segunda-feira, 8 de maio de 2017

Série: Livro de Jonas – Deus é Poderoso

Jonas 3

Em nossas mensagens anteriores vimos que o nosso propósito ao estudar a Palavra de Deus, não deve ser encontrar algo para nós, mas sim descobrir algo sobre Deus. Esse algo sobre Deus pode ser: 1º) Uma verdade antiga que nos volta como novidade; 2º) Uma verdade nova que nunca vimos antes; ou 3º) Uma verdade que precisamos ver e entender mais claramente.

No capítulo 1, vimos o ensino de que Deus é persistente – Ele não nos abandona, mas continua a tratar de nós e a nos disciplinar apesar da nossa desobediência. Tratamos o assunto do seguinte modo: 1º) Deus é Persistente – Ele mantém o seu Chamado – v.1, 2 – (Deus não é como nós); 2º) Deus é Persistente – Ele treina o seu chamado – v.3-16 (Deus reina); e 3º) Deus é Persistente – Ele quer uma resposta positiva – v.16.

No capítulo 2 vimos o ensino de que Deus está presente – mesmo na barriga de um grande peixe. Ele está conosco em nossas dificuldades e pronto para ouvir-nos quando orarmos. O mais importante é que Deus estava presente em toda essa situação constrangedora do profeta. Por isso podemos afirmar que 1º) Deus está presente mesmo em situações extremamente desesperadoras; 2º) Deus está presente quando oramos não importa onde e; 3º) Deus está presente e entende nossa decisão de obedecer.

Hoje, vamos ver o capítulo 3 que ensina que Deus é Poderoso – o arrependimento e a conversão de toda a cidade de Nínive é uma manifestação tremenda do poder de Deus. Podemos confiar completamente nEle para realizar os seus propósitos em nossas vidas.

Neste terceiro capítulo de Jonas vemos a atuação do poder de Deus na pregação da sua palavra, na conversão do povo e no perdão concedido a cidade de Nínive.

I. Deus é Poderoso – O seu poder se manifesta na pregação da sua palavra – v.1-4

1. v.1 – Veio a palavra do Senhor, segunda vez, a Jonas...
  1. Este capítulo começa enfatizando o chamado de Deus para Jonas, para o ministério profético.
  2. No capítulo um e versículo dois, vimos que o chamado de Deus é claro – ele sempre diz o que vamos fazer e onde vamos fazer a sua vontade.
  3. Vimos também que o chamado divino para a salvação é um dos momentos dentro do processo da salvação em que o Espírito Santo toca a vida do pecador gerando arrependimento, fé e aceitação do evangelho.
  4. Mas existe um outro tipo de chamado, que conhecemos por vocação para o ministério, e é comum vermos as pessoas dentro da igreja falando “meu ministério é...”. Porque Deus tem um chamado especial, isto é, um ministério especial para cada crente na igreja.
  5. Mas para cada ministério na igreja é preciso haver uma palavra específica de Deus – Romanos 12.3-8; 1 Coríntios 12.4-6, 12.
  6. O interessante aqui é que Deus dá uma segunda chance a Jonas! “... segunda vez...”

2. v.2 – proclama contra ela a mensagem que eu te digo
  1. A mensagem do chamado de Deus tem que ser de Deus – v.3 – “segundo a palavra do Senhor”.
  2. É a palavra vinda de Deus que realiza a sua vontade – Isaías 55.10, 11.
  3. Deus só cumpre a sua palavra – Jeremias 11.4-12.
  4. Paulo sabia disso quando escreveu aos Coríntios – 1 Coríntios 2.1-5.

3. v.3 – Levantou-se, pois, Jonas e foi a Nínive
  1. Jonas agora responde positivamente ao comissionamento divino. Ele percebe e entende que não tem como fugir de Deus.
  2. Paulo fala uma coisa interessante sobre a vocação divina – Romanos 11.29. Nesta passagem Paulo está especificamente falando sobre a eleição de Israel, isto é, um eleito não pode deixar de ser eleito, ou é ou não é. Com  relação a igreja, aqueles que foram eleito para fazerem parte do corpo, não tem como olhar para traz, ou é ou não é!

4. v.3b – Nínive era cidade mui importante diante de Deus e de três dias para percorrê-la.
  1. A cidade de Nínive fazia parte de um complexo de três cidades, que juntas somavam quase 100 km de circunferência.
  2. Essa cidade era importante para Deus pelo fato de ser uma das capitais do Império Assírio. Assim a cidade poderia ser uma base para a propagação do nome do Único e Verdadeiro Deus.
  3. Nínive tinha uma população de aproximadamente 600.000 habitantes, se fizermos aquele velho cálculo de as crianças são 20% da população de uma cidade. Jonas 4.11, fala de 120.000 crianças e muitos animais.

5. v.4 – Então durante aqueles dias Jonas percorreu a cidade e pregava “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida”.
  1. Pregar sobre cura divina, libertação instantânea, prosperidade financeira, bênção de todos os tipos sem haver necessidade de conversão é muito bom e enche templos, lota estádios e gera muito dinheiro.
  2. Mas pregar uma mensagem como a de Jonas não é coisa fácil!
  3. João Batista pregou uma mensagem assim – Mateus 3.1-12.
  4. Jesus pregou mensagens assim – Marcos 1.14, 15.
  5. Os apóstolos pregavam assim – Atos 2.38; 3.19.
  6. Paulo disse que o poder do evangelho é para salvar – Romanos 1.16.

II. Deus é Poderoso – a sua palavra converte o mais vil pecador – v.5-9

1. v.5Os ninivitas creram em Deus – que coisa extraordinária aconteceu agora nesta cidade, todos desde o maior até o menor, se converteram ao Senhor Deus. Você já imaginou?

2. v.6 – Até o rei da cidade se arrependeu de seus pecados e assumiu uma postura de conversão.

3. v.7 – Por decreto real todos os habitantes e seus animais deveriam fazer um jejum diante de Deus – um sacrifício em sinal de arrependimento!

4. v.8ae clamaram fortemente a Deus – haveria um pedido de perdão coletivo.

5. v.8be se converteram... mau caminho... violência... – no edito real constava que deveria haver verdadeiro arrependimento.

6. v.9 – O rei de Nínive reconheceu em seu decreto a soberania de Deus em decidir o destino humano – “Quem sabe se voltará Deus...”.

III. Deus é Poderoso – o seu perdão é real e às vezes até incompreensível – v.10

1. v.10a – Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho;
  1. A ação divina em perdoar veio após a conversão!
  2. Escute o que 2Crônicas 7.11-14 diz para o povo de Deus!
ü  Os incrédulos precisam se converter para perdão do pecado original e para perdão de toda a maldade que fizeram antes de conheceram o Deus Vivo e Verdadeiro.
ü  Os crentes precisam se converter para perdão de pecados cometidos depois da sua conversão – tudo o que impede seu crescimento espiritual e o crescimento da igreja.

2. v.10b –... e Deus se arrependeu do mal que tinha dito faria e não fez.
  1. A advertência profética do versículo 4, tinha uma condição implícita – o julgamento era iminente, se a cidade não se converte-se!
  2. Quando os ninivitas se arrependeram de seus maus caminhos eles cumpriram essa condição!
  3. Esse arrepender-se de Deus está de acordo com o seu soberano poder de decidir, sua soberana vontade, escute o que ele diz ao profeta Jeremias com relação a esse assunto, com ele trataria as nações – Jeremias 18.7-10.
  4. De qualquer forma cabe aqui uma explicação teológica e científica desse arrepender-se de Deus. Quando a Bíblia fala do arrependimento de Deus ela está usando uma linguagem antropomórfica, isto é, ela está aplicando a Deus sentimentos, órgãos e ações humanas para a compreensão humana do Deus insondável. Precisamos lembrar que está descrição aqui em Jonas é antropopática, ou seja, Deus é descrito em termos de experiência de conhecimento e emoção humana.

3. O perdão divino é tão poderoso que as vezes é mal interpretado pelos seus filhos. Nós pregamos o perdão de Deus e as vezes não admitimos o seu perdão a certas pessoas:
  1. Veja o caso de Paulo – Atos 9.10-15, 20-22, 26-28.

Conclusão

1)   Deus é Poderoso – O seu poder se manifesta na pregação da sua palavra – v.1-4
2)   Deus é Poderoso – a sua palavra converte o mais vil pecador – v.5-9

3)   Deus é Poderoso – o seu perdão é real e às vezes até incompreensível – v.10

Série: Livro de Jonas – Deus Está presente

Jonas 2

Introdução

Em nossa exposição do capítulo 1, vimos que ele ensina que Deus é persistenteEle não abandonou o profeta Jonas, mas continuou a tratar dele e a disciplina-lo, apesar de sua desobediência. E ele faz o mesmo conosco hoje. Vimos, inda, durante o estudo:

ü Que o nosso propósito ao estudar a Palavra de Deus, não deve ser encontrar algo para nós, mas sim descobrir algo sobre Deus.
ü O grande peixe não é o personagem principal do livro, nem mesmo Jonas; Deus é.
ü Deus é o Senhor não apenas de Israel, mas da natureza, da História e de todas as nações. Sua vontade se cumpre, sempre, no final. Os homens não podem criar-lhe obstáculos nem frustrá-lo. Sua graça é para todo o mundo.
ü O peixe só é citado duas vezes no livro enquanto Deus é quem ordena a Jonas a ir a Nínive.
ü Deus é quem manda uma tempestade atrás de Jonas.
ü Deus é quem manda o peixe engolir Jonas e depois vomitá-lo.
ü Deus é quem novamente comissiona Jonas a pregar em Nínive.
ü Deus é quem perdoa os habitantes de Nínive e exorta o profeta emburrado.
ü Nessa mesma linha de pensamento Vincent Mora diz: “Este peixe, que foi obsessão para a imaginação judaica e cristã não é o centro da narrativa. Não passa do instrumento providencial que traz Jonas de volta a seu ponto de partida”.

Agora vamos ver o capítulo 2, que ensina que Deus está presentemesmo se for na barriga de um grande peixe. Ele está conosco em todas as situações e pronto para ouvir-nos quando orarmos.

Este capítulo descreve a experiência do profeta e atribui a sua salvação a Deus. Observe o contraste desta experiência e da atitude de Jonas. Ele que não orou para decidir o que fazer1.3; que não orou quando veio a tempestade1.4; que não orou quando todos invocavam seus deuses1.5; que não orou quando a verdade sobre a sua fuga se tornou pública1.10, 11; que não orou quando os marinheiros oravam1.14; e que estando no navio, se recusava a levantar-se e invocar o nome de seu Deus (1.6), agora se sentia constrangido a orar ao Senhor seu Deus, do ventre do peixe (2.1).

Outra coisa para entendermos aqui é que a oração do profeta foi transformada em um Salmo de ação de graças, isto é, um cântico de louvor a Deus pela sua salvação. Jonas após a sua libertação do ventre do peixe transformou sua oração em um cântico. Isto é muito típico das narrativas do Antigo Testamento, um Salmo de ação de graças e celebração pela libertação e misericórdia do Senhor.

Desse fato da vida do profeta aprendemos que: 1º) Deus está presente mesmo em situações extremamente desesperadoras; 2º) Deus está presente quando oramos não importa onde e; 3º) Deus está presente e entende nossas atitudes.

I. Deus está presente mesmo em situações extremamente desesperadoras – vv.1, 2

1. v.1aventre do peixe – Jonas estava dentro de um grande peixe. Cientificamente só existe um tipo de animal marinho que poderia engolir Jonas inteiro e ele ainda ficar vivo, é a baleia do tipo “cachalote” encontrada no Mediterrâneo. Esse tipo não tem a garganta estreita como as outras baleias normais.

2. v.1b – orou ao Senhor, seu Deus – a estrutura literária da oração do profeta é típica de um Salmo de ações de graças:

ð Petição por livramento – v.2
ð Exposição do problema – v.3-6
ð Descrição da libertação – v.6, 7
ð Louvor pela libertação – v.8, 9

3. v.2a – na minha angustia, clamei ao Senhor, e ele me respondeu – Pense um pouco na angustia, no desespero do profeta quando abriu os olhos e se viu dentro da barriga de um peixe.

ð Salmo 120.1, 2 Na minha angústia clamei ao SENHOR, e me ouviu. SENHOR, livra a minha alma dos lábios mentirosos e da língua enganadora.

ð Salmo 118.5, 6 Invoquei o SENHOR na angústia; o SENHOR me ouviu, e me tirou para um lugar largo. O SENHOR está comigo; não temerei o que me pode fazer o homem.

ð Lamentações 3.55-57Invoquei o teu nome, SENHOR, desde a mais profunda masmorra. Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor. Tu te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas.

4. v.2b – do ventre do abismo, gritei, e tu me ouviste a voz – aqui temos um caso típico do paralelismo da poesia hebraica. Vamos comparar a primeira parte deste verso com a sua segunda parte.

ð ventre do abismo – observe a diferença entre ventre do peixe e ventre do abismo. A palavra hebraica usada para ventre do abismo é sheol e significa lugar dos mortos ou inferno, pois era o lugar para onde iam as pessoas sem Deus, consideradas sem comunhão com Deus no Antigo Testamento. Pode também significar sepultura nas profundezas do mar.

ð tu me ouviste a voz – O profeta enfatiza a presença de Deus naquele lugar de angustia, a ponto de ouvir sua voz.

Não importa onde você e eu estejamos se somos salvos, filhos de Deus, ele está conosco – Mateus 28.20b; Salmo 139.1-10; Hebreus 13.5.

II. Deus está presente quando oramos não importa onde – vv.3-8

1. Escute e leia na Bíblia como Jonas descreve o lugar onde ele estava:

ð v.3 – no profundo, no coração dos mares
ð v.4 – lançado estou de diante de teus olhos
ð v.5 – o abismo me rodeou
ð v.6 – desci até aos fundamentos dos mares

Podemos entender claramente que o sofrimento de Jonas era resultado da disciplina divina sobre a sua desobediência! Deus ama os seus filhos e os disciplina corretivamenteHebreus 12.4-13.

2. Jonas tinha pavor da morte e ainda mais quando estava em desobediência, pois morrer sem comunhão com Deus no Antigo Testamento significava separação eterna da presença de Deus – Salmo 88.4, 5, 10-12.

ð vv.4, 5Estou contado com aqueles que descem ao abismo; estou como homem sem forças, Livre entre os mortos, como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais te não lembras mais, e estão cortados da tua mão.

ð vv.10-12Mostrarás, tu, maravilhas aos mortos, ou os mortos se levantarão e te louvarão? (Selá.) Será anunciada a tua benignidade na sepultura, ou a tua fidelidade na perdição? Saber-se-ão as tuas maravilhas nas trevas, e a tua justiça na terra do esquecimento?

3. Jonas lembra do templo de Deus – sinal de sua presença entre o povov.4b. A pior coisa na vida de um crente em Cristo é lembrar-se do que fez e do que não faz mais para o Senhor por pura desobediência, como a de Jonas.

4. v.6bfizeste subir da sepultura a minha vida – Sepultura aqui é usada aqui para descrever o domínio da morte. Aqui vemos também a misericórdia divina em restaurar Jonas à comunhão de Deus.

5. vv.7, 8Estes dois versos mostram à resposta de Deus a oração de Jonas e o contrataste entre a idolatria vã e a fé genuína no Deus Vivo e Verdadeiro.

III. Deus está presente e entende nossas atitudes – vv.9, 10

1. v.9a – com voz do agradecimento – Um arrependimento sincero vem sempre acompanhado de ação de graças.

2. v.9b – eu te oferecerei sacrifícios – Na época de Jonas os sacrifícios eram de animais, hoje o sacrifício que Deus exige é o de Cristo já feito na cruz. Temos apenas que viver a nossa fé em obediência ao ensino de Jesus Cristo.

3. v.9c – o que votei pagarei – Na época de Jonas o povo de Deus fazia votos ou juramentos, hoje não necessitamos mais de fazer votos ou juramentos, temos apenas que viver o ensino de Jesus em Mateus 5.33-37.

4. v.9d – Ao Senhor pertence a salvação! – O profeta agora reconhece que só Deus é que salva. É interessante observarmos aqui o que acontece quando Deus leva o homem à salvação:

ð Jonasda desobediência ao arrependimento.
ð Ninivitasos levará da idolatria à féJonas 3.5-10.
ð Homens de hojesoberanamente, Deus, os leva ao arrependimento e a féAtos 11.17, 18.

5. v.10 – Este texto mais uma vez mostra a criação respondendo com obediência às ordens soberanas de Deus. Esta é a quarta vez que aparece este tipo de acontecimento no livro de Jonas – Jonas 1.4, 15, 17.

O comentário de rodapé da Bíblia de Estudo de Genebra diz o seguinte sobre este texto: “O peixe, que poderia ter sido a arma de Deus para a morte do profeta, pela graça se tornou em instrumento de libertação”.

Conclusão

1º) Deus está presente mesmo em situações extremamente desesperadoras.
2º) Deus está presente quando oramos não importa onde.
3º) Deus está presente e entende nossas atitudes.


Pr. Walter Almeida Junior

IBLAJP – 09/04/2017

Série: Livro de Jonas – Deus é persistente

Jonas 1

Introdução

O livro do profeta Jonas faz parte da Bíblia do Antigo Testamento e está entre a categoria de livros proféticos. Há dois tipos de livros proféticos no AT: 1) Os Profetas Maiores (5) – Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel, Daniel; 2) Profetas Menores (12) – Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.

Este livro recebe o nome de seu personagem principal, Jonas, que quer dizer “pombo”, de quem o livro diz que é filho de Amitai – v.1. Nada se sabe a respeito de sua família e no AT Jonas só é mencionado outra vez em 2 Reis 14.24-28. De acordo com este texto, uma profecia, entende-se que Jonas exerceu seu ministério no Reino do Norte de Israel, durante o reinado de Jeroboão II, entre 793-753 a.C. Os acontecimentos registrados no livro datam de 750 a.C.

O profeta Jonas é muito falado e conhecido, isto, pelo fato de Jesus o tê-lo citado, e o citando, reafirmou que a sua vida e ministério foram um fato histórico – Mateus 12.39-41.

Jonas pode ser estudado de diversos pontos de vista: 1) Biográfico – traçando um perfil do profeta; 2) Histórico – enfatizando os fatos e sua contribuição histórica para o povo de Israelita; 3) Textual – observando-se a narrativa em seqüência lógica e cronológica.

Geralmente quando estudamos um livro da Bíblia, esperamos uma promessa de Deus para a nossa vida. Mas o nosso propósito ao estudar a Palavra de Deus, não deve ser encontrar algo para nós, mas sim descobrir algo sobre Deus. Esse algo sobre Deus pode ser: 1º) Uma verdade antiga que nos volta como novidade; 2º) Uma verdade nova que nunca vimos antes; ou 3º) Uma verdade que precisamos ver e entender mais claramente.

Um bom livro para estudar deste ponto de vista é o livro do profeta Jonas. Observe as respostas às seguintes perguntas: Porque este livro está na Bíblia? Qual o propósito deste livro? As respostas: (1ª) Por que foi inspirado por Deus; e (2ª) Ensinar-nos sobre a Pessoa de Deus, mostra-nos como nós somos e o que Deus quer que sejamos. Muitas vezes lemos, pregamos e ensinamos sobre esse livro como um livro sobre Jonas e sobre nós mesmos. Mas, esse livro, é primeiramente um livro sobre Deus. O que ele ensina sobre Deus em cada capítulo?

1) No capítulo 1 ensina que Deus é persistente – Ele não nos abandona, mas continua a tratar de nós e a nos disciplinar apesar da nossa desobediência.

2) No capítulo 2 ensina que Deus está presente – mesmo se for na barriga de um grande peixe. Ele está conosco em nossas dificuldades e pronto para ouvir-nos quando orarmos.

3) No capítulo 3 ensina que Deus é poderoso – o arrependimento e a conversão de toda a cidade de Nínive é uma manifestação tremenda do poder de Deus. Podemos confiar completamente nEle para realizar os seus propósitos.

4) No capítulo 4 ensina que Deus é paciente – quando Jonas ficou irado e sentou-se mal humorado fora da cidade de Nínive, porque Deus a perdoara, Ele não o castigou. Mas ele explicou gentilmente o que tinha feito. É maravilhoso ver como Deus é paciente conosco em todas as situações da nossa vida!

A persistência, a presença, o poder e a paciência de Deus são, portanto, atributos divinos que encontramos nós quatro capítulos de Jonas, um em cada capítulo em particular.

Na sua revelação escrita ao homem, a Bíblia, Deus revela o seu Ser através de seus atributos. Atributos são qualidades, propriedades, virtudes ou características.

Os atributos de Deus revelam não somente quem e como ele é, mas também como ele se relaciona conosco. Os atributos divinos são essenciais a ele. Nós, seres humanos, podemos perder alguns atributos e continuarmos a sermos seres humanos, mas com Deus não é assim, sem seus atributos, Deus deixaria de ser quem e como ele é! Porque, na verdade, Deus não apenas têm seus atributos, ele é seus atributos! Escute o que diz a Bíblia:

1 João 4.8 – Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. Deus não tem apenas amor, ele é o amor! Assim também é com todos os outros atributos inerentes à sua natureza.

Uma coisa tem que ficar clara para nós sobre os atributos de Deus: nenhuma classificação feita pelo homem será perfeita e completa quando se trata de atributos divinos. Deus sempre excederá nossos esforços para compreendê-lo e descrevê-lo. Escute o que diz os seguintes textos:

ð Eclesiastes 3.11 – Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.

ð Romanos 11.33, 34 – Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?

ð Jó 36.26 – Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender; o número dos seus anos não se pode calcular.

ð Isaías 40.28 – Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento.

Mas, apesar de saber que nossa classificação dos atributos divinos é imperfeita e incompleta, não há dúvida de que ela nos ajuda a entender melhor o nosso grande Deus! E as Escrituras Sagradas nos estimulam a buscar esse conhecimento:

ð Daniel 11.32 – ... mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo.

ð Oséias 6.3 – Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR...

Conhecer a natureza e os atributos de Deus é o primeiro passo para termos um relacionamento mais rico e frutífero com ele. Essa, certamente tem sido a experiência de muitos cristãos em todas as épocas e lugares.

Hoje, no primeiro capítulo de Jonas, surge uma pergunta: Você sabe o que Deus quer que você saiba sobre ele? Você sabe o que Deus quer que você saiba? Creio, que além de muitas outras coisas, Ele, Deus, quer que você saiba que ele é persistente. Isso veremos ao observar a persistência divina ao lidar com o profeta.

O dicionário Aurélio define a persistência como a qualidade ou ato de ser persistente; perseverança, constância, pertinácia. Então, uma pessoa persistente é pertinaz, contumaz, constante. E isso é ser constante, perseverar, continuar, prosseguir, insistir.

Então, nosso tema de hoje é:

Deus é persistente – ele não nos abandona, mas continua a tratar e a disciplinar o ser humano, apesar da sua desobediência!

I. Deus é persistente – Ele mantém o seu chamado – vv.1, 2 (Deus não é como nós)
A persistência de Deus está aqui implícita no fato de que ele não desiste
daquele que ele elegeu e chamou com um propósito especifico!

1. v.1 – Veio a Palavra do Senhor a Jonas...
  1. Esta expressão – veio a palavra do Senhor – aparece 112 vazes no AT para descrever a revelação de uma mensagem divina ao profeta. Mas, revelava também o chamado de Deus para o profeta.

2. v.2 – O chamado de Deus é claro – ele sempre diz porque, quando, o que e onde!
Deus diz o que não esperamos que ele diga! Ele fala do jeito dele!

a.    v.2a – ...vai a grande cidade de Nínive... – O desafio do chamado era complicado para Jonas, pelo fato de Nínive ser a capital do reino da Assíria, que considerava Israel (e também Judá) como estado vassalo. Uma representação dessa subserviência era o obelisco, em pedra negra (pode ser visto hoje no Museu Britânico, em Londres), que documentava as vitórias do rei assírio Salmaneser III (859- 823 a.C.), onde aparece Jeú, rei de Israel (2Re 9 e 10), pagando tributo (provavelmente para tentar evitar uma invasão assíria). Nos dias de Jeú também, os limites de Israel foram diminuídos através da ação direta de Hazael, rei da Síria, após ter sido derrotado pelos assírios (2Re 10.32). Jonas tinha conhecimento de tudo isso, e era participante direto desse contexto conturbado.

b.   v.2b – ... clama contra ela... – Jonas tinha a tarefa de clamar contra os pecados da cidade. A ‘malícia’, aqui citada, é semelhante ao pecado de Sodoma e Gomorra, e pode ser ampliada e especificada como: homossexualismo, injustiça, adultério, mentira, incitamento à maldade, orgulho, vida fácil, despreocupação com os pobres, conforme os textos de: Is 1.10-17; Is 3.9; Jr 23.14; Ez 16.49; Gn 19.5. Diante de todo esse panorama, bem conhecido de Jonas, não era razoável levar nenhuma mensagem de Deus como alerta àquele povo terrível. Melhor seria aguardar a sentença de Deus, a mesma que veio sobre Sodoma e Gomorra: Uma bem-vinda destruição!

c.    Mesmo sendo Jonas rebelde ao chamado de Deus, Ele não desistiu dele. Isto aconteceu com profetas contemporâneos de Jonas e vemos isso em toda a Bíblia, e em nossa própria experiência hoje!

d.   Um exemplo de chamado divino Jeremias 1.1-10.
Por um lado, Deus requeria a disposição de Jonas para ir à Nínive. De outro lado, Jonas efetivou sua disposição em desenvolver um projeto alternativo bem elaborado, mas completamente diferente do que Deus havia requerido dele: “Jonas se dispôs,..” (Jn 1.3a). A sua ideologia excessivamente nacionalista e xenófoba, como a da maioria do povo de Israel de seu tempo, fez com que se iniciasse na vida de Jonas uma seqüência de movimentos descendentes que culminaram no fundo dos “... fundamentos dos montes,” (Jn 2.6): Desceu a Jope, desceu ao porto, desceu ao porão do navio, mergulhou em sono profundo, desceu às profundezas do mar... .Em todo esse processo descendente, o seu projeto se mostrava mais glamoroso e aceitável do que o enfrentamento da dura realidade de ir a Nínive, embora não fosse fácil, tranqüilo nem barato. Investiu tudo nele, assumindo plenamente o comando de sua vida. Társis era como um eldorado. Situada, provavelmente, no extremo oeste do mar mediterrâneo, na costa sul da atual Espanha, representava o sonho de uma aventura maravilhosa, um lugar exótico, com o encanto do desconhecido. Nas referências bíblicas que mencionam Társis, destacamos 1Re 10.22 que relata as idas da frota de Salomão a Társis, para trazer ouro, prata, marfim, macacos e pavões. Um lugar assim era muito mais atrativo do que a problemática Nínive, e garantia, na ilusão de Jonas, uma distancia ‘segura’ da presença de Deus.

3. O chamado de Jonas nos faz refletir sobre Eleição e chamado que são dois momentos dentro do processo da salvação. Eleição é a determinação de Deus em salvar uma pessoa, o que se deu na eternidade, e o chamado é o momento em que o Espírito Santo toca sua vida gerando arrependimento, fé e aceitação do evangelho.

a.    Tomar consciência do chamado significa: 1) Reconhecer o poder de Deus que opera em nossa vida; 2) Reconhecer que o Senhor Jesus foi dado à igreja a fim de que ela proclame seu senhorio ao mundo.

b.   A nossa prática cristã deve ser condizente com o chamado que recebemos do Senhor Jesus. Nesse sentido nosso chamado desenvolve-se em duas direções: 1) Nas nossas relações comunitárias, e; 2) Em nossa vida no mundo.

II. Deus é Persistente – Ele treina o seu chamado – v.3-16 (Deus reina)

1. v.3 – Jonas tenta escapar de sua responsabilidade e revela outro atributo divino – onipresença.

a.    Fugir seria impossível, veja o que diz o Salmo 139.9.

b.   Engraçado é que quando queremos fugir de nossa responsabilidade, arcamos com todos os custos e conseqüências da nossa escolha – v.3b “... pagou, pois, a sua passagem e embarcou...

2. v.4-16 – Deus aproveita a oportunidade e começa um treinamento especial com Jonas:

a.    v.4 – Deus mostra quem manda e age como o Criador e Sustentador.

b.   v.5, 6 – Quando Deus age é revelada a pecaminosidade humana e também o descaso de Jonas.

c.    v.7 – Deus se mostra o Senhor da história – ele conduz todas as coisas. 

d.   v.8-11 – Jonas um profeta de Deus, agora tem que confessar sua rebeldia diante de ímpios – tem que aprender o que é humildade e submissão a vontade de Deus.

Quando Jonas cai em si, após ter sido apontado como responsável por tudo aquilo, perguntado pela tripulação, ele faz a primeira proclamação acerca de Deus e de sua relação com Ele. Um ‘sermão’ de 17 palavras foi suficiente para provocar o início da transformação das vidas dos marinheiros! A partir daí vemos aqueles homens tentando encontrar saídas para a situação, mas reconhecendo agora, pelas próprias declarações de Jonas, que não tinham muitas alternativas.

a. v.12 – O profeta agora começa a agir como um servo de Deus e oferece a sua vida pela dos pecadores.

b. v.13 – Aqueles ímpios ensinam a Jonas que Deus é o Senhor da vida e da morte!

c. v.14-16 – Mesmo seu testemunho sendo muito difícil, Jonas consegue alcançar aqueles marinheiros! Escute a oração deles e a sua atitude diante de Deus após a tempestade se acalmar.

A segunda proclamação de Jonas na sua missão em fuga revela um sentimento de frustração e derrota, reconhecendo que para ele não tinha mais saída, era o fim, e plenamente merecido. Em resposta ao segundo e último ‘sermão’ de Jonas na missão em fuga, agora com 22 palavras, os marinheiros tiveram suas vidas plenamente transformadas, como fica claro pelas atitudes deles em oração, ação e adoração
(Jn 1.11-16).

Uma coisa interessante que observamos, ainda, na vida do profeta Jonas é que ele é o tipo de crente que só ora em extrema necessidade. Dê uma olhada comigo no texto: 1) não orou para decidir o que fazer – v.3; 2) não orou quando veio a tempestade – v.4; 3) não orou quando todos invocavam seus deuses – v.5; 4) não orou quando a verdade sobre a sua fuga se tornou pública – v.10, 11; 5) não orou quando os marinheiros oravam – v.14.

Jonas aprendeu uma lição interessante aqui: Mesmo sem ele querer ele estava fazendo o que iria fazer em Nínive, porque o Deus que não desiste, o estava treinando para uma tarefa muito maior!

Quatro lições importantes aqui: 1ª) Deus opera onde não esperamos que ele opera; 2ª) Deus age no seu ritmo, que é só dele?; 3ª) Deus opera na vida de Jonas, antes de operar na vida dos marinheiros – pela tempestade e pelos resultados!; e 4ª) Deus opera para salvar pela sua palavra.

Martinho Lutero disse: “Minha tarefa como pregador é colocar olhos nos ouvidos das pessoas”.

Deus usa a sua palavra: Ele fala a palavra; o seu Filho é a palavra e a Bíblia é a sua palavra.

III. Deus é Persistente – Ele exige uma resposta – v.17

Até agora, apesar das lições já aprendidas, Jonas estava agindo por sua própria conta, pelo menos ele pensava que sim. Mas, Deus age soberanamente sobre o mundo natural e ensina ao profeta mais uma lição: A vontade de Deus se realiza!

Não há dúvida de que Jonas tinha convicção pessoal de seu chamado, tanto quanto o reconhecimento por parte do seu povo (2Re 14.24 e Jn 1.1).

Veja comigo as reações de Jonas diante da ação de Deus:

1)   Ele tenta assumir o controle da sua vida e do seu chamado apenas racionalizando e deixando de levar em conta a ação divina – Leva em conta somente circunstâncias históricas e políticas; sucumbe a novas perspectivas; cansa-se dos problemas. (v.3)

2)   Ele tenta se tornar alheio às consequências – Passa a ter outras prioridades; Planos alternativos; Maiores desafios; Longe da face do Senhor. (vv.4, 5)

3)   Ele é alertado pelo mundo, mas se torna como que anestesiado (confrontado pelas pedras) – fica alheio aos acontecimentos; voltado apenas para seus interesses; indiferente ao que ocorria em volta; teve de ouvir o que não queria de quem não esperava. (vv.6-8)

4)   Ele é Indagado e tem que reafirmar quem era o seu chamado – Apesar de tudo, encontramos aqui Jonas convicto, consciente e professando seu Deus. (v.9)

5)   Ele tenta abortar a sua missão – Consciente do desvio dispôs-se a reconsiderar seu destino, considerando até encerrar sua caminhada; encontra-se num ‘beco sem saída’; ‘Não dá mais’. (vv.11-12)

6)   Ele, agora, é impactado pelos resultados – Sua desobediência, associada ao reconhecimento do desvio de um chamado inequívoco, fez com que resultados surpreendentes fossem alcançados, e vistos por ele. (vv.13-16)

7)   Surpreso, começa a experimentar a misericórdia de Deus – No ventre do grande peixe, face a face com o Senhor. (v.17)

Conclusão

Hoje, o Deus persistente, do livro de Jonas, continua sendo
o mesmo e não desiste de você!

1) Ele o chamou para a salvação e para a um propósito especifico.
2) Ele o vai capacitar para realizara a sua vontade, o seu propósito.
3) Ele espera uma resposta positiva sua.

Pr. Walter Almeida Jr.

IBLA – JP – 02-04-2017