para supri-las (v.12); 2ª) Atitudeensinar pelo exemplo (v.13-15); 3ª) Atitude – reconhecer seu lugar na obra de Deus (v.16); e 4ª) Atitudeser feliz, mais pelo que faz do que pelo que sabe (v.17).

Hoje, em João 13.18-30, vamos ver o falso discípulo entre aqueles escolhidos pelo próprio Senhor Jesus e a clara existência deles no meio da igreja desde a sua fundação até hoje. Por isso nosso tema de hoje é “o falso discípulo”.

“A história de Judas é o máximo da tragédia, provavelmente a maior tragédia que já foi vivida. Ele é o exemplo primário do que significa ter a oportunidade e então perdê-la”.[1] Sejam quais forem as razões que levaram Judas a fazer o que fez, temos que observar que, isso aconteceu gradualmente. Ele não se tornou traidor da noite para o dia, isso cresceu dentro dele e o tornou em um homem que só pensava em si mesmo e no que poderia ganhar no ministério apostólico. Assim, “a sua vida terminou em desastre absoluto, o maior exemplo de oportunidade perdida que já se viu”[2].

Judas era um nome comum na época do Novo Testamento e Iscariotes designava o seu lugar de origem “homem de Queriote” (v.26). Ele era o único dos doze discípulos vindo da Judéia.
No capítulo, especificamente no v.13a, está claro o amor de Jesus pelos seus discípulos, mas isso não impediu a traição. Judas traiu Jesus, apesar do amor incondicional que recebeu dele. É nesse contexto descritivo da traição que podemos  aprender, ou não, três coisas: 1) Jesus conhece os seus seguidoresv.18a; 21-26; 2) Jesus confiava e vivia pela Escriturav.18b-20; 3) Jesus respeita as decisões humanasv.26-30.

I. Jesus conhece os seus seguidores – v.18a; 20-26

1. Jesus conhece em particular – v.18a, 21-26; 6.66-70.

2. Jesus conhece a fé – v.19; (Lc 17.3-6).

3. Jesus conhece a disposição – v.20; 15.16.

Todo seguidor leal do Senhor Jesus não deve se abater com os falsos e traidores, mas continuarem firmes em sua missão de embaixadores de Deus. (2Co 5.20)

II. Jesus confiava e vivia pela Escritura – v.18b-20

1. Jesus confiava no cumprimento da Escritura – v.18b – Jo 17.12; Sl 41.9; 55.12-14, 20, 21; Zc 11.12, 13; At 1.16.

2. Jesus vivia as Escrituras – v.19 – não só aqui, mas em Jo 8.24, 28, 58 e 18.5 Jesus usa a expressão “Eu Sou” afirmando sua deidade de modo irrefutável.

a. “Eu Sou” é o nome de Deus – Êx 3.14, 15; Is 43.11; 48.12.

3. v.20 – o que, creio, realmente que Jesus queria dizer aqui é o seguinte: “Aconteça o que acontecer, isso não rebaixa o comissionamento de vocês e não altera o seu chamado. Vocês continuam sendo meus representantes. Ainda que haja um traidor entre vocês, isso não muda nada. Vocês representam Deus no mundo”.[3]

III. Jesus respeita as escolhas humanas – v.26-30

1. v.26 – Jesus respeita as escolhas e oferece oportunidades.

a. Ao dar o pedaço de pão molhado a Judas, Jesus lhe deu mais uma oportunidade de mudança, mas ele “rejeitou a última e mais poderosa oferta de amor de Jesus e o pecado contra o Espírito Santo foi consumado”[4].
b. Judas se tornou um apostata e é um exemplo clássico das Escrituras sobre o assunto. (Conf.: Hebreus 6.4-6).

2. v.27 – Jesus, durante todo o período de seu ministério estendeu a mão a Judas em amor, mas ele cruzou a linha da graça e se deixou possuir por Satanás.
a. Há uma advertência séria de Paulo sobre isso em Ef 4.25-5.2.
b. A atitude de Jesus mudou radicalmente diante da escolha maléfica de Judas. Jesus agora o exorta a agir de acordo com a sua escolha – O que pretendes fazer, faze-o depressa – v.27b.

3. v.28, 29 – os onze discípulos não perceberam o clímax da conversa e das afirmações de Jesus. “Eles não conseguiram ligar as palavras de despedida (v.27), com a ação simbólica de identificação do traidor (v.26)”[5].

4. v.30... saiu logo. E era noite. – “Era mais do que mera noite física, era noite eterna na alma de Judas”[6]. Sempre é noite quando alguém rejeita o amor e o perdão de Jesus.

Existem Judas em todas as épocas da igreja. Talvez eles sejam hoje mais comuns do que nunca. A igreja militante está cheia de pessoas que vendem diariamente Jesus Cristo e “... estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia” (Hb 6.6).

Concluindo

Que Deus nos ajude a termos aprendidos essas três coisas:

1ª) Que Jesus nos conhece e sabe por que o estamos seguindo;
2ª) Que Jesus confiava e vivia pela Escritura e esse deve ser nosso compromisso também;
3ª) Que Jesus respeita as nossas escolhas, mas não deixa de exortar-nos para que acertemos nelas.

Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 24/01/13




[1] John MacArthur – Como ser um crente em um mundo de descrentes, CEP, 2003, p. 29.
[2] Ibid., p. 30.
[3] Ibid., p. 37.
[4] Ibid., p. 43.
[5] Lima, Josadak. O Padrão do Mestre, AD Santos, 2012, p. 39.
[6] MacArthur, p. 44.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Três características fundamentais do ensino de Jesus sobre a nova vida


João 3.7-15

A primeira mensagem sobre o tema do mês: “Uma nova Vida”, foi em Jo 3.1-3 – Três Detalhes: 1º) Um esclarecimento extraordinário – v.3a. 2º) Um requisito indispensável – v.3b. 3º) Uma experiência única – v.3c. A segunda, em Jo 3.4-6, foi sobre a natureza da nova vida.

Hoje, em Jo 3.7-15 nosso tema é: “Três características fundamentais do ensino de Jesus sobre a nova vida”.

Mas, antes, temos que ver quem é o agente que produz a nova vida – o Espírito Santo – v.8. A ação do Espírito Santo tem três características: 1ª) É uma ação soberana – v.8a; 2ª) É uma ação invisível – v.8b; e 3ª) É uma ação convincente – v.8c.

(1ª) Característica Fundamental do Ensino de Jesus:
O que ele ensina é de absoluta confiança – v.11

1. v.11 – ... dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto...

a.  O que Jesus sabia? Ele sabia perfeitamente como uma pessoa recebe a nova vida concedida por Deus pelo novo nascimento!(vv.1-10)

b.   O que ele está testificando? Sobre a ação divina na salvação humana – v.6.

(2ª) Característica Fundamental do Ensino de Jesus:
O que ele ensina é de origem celestial – v.12

Jesus estava focando seu ensino no fato “de que a descrença é a causa da ignorância. Na verdade, o fato de Nicodemos não entender as palavras de Jesus, centrava-se não tanto no intelecto, mas em não crer no testemunho de Jesus.”[1]

1. Coisas terrenas? Nascimento natural, água, ensino, vento, mestres humanos.

2. Coisas celestiais? Nascimento do Espírito, Reino de Deus, Céu, vida eterna.

(3ª) Característica Fundamental do Ensino de Jesus:
O que ele ensina somente ele pode ensinar – v.13.

Somente Jesus poderia ensinar sobre esse assunto que envolve coisas terrenas e celestiais, com absoluta autoridade! Ele era perfeitamente humano e perfeitamente divino.

Só ele poderia ensinar corretamente sobre a nova vida que Deus preparou para todo aquele que nele crer! Pois ele nas três pessoas da santíssima trindade trabalho no plano de redenção:

O Pai planejou e predeterminou antes da fundação do mundo a salvação do homem pecador, o Filho deu a sua vida para que a salvação planejada e predeterminada por Deus fosse acessível ao homem pecador e o Espírito Santo aplica o plano da salvação, convencendo o homem pecador, do pecado, da justiça e do juízo de Deus – para que todo aquele que nele crê tenha avida eterna (v.15).

Concluindo

Em seu eu ensino, Jesus usa um exemplo do Antigo Testamento em Números 21.4-9 e diz: E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. (vv.14, 15)

Assim como Moisés levantou a serpente na haste para que todos os que olhassem para ela vivessem fisicamente, assim aqueles que olham para Cristo, que foi levantado na cruz, viverão espiritualmente e eternamente.[2]

Que Jesus abençoe a cada um com a nova vida!

Pr. Walter Almeida Jr.





[1] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1387.
[2] Ibid., p. 1387.

Vivendo na dependência de Deus por sua Palavra


Salmo 119.121-128

A semana passada, estudamos a décima quinta estrofe do Salmo 119, 113-120, que começa com a décima quinta letra do alfabeto hebraico Sâmed e não tem um significa conhecido. Essa letra era usada para identificar o numeral 60 e é normalmente transliterada como a letra S em português. Nosso tema foi: Buscando integridade diante de Deus por sua Palavra.

Hoje, nossa estrofe do Salmo 119 é 121-128, que começa com décima sexta letra do alfabeto hebraico Áin e significa “olho ou fonte”. Esta letra era usada para indicar o numeral 70. Dependendo de como soa no hebraico pode ser representada em português pelas letras “g” ou “r” como soam em sons guturais produzidos no fundo do palato.

Nosso tema de hoje é: Vivendo na dependência de Deus por sua Palavra.

Em linhas gerais, na estrofe, o salmista percebe e vivência uma situação em que mesmo sendo ele obediente a Deus e buscando a excelência da vida na perfeição da Palavra de Deus, as pessoas opressivas e arrogantes parece que aumentam em número e predominam no mundo. O que ele mostra aqui, é a verdade absoluta da Palavra de Deus sendo desprezada pelo mundanismo e o resultado final é que só a ação divina poderá resolver isso. (vv.12e, 126)

Assim, o salmista, procura viver na dependência de Deus por sua Palavra, no meio do caos estabelecido pela pecaminosidade humana na sociedade. E ele faz isso orando (vv.121-125) e declarando a sua fidelidade a Deus (vv.126-128).

I. Vivendo na dependência de Deus em oração constante – vv.121-125

1. vv.121, 122 – em seu cotidiano, o salmista, vive pela Palavra de Deus, mas como os opressores e soberbos se multiplicam, ele busca a Deus em oração para que o livre deles em suas ações maléficas.

2. v.123 – temos aqui um típico clamor, de um servo de Deus, que já não aguenta mais a multiplicação da iniquidade e o esfriamento do amor. Mas, é alguém que está esperando confiantemente pela salvação e justiça divina.

3. v.124 – o salmista pede um tratamento misericordioso da parte de Deus, ele sabe que não é perfeito; e ensino da Palavra para não se desviar do caminho da obediência.

4. v.125 – aqui temos o salmista reafirmando, diante de Deus, sua postura de servo e mais uma vez a petição por compreensão da verdade divina.

II. Vivendo na dependência da Palavra de Deus em fidelidade vigilante – vv.126-128

1. v.126 – temos aqui, da parte do salmista, a afirmação da necessidade de ação divina diante de tanta iniquidade. Diariamente ele via os mandamentos de Deus sendo pisoteados por uma humanidade enlouquecida pelo frenesi do pecado. E é isso mesmo que vemos em nossos dias.

2. v.127 – a declaração de fidelidade do salmista, aqui, é de amor a Palavra de Deus como o seu principal tesouro.

3. v.128 – e a declaração de fidelidade, aqui, é primeiro, de aceitar a total correção da Palavra (v.128a) e, segundo, de aversão aos caminhos errados (v.128b).

Concluindo

O que o salmista nos ensina, aqui, no seu contexto, que está bem parecido com o nosso, é que para termos uma vida de obediência a Deus é necessário depender dele de modo integral, com tudo o que somos e temos. Para isso precisamos de comunhão constante com Ele, em oração, de conhecimento e amor por sua Palavra e total aversão aos caminhos mundanos.

Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira 2013 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Seguindo o exemplo do Mestre


João 13.12-17

Em nosso estudo anterior em João 13.6-11 vimos três lições ensinadas por Jesus aos seus doze discípulos sobre um coração ensinável: 1º) Procura aceitar os planos e ações de Deus, mesmo que muitas vezes não os compreenda de imediato (v.6, 7); 2º) Procura entender que há um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, para a salvação e manutenção desta (v.8, 9); e 3º) Procura reconhecer e submeter-se a Jesus, pois ele é o único que sabe realmente quem somos (v.10-11).

Hoje, em João 13.12-17, vamos ver o que Jesus quis dizer, quando afirmou, que o seu exemplo deveria ser seguido. Nosso tema é Seguindo o exemplo do Mestre.

Após lavar os pés dos discípulos como exemplo do seu amor doador e de ensiná-los sobre a disposição do coração que cada seguidor deve ter, Jesus, faz uma pergunta retórica: Compreendeis o que vos fiz? (v.12b) Com esta pergunta ele começa a ensiná-los sobre o que acabara de fazer.

“A pedagogia das perguntas de Jesus se constitui uma metodologia de ensino interessante”[1] e eficaz. As perguntas “são um dos métodos mais eficazes de ensino no contexto do discipulado”[2].

Mas, o texto chave aqui é o v.15 – Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Todo cristão, discípulo de Jesus, deve andar como ele andou. João em sua primeira carta diz: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou. (1Jo 2.6)

Aqui nos vv.12-17, Jesus desafia seus discípulos com base no que ele mesmo tinha feito. Portanto, aquele que quer seguir o exemplo do seu Mestre, deve ter, no mínimo, quatro atitudes básicas que identificamos na passagem: 1ª) Atitude identificar necessidades e agir para supri-las (v.12); 2ª) Atitudeensinar pelo exemplo (v.13-15); 3ª) Atitude – reconhecer seu lugar na obra de Deus (v.16); e 4ª) Atitudeser feliz, mais pelo que faz do que pelo que sabe (v.17).

I. Primeira atitude – identificar necessidades e agir para supri-las (v.12)

Os discípulos de Jesus precisavam compreender o porquê de sua atitude! Sem essa compreensão eles não agiriam corretamente. Jesus sabia que eles tinham limitações na área do entendimento das coisas espirituais. Ao responder a sua própria pergunta, Jesus recorreu primeiro ao seu relacionamento com eles (Mestre, Senhor – v.13) e, em seguida, a seu exemplo (deveis lavar os pés uns dos outros – v.14b).[3]

Quais necessidades Jesus identificou e o que ele fez para supri-las?

1. Necessidades identificadas: Pés que precisavam ser lavados e falta de compreensão das coisas espirituais.

2. Iniciativas para suprimento: lavou os pés e usou esse serviço para ensino de verdades espirituais.

O discípulo aprende pelo preceito e pelo exemplo. Saber o que fazer na teoria não é tão difícil, mas praticar no contexto da igreja já não é tarefa fácil[4].

II. Segunda atitude – ensinar pelo exemplo (v.13-15)

O que mais influencia no aprendizado de um discípulo é a vida e personalidade do seu discipulador, que deve ser um crente exemplar. O cristão, como discípulo e discipulador, ensina através do que diz; mas ensina muito mais através do que faz, mas principalmente, através do que ele é.

O que Jesus fez foi exatamente isso, ele é Mestre e Senhor, mas com objetivos pedagógicos, lavou os pés dos seus discípulos. O que ele queria com isso? A resposta está nos vv.14b, 15 – ... vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.

Conferir as recomendações de Paulo –  1Co 4.6, 16; 11.1; Fp 3.17; 1Ts 1.6. 

III. Terceira atitude – reconhecer seu lugar na obra de Deus (v.16)

Jesus já havia dito quem era o Mestre e o Senhor e o que ele fazia. Agora, ele deixa claro para os seus discípulos que eles deveriam reconhecer os seus lugares na obra de Deus. Eles seriam os apóstolos do Senhor, não o Senhor!

Em Efésios 4.11-16 temos o esclarecimento necessário para o reconhecimento de nossa função na igreja, e, mais ainda, porque nos foi dado tal responsabilidade.

IV. Quarta atitude – ser feliz, mais pelo que faz do que pelo que sabe (v.17)

A palavra bem-aventurado vem de um adjetivo no grego que significa feliz ou aquele que desfruta da felicidade plena. Essa palavra tem como raiz um termo grego que significa ser feliz, mas não no sentido usual baseado em circunstâncias exteriores positivas.

Jesus usando a mesma raiz da palavra disse que esta felicidade é a alegria que ninguém pode tirar – João 16.22: Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar.

Olhando as bem-aventuranças em Mateus 5.1-12, percebemos que quando Jesus fala em bem-aventurança, ele está oferecendo bênção e felicidade com base em um novo modo de vida. É o estilo de vida que distingue o crente de qualquer época. Esse ensino nos convida a um novo padrão de vida. A vontade dele aqui é que sejamos felizes. Por isso concede-nos princípios por meio dos quais podemos sê-lo. O que ele quer dizer é que se vivermos conforme os seus princípios seremos diferentes e felizes de verdade.

Concluindo

“Jesus havia dado uma demonstração prática de humildade. Agora ele afirma que esta virtude consiste numa obrigação permanente na comunidade do Reino, como um ato de honra de uns para com os outros”[5]. O cristão que segue o exemplo de Jesus e pratica a humildade em tudo o que faz, desfruta da felicidade oferecida por ele. O principio bíblico da felicidade duradoura está aqui! “O discípulo se realiza não por causa do sabe, mas por causa do que pratica”[6].

Que Deus nos ajude a seguirmos o exemplo do nosso Mestre e Senhor, Jesus, para que possamos na identificação da real necessidade dos nossos irmãos, agirmos para supri-las, sendo assim, um exemplo para eles. Reconhecendo também nossa função na obra de Deus e desfrutando de felicidade plena.

Pr. Walter Almeida Jr.


[1] Lima, Josadak. O Padrão do Mestre, AD Santos, 2012, p. 22.
[2] Ibid., p. 22.
[3] Carson, D. A. – Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, 2009, p. 1584.
[4] Josadak, p. 25.
[5] Ibid., p. 22.
[6] Ibid., p. 23.