terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Reflexões nos Salmos - Salmo 1 - Os dois caminhos – frustração ou realização

Salmo 1
Os dois caminhos – frustração ou realização

O Salmo 1 é resumo e prólogo (introdução) do Saltério. “Bem-aventurados”: aparecem 26 vezes no livro dos Salmos. O Salmo 1 é também um paralelo de Jeremias 17.5-8: Árvore junto a um rio, arbusto no deserto.

O que aprendemos: Existem dois tipos de pessoas, dois estilos de vida. Um leva à realização e o outro, à frustração. A Bíblia ensina o bom caminho e mostra o mau caminho. Vejamos ambos os caminhos e optemos por qual seguir.

I. O caminho que conduz à frustração

O caminho do ímpio – Existe uma progressão no texto, o ímpio cresce na maldade e no pecado o justo nas coisas de Deus. Vejamos três aspectos deste caminho no v.1:

Bem-aventurado aquele que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.

1.    No Salmo e no v.1 temos uma ação progressiva – 1ª) andar, 2ª) deter e 3ª) assentar. Esta é a sina (destino) do homem ímpio, ele anda, para e se assenta. Ele não anda no caminho correto. Ele para e dá atenção às tentações. Ele se assenta onde não deveria se assentar. Ao invés de fugir do pecado ele se entrega ao pecado. É uma progressão para o pecado.

2.    No v.1, temos também uma progressão do estado moral do homem – 1ª) ímpio (aquele sem Deus), 2ª) pecador (aquele que ama o pecado), e 3ª) escarnecedor (aquele que é insolente, arrogante, que zomba de Deus). A degradação é visível, primeiro ele apenas não tem Deus, depois ele passa a amar o pecado e por último, sua situação é de zombar do próprio Deus.

3.    E por último, fica evidente a progressão do envolvimento do ímpio com as coisas do mundo1ª) conselho, 2ª) caminho e 3ª) roda.  Perceba que aquele que segue os conselhos, se encontra também no caminho errado e quando menos percebe está participando da roda daqueles desprezam a Deus.

Infelizmente os ímpios não vão ter um bom destino, v 4: “Eles são como palha que o vento dispersa”.  Não obedecem à Palavra. O que terá é Miséria, Jr 17.5, 6:

“Assim diz o Senhor: "Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor. Ele será como um arbusto no deserto; não verá quando vier algum bem. Habitará nos lugares áridos do deserto, numa terra salgada onde não vive ninguém”.

v.5Por isso, os ímpios não prevalecerão no julgamento, nem os pecadores, na assembleia dos justos. Não sobreviverão no juízo nem entrarão na “congregação dos justos” (lugar presidido por Deus). Ele terá instabilidade, juízo e afastamento de Deus, na eternidade. Ex.: Mateus 7.26, 27:

Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda.

Aquele que está em pé cuide para que não caia. O maior problema é ver “crentes” agindo como ímpios. Cuide para que você não seja como um ímpio. Que caminho você tem percorrido?

II. O caminho que conduz à realização

Nós vimos que o caminho dos ímpios é bem triste. Mas o caminho do justo conduz à realização. Bem-estar crescente. Bênçãos do Senhor espera por ele. Vejamos cinco aspectos deste caminho nos vv.2, 3

Pelo contrário, seu prazer está na lei do Senhor e na sua lei medita dia e noite. 3 Ele será como a árvore plantada junto às correntes de água, que dá fruto no tempo certo e cuja folhagem não murcha. Tudo que ele fizer prosperará.

1.    O justo tem Prazer na lei do Senhor – Ele “não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”. O prazer do justo está na lei do Senhor e na sua lei medita, estuda, busca as respostas para todas as situações de sua vida. A Palavra de Deus é quem rege sua vida. O Justo será feliz. Que rege nossas vidas? Outras fontes ou Deus é quem nos guia através de Sua Santa Palavra?

2.    O justo tem Provisão – Ele é como árvore junto ao rio. Ali ele encontra tudo o que precisa para sua provisão. O outro está no deserto. Onde você vive?

3.    O justo tem Estabilidade – Ele dá o fruto na estação própria. O que plantamos nós colhemos, o justo terá seu fruto e seu fruto além de vir no tempo certo sempre, será frutos bons. O justo é estável, mas há crentes que tem uma vida como a “montanha russa”, sobe e desce. Ora está bem, ora não. Nunca sabe se terá fruto, pois não tem estabilidade de vida.

4.    O justo tem Vitalidade – Ele tem boa saúde, tem vida uma via boa e saudável. Suas folhas não caem, não enfraquecem, não murcham. Infelizmente nós encontramos muitos crentes murchos, Deus não deseja isso para seus filhos. Isaías 40.29-31:

“Ele fortalece ao cansado e dá grande vigor ao que está sem forças. Até os jovens se cansam e ficam exaustos, e os moços tropeçam e caem; mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam bem alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam”.

5.    O justo tem Prosperidade - “Tudo que ele fizer prosperará”. Uma certeza, Tudo! Não é metade e não existe um “será” e nem um “se”. É promessa de Deus. As portas se abrem para o Justo porque ele está com DEUS e Deus com ele. Temos o exemplo de José, Gênesis 39.2, 3,21-23

“O Senhor estava com José, de modo que este prosperou e passou a morar na casa do seu senhor egípcio. Quando este percebeu que o Senhor estava com ele e que o fazia prosperar em tudo o que realizava”... Depois quando foi preso: “mas o Senhor estava com ele e o tratou com bondade, concedendo-lhe a simpatia do carcereiro. Por isso o carcereiro encarregou José de todos os que estavam na prisão, e ele se tornou responsável por tudo o que lá sucedia. O carcereiro não se preocupava com nada do que estava a cargo de José, porque o Senhor estava com José e lhe concedia bom êxito em tudo o que realizava”.

Você anda com Deus? As pessoas notam isso na sua vida?

Concluindo

Como ser feliz? A felicidade é subproduto da santidade. O Saltério começa exaltando a Palavra de Deus. Obedecendo-a, o homem se realiza, ele será feliz. No fim, Deus conhece seu caminho. O caminho do justo é muito bom e o aproxima mais e mais de Deus. Dois caminhos. Ebal e Gerizim, vida e morte, luz e trevas, Cristo e sem Cristo.  Há o caminho errado (Pv 14.12). Há um caminho bom (Jo 14.6). Escolha o caminho correto. Ande por ele. Você nunca se arrependerá, e terá futuro, mas lembre-se “a escolha é sua”.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Estudo das Promessas Cumpridas sobre a 1ª Vinda de Jesus Cristo - Promessas Cumpridas (2)

Gênesis 12.1-3; 17.15-22; 26.1-6; 28.10-17

Em nosso estudo anterior, vimos o texto de Gênesis 2.4-4.26, que “descreve três etapas em que a sociedade humana se degenerou de sua perfeição apresentada”[1] em Gênesis 1.31: 1º) O desafio ao mandamento divino – Gn 3.6; 2º) O primeiro assassinato – Gn 4.8; e 3º) A vingança, 70x7, maior realizada por Lameque – Gn 4.24. Essa passagem nos ajuda a entender e explicar os efeitos do pecado de forma simples, mas, ao mesmo tempo, profunda.

Observamos e expusemos o texto do seguinte modo: 1º) A criação e o Criador – Gn 2.4-24; 2º) A mais triste passagem da Bíblia – Genesis 3.1-24; e 3º) As consequências da queda na humanidade – Gênesis 4.1-26; 4º) A primeira promessa do Salvador – Gn 3.15.

Concluímos afirmando que Gálatas 4.4, 5 deixa isso bem claro – “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.

Hoje, a partir de Genesis 12, vamos observar as promessas para a vinda do Messias feitos a Abraão, Isaque e Jacó (posteriormente Israel) e os seus cumprimentos.

Uma coisa importante de se observar, aqui, é que “durante todo Antigo Testamento, o fio condutor que liga os diferentes livros e os torna uma impressionante unidade é a promessa da vinda do Messias (o Ungido)”[2].

I. Promessas feitas a Abraão – Gênesis 12.1-3

O chamado de Abraão foi acompanhado de algumas promessas feitas pôr Deus. Dentre elas, temos três que são as mais importantes delas encontradas no texto: 12.1-3; cf. At 7.2, 3; Hb 11.8. Essas são enfatizadas de modo especial no restante do livro e são básicas para o entendimento do restante do Antigo Testamento.

1. Primeiraa promessa da terra (12.1, 7; 15.18-21). A seção do livro de 12.4 a 14.24 mostra a confirmação de sua fé nesta promessa (13.12; 14.6, 17, 18, 19, 21).

2. Segundaa promessa de ser uma grande nação (12.2). A seção do livro de 15.1 a 17.27 mostra a confirmação de sua fé nesta promessa (15.2, 4, 18; 16.1-3; 16.12; 17.7, 8, 11; 17.16, 19, 21).

3. Terceiraa promessa de proteção e descendência abençoadora (12.3; 18.18; 22.18). A seção do livro de 18.1 a 19.38 mostra a confirmação de sua fé nesta promessa (18.16-19; 18.22, 23; 19.16, 29).

a.      Aqui temos a promessa da descendência – Gn 12.3b; 15.1-6; 17.1-8; Gl 3.6-14.

II. A promessa feita a Isaque – Gênesis 17.15-22; 26.1-6

Deus confirma a promessa feita a Abraão e faz a promessa também a Isaque, enfatizando os mesmos três importantes elementos anteriores:

1. Primeiroterra – Gn 26.2b, 3 – “Fica na terra que eu te disser; habita nela, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e a tua descendência darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a Abraão, teu pai.”

2. Segundogrande nação – Gn 26.4a – “Multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e lhe darei todas estas terras.”

3. Terceiroproteção e descendência abençoadora – Gn 26.3b, 4b, 5 – “... e confirmarei o juramento que fiz a Abraão, teu pai. Na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra; porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandados, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.”

III. A promessa a feita Jacó – Gênesis 28.10-17

Deus confirma a promessa feita a Abraão e a Isaque e faz a promessa também a Jacó, enfatizando os mesmos três importantes elementos anteriores:

1. Primeiroa terra – Gn 28.13 – “Perto dele estava o SENHOR e lhe disse: Eu sou o SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência.”
                                                                                             
2. Segundogrande nação – Gn 28.14a – “A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul.”

3. Terceiroproteção e descendência abençoadora – Gn 28.14b, 15 – “Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido.”

Concluindo

1º) O cumprimento da promessa feito a Abraão está em Mateus 1.1; Atos 3.25; Gálatas 3.16.

2º) O cumprimento da promessa feito a Isaque está em Mateus 1.2; Hebreus 11.17-20.

3º) O cumprimento da promessa feito a Jacó está em Mt 1.2; Lc 1.54, 55; 2.28-32




[1] D. A. Carson, Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, pg. 103.
[2] Oliveira, Kelson Mota T. – Cristologia, pg. 2.

Estudos Bíblicos: João 13.6-11 (2) - Um coração ensinável

João 13.6-11
Um coração ensinável


Em nosso estudo anterior em João 13.1-5 vimos que, quando Jesus começa a lavar os pés dos 12 discípulos, ele estava ensinando que a melhor maneira deles e de nós sermos parecidos com Ele é servindo como Ele serviu, isto é, assumindo o Seu estilo de vida que foi marcado pelo amor doador.

Vimos também, que segundo John Stott, o propósito eterno (Rm 8.29), o propósito histórico (2Co 3.18) e o propósito escatológico de Deus (1Jo 3.2) é nos transformar à semelhança de Jesus.

E, diante do texto bíblico e do nosso tema, fizemos três perguntas: Em seu estilo de vida marcado pelo amor doador1ª) O que Jesus sabia naquele momento? 2ª) O que Jesus sentiu naquele momento? 3º) O que Jesus fez naquele momento?

Olhando agora para João 13.6-11, nosso tema de hoje é: Um coração ensinável.

Por alguns minutos pense comigo naquela cena – Jesus e os doze discípulos chegando em casa e a atitude de Jesus diante a inércia dos discípulos!

A reação de Pedro e seu questionamento em relação à humilde e amorosa ação de Jesus revela como ele estava perplexo e envergonhado diante do que Jesus estava fazendo. Essa passagem ensinou três lições a ele e aos outros discípulos que devemos aprender também. O texto ensina que um coração ensinável: 1º) Procura aceitar os planos e ações de Deus, mesmo que muitas vezes não os compreenda de imediato (v.6, 7); 2º) Procura entender que há um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, para a salvação e manutenção desta (v.8, 9); e 3º) Procura reconhecer e submeter-se a Jesus, pois ele é o único que sabe realmente quem somos (v.10-11).

Um coração ensinável (1º)
I. Procura aceitar os planos e ações de Deus, mesmo que, muitas vezes, não os compreenda de imediato (v.6, 7)

“A mentalidade típica do judeu não podia aceitar o Messias humilhado”[1] – lavando os pés dos seus discípulos?! Portanto, na mente de Pedro e dos demais discípulos, não havia lugar para o Cristo ser humilhado daquela forma como estava sendo.

Assim como Pedro e os discípulos, muitos crentes ainda não cresceram espiritualmente o suficiente para aceitarem a soberania de Deus em seus planos e ações redentivas e providenciais de modo coletivo e individual na humanidade.

O que acontece é que assim como Pedro que “só enxergava a incongruência imediata da situação à sua frente”[2], nós os crentes, muitas vezes, só vemos o que está acontecendo em nosso aqui e agora.

A recomendação paulina para a aceitação da vontade de Deus em qualquer situação está em Romanos 12.1, 2. A vontade de Deus na Bíblia tem dois objetivos importantes: 1º) que todos os homens sejam salvos – 1Tm 2.1-4; Tt 1.11; 2º) que todos os salvos experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus – Rm 12.2b; 1Ts 4.3; 5.18; 1Pe 2.15.

v.7 – Respondeu-lhe Jesus: O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois. Que Deus nós ajude a orar, ler e estudar a Bíblia, a perguntar, a ponderar e refletir em tudo o que acontece a nossa volta e em nossa própria vida, mas acima de tudo a buscarmos aceitar a Sua vontade, mesmo que momentaneamente não a compreendamos.

Um coração ensinável (2º)
II. Procura entender que há um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, para a salvação e manutenção desta (v.8, 9)

Quando Pedro muda de ideia (v.9) tão rapidamente diante da afirmação de Jesus (v.8), ele ilustra muito bem os extremos da natureza humana – instante antes, ele dizia: Nunca me lavarás os pés. No instante seguinte, ele diz: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.

Assim como Pedro, muitos crentes revelam esses extremos e falta de entendimento do processo de operação da salvação e de sua manutenção. O processo é muito simples:

Processo de operação da salvação (Efésios 2.8, 9)

1º) ouve-se a Palavra de Deus (evangelho) – Rm 10.17;
2º) reconhece-se a condição de pecador – Rm 3.23; 6.23;
3º) arrepende-se e confessa-se os pecados – At 3.19; Mc 1.15b.
4º) crê-se  em Jesus como salvador pessoal – Rm 10.9, 10.

Processo de manutenção da salvação (1 João 1.9-2.2)

1º) reconhece-se que pecou – 1Jo 1.10-2.1a;
2º) aceita-se a Jesus como advogado e propiciação pelos pecados – 1Jo 2.1b, 2;
3º) confessa-se os pecados – 1Jo 1.9;
4º) aceita-se o perdão – 1Jo 1.9b.

Assim, um coração ensinável aceita a vontade de Deus, mesmo que momentaneamente não a compreenda e entende que há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem (1Tm 2.5) – na salvação e manutenção desta.

Um coração ensinável (3º)
III. Procura reconhecer e submeter-se a Jesus, pois ele é o único que conhece realmente quem somos – (v.10-11)

As palavras de Jesus, no v.10, indicam que a lavagem dos pés dos discípulos “foi mais que um exemplo; foi um meio pelo qual eles puderam participar da humilhação de Jesus”[3]. A primeira lição da lavagem dos pés é a da purificação espiritual (expiação), mas a segunda está “associada a um exemplo de serviço humilde”[4].

As reações de Pedro nesta passagem – “sua pergunta, sua recusa enfática e sua mudança de atitude impetuosa e extravagante são todas características suas”[5], mas que podem muito bem, serem usadas como um exemplo de características espirituais de muitos cristãos. Observando Pedro, uma das suas características negativas era a falta de quebrantamento.

De acordo com as Escrituras, quebrantamento não é apenas um simples sentimento, mas também um ato de vontade e é na prática, um processo que acontece em duas perspectivas: 1ª) na perspectiva vertical – em sua disposição de relacionar-se com Deus e; 2ª) na perspectiva horizontal – em sua disposição de relacionar-se com o próximo.

Assim, a essência do quebrantamento consiste:

1º) Em um ato de vontade – é uma decisão pessoal, prática e humilde de uma pessoa que reconhece suas características positivas e negativas e está disposta a mudar e aprender se necessário.

2º) Em um processo contínuo de transformação – é uma maneira de viver que demonstra em palavras e ações profunda convicção das suas próprias necessidades espirituais, demonstrando genuína necessidade de um encontro diário com Deus, seguido de mudanças permanentes.

3ª) Em aceitar a vontade revelada de Deus – é submeter-se à vontade revelada de Deus de forma absoluta e incondicional.

Esse quebrantamento que Pedro precisava, todo cristão necessita para que reconheça e se submeta ao senhorio de Cristo em tudo na sua vida.


Concluindo

Então, um coração ensinável:

Æ  Aceita a vontade de Deus, mesmo que, momentaneamente, não a compreenda;

Æ  Entende que há um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, para a salvação e manutenção desta;

Æ  Reconhece e se submete ao senhorio de Jesus Cristo em tudo na sua vida, pois ele é o único que sabe realmente quem somos.

Pr. Walter Almeida Jr.
IBLA – Jd. das Palmeiras
14/12/2016


[1] Lima, Josadak. O Padrão do Mestre, AD Santos, 2012, p. 13.
[2] Ibid., p. 13.
[3] Carson, D. A. – Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, 2009, p. 1584.
[4] Ibid., p. 1584.
[5] Ibid., p. 1584.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Série: 7 Sinais - (2) Lições de uma cura a distância

João 4.43-54

A semana passada vimos:

ð Que João selecionou sete sinais (milagres – feitos extraordinários com um objetivo específico): 1º) A transformação da água em vinho2.1-12; 2º) A cura a distância de um rapaz4.46-54; 3º) A cura do paralítico 5.1-47; 4º) A multiplicação dos pães e peixes6.1-14; 5º) Jesus anda sobre o mar6.15-21; 6º) A cura do cego de nascença9.1-41; e 7º) A ressurreição de Lázaro11.1-57.
ð Que ele, João, também usou sete reivindicações da divindade de Jesus feitas por Jesus: 1ª) Eu sou o pão da vida8.12; 2ª) Eu sou a luz do mundo8.12; 3ª) antes de Abraão eu sou 8.58; 4ª) Eu sou o bom pastor10.11; 5ª) Eu sou a ressurreição e a vida11.25; 6ª) Eu sou o caminho, a verdade e a vida14.6; e 7ª) Eu sou a videira verdadeira15.1.
ð Que as principais características do Evangelho são: 1ª) É um evangelho de festas – quase todos os eventos e discursos estão relacionados com as festas judaicas – 2.13, 23; 6.4; 7.2; 10.2; 11.55; 12.1; 13.2-10; 18.28; 2ª) É um evangelho de testemunhos – exemplos: João Batista1.34, Natanael 1.49, Pedro6.69, Jesus10.36, Marta11.27; Tomé20.28; 3ª) É um evangelho com simbolismos – números e metáforas; 4ª) É um evangelho de fé – (1.12; 20.30, 31) sua base (ouvir e receber a Palavra) e os seus resultados (liberdade, descanso, paz, poder e vida eterna); 5ª) É um evangelho da encarnação – Deus se fez homem e habitou entre nós – 1.1-18.[1]
ð Que por isso, João começa o seu evangelho apresentando a identidade de Jesus. Tudo o que ele escreve a respeito de Jesus, no decorrer de sua narrativa, está em síntese nos dezoito versículos inicias: 1º) 1.1-3 – Jesus é Deus – cinco aspectos: ele é o verbo, é eterno, é uma pessoa, é Deus e é o Criador; 2º) 1.4, 5 – Jesus é a vida e a luz – duas palavras chaves que ensinam verdade profundas: vida – ela tem origem e Jesus e se encontra nele (8.12; 14.6), e luz – a luz é uma manifestação resplandecente da vida (12.46; 3.19-21); 3º) Jesus é homem perfeito – ele é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, de forma inconfundível, imutável, indivisível e inseparável. Jesus assumiu a natureza humana e viveu sem pecar até a sua morte. Ele se identificou conosco em todas as nossas fraquezas (4.6,7; 6.53; 8.40; 11.33-35; 12.27; 13.21; 19.28).[2]

Na mensagem em João 2.1-12, a transformação da água em vinho, aprendemos três lições: 1ª) A presença de Jesus no casamento requer convitevv.1, 2; 2ª) A presença de Jesus no casamento não impede que coisas desagradáveis aconteçamvv.3-5; 3ª) A presença de Jesus no casamento é funcionalvv.6, 7; e 4ª) A presença de Jesus no casamento é transformadoravv.8-11.

Hoje, nosso texto é João 4.43-54 que, João chama de o segundo milagre – A cura de um filho de um oficial do rei, a distância Jesus fez este segundo milagre, quando ia da Judéia para a Galiléia. (v.54)

Olhemos o seu contexto:

ð Após a festa de casamento em Caná da Galileia, Jesus foi ao templo e a festa da Páscoa em Jerusalém – 2.13-25.
E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos,
vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. (v.23)

ð Ainda era noite, e Jesus recebe a visita de um membro do Sinédrio chamado Nicodemos – onde Ele ensina sobre o novo nascimento. Nessa passagem (3.1-36) Jesus é apresentado por João de três modos: 1º) como, o Mestre3.1-21; 2º) como, o Noivo da Igreja3.22-30; e 3º) como, a Testemunha do Pai3.31-36.

ð Voltando para Galileia Jesus teve três conversas significativas: 1ª) Com uma mulher samaritana4.1-30; 2ª) com seus próprios discípulos – 4.31-42; e 3ª) com um oficial do Rei sobre a enfermidade e cura do seu filho4.43-54.

Nosso texto de hoje – 4.43-54:

ð vv.43-45 – Esses versículos falam da entrada de Jesus na Galileia vindo da Judéia. Jesus ficou dois dias com os samaritanos e depois foi para a Galileia, onde foi bem recebido pelos galileus. Ele havia começado a viagem para Galileia no v.3.

·      v.44 – A que terra Jesus estava se referindo? A sua terra natal Nazaré na Galileia ou a sua terra em termos nacionais – Israel. 1º) Se ele estava se referindo a Judéia em termos nacionalistas, a razão para a ida à Galiléia seria devido à falta de hospitalidade e à hostilidade do povo, na Judéia. Mas, 2º) se estava falando da Galileia é por que sabia que em sua terra natal terá pouca aceitação e consequentemente também pouca publicidade. Ainda não havia chegado a sua hora!
·      v.45 – Mas, Jesus recebe boa acolhida na Galiléia. A Páscoa congregava em Jerusalém judeus de toda a Palestina. Por isso muitas pessoas da Galiléia também haviam presenciado a atuação de Jesus em Jerusalém. No começo talvez tenham ficado orgulhosos de seu conterrâneo que realizava sinais desse tipo, chamando a atenção geral. Por isso o acolheram de bom grado.[3]

ð vv.46-50 – Essa é a segunda vez que Jesus vai à Caná da Galileia após o início de seu ministério público.

·      v.46 – João deixa claro que é o mesmo lugar onde ele transformara a água em vinho, em seu primeiro milagre. Chegando em Caná, estava ali vindo de Cafarnaum um oficial do rei, ou seja, alguém de confiança de Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, de 4 a.C. a 49 d.C.[4]
·      v.47 – O oficial real não foi a Caná da Galileia para resolver questões oficiais, mas pessoais – Ouvindo este que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi ter com ele... O motivo era o seguinte: ... e rogou-lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque estava à morte. Aquele pai viajou entre 25 e 32 km, para pedir a Jesus pela cura de seu filho.
·      vv.48-49 – A resposta de Jesus ao pedido daquele pai desesperado não foi somente dirigida a ele, mas a todos os que estavam ali, os galileus – Se não virdes sinais e milagres, não crereis. O que vemos aqui é Jesus sendo buscado como o milagreiro que precisa ajudar na aflição da enfermidade, como os benzedeiros. Jesus, porém, acaba de vir de Samaria, onde pessoas despertaram para a verdadeira fé nele como Salvador do mundo sem qualquer sinal e prodígio (cf. 4.42). Esse fato deve ter influenciado na palavra dita aqui. Os judeus, aos quais também pertencia o oficial da corte, não são capazes do que os samaritanos foram.[5] Mas, Jesus não despreza os que tem esse tipo de atitude, antes ele os procura levar à fé verdadeira – a fé salvadora, que crê nele acima das adversidades da vida.
·      v.50 – Aqui, num ato miraculoso da graça divina, Jesus realiza a cura do filho daquele pai. Embora a fé oficial estivesse apenas no que Jesus poderia fazer em termos físicos, Jesus com esse milagre o traz à fé salvadora.
·      Diante dessas palavras de Jesus, há somente duas possibilidades: (1ª) distanciar-se, decepcionado, de um homem que tem apenas palavras, ou (2ª) agarrar com fé precisamente essa palavra. É uma fé que não exige mais ver sinais e prodígios, mas que confia exclusivamente na palavra e, assim, na própria pessoa que a profere. É essa a fé que Jesus deseja ver. É a fé nele por meio da palavra.[6] E essa foi a atitude de fé daquele homem!

ð vv.51-54 – Um milagre com um objetivo:

·      vv.51-53a – os milagres de Jesus, algumas vezes, não têm uma explicação científica, mas eles podem ser comprovados. Os milagres realizados por Jesus, sempre tem testemunhas oculares, pessoas de boa fé e confiáveis que possam testemunhar.
Os milagres realizados por Jesus eram para glória de Deus e para testificar a divindade de Jesus!
·      v.53b – quando uma pessoa crê em Jesus de verdade, ele testemunha a sua fé a outras pessoas. Foi o que aconteceu com todos os da casa daquele oficial – e creu ele, e toda a sua casa.
O oficial da corte tivera fé na palavra de Jesus e correra com fé para casa. Agora, porém, após a experiência plena do poder e da graça de Jesus creu ele de um modo abrangente. Agora ele olha com confiança permanente e integral para Jesus. Ele leva toda a sua casa nessa confiança. Sua mulher, o filho curado, os servos, que sem dúvida faziam parte de sua casa, todos eles reconhecem agora que Jesus é o Salvador, que vence a morte e é capaz de conceder vida.[7]
·      v.54 – Este sinal aponta que Jesus é Deus onipotente e onipresente! O seu poder não se limita ao espaço.[8]

Lições negativas e positivas:

1ª) Lições Negativas da fé do oficial do rei:
Aquele homem tinha uma fé defeituosa quando veio a Jesus.

ð Ele tinha uma fé na fé dos outros
ð Ele tinha uma fé que exige sinais
ð Ele tinha uma fé egocêntrica
ð Ele tinha uma fé autoritária[9]

2ª) Lições positivas da fé que Jesus deu ao oficial do rei:
Jesus concedeu àquele homem uma fé genuína!

ð Uma fé pessoalpara que aquele homem não precisasse depender das experiências dos outros. É isso que ele quer fazer com você!
ð Uma fé generosa para que aquele homem ao invés de exigir de Jesus o que precisava, desfrutasse da graça maravilhosa de Deus em cuidar dele e de sua família.
ð Uma fé cristocêntrica para que aquele homem deixasse o egocentrismo que queria que Deus se ajustasse à sua vontade, para conformar-se a vontade de Deus que é boa, agradável e perfeita.
ð Uma fé submissa para que aquele homem abandonasse uma fé autoritária e se submetesse a graça soberana de Deus.[10]

Aplicações para nossa vida hoje:

1ª) Ouça a Palavra de Deusvocê precisa conhecer quem Deus é, quem você realmente é e o que Deus quer para você!

2ª) Creia na Palavra de DeusAceite de modo confiante o que Deus fala em sua palavra para você e para a sua família!

3ª) Obedeça a Palavra de DeusViva a sua fé. Seja prático.  “Coloque sua fé em ação. Siga a orientação de Deus em sua Palavra.”[11]

4ª) Descanse na Palavra de DeusViva tranquilo nessa confiança na Palavra de Deus. Descanse e confie que Deus cumprirá as suas promessas em relação ao povo de Israel, ao mundo, a igreja e a você em particular!

Pr. Walter Almeida Jr.
IBLA – Jd. das Palmeiras
18/12/2016



[1] Casimiro, Arival Dias. Estudos Bíblicos em João – A verdade que liberta, Z3 Editora, 2011, p. 4.
[2] Casimiro, p. 4, 5.
[3] Boor, Werner de. Comentário Esperança – Evangelho de João 1. Editora Evangélica Esperança, 2002, p. 71
[4] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1391.
[5] Boor, p. 72.
[6] Boor, p. 72.
[7] Boor, p. 73.
[8] Casimiro, p. 27.
[9] Rogers, Adrian. Creia em Milagres, mas confie em Jesus, Editora Eclesia, 2000, p. 70.
[10] Rogers, p. 70.
[11] Rogers, p. 71.