segunda-feira, 8 de maio de 2017

Mensagens Bíblicas em Daniel - Daniel 1 - Uma vida em destaque

Daniel 1

Ao ler o livro “Ouse ser Firme – O livro de Daniel” de Stuart Olyott, publicado pela Editora Fiel, e a série de estudos em Daniel “A vida espiritual em uma cultura secular” de Bill Crowder, fui mais uma vez estimulado a ler o livro de Daniel “pelo valor do próprio livro e ver que sua mensagem é para o nosso tempo”.[1]


Daniel, “a partir de 7.2, escreve de maneira autobiográfica, na primeira pessoa do singular e deve ser distinguido dos outros três ‘Daniéis’ do Antigo Testamento”[3] (cf. 2Cr 3.1; Ed 8.2; Ne 10.6). Veja o texto: Falou Daniel e disse: Eu estava olhando, durante a minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar Grande.

Antes de vermos o capítulo um de Daniel, vamos ver, brevemente, um panorama histórico que levou o povo de Deus até ao cativeiro babilônico em 605 a.C., que foi quando veio Nabucodonosor – No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém e a sitiou. (v.1)

Tudo começou quando Deus escolheu um homem, Abraão, “e prometeu que por meio dele e de sua descendência todas as famílias da terra seriam abençoadas”.[4]

ð  [5]Assim, esse homem escolhido por Deus se tornou uma família e a família uma nação;
ð  Essa nação foi para o Egito e permaneceu lá quatrocentos anos;
ð  Depois desse período, a nação saiu do Egito e guiada por um homem, também chamado por Deus, Moisés, peregrinou no deserto onde recebeu a Lei de Deus – Lei Cerimonial, Lei Civil e Lei Moral (Dez Mandamentos);
ð  Após a peregrinação no deserto, sob a liderança de Josué, a nação de Israel entrou na terra prometida e antes da morte deste, a terra foi conquistada, em grande parte, e dividida entre as doze tribos;
ð  Dai chegamos à época dos juízes, homens a quem Deus levantou para livrar a nação de sucessivos conquistadores;
ð  Veio, então, o período dos reis – Saul, Davi, Salomão e Roboão;
ð  No inicio do reinado de Roboão a nação se dividiu em duas: Reino do Norte – Israel ou Efraim, com dez tribos e sua capital foi Samaria; Reino do Sul – Judá, com duas tribos e sua capital foi Jerusalém.
ð  No Reino do Norte, em suas várias dinastias, nenhum rei temente a Deus se assentou no trono. As dez tribos foram levadas em cativeiro, em 722 a.C., pela Assíria, após serem advertidas seriamente por Deus através do seus profetas quanto à sua apostasia. Infelizmente, com o tempo, perderam a sua identidade como povo de Deus.
ð  No Reino do Sul, todos os seus reis foram da dinastia davídica. Mas, apesar disso, a nação teve altos e baixos em sua vida espiritual e infelizmente, também, a apostasia cresceu. E cresceu a tal ponto que, Deus, pelos seus profetas, advertiu muitas vezes a nação que, se não houvesse arrependimento, haveria julgamento, mas seus avisos não foram ouvidos.
ð  Assim, então, do além do horizonte, em 605 a.C., veio Nabucodonosor. E durante os vinte e três anos seguintes, em quatro estágios sucessivos, ele levou quase todo o povo de Judá para a Babilônia.
ð  E, as margens dos rios da Babilônia, o povo de Deus se assentava e chorava, quando se lembrava de Sião – Salmo 137.1-6.
ð  Mas, dentro dessa nação apostata, existia um pequeno grupo de pessoas que se mantinham fiéis a Deus, como os profetas haviam predito. Esse pequeno remanescente fiel viveu durante os 70 anos do cativeiro, amando a Deus e vivendo para agradá-lo, mesmo na longínqua Babilônia.
ð  Nos dias do cativeiro, esse pequeno grupo fiel foi representado por Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Numa época em que ninguém mais se importava, Deus e sua Palavra continuavam a ter importância para este pequeno grupo.


“É possível uma pessoa viver para Deus quando as circunstâncias lhe são totalmente contrárias. Espiritualidade e integridade de caráter não exigem condições ideais para se desenvolverem. Não são plantas que se desenvolvem sob a proteção da estufa, mas crescem melhor quando expostas à neve, ao vento, ao granizo, à seca e ao sol escaldante”.[7]


Ao pensarmos em dificuldades, de quais nos lembramos ao não ser das nossas?! Esse livro de Daniel “nos denuncia completamente. Prova que a verdadeira espiritualidade nunca dependeu de circunstâncias fáceis”.[9]

Qual foi o segredo de Daniel? Foi simples:

1º) OraçãoDn 2.17-19 – o que Daniel fez antes de interpretar o sonho de Nabucodonosor?; Dn 6.10 – porque houve uma conspiração contra Daniel?; Dn 9 – qual o assunto desse capítulo? “Uma adequada vida de oração é uma parte do segredo de permanecer fiel a Deus em um mundo hostil”[10].

2º)  Leitura das EscriturasDn 9.2 – o que Daniel fazia? Dn 9.11 e 13 – a que Daniel se referiu ali? Daniel lia a conhecia as Escrituras. Ele permaneceu firme servindo a Deus em um mundo hostil, simplesmente, porque lia sua Bíblia e orava.[11]

Precisamos enfatizar a prática dessas verdades simples hoje, pois uma grande parte do povo de Deus pensa que, o segredo de uma vida cristã firme e fiel está em uma nova e excepcional experiência com Deus. O que mais ouvimos hoje são aquelas frases de efeito do tipo: “O melhor de Deus está por vir!” “O mais de Deus”.

Mas, o que nos diz o capítulo um de Daniel? Ele, assim como o último capitulo, é breve! É uma narrativa simples e direta e nos ensina lições que não deveríamos esquecer nunca. O capítulo um se divide em quatro partes: 1º) A ida de Nabucodonosor a Jerusalémvv.1, 2; 2º) A apresentação de Daniel e seus três companheiros – Hananias, Misael e Azariasvv.3-7; 3º) A posição ocupada por Daniel e seus três companheirosvv.8-16; e 4º) O resultado da ação corajosa e espiritual de Daniel e os trêsvv.17-21.

I. A ida de Nabucodonosor a Jerusalém – vv.1, 2

Em 605 a.C. Nabucodonosor se torna rei da Babilônia e marcha contra Jerusalém – sitia, invade, derrota e a faz cativa, levando para a sua terra o que deseja e quer.

Por oito anos Jeoaquim ainda permanece em Jerusalém, mas depois é completamente destituído e humilhado.

O templo é saqueado e os seus tesouros são levados para a Babilônia. Agora, aquilo em que a apostasia confiava não mais tem valor, está totalmente devastado.

Ao invés de confiar em Deus o povo estava confiando no templo. Estavam certos de que não importava como vivessem o templo os salvaria. Mas, isso não aconteceu!

Deus é o único Senhor! Nada pode substituí-lo! Substituir Deus por algo feito por mãos humanas é idolatria! E a idolatria derrotou o povo de Deus!
O primeiro mandamento da Lei de Deus é: Não terás outros deuses diante de mim. (v.3) O Breve Catecismo de Westminster ao definir quais sãos os deveres exigidos no primeiro mandamento afirma: Os deveres exigidos no primeiro mandamento são: conhecer e reconhecer Deus como único verdadeiro Deus, e nosso Deus; cultuá-lo e glorifica-lo como tal, pensar e meditar nele, lembrar-nos dele, altamente apreciá-lo, honrá-lo, adorá-lo, escolhê-lo, amá-lo, desejá-lo e teme-lo; crer nele, confiando, esperando, deleitando-nos e regozijando-nos nele; ter zelo por ele; invocá-lo, dando-lhe todo louvor e agradecimentos, prestando-lhe toda obediência e submissão do homem todo; ter cuidado de o agradar em tudo, e tristeza quando ele é ofendido em qualquer coisa; e andar humildemente com ele.[12]

Assim, o primeiro mandamento nos ensina que “nada deve ser considerado como mais amável ou importante do que Deus. Colocar qualquer coisa à sua frente é idolatria”.[13] E idolatria “é inventar ou ter alguma coisa em que se deposite confiança, em lugar ou ao lado do único e verdadeiro Deus, que se revelou na sua Palavra”.[14]

II. A apresentação de Daniel e seus três companheiros – vv.3-7

Esses versículos apresentam os principais personagens do livro – Nabucodonosor, seus assessores e Daniel, Hananias, Misael e Azarias.

A estratégia do Rei Nabucodonosor – “deportar a nobreza de cada nação conquistada e integrá-las no serviço público da Babilônia”[15]. Foi esse o método que ele usou quando conquistou Judá – v.3.

Os selecionados para o abrangente programa de reeducação teriam acompanhamento e treinamento vip – vv.4, 5. A idade exigida para a reeducação pelos babilônios era entre 14 e 15 anos.

Era parte da política babilônica mudar os nomes de todos os selecionados para a reeducação e treinamento especial – vv.6, 7.

ð  Daniel que significa “Deus é meu juiz”, recebeu o nome de Beltessazar que significa “Guarda dos segredos ocultos de Bel” ou “Bel protege o Rei”.
ð  Hananias que significa “O Senhor é Gracioso”, recebeu o nome de Sadraque que significa “Ordem de Aku” outro deus babilônico.
ð  Misael que significa “Quem é como o Senhor”, recebeu o nome de Mesaque que significa “Quem é como Aku” ou uma antiga forma do nome da deusa Vênus.
ð  Azarias que significa “O Senhor é meu ajudador ou o que me auxilia”, recebeu o nome de Abede-Nego que significa “Servo de Nego” também chamado de Nebo, o deus da vegetação.

Olhando os quatro nomes originais dos jovens, vemos que dois deles terminam em “el”, que indica um dos nomes de Deus e dois que terminam em “ias”, uma versão abreviada do nome Jeová. Os babilônios alteraram os seus nomes para outros que se referiam as suas divindades pagas – Bel, Marduque, Vênus e Nebo.

O processo de reeducação alimentar, intelectual, psicológica e espiritual durava três anos. Afastados de seus lares, instruídos a esquecer de Deus e reeducados intensivamente numa cultura pagã, o que aconteceria a estes jovens? Resistiriam ales a pressão? Permaneceriam fieis ao seu Deus e ao que sabiam ser correto? Ou sucumbiriam?[16]

III. A posição ocupada por Daniel e seus três companheiros – vv.8-16

O que levou o povo para o cativeiro foi o pecado de idolatria. O exílio era um castigo por todos os pecados da nação. O principal pecado deles foi a idolatria.

Agora, diante daqueles jovens fora colocado um dos principais atos idolatras dos babilônios – suas refeições, que eram todas oferecidas aos seus deuses. Aqueles rapazes faziam parte do remanescente fiel, aquele pequeno grupo do povo de Deus, que se recusou à pratica da idolatria. Se não se envolveram antes com ela, não seria agora que o fariam.

A linguagem do v. 8 demonstra cautela. Daniel foi firme, mas foi educado e gentil! O caráter de Daniel é visto no fato de não ter desistido e não ter voltado atrás vv.11-14.

Os vv.15 e 16 mostram o efeito da dieta de Daniel e de seus companheiros. “Isso nos mostra que ninguém perde coisa alguma quando se recusa a comprometer sua fé.”[17]

Se Daniel e seus três companheiros tivessem se comprometido no início de suas vidas na Babilônia, como reagiriam ao serem confrontados mais tarde? “Por terem honrado a Deus em uma coisa pequena, puderam honrá-lo também nas questões mais importantes. Pessoas caem em pecados sérios somente porque aprenderam a tolerar pecados menores.”[18]

Concluindo – O resultado da ação corajosa e espiritual de Daniel e os três – vv.17-21

Nos vv.17 a 21 temos o resultado imediato da ação corajosa e espiritual dos jovens. O curso terminou e eles foram aprovados com louvor. Colocaram a Deus acima de todas as outras considerações e Ele os honrou despertando em suas vidas dons que nem imaginavam possuir. Mas a Daniel Deus, também, concedeu outro dom que se destacaria mais tarde na história. Escute o versículo na versão BLH – ... mas a Daniel deu também o dom de explicar visões e sonhos. (v.17b)

Se não vivermos para Deus agora, nenhum de nós poderá fazer com que uma posição mais elevada se torne valiosa para Ele. Se não estamos dispostos a permanecer firmes e comprometidos com Ele em coisas pequenas, como o faremos nas grandes? E possível ser fiel no muito, sem primeiro ter sido fiel no pouco? Se não podemos resistir a tentações comparativamente pequenas, o que faremos quando elas forem intensificadas?[19]

Para Olyott, o ensino central deste capítulo pode ser resumido em 1Samuel 2.30b – ... aos que me horam, honrarei, porém os que me desprezam serão desmerecidos.

Pr. Walter Almeida Jr.
IBLAJP – 07/05/2017



[1] Olyott, Stuart. Ouse ser Firme – O Livro de Daniel, Editora Fiel, Segunda Edição 2011, p. 9.
[2] Ibid., p. 9.
[3] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1073.
[4] Olyott, p. 11.
[5] Olyott, síntese das páginas 11 a 13.
[6] Olyott, p. 13.
[7] Ibid., p. 14.
[8] Ibid., p. 14.
[9] Ibid., p. 15.
[10] Ibid., p. 15.
[11] Ibid., 15.
[12] Catecismo Maior de Westminster, Pergunta 104.
[13] Nascimento, Misael Batista do. Os primeiros passos do discípulo, Editora Cultura Cristã, 2011, p. 12.
[14] Catecismo de Heidelberg, pergunta 95.
[15] Olyott, p. 19.
[16] Olyott, p. 21.
[17] Ibid., p. 23.
[18] Ibid., p. 24.
[19] Olyott, p. 26.

Estudo da Primeira Carta de João - 1Jo – As Características Para a Comunhão

1João 2.28-3.24

Estamos estudando a Primeira Carta de João do ponto de vista da “Comunhão que Deus Preparou para o Seu Povo”. Já estudamos:

1º) Introdução ao Estudo da Primeira Carta de João
As Cartas e sua Classificação no NT. 1João – Carta Geral. Autoria e Data – João, 90 d. C.

2º) 1João 1.1-4 – Onde Começa a Nossa Comunhão
1) Começa com Deus; 2) Leva a Comunhão na Igreja; 3) Leva a Plena Alegria

3º) 1João 1.5-2.2 – As Condições para a Comunhão
1) Conformidade com um Padrão; 2) Confissão de Pecados

4º) 1João 2.3-27 – A Conduta na Comunhão
1)      O Caráter da Nossa Comunhão – Imitação; 2) O Mandamento para a Nossa
Comunhão – Separação; 3) O Credo para a Nossa Comunhão – Afirmação

Hoje vamos continuar o nosso estudo enfatizando: As Características da Comunhão em 1João 2.28-3.24. E faremos isso em três pontos: 1º) Em relação à nossa expectativapureza2.28-3.3; 2º) Em relação à nossa posição – justiça e amor3.4-18; e 3º) Em relação as nossas orações – respostas3.19-24.

I. Em relação à nossa expectativa – pureza – 2.28-3.3

1. v.28a – a afirmação de João enfatiza que a preparação para a segunda vinda de Jesus é permanecer nele. Esta afirmação está de acordo com o ensino do Novo Testamento. Mas, uma observação é importante: permanecer por estar salvo, não para a salvação! (cf. Jo 8.31; 15.4-7, 10; At 11.23; 14.22; 1Co 16.13; 2Ts 2.15).

2. v.28b – manifestou do grego parousia, significa: manifestação. Aqui, prontidão é a ênfase de João (cf. Mt 24.42; 26.41).

3. v.29 – a comunhão com Deus, o novo nascimento não é uma coisa para ficar guardada, escondida, mas sim, para manifestar a justiça de Deus. Jesus ensinou isso em Mt 5.13-16; 5.20.

4. 3.1-3

v.1ª – Vejam como é grande o amor.... O termo grego traduzido por vejam é uma exclamação! João enfatiza duas coisas aqui a respeito do amor – ágape: 1ª) sua qualidade e distinção; e 2ª) o relacionamento do amor com a filiação.

Por analogia o v.1 revela quatro verdades: 1ª) a fonte do amor – Deus, o Pai; 2ª) o amor é um dom gratuito; 3ª) o amor confere filiação; 4ª) o amor confere confirmação (cf. Jo 1.12).

v.1b – a manifestação do amor divino na vida cristã é a grande diferença entre o salvo e o perdido. Assim como o mundo rejeita o amor de Deus, rejeita também os que foram alcançados por esse amor. Isso aconteceu com Jesus – cf. Jo 17.14; 1.11.

v.2 – aqui de novo a parousia, e a afirmação da segurança da salvação. (1) seremos semelhantes a ele (2) e o veremos como ele é! (cf. Romanos 8.29; João 17.24).

v.3 – a nossa comunhão, que vem pela manifestação do amor de Deus em Jesus Cristo, e a nossa esperança de vida eterna no céu, deve nos motivar e estimular a uma vida pura. (cf. 2Cor 7.1; Rm 15.13 – Deus exige pureza tripla – 1Ts 5.23).

II. Em relação à nossa posição – justiça e amor – 3.4-18

João em sua carta mais uma vez chega num ponto que, tem que combater outra doutrina falsa – a do perfeccionismo. Ela era ensinada pelos falsos mestres da sua época. Esse ensino ainda hoje tem grande força no meio cristão evangélico e protestante reformado. Por isso, aqui, João traça uma linha entre os verdadeiros filhos de Deus e os filhos do Diabo.

Justiça

1. v.4a – ... comete (pratica o) pecado... – ou seja, vive habitualmente no pecado.

O termo grego usado por João para designar pecado aqui e hamartia que é igual ao termo hebraico usado no Antigo Testamento chattath e significa incapacidade de atingir o alvo. Esses termos afirmam, que primeiro o pecado é cometido contra Deus e depois contra a humanidade. É o que poderíamos dizer pecado religioso e ético. Na verdade, João, tanto no Evangelho com nas cartas mostra que o pecado pertence ao reino das trevas que se opõe ao reino da luz.

2. v.4b – ... porque o pecado é iniquidade (a transgressão da lei). João afirma agora, que o pecado é rebeldia, porque o termo grego que ele usa para transgressão da lei é anomia e significa sem lei, ilegal, anarquia. A aplicação é que, pecado é a violação de um estado moral sustentado pela lei.

3. v.5 – Este versículo mostra duas verdades: 1ª) ...ele se manifestou para tirar os nossos pecados...o objetivo da vida de Jesus Cristo; e 2ª) ...e nele não existe (há) pecado.a impecabilidade de Jesus Cristo.

4. v.6 – aqui João coloca um assunto muito sério e que precisamos entender.

v.6a – não pratica o pecado (não vive pecando) – A pessoa que permanece em Jesus Cristo após a sua conversão não vive na pratica do pecado – cf. v.9.
v.6b – qualquer que permanece em pecado (aquele que vive pecando) – A pessoa que se converte mas continua na pratica do pecado não nasceu de novo. Escute o restante do versículo – não o viu nem o conheceu – cf. v.8.

5. v.7 – João faz mais uma advertência contra os falsos mestres – ninguém vos engane (não vos deixeis enganar por ninguém). João coloca uma coisa que ele aprendeu com Jesus, a questão dos frutos – cf. Mt 7.15, 16. Em outras palavras cuidado com os que só falam, aquela turma do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.

6. v.8b – Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo.

Cl 2.8-15 – um texto esclarecedor do poder de Cristo sobre o diabo, mas que o falso ensino quer que os crentes não saibam disso (cf. Cl 2.16-23; Hb 2.14).

7. v.10 – Aqui é colocado a diferença entre os filhos de Deus e os filhos de diabo: (1) A conduta reta (na justiça) é evidencia de que a pessoa é filha de Deus; (2) A conduta injusta é evidencia de que a pessoa é filha do Diabo; (3) E o amor é o padrão pelo qual a conduta é medida.

Até aqui, João deixa claro a posição do crente nascido de novo em relação a sua conduta diante de Deus e do mundo: não vive na pratica do pecado, mas na pratica da justiça. Essa justiça deve estar de acordo com o ensino de Jesus em Mt 5.17-20.

Amor

1. v.11 – Então, João, repete outra vez a nova concepção que eles receberam de Jesus sobre o mandamento do amor de Deus derramado no coração dos salvos – cf. Jo 13.34; Rm 5.5.

2. v.12 – Agora João coloca diante de seus leitores a triste história de Caim e Abel – Gn 4.8. Caim era irmão de Abel? Caim o ama como irmão? Caim se deixou dominar pela inveja, pelo ódio, pelo homicídio. Caim matou o irmão porque a suas obras eram más. O ato de Caim foi a expressão natural de uma vida pecaminosa. Será possível acontecer isso hoje?

3. v.13 – Da forma como Caim odiava seu irmão o mundo nos odeia, porque o ódio é do mundo. Uma das diferenças entre o crente e o incrédulo é o amor de Deus – cf. Jo 15.18, 19.

4. vv.14, 15 – Aqui está uma das características internas da convicção de que um crente tem a vida eterna e do descrente que não tem a vida eterna, mas parece ter: ... porque amamos os irmãos” –  v.14b. João iguala o sentimento, ódio, a uma ação – um homicídio. Porque um descrente quando odeia uma pessoa, a primeira coisa que pensa em fazer é tirar a vida dela. Escute o que Jesus disse – Mt 5.21-26. Tudo começa com um sentimento! No pensamento de Jesus, quem odeia quer matar! Por isso não apenas: “Não matarás”, mas não odiarás, não insultarás, etc. Veja o contraste nos versículos a seguir:

5. vv.16-18 – Quem ama faz justamente o contrário: Segue o exemplo de Cristo que deu a vida pelos pecadores. Doa a sua vida – seu tempo, seus talentos, seu sanguev.16. Usa seus bens – v.17. Não com palavras demagogas, mas torna real as suas palavras – v.18 (cf. Tiago 2.14-17).

O amor do cristão autêntico é um amor do tipo do de Deus – v.17c. Um amor pratico, que age em favor do amado. Essa é uma característica da nossa comunhão em relação a nossa posição diante de Deus.

III. Em relação as nossas orações – respostas – 3.19-24

1. vv.19, 20 – João faz uma afirmação aqui que deixa muito claro o seguinte: Só reconhecemos que estamos na verdade e temos a certeza disso, quando o amor de Deus que está em nossa vida se torna uma pratica em nosso viver cotidiano. Por isso o nosso coração pode ficar tranquilo. Se por um acaso houver dúvida em nosso coração: Deus é maior que o nosso coração, ele sabe todas as coisas! João aqui invoca um atributo divino – onisciência!

2. vv.21, 22 – Então, João, explica aos seus leitores que na vida de comunhão uma consciência limpa, a obediência aos princípios da Palavra de Deus e a adoração leva o crente a ter a certeza da resposta as suas orações.

3. vv.23, 24 – João, agora, faz uma síntese do que vem enfatizando – o mandamento de Deus é: (1) Crer em Jesus Cristo e amar de forma pratica os irmãos – cf. Jo 13.34; 14.11; (2) Se os crentes viverem dessa forma pratica, eles permanecem em Deus e Deus permanece nelesv.24a.

João termina essa sessão de seu comentário sobre as características da comunhão, em relação a resposta das nossas orações, com a afirmação de que o crente sabe que permanece em Deus e Deus nele, pelo Espírito Santo que recebeu na conversão, que veio do próprio Senhor – v.24b.

Conclusão –  As Características da Comunhão

1.    Em relação à nossa expectativa – pureza.
2.    Em relação à nossa posição – justiça e amor.

3.    Em relação as nossas orações – respostas de orações.

Série: Livro de Jonas – Deus é Paciente

Jonas 3

Temos visto em nosso estudo de Jonas que o propósito de se estudar a Palavra de Deus, deve ser descobrir algo sobre Deus, e não algo para nós mesmos. Esse algo sobre Deus pode ser: 1º) Uma verdade antiga que nos volta como novidade; 2º) Uma verdade nova que nunca vimos antes; ou 3º) Uma verdade que precisamos ver e entender mais claramente.

No começo deste mês começamos nosso estudo e vimos: 1º) que o capítulo 1 ensina que Deus é persistente; 2º) que o capítulo 2 ensina que Deus está presente; e 3º) que o capítulo 3 ensina que Deus é Poderoso.

Vimos, também que, o livro de Jonas tem quatro desdo­bramentos: Capítulo 1, Jonas e a tem­pestade; capítulo 2, Jonas e o peixe; ca­pítulo 3, Jonas e a cidade e capítulo 4, Jonas e o Senhor.

Vamos, agora, considerar o último capítulo. Ele fala da raiva de Jonas e da misericórdia de Deus. O escritor vai da compaixão de Deus para a ira de Jo­nas; do triunfo do propósito divino ao fracasso dos desejos de Jonas. Isaltino Filho fala que a pregação de Jonas no capítulo 3 foi um sucesso estrondoso. Este é o maior fenômeno na história do evangelismo mundial. Porém, em vez de Jonas manifestar alegria pelo sucesso do seu trabalho, explode em ressentimento e queixumes. Sua zanga é porque Deus manifestou Sua gra­ça a Nínive. Sua mentalidade exclusivista o privou da alegria e o encheu de ira. Já que os ninivitas não morreram, ele quer morrer. Essa mesma mentalidade exclusivista em Jonas está presente também, hoje, em algumas denomina­ções e seitas que loteiam o céu e pensam que são os únicos detentores da graça.

Se o livro de Jonas terminasse no capítulo três, teríamos de considerá-lo um dos maiores profetas da História, uma vez que os resultados da sua pregação foram estupendos. Uma cidade inteira se voltou para Deus e se converteu de seus maus caminhos, como resposta à sua pregação. Deus, porém, sonda os corações e sabe que é possível alguém fazer a coisa certa com a motivação errada; é possível obedecer sem alegria; é possível ser uma bênção para os outros sem usufruir essa mesma bênção.

Warren Wiersbe ensina que no capítulo 1, Jonas é como o filho pródigo, insistindo em fazer as coisas a seu modo (Lc 15.11-32); enquanto no capítulo 4, é como o irmão mais velho do filho pródigo - crítico, egoísta, taciturno, irado e infeliz com o que estava acontecendo.

O livro de Jonas termina falando não apenas da conversão dos ninivitas, mas da rebelião de Jonas. Enquanto os pagãos se derretem, o profeta se endurece. Enquanto os que viviam nas trevas correm para a luz, aquele que conhecia a luz caminha na direção das trevas. Enquanto os pagãos buscam o favor de Deus, o profeta se insurge contra Deus. Enquanto os ninivitas clamam pela compaixão de Deus, Jonas fica irado por causa da compaixão de Deus.

Aqui há três perigos a que os servos de Deus estão expostos:

Em primeiro lugar, o perigo de pregar aos outros e não usufruir o poder da mensagem que se prega. Jonas viu o poder de Deus realizando um milagre colossal em Nínive, quebrantando a cidade sanguinária até o pó. Ele viu a eficácia da sua mensagem penetrando os corações mais perversos e realizando profunda mudança, mas essa mesma mensagem transformadora na vida dos outros não produziu efeitos no coração dele. Jonas é um pregador que confronta os outros, mas não a si mesmo. Ele é canal, mas não receptáculo da bênção. Como é triste quando os servos de Deus são fon­te de bênção para outros, mas eles próprios deixam de ser abençoados!

Em segundo lugar, o perigo de se cansar da obra e na obra. Jonas faz a obra de Deus porque não tem outra opção. Sua motivação está em descompasso com a vontade de Deus. O ministério não é um deleite para ele, mas um fardo pesado. Jonas não tem alegria no que faz. Ele prega e vê o maior de todos os resultados, a conversão de todos os seus ouvintes, mas está desgostoso com a vida. Ele pede a morte para si duas vezes. Jonas está deprimido e cansado de Deus, da obra e na obra.

Em terceiro lugar, o perigo de se fazer a obra de Deus, mas não se deleitar no Deus da obra. A maior prioridade do crente não é fazer a obra de Deus, mas se deleitar no Deus da obra. O Deus da obra é mais importante do que a obra de Deus. Na verdade, Deus está mais interessado em quem somos do que naquilo que fazemos. Comunhão com Deus precede trabalho para Deus. O Senhor tem prazer em trabalhar em nós antes de trabalhar por nosso intermédio. Jonas fez a obra de Deus, mas não se deleitou em Deus. Não basta aos servos de Deus fazer a vontade de Deus, mas precisam fazê-la de coração. Warren Wiersbe afirma corretamente que o coração de todo problema é o problema do coração.

Deus nao vê apenas a aparência, vê o coração. Deus não se contenta apenas com trabalho certo, Ele requer motivação certa. Jonas é o único profeta que reclama dos atributos de Deus. Ele está aborrecido com Deus e ardendo em ira porque Deus é compassivo e perdoador.

Portanto, hoje, em nosso último estudo desta série, no livro do Profeta Jonas vamos ver que o capítulo 4 ensina que Deus é paciente – quando Jonas ficou irado e sentou-se mal-humorado fora da cidade de Nínive, porque Deus a perdoara, Ele não o castigou. Mas ele explicou gentilmente o que tinha feito. É maravilhoso ver como Deus é paciente conosco em todas as situações da nossa vida! Vamos então analisar como a paciência de Deus se revelou a Jonas e se revela a nós:

1º) Deus é paciente no lidar com seu povo.
2º) Deus é paciente no lidar com o mundo pecador.

I. Deus é paciente no lidar com o seu povo – Jonas 4.1-5

1. v.1 – Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado.

a.    Duas reações são descritas aqui nesta frase: 1ª) o desgosto de Jonas – os seus inimigos seriam perdoados por Deus, pois se arrependeram; 2ª) a ira de Jonas – a sua profecia não se cumpriria! Deus iria perdoar a cidade inteira.

b.   Isto indica a falta de entendimento, da parte de Jonas, sobre a vontade de Deus. Muitos hoje na igreja vivem como Jonas, não entendem a vontade de Deus para a sua vida e para com todos os homens. A vontade revelada de Deus:

ð Para todos os homens é – 1 Timóteo 2.1-71º) que todos sejam salvos; 2º) que todos cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

ð Para todos os crentes é – Romanos 12.2que experimenteis a sua vontade que é 1º) boa; 2º) agradável e; 3º) perfeita.

c.    Atos 17.30, 31 – Deus não leva em conta a ignorância do pecador em relação a seu estado e a bondade de Deus para salva-lo em Jesus Cristo. Mas também não leva em conta a ignorância dos crentes neófitos, desde que eles sejam ignorantes de forma involuntária.

2. v.2 – O desabafo de Jonas revela a razão real porque ele fugiu. Ele não queria aceitar de jeito nenhum a clemência, a misericórdia, a dificuldade em irar-se de Deus, a grande benignidade e o perdão de deus.

3. v.3 – Para a religião exclusivista de Jonas, é preferível o desejo de morrer a ver seus inimigos salvos.

4. v.4 – Tem razão a tua ira? Mesmo Deus sabendo de tudo, estabelece um diálogo com Jonas, justamente na hora mais difícil.

5. v.5 – Deus permite que o profeta se afaste um pouco para poder então voltar a lidar com ele. Apesar da intenção de Jonas ser observar a destruição ou o livramento da cidade, Deus aproveita este período de tempo para tratar da religiosidade de seu servo.

II. Deus é paciente no lidar com o mundo pecador – Jonas 4.6-11

1. v.6-8 – Deus mostra mais uma vez a sua soberania sobre o mundo natural para a realização da sua vontade. Desta vez ele usa:

ð Uma planta que em hebraico se chama kikaion – não temos uma definição sobre essa planta. O seu crescimento rápido não foi uma simples ocorrência natural, mas a atuação do poder de Deus.
ð Um verme que feriu a planta. Um destruidor, que em um só dia acabou com aquela planta.
ð Um vento calmoso oriental – vento bem quente.

2. v.8 – mais uma vez Jonas pede a morte. Na primeira vez neste capítulo por causa do perdão de Deus para seus inimigos e agora por causa de uma planta que morreu.

3. v.9 – Uma pergunta divina e uma resposta humana!

ð Deus volta a dialogar com o profeta.
ð Jonas além de não aceitar a grande benignidade de Deus é desaforado.
ð Deus é especialista em convencer o homem da sua verdade e vontade.

4. v.10 – Uma lição de vida para o profeta. Jesus falou sobre o valor do ser humano – Mateus 6.26; 10.28-33.

5. v.11 – Nada é mais importante para Deus que os seres que ele criou. Até dos animais do homem escolhido de Deus ele tem misericórdia.

Conclusão

Coisas típicas do livro de Jonas e dos homens do nosso tempo:

ð Jonas, um homem que se desgosta do que Deus gosta (4.1)
ð Jonas, um homem que ora para reclamar de Deus (4.2)
ð Jonas, um homem que quer morrer porque os outros querem viver (4.3)
ð Jonas, um homem que não muda, mas espera que Deus mude (4.4,5)
ð Jonas, um homem que se desgosta quando os outros são abençoados, mas se alegra quando ele é abençoado (4.6-8)
ð Jonas, um homem que ama mais as coisas do que as pessoas (4.9,10)

No livro do profeta Jonas, temos aprendido muitas lições sobre a pessoa de Deus. Principalmente sobre seus atributos. Mas neste último capítulo vimos claramente a longanimidade de Deus manifestada para salvar a cidade de Nínive.

Escute e leia também 2 Pedro 3.8-13.

Que Deus nos abençoe e que possamos desfrutar da perseverança, da presença, do poder e paciência de Deus nestes tempos perturbadores, até a volta de Jesus Cristo.


Pr. Walter Almeida
IBLAJP - 30/05/17