domingo, 10 de março de 2013

A rebelião humana, a reação divina, o governo divino e a responsabilidade humana


Salmo 2

Assim como os outros 65 livros que forma a Bíblia, o livro dos Salmos e inspirado pelo Espírito Santo. O próprio Davi afirmou isso – 2Sm 23.1-3, Jesus confirmou a inspiração divina de Davi – Mc 12.36, e Pedro em seu sermão no Pentecoste também – At 1.16. O conteúdo dos Salmos é tão importante e poderoso como os dos outros livro do AT e quem lhe atribui essa importância é próprio Senhor Jesus em Lucas 24.44.

Os Salmos Messiânicos são identificados do seguinte modo: 1º) Contém referências diretas ao Messias e; 2º) Essas referências diretas são repetidas no Novo Testamento apontando inequivocamente para Jesus.

Em nossa série vamos estudar 20 salmos que, após estudo e observação, consideramos messiânicos. Isto não quer dizer que não há referências em outros salmos ao Messias.

No Novo Testamento há 224 passagens diferentes de 103 salmos e mais 54 citações menores, formando um total de 280 citações de salmos em todo o seu texto. Isso nos mostra, de um modo geral, que o Livro dos Salmos tem como tema o Messias e o seu Reino Eterno.

De acordo com Norbert Lieth, em seu livro Salmos Messiânicos, “quase toda a obra neotestamentária de Jesus é mostrada nos salmos, por exemplo:


  • Jesus veio para cumprir a vontade de Deus – Salmo 40.6-8;
  • Ele é o Bom Pastor – Salmo 23;
  • Ele é a pedra rejeitada que se tornou angular – Salmo 118.22;
  • Seu zelo pelo Templo o consumirá (a purificação do Templo) – Salmo 69.9;
  • Ele falou em parábolas – Salmo 78.2;
  • Ele acalmou a tempestade – Salmo 89.9;
  • O povo o aclamou com hosana – Salmo 118.26;
  • Cristo foi rejeitado – Salmo 22.7; 69.18-21;
  • Ele foi odiado sem motivo e sem motivo tinha inimigos – Salmo 69.4;
  • Ele não foi compreendido pelos da sua família – Salmo 69.8;
  • Ele foi traído – Salmo 41.9;
  • Ele foi escarnecido – Salmo 22.15; 89.50, 51;
  • Ele foi espancado – Salmo 129.3;
  • Ele foi afrontado – Salmo 69.7, 20;
  • Ele foi abandonado por Deus – Salmo 22.1;
  • Ele foi pregado numa cruz – Salmo 22.16;
  • Ele sentiu sede – Salmo 22.15;
  • Deram-lhe vinagre para beber na cruz – Salmo 69.21;
  • Lançaram sortes sobre suas vestes – Salmo 22.18;
  • Seus ossos não foram quebrados – Salmo 34.20;
  • Ele ressuscitou dos mortos – Salmo 16.10; 47.5;
  • A substituição de Judas o traidor – Salmo 109.8;
  • Seu Evangelho e seu decreto será proclamado – Salmo 2.7; 40.9, 10;
  • Ele foi elevado ao Céu – Salmo 47.5, 8; 68.18;
  • Ele está assentado a direita de Deus – Salmo 110.1;
  • Ele está assentado no seu trono – Salmo 47.5, 8;
  • Ele é o Sumo Sacerdote – Salmo 110.4;
  • Ele julgará os povos – Salmo 2.12; 96.10;
  • Seu reino é um Reino Eterno – Salmo 45.6; 89.35-37;
  • Ele é o Filho de Deus – Salmo 2.7, 12;
  • Ele é o Filho do homem – Salmo 8.4;
  • Ele é o Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque – Salmo 110.4;
  • Ele é o Rei – Salmo 2.6;
  • Ele é o Ungido – Salmo 2.2;
  • Ele é Deus – Salmo 45.6, 7; 47.5, 8;
  • Ele é abençoado eternamente – Salmo 45.2, 17;
  • Ele voltará em glória – Salmo 102.16;
  • Todas as nações se submeterão a Ele e todo joelho se dobrará diante dEle – Salmo 47.8, 9; 102.15; 110.1.”[1]

Com a certeza de que o Livro dos Salmos dão uma importante ênfase à vida completa de Jesus, o Messias, queremos estudar os Salmos Messiânicos começando pelo primeiro deles, o Salmo 2.

Este salmo, como muitos outros, foi escrito por Davi. E quem afirma a autoria dele a Davi é a Igreja do Novo Testamento na oração em Atos 4.25 – ... que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?

O Salmo 2 tem como base histórica 2 Samuel 7, onde está a promessa divina “feita a Davi de um nome supremo, um relacionamento de filiação com o Senhor e uma linhagem eterna”[2] (vv.8-17). Por conta disso, esse salmo também é chamado de Salmo Real e “era usado para saudar cada um dos reis da linhagem davídica em sua ascensão ao trono, como lembrete do ideal”[3].

As referências diretas e repetições no Novo Testamento que o identificam como Salmo Messiânico são: 1º) Salmo 2.1 – Atos 4.25-27; 2º) Salmo 2.7 – Hebreus 1.5; e 3º) Salmo 2.9 – Apocalipse 12.5.

O assunto do Salmo 2 é desenvolvido em quatro pontos que se equilibram: 1º) A rebelião humana (vv.1-3); 2º) A reação divina (vv.4-6); 3º) O governo divino (vv.7-9); e 4º) A responsabilidade humana (vv.10-12).

I. A rebelião humana – vv.1-3

Historicamente, os reis da linhagem davídica encontrava-se sempre sob ameaças do mundo ao redor e isso reflete, profeticamente, a rebelião do mundo contra Deus e contra seu Filho Jesus.

1. v.1, 2b – a ideia aqui é de inquietação geral por parte mundo pagão e do povo de Israel em rejeição a Deus e a Jesus – Atos 4.25, 27b.

2. v.2 – aqui temos a liderança mundial, reis e príncipes, que juntos planejam e conspiram contra Deus e contra seu Filho Jesus. (At 4.26, 27a)

3. v.3 – É assustador, mas verdadeiro, que tanto os gentios como Israel tentarão se livrar de Deus. Essas palavras descrevem tanto o desprezo de recusar, de despir e livrar-se de tudo o que possa lembrar Deus e seu filho Jesus Cristo a quem devemos prestar contas, como a apostasia interna do povo de Israel – Dn 8.23; 2Ts 2.3, 4; Jd vv.14-18.

II. A reação divina (vv.4-6)

1. v.4 – esse verso é uma afirmação clara da soberania divina em relação aos planos humanos. O Senhor e a tradução da palavra hebraica Adonai que significa Senhor Soberano. (Atos 4.28)

2. v.5 – Deus em sua ira divina contra toda impiedade e perversão humana (Rm 1.18), tem determinado um dia em que julgará o mundo com justiça, por meio de seu Filho, o Rei – Atos 17.31; 2Tm 4.1; Ap 6.16, 17.

3. v.6 – Mas, a resposta divina diante da rebelião humana é mais do que punitiva, é o estabelecimento do seu Rei messiânico, o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores – Ap 14.1; 19.15, 16.

III. O governo divino (vv.7-9)

1. v.7 – O decreto do Senhor claramente proclamado aqui refere-se à promessa do reino davídico e profeticamente ao reino de Jesus Cristo. O Novo Testamento usa esse verso “em referência ao nascimento de Jesus (Hb 1.5-6) e também à sua ressurreição (At 13.33, 34) como confirmações terrenas”[4].

2. v.8 – aqui Deus mostra o perímetro que será dado para o seu Rei governar – as nações e as extremidades da terra, isto é, um reino global. O domínio de Cristo será sobre toda a terra. (Ap 11.15-19)

3. v.9 – e aqui temos o contraste entre o poder absoluto e a impotência total. A palavra usada para vara aqui, em hebraico, tanto era usada para designar a vara de um pastor como o cetro de um rei.

IV. A responsabilidade humana (vv.10-12)

O tom desses versos é importantíssimo, pois “em vez do julgamento imediato, o Senhor e seu Ungido oferecem uma oportunidade de arrependimento. Cinco ordens colocam a responsabilidade sobre a humanidade amotinada”[5].

1. v.10a – Agora, pois, ó reis, sede prudentes... – parem um pouco, reflitam...

2. v.10b – ... deixai-vos advertir, juízes da terra. – corrijam-se, aprendam...

3. v.11a – Servi ao Senhor com temor... – convertam-se, dediquem-se...

4. v.11b – ... e alegrai-vos nele com tremor. – louvem, adorem, celebrem...

5. v.12a – Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. – Sejam humildes, submetam-se, tenham satisfação no Senhor...

Concluindo

Tudo que vimos nesse salmo tem seu contexto imediato na descendência davídica e seu contexto absoluto no Messias, Jesus Cristo. Por isso, ele termina assim –            Bem-aventurados todos os que nele se refugiam – v.12b.

“Não há refúgio dele (para onde se possa fugir dele); só há refúgio nele” (Kidner).[6]


Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 09/03/13




[1] Lieth, Norbert. Salmos Messiânicos, Actual Edições, 2010, p. 8-10.
[2] Carson, D. A. – Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, 2009, p. 740.
[3] Ibid., p. 740.
[4] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 681.
[5] Ibid., p. 681.
[6] Carson, p. 741.

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