sábado, 27 de dezembro de 2014

Panorama do AT – Deuteronômio (2) Segunda Parte: A Aliança de Israel com Deus exige amor fiel demonstrado em exclusiva devoção a Ele como Deus, e obediência a Seus mandamentos como seu padrão de vida na Terra Prometida.

Deuteronômio 1-34 (4.44-26.19)

Na introdução e no estudo da primeira parte do livro de Deuteronômio, vimos que:

ü  O título hebraico do livro “estas são as palavras”, provem das duas primeiras palavras hebraicas deste e, em português “translado ou cópia desta Lei” com base em Dt 17.18.

ü  Deuteronômio registra os acontecimentos sucedidos nas últimas semanas de vida de Moisés: 1) A comunicação verbal da revelação divina por Moisés para o povo (1.1-30.20; 31.30-32.47; 33.1-29); 2) Moisés registrando a Lei num livro (Dt 31.1-13, 19-30); 3) a nomeação de Josué como novo líder do povo (Dt 31.14-18); e 4) a morte de Moisés (Dt 34.5-12).

ü  As divisões naturais do livro estão nos três discursos ou sermões de Moisés. Para nosso estudo panorâmico de Deuteronômio vamos dividir o livro, também, em três partes, seguindo as divisões dos sermões mosaicos: Introdução – 1.1-4; 1º) Primeiro Sermão de Moises1.5-4.43; 2º) Segundo Sermão de Moisés4.44-28.68; 3º) Terceiro Sermão de Moisés29.1-30.20; Conclusão – 31.1-34.12.

ü  Terminamos o estuda da primeira parte do livro que é uma recapitulação histórica das obras graciosas de Deus e uma convocação para obediência em amor à aliança feita pelo Senhor no Sinai, com três lições: 1ª) Deus, não apenas nos dá mandamentos para seguirmos, ele, explica por que e como vivermos por eles. 2ª) Obediência é um tema predominante aqui e em todo Pentateuco, dada a sua importância na Aliança de Deus com Israel. 3ª) Nosso processo redentivo, a iniciativa sempre é divina.

Hoje, vamos estudar, panoramicamente, em Deuteronômio, a segunda parte de livro, que é o segundo sermão de Moisés – “A Aliança de Israel com Deus exige amor fiel demonstrado em exclusiva devoção a Ele como Deus, e obediência a Seus mandamentos como seu padrão de vida na Terra Prometida.”[1]

O cerne do livro se encontra aqui, começando com o segundo sermão de Moisés: Esta é, pois, a lei que Moisés propôs aos filhos de Israel. (4.44; cf. 1.5) Depois de uma breve introdução (4.44-49), Moisés proporciona ao povo um claro entendimento do que a Lei diz a respeito do relacionamento deles com o Senhor na Terra Prometida (5.1-26.19), e conclui com o relato das bênçãos e maldições que sobreviriam a eles dependendo da resposta que dariam as estipulações dessa Lei, em seu terceiro sermão (27.1-28.68).[2]

ð 4.44-49 – Nessa breve introdução, Moisés, descreve o contexto cronológico e geográfico da renovação da Aliança de Israel com Deus, após Israel ter derrotado os amorreus e esperado junto a Bete-Peor, pelo momento certo para entrar em Canaã.[3]

ð v.45 – As instruções de Deus para Israel compunham-se de: 1) testemunhos – as estipulações básicas da Aliança; 2) estatutos – palavras que foram escritas e por isso fixadas; e 3) juízos – decisões tomadas por um juiz com base no mérito da situação.[4]

I. A Aliança de Israel com Deus exige amor fiel demonstrado em exclusiva devoção a Ele como Deus[5] – 5.1-11.32

1. O resumo da Aliança divina mediada por Moisés em Horebe é encontrado nos dez mandamentos – 5.1-33.
Moisés começa o seu segundo sermão para o povo de Israel relembrando-lhes dos acontecimentos e mandamentos básicos de Deus, que eram fundamentais
na aliança sinaítica ou mosaica.

a.    v.1 – uma audição que leva a obediência foi exigida de todo o povo – cf. 6.4; 9.1; 20.3; 27.9.

2. O requerimento mais fundamental em Israel é que a nação faça jus à singularidade de Deus com extraordinária devoção a Ele – 6.1-25.
Moisés começa a explicar os três primeiros dos Dez Mandamentos
àquele momento da vida do povo.

a.    v.4 – conhecido com Shemá (ouvir) tornou-se a confissão de fé judaica, recitada duas vezes ao dia pelos devotos, juntamente com 11.23-21 e Nm 15.37-41.

3. A exigência de Deus para que Israel se abstivesse de qualquer associação com os habitantes de Canaã – 7.1-26.

a.    Não deveria haver qualquer associação politica, social ou religiosa – vv.1-10.

b.   A motivação para a obediência cuidadosa são as bênçãos da aliança – fertilidade, produtividade, saúde, vitória e paz – vv.11-16.

c.    A obediência do povo dependia da fé alicerçada nos registros históricos dos atos de Deus – vv.17-26.

4. O esquecimento dos atos poderosos de Deus por Israel deve ser evitado, pois ele leva à independência que produz a disciplina divina – 8.1-20.

5. Israel deveria reconhecer as verdadeiras razões para a conquista de Canaã – a iniquidade dos cananeus e a promessa de Deus aos patriarcas – 9.1-10.1.

6. A resposta de Israel ao privilégio de estar em aliança com Deus, o espantoso Deus das promessas, é temê-lo humildemente e amá-lo obedientemente para sempre – 10.12-11.32.

II. Obediência aos mandamentos de Deus como padrão de vida na Terra Prometida[6] – 12.1-26-19

Após expor os princípios gerais do relacionamento de Israel com Deus, Moisés, explica agora, as leis específicas que ajudariam o povo a subjugar ao Senhor todos os aspectos de sua vida. Essas instruções foram dadas a Israel para cumprir na terra. (12.1)[7]

1. A vida religiosa de Israel deve ser caracterizada por máxima pureza em adoração, rejeitando a idolatria e apegando-se aos preceitos morais, sociais e cultuais de Deus – 12.1-16.17.

2. A vida civil de Israel deve ser caracterizada pela obediência à Lei de Deus, respeitando a vida humana, a individualidade, a família e o ambiente – 16.18-25.19.

3. A resposta de Israel ao chamado de Deus para um compromisso total expresso por intermédio da consagração das primícias e dos dízimos do terceiro ano – 26.1-19.

Concluindo – Lições da segunda parte do livro de Deuteronômio:

1)   Assim como Deus deu a Lei a Israel como única regra de fé e prática, ele nos da toda a Bíblia hoje.

2)   Assim como Israel, nunca devemos nos esquecer de quem é Deus e o que ele fez e faz por nós.

3)   Como Israel, devemos assumir humildemente o compromisso de amar e obedecer a Deus para sempre.


Pr. Walter Almeida Jr.
IBL Limeira – 28/12/14



[1] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento, Editora Hagnos, Primeira Edição, 2006, p. 183.

[2] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 238.
[3] Ibid., p. 238.
[4] Ibid., p. 238.
[5] Pinto, p. 183-185 (Esse ponto segue o esboço das páginas citadas com adaptações minhas ao contexto da igreja local).
[6] Pinto, p. 186-192 (Esse ponto segue o esboço das páginas citadas com adaptações minhas ao contexto da igreja local).
[7] MacArthur, p. 247.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Panorama do AT – Deuteronômio (1) Primeira Parte: Recapitulação histórica das obras graciosas de Deus e convocação para obediência em amor à aliança feita pelo Senhor no Sinai.

Deuteronômio 1-34 (1-4)

Nos estudos anteriores, no livro de Números, vimos que:

ü  O livro registra as experiências de duas gerações de israelitas. A primeira geração participou do êxodo para fora do Egito, e a história dela vai de Êx 2.23 até Números 14, quando recusou-se a entrar na Terra Prometida (14.1-10) e foi sentenciada a morrer no deserto por essa rebelião ao seu Deus (14.26-38todos os homens de 20 anos para cima, exceto Josué e Calebe, pereceram no deserto).

ü  Entre os capítulos 15 e 25 as duas gerações se sobrepõem e a primeira se extingue quando a segunda se torna adulta. Assim, com a segunda contagem do povo, começa a história da segunda geração que foi a guerra e herdou a terra – 26.1-56; vv.2, 52-56. A história da segunda geração estende-se pelos livros de Deuteronômio e Josué.

ü  O livro de Números serve ao propósito de demonstrar como Deus age em fidelidade para com a Sua Aliança, apesar da resistência obstinada do povo escolhido. Mostra, também, como Deus usou o deserto para preparar uma geração disposta a confiar Nele e cumprir a Sua vontade em plena dependência.[1]

ü  Números contêm três divisões distintas baseadas na resposta de Israel à Palavra de Deus: 1ª) Obediência – a experiência da primeira geraçãoNm 1-10; 2ª) Desobediência – uma experiência amarga Nm 11-25; e 3ª) Obediência Renovada – a experiência da segunda geração Nm 26-36.[2] São esses os pontos que vamos usar para o nosso estudo do livro.

Hoje, vamos começar o estudo panorâmico no livro de Deuteronômio, fazendo uma breve introdução ao livro e vendo a sua primeira parte.

Introdução ao Livro de Deuteronômio

O título hebraico do livro “estas são as palavras”, provem das duas primeiras palavras hebraicas deste. Já o título em português, vem da Septuaginta e da Vulgata e significa “translado ou cópia desta Lei” com base em Dt 17.18.

O livro é de autoria mosaica e datado de 1405 a.C., mas, concordando Carlos Osvaldo, “com a ressalva de que houve um mínimo de atividade editorial, provavelmente ainda no tempo de Josué (cf. Dt 2.10 e o relato da morte de Moises em Dt 34)”[3].

A forma literária de Deuteronômio, segundo os padrões dos tratados de suserania, é significativa para a determinação da mensagem e a compreensão da teologia no livro e revela que, uma das preocupações de Moisés foi enfatizar o caráter e as ações de Deus, como autoridade suprema, e as responsabilidades de Israel, como servo.[4]

Assim como outros textos de caráter normativo no Pentateuco, Deuteronômio expressa o que Deus requer do seu povo escolhido, e o faz explicando concretamente o mandamento que Jesus qualificou de o principal – Dt 6.5; Mc 12.30. Estas palavras são a coluna vertebral de todo o discurso mosaico, que agora assume um caráter mais pessoal do que quando o povo o ouvia no Sinai.[5]

Deuteronômio registra os acontecimentos sucedidos nas últimas semanas de vida de Moisés: 1) A comunicação verbal da revelação divina por Moisés para o povo (1.1-30.20; 31.30-32.47; 33.1-29); 2) Moisés registrando a Lei num livro (Dt 31.1-13, 19-30); 3) a nomeação de Josué como novo líder do povo (Dt 31.14-18); e 4) a morte de Moisés (Dt 34.5-12).

Ao lado do livro de Salmos e do de Isaías, Deuteronômio fala muito sobre os atributos de Deus e por isso é citado mais de 40 vezes em 17 dos 27 livros do Novo Testamento.  O próprio Senhor Jesus citou este livro ao responder e triunfar sobre o Diabo (Mt 4.1-11) e ao defender sua autoridade messiânica, resumindo e definindo o que é mais importante na Lei (Mt 22.34-40).

Dentre as passagens importantes do livro podemos citar: Dt 5.5-21 – Os Dez Mandamentos; Dt 6.4-9 – O Shema (Ouve, Israel); Dt 13.1-5 – sobre os falsos profetas; Dt 18.9-15 – sobre os adivinhos e feiticeiros; e Dt 29.1-30.20 – a Aliança Palestina.

As divisões naturais do livro estão nos três discursos ou sermões de Moisés. Para nosso estudo panorâmico de Deuteronômio vamos dividir o livro, também, em três partes, seguindo as divisões dos sermões mosaicos: Introdução – 1.1-4; 1º) Primeiro Sermão de Moises1.5-4.43; 2º) Segundo Sermão de Moisés4.44-28.68; 3º) Terceiro Sermão de Moisés29.1-30.20; Conclusão – 31.1-34.12.

I. Introdução e Primeiro Sermão de Moisés – 1.1-4.43

1.    O livro começa com um preâmbulo, o qual apresenta Moisés como o mediador da aliança e as circunstâncias, históricas e geográficas, em que essa mediação acontece[6]1.1-4.

a.    v.3 – Moisés agiu sob a autoridade de Deus, pois as suas palavras estavam conforme a tudo o que o Senhor lhe mandara acerca deles.

b.   v.3 – A expressão “acerca deles” ou “a todo o Israel” “é usada 12 vezes nesse livro e enfatiza a unidade de Israel e a aplicação universal dessas palavras”[7].

c.    Essa introdução fornece, também, o proposito do livro: Preparar Israel para a prosperidade e permanência na Terra Prometida por meio da obediência em amor à aliança com Deus.

2.    Primeiro Sermão de Moisés – 1.4-4.43
Recapitulação histórica das obras graciosas de Deus e convocação para obediência em amor à aliança feita pelo Senhor no Sinai.

a.    A história de Israel, do Sinai até Cades-Barnéia, mostra a desobediência e rebeldia do povo e como isso provocou a ira de Deus – 1.5-46.

b.   A peregrinação de Israel no deserto culmina com a conquista dos amorreus e seus territórios, após a desobediência em que até mesmo Moisés fora punido – 2.1-3.29.

ü A proibição da entrada de Moisés na Terra Prometida é o ápice da disciplina sobre a primeira geração de Israel e abre caminho para Josué e a geração que obedecerá a Deus – 3.21-29.

c.    Na aliança a exigência fundamental para Israel era a obediência completa a Deus frente a idolatria desenfreada que certamente ameaçaria o usufruto da Terra Prometida – 4.1-40.

ü A obediência às exigências da aliança era encorajada com base no caráter de Deus manifestado nos seus atos – vv.1-14.
ü A obediência às exigências da aliança devido à insensatez e à punição da idolatria – vv.15-31.
ü A obediência às exigências da aliança era encorajada em virtude dos privilégios singulares que Israel havia recebido – vv.32-40.

d.   vv.41-43 – Esse primeiro sermão de Moisés foi proferido quando ele separou as cidades de refúgio a leste do Jordão, Bezer, Ramote e Golã.

ConcluindoLições da introdução e primeira parte do livro de Deuteronômio:

1)   Deus, não apenas nos dá mandamentos para seguirmos, ele, explica por que e como vivermos por eles (1.5).
2)   Obediência é um tema predominante aqui e em todo Pentateuco, dada a sua importância na Aliança de Deus com Israel.
3)   Nosso processo redentivo, a iniciativa sempre é divina.

Pr. Walter Almeida Jr.
IBL Limeira



[1] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento, Editora Hagnos, Primeira Edição, 2006, p. 121.
[2] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 182.
[3] Pinto, p. 161.
[4] Ibid., p. 163.
[5] Bíblia de Estudo Almeida, SBB, 1999, p. 201.
[6] Pinto, p. 171.
[7] MacArthur, p. 231.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Panorama do AT – Números (3) Terceira Parte: Obediência Renovada – a experiência da segunda geração – Nm 26-36

No estudo anterior, no livro de Números,

ü Vimos a sua segunda parte com o tema: Desobediência – uma experiência amarga Nm 11-25.

ü Vimos, também, que em contraste com os primeiros dez capítulos, uma importante mudança acontece a partir do capítulo 11. De obediente, Israel passou para desobediente, isto é, murmurador e rebelde. E em resposta à desobediência do povo, a ira do Senhor se manifestou e Israel foi disciplinado rigorosamente.

ü Terminamos o estudo com as seguintes lições aprendidas: 1ª) A desobediência deliberada aos princípios morais absolutos da Palavra de Deus afasta Deus do seu povo (Is 59.1-5); 2ª) A desobediência em rejeitar a vontade de Deus nas Escrituras para o seu povo gera uma incredulidade crescente (Hb 3); 3ª) A desobediência que não é abandonada pelo arrependimento sincero e a confissão contrita não é perdoada e passível de disciplina divina (Hb 10.19-39; 12.1-29).

Hoje, vamos estudar a terceira parte com o tema: Obediência Renovada – a experiência da segunda geração Nm 26-36.

Essa última parte do livro, a maior, registra a renovada obediência de Israel. Deus continua a falar com eles e a segunda geração da nação obedece. A maioria dos mandamentos dessa parte final de Números diz respeito à vida de Israel depois da sua entrada na Terra Prometida.[1]

Dividiremos os capítulos em dois pontos: 1º) Deus prepara o seu povo para a conquista da Terra Prometida26.1-31.54; 2º) Deus começa a estabelecer o seu povo na Terra Prometida32.1-36.13.

I. Deus prepara o seu povo para a conquista da Terra Prometida – 26.1-31.54

1. Esse segundo censo ordenado por Deus, trinta e oito anos depois do primeiro (1.1-46), contou todos os homens acima de 20 anos de idade, preparados para o serviço militar, e mostra a fidelidade de Deus em preservar Israel no deserto – 26.1-51.

2. Os números do censo seriam usados para definir o tamanho da herança de cada tribo na terra de Canaã e a sua localização exta seria determinada por sorteio – 26.52-56. (Cf. Js 13.1-7; 14.1-19.51)

3.  Assim como no primeiro censo (3.14-39), os levitas foram contados separadamente – 26.57-65.

4. Por decisão divina, a legislação que assegura a uma mulher preservar a linhagem do seu clã é instituída – 27.1-11.

5. Deus providencia um novo líder para o povo – Josué – 27.12-22.

a. vv.12-14 – Moisés é relembrado da razão porque não entraria na terra de Canaã.

b. vv.15-23 – Josué é escolhido e comissionado como novo líder de Israel.

6. Um novo conjunto de instruções é dado para o funcionamento do sistema sacrificial na Terra Prometida – 28.1-29.40.[2]

7. Os votos individuais feitos ao Senhor devem ser levados a sério pelo povo de Israel – 30.1-16. Aqui, são dadas mais explicações sobre as leis referentes aos votos de Lv 27.1-33.

8. Israel derrota e destrói os midianitas por uma ordem direta de Deus – 31.1-54.

a. Midiã é destruída de acordo coma ordem de Deus – vv.1-18.

b. A batalha contra Midiã ofereceu a oportunidade de reforçar as leis de purificação após a batalha – vv.19-24.

c. A batalha contra Midiã ofereceu, também, a oportunidade de reforçar as leis acerca da divisão dos despojos de guerra – vv.25-54.[3]

II. Deus começa a estabelecer o seu povo na Terra Prometida – 32.1-36.13

1. As tribos de Ruben e Gade e meia tribo de Manassés recebem autorização e se estabelecem na Transjordânia por que aquela região era boa para criação de gado – 32.1-42.

2. Moisés é ordenado a fazer um registro dos 40 anos de peregrinação no deserto – 33.1-56.

a. A rota da peregrinação apresentada foi:

ð Do Egito ao Sinai – vv.1-15;
ð Do Sinai até Cades – vv.16, 17;
ð De Cades para o deserto e a volta a Cades – vv.18-36;
ð De Cades até Moabe – vv.37-49.

b. A ordem divina para a conquista da Terra Prometida era para expulsar totalmente os habitantes, destruir radicalmente a idolatria e dividir a terra de forma apropriada – vv.50-56.

3. As instruções relativas à divisão da terra cobrem a definição de suas fronteiras, a provisão para os levitas e a legislação acerca das cidades de refúgio – 34.1-35.34.[4]

ð A herança dos levitas compreendia 48 cidades espalhadas por Canaã, das quais seis deveriam servir como cidades de refúgio – 35.1-34.[5]

4. A instrução sobre o casamento das herdeiras dentro de sua própria tribo revela o propósito de Deus para a estabilidade da comunidade de Israel – 36.1-13.

As filhas de Zelofeade exemplificaram obediência aos mandamentos do Senhor, que deviam ser praticada por todos os israelitas. Sua herança foi resultado direto de sua obediência ao Senhor – a lição básica enfatizada ao longo de todo o livro de Números[6].
(vv.10-12)

Concluindo – Lições da terceira e última parte do livro de Números:

1ª) Em cada detalhe de nossas vidas, o nosso Deus está nos preparando para a nossa herança eterna1Pe 1.3-9.

2ª) As lutas desta vida não tem como comparar-se com aquilo que aguarda o filho de DeusRm 8.18.

3ª) Assim como Deus preparou a Terra Prometida para a nação de Israel, ele tem preparado para a sua Igreja novos céus e nova terra, em que habita a justiça1Pe 3.13-18.

Pr. Walter Almeida Jr.
IBL Limeira 14/11/14



[1] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 216.
[2] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento, Editora Hagnos, Primeira Edição, 2006, p. 154.
[3] Ibid., p. 157.
[4] Ibid., p. 157.
[5] Ibid., p. 157.
[6] MacArthur, p. 228.

domingo, 9 de novembro de 2014

Panorama do AT – Números (2) Segunda Parte: Desobediência – uma experiência amarga – Nm 11-25

Números 1-36 (11-25)

No estudo anterior, no livro de Números:

ü Vimos que o livro serve ao propósito de demonstrar como Deus age em fidelidade para com a Sua Aliança, apesar da resistência obstinada do povo escolhido, e para mostrar como Deus usou o deserto para preparar uma geração disposta a confiar Nele e cumprir a Sua vontade em plena dependência.

ü Vimos, também, que Números contém três divisões distintas baseadas na resposta de Israel à Palavra de Deus: 1ª) Obediência – a experiência da primeira geraçãoNm 1-10; 2ª) Desobediência – uma experiência amarga Nm 11-25; e 3ª) Obediência Renovada – a experiência da segunda geração Nm 26-36.

ü E, estudamos a primeira parte com o tema “Obediênciaa experiência da primeira geração”, terminando com três lições: 1ª) Deus não somente cumpre as suas promessas bíblicas, mas ele prepara tudo para que seja para a sua glória e para o bem do seu povo; 2ª) Deus só exige uma coisa do seu povo – obediência à sua Palavra; e 3ª) Durante o nosso tempo aqui no mundo, até que Cristo volte, o Senhor é o nosso caminho, a nossa verdade e a nossa vida.

Hoje, vamos estudar a segunda parte com o tema: Desobediência – uma experiência amarga Nm 11-25.

Antes de rebelar-se contra Deus e à sua liderança estabelecida na pessoa de Moisés, “finalmente, de maneira ordeira e obediente, Israel, em sua primeira geração, partiu do Sinai como o Senhor ordenara a Moisés – 10.11-36”.[1]

ð vv.11-13 – Treze meses depois de ter saído do Egito e onze meses depois da chegada ao Sinai, Israel começou a marcha rumo a Terra Prometida. O v.12 dá um resumo de como Deus guiou Israel do Sinai até Cades.

ð vv.14-28 – Aqui, a ordem para Israel marchar é obedecida e está exatamente de acordo com os detalhes dados em 2.1-34. “A ordem da marcha segue a distribuição do acampamento de Israel, com o tabernáculo sendo desmontado, transportado e armado antes da chagada do povo”[2].

ð vv.29-32 – Moisés busca a ajuda de Hobabe, seu cunhado, que conhecia bem o deserto e poderia servir como guia (v.31).

ð vv.33-36 – A direção era fornecida pela arca do Senhor, à medida que Moisés invocava a proteção militar de Deus durante o dia e a Sua presença durante a noite.[3]

 Acontecia que, partindo a arca, Moisés dizia: Levanta-te, SENHOR, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os que te odeiam. E, pousando ela, dizia: Volta, ó SENHOR, para os muitos milhares de Israel.
vv.35, 36

Em contraste com os primeiros dez capítulos, uma importante mudança acontece a partir do capítulo 11. De obediente, Israel passou para desobediente, isto é, murmurador e rebelde – 11.1; 14.2, 27, 29, 36; 16.1-3, 41; 17.5. Em resposta à desobediência do povo, a ira do Senhor se manifestou e Israel foi disciplinado rigorosamente – 11.1, 10, 33, 37; 12.9, 46-50; 14.18; 25.3, 4, 8-9, 18.

I. A desobediência de Israel e sua rejeição, por parte de Deus, foram o auge de vários episódios de incredulidade e ingratidão – 11.1-14.45.

1.  As primeiras reclamações acerca das dificuldades da viagem e sua punição – 11.1-3. Deus em sua graça consumiu apenas aqueles que estavam na última parte de Israel (v.1b) e ouviu a oração de Moises pelo povo – v.2.

2. A ingratidão para com a provisão de Deus gera murmuração, por parte de um grupo semita que havia acompanhado Israel na saída do Egito – 11.4, 5. A disciplina da parte de Deus veio após a provisão divina – 11.6-35.

3. O desprezo e sedição para com a liderança divina por meio de Moisés, fez com que Miriã e Arão desafiassem sua autoridade em rebeldia à autoridade de Deus – 12.1-16.

a. O próprio Deus sai em defesa de Moisés (vv.4-8) e ouve a oração deste em favor de sua irmã – vv.9-16.

4. Por incredulidade o povo não confia em Deus para a conquista de Canaã e isso gera uma rejeição da parte de Deus sobre essa geração – 13.1-14.45.

a. Doze espias são nomeados para uma missão de inteligência geográfica, militar e agrícola na Terra Prometida – 13.1-25.

b. O relato pessimista e incrédulo dos espias, com exceção de Josué e Calebe – 13.26-33.

c. A disciplina divina pela incredulidade e desprezo de Israel, traz o juízo da perda irreversível das promessas relativas a posse da terra pela primeira geração de Israel – 14.1-45.

ð A incredulidade e murmuração de Israel é absurda – vv.1-5.
ð O testemunho, a fé e a coragem de Josué e Calebe são rejeitados – vv.6-10.
ð A decisão divina e a intercessão de Moisés – vv.11-25.
ð O juízo sobre a primeira geração de Israel foi a morte no deserto como eles mesmos desejaram – vv.2, 26-35.
ð Como sinal de certeza do juízo vindouro, os dez espias que fizeram o povo questionar sua fé foram feridos pela praga e morreram[4]v.36-38.
ð A derrota dos israelitas diante dos amalequitas pela falta da presença de Deus – vv.39-45.

II. A desobediência de Israel e sua rejeição para com o melhor que Deus lhe oferecera, gera novas legislações e mais juízos divinos – 15.1-19.22.

Embora os israelitas tivessem se rebelado contra o Senhor e estivessem sob o juízo, ainda assim o Senhor planejou dar-lhes a terra de Canaã. Essas leis assumiam que Israel entraria na Terra Prometida[5]15.2, 17.

1. As ofertas suplementares deveriam ser trazidas com as ofertas normais em Canaã, com sua quantidade variando de acordo com o tamanho da oferta principal – 15.1-16.[6]

2. Os pecados não intencionais, coletivos e individuais, exigiam sacrifícios de expiação e dedicação (15.17-29), mas, o intencional, equivalente a blasfemar contra Deus, não era passível de expiação e deveria ser punido com a morte, conforme ilustrado por aquele que violasse o sábado – 15.30-41.[7]

3. Uma rebelião político-religiosa contra Moisés e Arão trazem consequências desoladoras para o povo – 16.1-50.

a. Os instigadores da revolta foram um levita (religioso – Coré) e alguns rubenitas (políticos – Datã, Abirão e Om)) – vv.1-15.

b. O juízo divino sobre os líderes, os duzentos e cinquentas homens de posição em Israel e sobre todos os quer aderiram a eles – 16.16-50.

4. A reafirmação da escolha de Arão como sacerdote de Deus e a afirmação, mais uma vez, dos deveres e do sustento dos sacerdotes – 17.1-18.32.

5. O grande número de mortes resultantes da rebelião de Coré levou à instituição de uma legislação para a purificação dos que entrassem em contato com cadáveres – 19.1-22. “Durante um período de 38 anos e meio, mais de 1,2 milhões de pessoas morreram no deserto por causa dos julgamentos de Deus”[8].

III. A desobediência de Israel e sua rejeição do plano de Deus, condena à morte toda a sua primeira geração (geração do êxodo) e prepara uma nova para a conquista da Terra Prometida – 20.1-25.18.

1. A morte de Miriã, a desobediência de Moisés e a morte de Arão mostram a fragilidade humana diante da seriedade do projeto divino – 20.1-29.

2. As primeiras vitórias militares de Israel mostram a bondade de Deus em dar-lhes a terra de Canaã – 21.1-22.1

a. A punição das serpentes venenosas contra a nova murmuração do povo, ensina uma lição de dependência para com Deus – vv.4-9.

b. A peregrinação disciplina de Israel se encerra nas planícies de Moabe, para além do Jordão, perto de Jericó, à vista da Terra Prometida – 22.1.[9]

3. O compromisso de Deus em estabelecer Israel na Terra Prometida é demonstrado na proteção contra maldições e na punição por traição à aliança – 22.2-25.18.

a. O medo que Moabe tinha de Israel leva Balaque a pedir ajuda a um adivinho da Mesopotâmia, chamado Balaão, conhecido por ser eficiente em suas predições de destino[10]22.2-24.25.

ð As emoções conflitantes de Balão são confrontadas por Deus, quando o seu anjo corrige o profeta pagão por meio de uma jumenta[11]22.21-35.
ð Balaão é recebido com grandes honras por Balaque, mas anuncia sua condição como porta-voz de Deus e em seus oráculos confirma as antigas bênçãos divinas para Israel, em lugar de amaldiçoar a nação escolhida[12]22.36-24.25.
ü No primeiro oráculo, ele confirma a promessa de crescimento de Israel, como um povo separado (vv.1-12); no segundo, confirma a promessa de segurança e triunfo para Israel (vv.13-26); no terceiro, confirma as promessas de prosperidade e vitória diante dos reis (23.27-24.9); e, no quarto, ele prediz a vinda de um poderoso governante em Israel, que conquistará Moabe e Edom (24.10-19).
ü 24.20-25 – aqui, temos mais três oráculos onde Balaão descreve a derrota definitiva das outras nações que teriam contato com Israel.

b. A punição que elimina os culpados de traição da aliança – 25.1-18.

ð Traição moral pela adoração a Baal, um deus midianita – vv.1-3.
ð O juízo de Deus foi uma praga que cessaria apenas com a execução dos líderes da traição – vv.4, 5.
ð A praga cessa após um ato zeloso de Finéias (morrem 24 mil pessoas) – vv.6-15.
ð Os midianita são condenados a morte como inimigos de Israel após sua tentativa enganosa para destruir Israel “por meio de seus esquemas de sedução sexual e idolatra”[13]vv.16-18.

Conclusão – Lições da segunda parte:

1ª) A desobediência deliberada aos princípios morais absolutos da Palavra de Deus afasta Deus do seu povo (Is 59.1-5);

2ª) A desobediência em rejeitar a vontade de Deus nas Escrituras para o seu povo gera uma incredulidade crescente (Hb 3);

3ª) A desobediência que não é abandonada pelo arrependimento sincero e a confissão contrita não é perdoada e passível de disciplina divina (Hb 10.19-39; 12.1-29).

Pr. Walter Almeida Jr.
IBL Limeira 08/11/14



[1] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 197.
[2] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento, Editora Hagnos, Primeira Edição, 2006, p. 144.
[3] Ibid., p. 144.
[4] MacArthur, p. 202.
[5] Ibid., p. 203.
[6] Pinto, p. 147
[7] Pinto, p. 147.
[8] MacArthur, p. 208.
[9] Pinto, p. 152.
[10] Ibid., p. 152.
[11] Ibid., p. 152.
[12] Ibid., p. 152.
[13] MacArthur, p. 216.