terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Série: 7 Sinais - (1) Lições Transformadoras - João 2.1-12

João 2.1-12

Dentre as muitas, quero citar, apenas duas razões para estudarmos o Evangelho de Jesus Cristo Segundo João: 1ª) Ele foi escrito para produzir ou gerar fé para a salvação20.30,31; 2ª) Ele foi escrito para defesa da fé – fé salvadora e divindade de Jesus Cristo.

João foi usado por Deus para defender os cristãos da heresia gnóstica. O gnosticismo influenciava o pensamento religioso do 1º Século. Os gnósticos negavam abertamente a divindade de Jesus e, consequentemente, todos os resultados espirituais do seu sacrifício na cruz.[1] Por isso, João, tem como um dos objetivos do seu evangelho provar que Jesus é Deus.

João selecionou sete sinais (milagres – feitos extraordinários com um objetivo específico): 1º) A transformação da água em vinho2.1-12; 2º) A cura a distância de um rapaz4.46-54; 3º) A cura do paralítico 5.1-47; 4º) A multiplicação dos pães e peixes6.1-14; 5º) Jesus anda sobre o mar6.15-21; 6º) A cura do cego de nascença9.1-41; e 7º) A ressurreição de Lázaro11.1-57.

Ele, João, também usou sete reivindicações da divindade de Jesus feitas por Jesus: 1ª) Eu sou o pão da vida8.12; 2ª) Eu sou a luz do mundo8.12; 3ª) antes de Abraão eu sou 8.58; 4ª) Eu sou o bom pastor10.11; 5ª) Eu sou a ressurreição e a vida11.25; 6ª) Eu sou o caminho, a verdade e a vida14.6; e 7ª) Eu sou a videira verdadeira15.1.

As principais características do Evangelho são: 1ª) É um evangelho de festas – quase todos os eventos e discursos estão relacionados com as festas judaicas – 2.13, 23; 6.4; 7.2; 10.2; 11.55; 12.1; 13.2-10; 18.28; 2ª) É um evangelho de testemunhos – exemplos: João Batista1.34, Natanael 1.49, Pedro6.69, Jesus10.36, Marta11.27; Tomé20.28; 3ª) É um evangelho com simbolismos – números e metáforas; 4ª) É um evangelho de fé – (1.12; 20.30, 31) sua base (ouvir e receber a Palavra) e os seus resultados (liberdade, descanso, paz, poder e vida eterna); 5ª) É um evangelho da encarnação – Deus se fez homem e habitou entre nós – 1.1-18.[2]

Por isso, João começa o seu evangelho apresentando a identidade de Jesus. Tudo o que ele escreve a respeito de Jesus, no decorrer de sua narrativa, está em síntese nos dezoito versículos inicias: 1º) 1.1-3 – Jesus é Deus – cinco aspectos: ele é o verbo, é eterno, é uma pessoa, é Deus e é o Criador; 2º) 1.4, 5 – Jesus é a vida e a luz – duas palavras chaves que ensinam verdade profundas: vida – ela tem origem e Jesus e se encontra nele (8.12; 14.6), e luz – a luz é uma manifestação resplandecente da vida (12.46; 3.19-21); 3º) Jesus é homem perfeito – ele é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, de forma inconfundível, imutável, indivisível e inseparável. Jesus assumiu a natureza humana e viveu sem pecar até a sua morte. Ele se identificou conosco em todas as nossas fraquezas (4.6,7; 6.53; 8.40; 11.33-35; 12.27; 13.21; 19.28).[3]

João e os outros discípulos afirmam que viram. Duas razões porque viram: 1ª) porque a graça e a verdade vieram por meio de Jesus1.16, 17; 2ª) porque Jesus revelou a si mesmo e o Pai1.18.[4]

Nossa série de mensagens será nesse evangelho, especificamente, nos sete sinais narrados por João para a glória de Deus e para que creiamos em Jesus como Deus e Salvador.
Hoje, nossa exposição é em João 2.1-12 que fala da transformação da água em vinho. Essa passagem fala da presença de Jesus em três lugares: 1º) No casamento em Caná da Galileiavv.1-12; 2º) No templovv.13-22; e 3º) Na festa da Páscoavv.23-25.

Nosso texto é a narração do primeiro milagre (sinal) de Jesus,
segundo João, e é numa festa de casamento:

v.1 Ao terceiro dia – frase relacionada à narrativa anterior – 1.43 – a vocação de Filipe e Natanael.

Bodas em Caná da Galileia – a celebração de um casamento em Israel poderia estender-se por uma semana. Caná da Galileia – localização exata ignorada, provavelmente Khirbet Qana, vila atualmente em ruínas, aproximadamente a 15 km de Nazaré.[5]

Estava ali a mãe de Jesus – João não cita o nome Maria nem outro, ao não ser o de Jesus, pelo fato de que Jesus é quem é o centro das atenções e tudo o que ensina e faz.

v.2 – Possivelmente, os discípulos que acompanharam Jesus ao casamento são os cinco do primeiro capítulo – André, Pedro, Filipe, Natanael e João. Eles foram, porque foram convidados.

vv.3-5 – O vinho que faltou era um vinho fermentado, mas o que Jesus providenciou pelo milagre, não estava sujeito as regras de fermentação da época, por isso foi identificado como melhor pelo mestre-sala.

A resposta de Jesus à sua mãe não foi rude, mas abrupto. A frase pergunta o que há de comum entra as duas partes. Jesus queria, com sua resposta, que sua mãe entendesse que agora, ele, entrara no objetivo de sua missão no mundo, de modo que havia subordinado todas as suas ações ao cumprimento dessa missão. Maria teria que reconhecê-lo não só como seu filho, a quem havia criado, mas como o prometido Messias e o Filho de Deus e Salvador.

A frase “ainda não é chegada a minha hora” está relacionada á paixão de Cristo – prisão, julgamento, sofrimento, morte, ressurreição e exultação (7.30; 8.20; 12.23, 27; 13.1; 17.1). Jesus estava cumprindo o plano divino da redenção decretado por Deus.

v.6 – seis jarros de água, que eram feitos de pedra por ser a pedra mais impermeável que o barro. Nesses jarros cabiam entre 80 e 120 litros de água. Eles eram usados para as purificações cerimoniais.

vv.7-10 – O milagre (sinal) acontece de forma imperceptível; água é colocada nas talhas por ordem de Jesus, e o que se retira delas e se bebe é vinho da melhor qualidade, de acordo com um especialista a festa.

v.11Sinais – o termo grego usado e traduzido aqui significa... O termo é usado claramente para caracterizar a ação de Jesus como uma demonstração visível do seu poder divino, miraculoso, que apontava para além do milagre em si, ao apresentar a identidade messiânica[6] e a divindade de Jesus. Portanto, refere-se a demonstrações importantes de poder que apontam para além delas mesmas para realidades divinas mais profundas, que podem ser percebidas pelos olhos da fé.[7]

v.12 – A expressão “depois disto” ou palavras semelhantes como “depois destas coisas”, é um frequente conectivo entre narrações como essas no evangelho de João (cf. 3.22; 5.1, 14; 6.1; 7.1; 11.7, 11). Portanto, essa frase foi usada por João como uma transição para explicar o deslocamento de Jesus de Caná da Galileia para Cafarnaum e sua chegada final a Jerusalém para a celebração da Páscoa.

O modo mais natural de ler a expressão “e seus irmãos” é como uma referência aos irmãos de Jesus, nascidos do relacionamento entre José e Maria depois do nascimento de Jesus.

Lições do texto acerca da presença de Jesus no casamento:

1ª) A presença de Jesus no casamento requer convitevv.1, 2;

A missão de Jesus é uma obra de felicidade,
e por isso tem inicio com uma festa de casamento.”
C. H. Spurgeon

2ª) A presença de Jesus no casamento não impede que coisas desagradáveis aconteçamvv.3-5.

3ª) A presença de Jesus no casamento é funcionalvv.6, 7. Duas coisas importantes aqui: 1) sempre que Jesus dá uma ordem é sábio cumpri-la com zelo e determinação; 2) devemos usar os recursos que Jesus nos disponibilizar na sua obra.

4ª) A presença de Jesus no casamento é transformadoravv.8-11. Quatro lições aqui: 1) Jesus faz o milagre, a nossa parte é a obediência; 2) Jesus faz o milagre, a nossa parte é a colaboração; 3) Jesus faz o milagre da transformação completa, a nossa parte é viver em novidade de vida; e 4) Jesus faz o milagre da transformação sempre para melhor, a nossa parte é zelar pelo melhor.

Concluindo – Aplicações:

1ª) Jesus está presente em todos os momentos da nossa vida e em qualquer lugar onde estivermos.

2ª) Jesus age no tempo determinado por ele mesmo – o tempo certo para as coisas acontecerem de forma transformadora.

3ª) Jesus realiza milagres de transformação sempre para melhor. O que ele transforma está transformado e tem qualidade superior a tudo que há no mundo e o que ele possa fazer.

Pr. Walter Almeida Jr.
IBLA – Jd. Das Palmeiras.
11 de Dezembro de 2016


[1] Casimiro, Arival Dias. Estudos Bíblicos em João – A verdade que liberta, Z3 Editora, 2011, p. 3.
[2] Casimiro, p. 4.
[3] Casimiro, p. 4, 5.
[4] Casimiro, p. 6.
[5] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1383.
[6] Bíblia de Estudo Brasileira, Editora Hagnos, 1ª Edição 2016, p. 1452.
[7] MacArthur, p. 1384.

Introdução ao Estudo das Promessas Cumpridas sobre a 1ª Vinda de Jesus Cristo

Introdução ao Estudo das Promessas Cumpridas sobre a 1ª Vinda de Jesus Cristo
2 Pedro 1.16-21; Gálatas 4.4

Introdução

A Profecia bíblica tem dois significados:

1º) Em uma definição mais abrangente, refere-se a “tudo que Deus tem a dizer para Suas criaturas racionais. A Bíblia, portanto, como revelação específica de Deus à humanidade, é um livro completamente profético – 2 Pedro 1.19-21. Trata-se da proclamação de Deus acerca das coisas que não poderíamos saber de outra maneira”.[1]

2º) A Profecia como predição de Deus, ou seja, as revelações que nos permitem saber o que vai acontecer. Essa habilidade de prever o futuro está em quase um terço das Escrituras, e é declarada por Deus como sendo a maior prova de que somente Ele é Deus:[2] “... Eu sou Deus e não há outro; Eu sou Deus e não há outro semelhante a mim, que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam...” (Is 46.9-10).

Quase todas as profecias preditivas falam sobre o povo de Israel e a vinda do Messias, Jesus Cristo. Deus, em sua soberania, “declara aos israelitas que eles seriam um sinal para o mundo, glorificando-se a Si mesmo neles e através deles (Is 46.13). Em Isaías 43.10, 11 Deus lhes diz: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador.” Em outras palavras, Deus usará aos judeus e à sua terra como “testemunhas”, tanto para eles mesmos quanto para o mundo. Isso se dá não somente quanto à Sua existência, como também mostrando que Ele está ativamente envolvido em desenvolver a história de Israel e a cumprir Seu propósito para toda a humanidade. A Profecia declara o plano de Deus de antemão. E o propósito é que nós todos possamos conhecê-lo, crer nEle e “entender” que somente Ele é Deus. A Profecia é a prova convincente não apenas da existência de Deus, mas também de que a Bíblia é exatamente o que diz ser, a Palavra de Deus”.[3]

Olhando a profecia deste modo, podemos afirmar que: “Deus é o Deus da Profecia. Ele é também o Deus da nossa salvação; e a Profecia sublinha e aponta para a salvação. Israel foi escolhido por Deus para o propósito primário de trazer o Messias ao mundo[4] “... para que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3.17).

Ao nos prepararmos para estudar as profecias ou as promessas da 1º vinda de Jesus Cristo, ou a sua encarnação, temos que considerar que a “sua vinda ao mundo nada teve de casual, e nem mesmo de inesperada. O plano divino da encarnação tinha sido, desde os primórdios da raça humana, anunciado de muitas formas e maneiras, por intermédio de muitas pessoas inspiradas diretamente pelo próprio Deus[5].

Em nossos estudos, a partir de hoje, vamos considerar as várias promessas relacionadas à sua primeira vinda, bem como o planejamento, antes da fundação do mundo, da encarnação da segunda pessoa da trindade – Jesus Cristo!

Hoje, em nosso primeiro estudo, vamos tratar da preexistência de Cristo. A ideia da preexistência de Cristo significa que ele existia antes de nascer. Também significa que ele existia antes da criação e antes do tempo.[6]

Vamos ver então, (1º) as evidências da preexistência, (2º) a eternidade do Cristo preexistente (pré-encarnado), e (3º) as atividades do Cristo preexistente                    (pré-encarnado).

I. Evidências da preexistência de Cristo

1. Sua origem celestial – textos bíblicos que afirmam a origem celestial de Cristo, comprovam sua pré-existência – João 3.13, 31-36.

2. Sua obra na criação – se ele estava envolvido na criação, é logico que existia antes dela – João 1.3; Colossenses 1.16; Hebreus 1.2.

3. Seus atributos (qualidades) – Colossenses 2.9 – em Cristo, diz o texto, habita a plenitude da divindade.

4. Seu relacionamento com João Batista – João 1.15, 30 – João Batista reconheceu a existência de Jesus antes dele.

II. A eternidade do Cristo pré-existente (pré-encarnado)

Eternidade não significa, apenas, que Cristo existia antes de seu nascimento
ou mesmo antes da criação, mas que ele sempre existiu.[7]

Se a eternidade de Cristo for negada, automaticamente, pode-se afirmar que não existe a Trindade, Cristo não possui a divindade absoluta, e ele mentiu. Mas, a Bíblia, afirma claramente a eternidade de Cristo.

1. Em seu relacionamento com Deus, o Pai – Hebreus 1.3. O termo grego usado aqui para expressão exata indica que Cristo é a representação exata da natureza ou essência de Deus.

2. Em seus atributos divinos (eternidade) – Miqueias 5.2; Habacuque 1.12; Isaías 9.6.

3. Ele (Cristo) mesmo afirmou sua eternidade – João 8.58.

4. João afirma claramente a eternidade de Cristo – João 1.1. Se o verbo, que é Cristo, era Deus, então, ele é eterno, pois Deus é eterno!

III. As obras do Cristo pré-existente (pré-encarnado)

Em Sua ação com Criador:

1. Ele estava envolvido na criação de todas as coisas – João 1.3; Cl 1.16; Hb 1.2. Isso é uma demonstração de seu poder – “o fato de ser capaz de criar todas as coisas”.

2. Todas as coisas foram criadas por ele – Cl 1.16. Isso é uma demonstração de suas prerrogativas – “o fato de fazer com que a criação servisse aos seus propósitos”.

3. Ele também sustenta a criação – Cl 1.17. Isso é uma demonstração de sua presença constante – “o fato de que continua a sustentar a criação”.

Concluindo

Em nosso texto base, Gálatas 4.4, para os estudos que introduzimos hoje, observamos que no tempo designado por Deus, isto é, “quando as precisas condições religiosas, culturais e politicas exigidas pelo seu plano perfeito haviam atingido o auge, Jesus veio ao mundo”.[8]

Observamos, também, que o fato de o Pai ter enviado seu filho, Jesus, “ao mundo ensina a respeito de sua preexistência como o eterno membro da Trindade!”.[9] (Conf.:     Fp 2.6, 7; Hb 1.3-5; Rm 8.3, 4)


Pr. Walter Almeida Jr.
IBLA Jd. das Palmeiras
11/12/2016



[1] T. A. MacMahon – TBC – http:/www.chamada.com.br
[2] T. A. MacMahon – TBC – http:/www.chamada.com.br
[3] T. A. MacMahon – TBC – http:/www.chamada.com.br
[4] T. A. MacMahon – TBC – http:/www.chamada.com.br
[5] Oliveira, Kelson Mota T. – Cristologia – A Pessoa e a Obra de Nosso Senhor Jesus Cristo, pg. 1.
[6] Ryrie, Charles C. – Teologia Básica ao alcance de todos, pg. 273.
[7] Ryrie, Charles C. – Teologia Básica ao alcance de todos, pg. 274.
[8] John MacArthur, Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1592.
[9] John MacArthur, Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1592.

Estudo Bíblico em João 13 - (1) O estilo de vida marcado pelo amor doador

Estudos Bíblicos em João 13
João 13.1-5
O estilo de vida marcado pelo amor doador

Introdução

Para muitos cristãos o Evangelho de João é o livro mais precioso do Novo Testamento. Como literatura, ele é a biografia mais fascinante de Jesus. Teologicamente, o texto mais profundo acerca da divindade de Jesus.

Para efeitos didáticos pode ser divido em três partes: 1ª) Parte – O Ministério Público de Jesus, seus discursos e seus milagres – João 1-12; 2ª) Parte – O Ministério Particular de Jesus, suas instruções aos discípulos mais íntimos – João 13-17 – os quais estava preparando para serem seus apóstolos, oferecendo um conjunto de prioridades pelas quais deveriam pautar suas vidas sob a orientação do Espírito Santo; e 3ª) Parte – A Paixão de Jesus, o Filho de Deus, sua missão redentora é vindicada por sua morte expiatória e sua ressurreição – João 18-21.

Meu objetivo é estudar o capítulo de 13 com os irmãos. Esse capítulo faz parte dos capítulos (13-17) que os comentaristas chamam de a Sementeira das Epístolas do Novo Testamento, pelo fato de que, praticamente, todas as doutrinas desenvolvidas nelas estão originalmente presentes nos ensinos de Jesus nesses cinco capítulos.

Como o ensino de Jesus não era apenas teórico, mas prático, também, houve espaço para que os discípulos fizessem perguntas. Eles fizeram sete perguntas a Jesus:

1)   João 13.6 – Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, e este lhe disse: Senhor, tu me lavas os pés a mim?
2)   João 13.25 – Então, aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: Senhor, quem é?
3)   João 13.36 – Perguntou-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais?
4)   João 13.37 – Replicou Pedro: Senhor, por que não posso seguir-te agora?
5)   João 14.5 – Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho?
6)   João 14.22 – Disse-lhe Judas, não o Iscariotes: Donde procede, Senhor, que estás para manifestar-te a nós e não ao mundo?
7)   João 16.17, 18 – Então, alguns dos seus discípulos disseram uns aos outros: Que vem a ser isto que nos diz: Um pouco, e não mais me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis; e: Vou para o Pai? Diziam, pois: Que vem a ser esse –  um pouco? Não compreendemos o que quer dizer.

O discipulado, como vemos aqui, “não acontece pelo viéis do discurso, mas do diálogo, pela conversação”.[1] Jesus, na formação dos seus discípulos, aproveitou todas as oportunidades que surgiram no cotidiano deles e daí, do ensino da vida diária, extraiu o conteúdo para a formação adequada, apresentando-os “com uma argumentação simples, direta e não abstrata”[2].

Em João 13, vemos Jesus em quatro relacionamentos: 1) com seu Pai celestialvv.1-5; 2) com Simão Pedrovv.6-11; 3) com todos os discípulosvv.12-17; e 4) com Judas Iscariotesvv.18-35). Em parte dessa, podemos descobrir uma mensagem especial, uma verdade espiritual para nos ajudar em nossa vida cristã.[3]

Em João 13.1-5, quando Jesus começa a lavar os pés dos 12 discípulos, ele ensina que a melhor maneira de sermos parecidos com Ele é servindo como Ele serviu, isto é, assumindo o Seu estilo de vida que foi marcado pelo amor doador.

“John Stott, refletindo sobre o discípulo radical afirma que a semelhança com Cristo é o propósito de Deus para o seu povo. O propósito eterno (Rm 8.29), o propósito histórico (2Co 3.18) e o propósito escatológico de Deus (1Jo 3.2) é nos transformar à semelhança de Jesus”[4].

Nos vv.1-3, João enfatiza o que Jesus sabia e estava sentindo naquele momento, enquanto nos vv.4, 5, ele enfatiza o que Jesus fez. Diante disso, surgem três perguntas: Em seu estilo de vida marcado pelo amor doador: 1ª) O que Jesus sabia naquele momento? 2ª) O que Jesus sentiu naquele momento? 3º) O que Jesus fez naquele momento?

Em seu estilo de vida marcado pelo amor doador:

I. O que Jesus sabia naquele momento? (v.1-3)

1. Ele sabia que era chegada a sua hora de morrer – v.1a. (Jo 12.23; 17.1) Jesus sabia que "era chegada a sua hora". Mais do que qualquer evangelista, João ressaltou como Jesus viveu dentro de um "cronograma divino" e fez a vontade do Pai. Observe o desenvolvimento desse tema:[5]

ð 2.4bAinda não é chegada a minha hora.
ð 7.30b – ...porque ainda não era chegada a sua hora.
ð 8.20b – ...porque não era ainda chegada a sua hora.
ð 12.23 É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado.
ð 13.1b – ... sabendo Jesus que era chegada a sua hora...
ð 17.1a – Pai, é chegada a hora...

Qual era a "hora" determinada por Deus? Era a hora em que Cristo seria glorificado por meio de sua morte, ressurreição e ascensão.[6]

2. Ele sabia que Judas iria traí-lo – v.2. (v.11, 27)

3. Ele sabia da sua exaltação – v.3. A exaltação aqui compreendia toda a autoridade no céu e na terra e a consciência da sua origem e do seu destino eterno. (Mt 28.18)

É impressionante como o Evangelho de João revela a humildade de Jesus, mesmo quando exalta sua divindade – cf. Jo 5.19, 30; 6.38; 7.16; 8.50; 14.24). E sua expressão suprema de humildade foi a morte na cruz.[7]

4. Ele sabia da discussão dos discípulos sobre quem deles seria o maior – Lc 22.24.
“O poder é algo sedutor. Principalmente o poder sobre seres humanos. A sede pelo poder desperta e alimenta nos homens os sentimentos mais primitivos. O poder pode destruir ou criar. Dependendo do caráter do indivíduo, haverá diferentes formas ou apresentações do poder. Se tivermos uma pessoa de bom caráter, o poder será exercido em favor dos outros. Se tivermos uma pessoa de má índole, o poder será expresso de uma forma manipuladora e maléfica”.[8]

II. O que Jesus sentiu naquele momento? (v.1b)
“... tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.”

1. Amor pelos seus que estavam no mundo. Temos aqui dois aspectos importantes do amor de Jesus:

a.    Primeiro aspecto – o amor salvador pela humanidade – João 3.16; Tt 2.11-14.

b.   Segundo aspecto – o amor cuidadoso pelos seus filhos – Hb 12.1-13.
c.       Jesus, em sua oração em João 17, mostra esses dois aspectos do amor de Deus – Jo 17.6-19; 20-21.

2. A expressão “amou-os até o fim” tem dois significados:

a.    1º) indica intensidade – amor ao máximo, completo, pleno, absoluto, perfeito, sem reservas.

b.   2º) indica temporalidade – amou até ao fim da sua vida humana perfeita.

“A mola mestra da vida de Jesus foi o amor. Tudo que Jesus fez foi por amor.
Jesus amou aos doze, de forma inabalável, até a sua consumação na cruz,
onde Ele ama ao extremo”.[9]

III. O que Jesus fez naquele momento? (v.4, 5)

O que Jesus sabia e sentiu naquele momento, determinou a sua atitude. Olhando esses versículos entendemos que “a verdadeira história da Paixão já começou na última ceia de Jesus com seus discípulos. O lava-pés torna-se símbolo de toda a ação de Jesus em sua Paixão. Jesus demonstra que o verdadeiro amor não vive de palavras, mas atitude, e sua voz pode ser uma lágrima ou um brilho no olhar”.[10]

A atitude de Jesus ensina três lições: de um estilo de vida marcado pelo amor doador:

1. Primeira Lição: O amor doador é ação – só Jesus tomou a iniciativa de lavar os pés – v.4, 5a. (Mc 10.43-45)

2. Segunda Lição: O amor doador é humilde – “o amor de Jesus torna-se visível em sua ternura e ações de humildade”[11]. (v.4, 5 – Conf.: Fp 2.5-8)

3. Terceira Lição: O amor doador é altruísta – v.4, 5. Qual a recompensa de Jesus por lavar os pés dos seus discípulos? (Rm 5.8)

Concluindo

O discípulo de Jesus, que se torna discipulador, “precisa cultivar um amor doador, sendo altruísta, um amor que não procura seus interesses. Jesus amou os seus discípulos o tempo todo, embora soubesse que um deles era o traidor, outro o negaria e todos o abandonariam na cruz. O amor sempre esteve presente nos seus relacionamentos, palavras e atitudes, suportando, tolerando, perdoando e purificando”[12].

Antes de deixá-los, Jesus expressou o seu amor por eles de forma extraordinária e assim revelou para todas as gerações de cristãos que o fundamento de toda a vida de um discípulo dele, bem como o seu serviço no reino de Deus é o amor genuíno.
Para aplicação:

Três lições, de um estilo de vida marcado pelo amor doador:

1. Primeira Lição: O amor doador é ação.
Então, vamos agir ao invés de ficar esperando outros agirem!

2. Segunda Lição: O amor doador é humilde.
Então, vamos agir sem desejar aplausos!

3. Terceira Lição: O amor doador é altruísta – v.4, 5.
Então, vamos agir sem esperar retorno!

Pr. Walter Almeida Jr.
IBLA – Jd. das Palmeiras
Dezembro de 2016




[1] Lima, Josadak. O Padrão do Mestre, AD Santos, 2012, p. 2.
[2] Ibid., p. 3.
[3] Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo – Novo Testamento 1 – João, Ed. Geográfica, 2007, p. 443.
[4] Casimiro, Arival Dias, Estudos Expositivos em João – Capítulo 12 a 21, 2011, p. 12.
[5] Wiersbe, p. 443.
[6] Wiersbe, p. 443.
[7] Wiersbe, p. 444.
[8] Josadak, p. 8.
[9] Ibid., p. 5.
[10] Ibid., p. 6.
[11] Ibid., p. 7.
[12] Ibid., p. 5.

domingo, 14 de agosto de 2016

Estudos no livro do Profeta Oseias (6) - Sem arrependimento e confissão, não há perdão.

Oseias 6-7

Em nosso estudo anterior vimos:

O capítulo 5 com o tema: Uma dura mensagem de Deus – juízo, disciplina e restauração. Abordamos o assunto em dois pontos: 1º) O juízo de Deus contra a apostasia e imoralidade do seu povo – vv.1-7; e 2º) A disciplina radical de Deus com o propósito de restaurar o seu povo – vv.8-15.

Terminamos com a seguinte afirmação de Hernandes: Deus disciplina aqueles a quem ama. O propósito divino não é a destruição do seu povo, e sim a sua restauração. A disciplina é amarga, mas traz cura. Ela é dolorosa, mas restaura.

No capítulo 5, Oseias profetizou sobre “o irremediável juízo de Deus aos impenitentes reinos de Israel e Judá, dizendo que seria para eles como traça que ataca por dentro e como leão que ataca por fora (cf. 5.12-15). Diante do castigo iminente, o povo esboça uma reação de volta para Deus, sinalizando uma conversão ao Senhor”.[1] Porém, o texto “mostrará que a conversão de Israel foi superficial. Na verdade, não houve tristeza pelo pecado, e sim pesar pelas consequências do pecado. Israel queria livrar-se do castigo, mas não estava disposto a desvencilhar-se dos seus erros”.[2]

Hoje, vamos estudar os capítulos 6 e 7 com o tema: Sem arrependimento e confissão, não há perdão. Trataremos o assunto em dois pontos: 1º) O engano do falso arrependimento6.1-11; e 2º) O estilo de vida hipócrita e o pecado descrito em metáforas7.1-16.

I. O engano do falso arrependimento – 6.1-11

Oseias contrasta as palavras de Israel e seu arrependimento verbal com as ações que praticavam. Era o que o povo fazia, e não o que dizia, que demonstrava a atitude do coração.[3] Mas, Deus já esperava esse subterfugio hipócrita e desmascarou não apenas sua falsidade, mas também a maneira pecaminosa como trataram o Senhor.[4]

Todo o arrependimento forçado é notoriamente superficial e logo abandonado quando as coisas melhoram um pouco. A história mostra que o excelente ideal dos vv.1-3 não se cumpriu. Israel desviou-se demais e tornou-se incapaz de ser remido.[5] Ao ler essas palavras, tem-se a impressão de que a nação está sinceramente arrependida e buscando ao Senhor, mas ao ver o que Deus diz, percebe-se como a confissão do povo era, na verdade, superficial.[6]
O que Deus esperava era uma genuína conversão, manifestada pelo arrependimento (até que eles admitam sua culpa – 5.15a) e pela fé (eles buscarão a minha face – 5.15b). O arrependimento e a fé são os dois elementos da conversão. O arrependimento é o reconhecimento da culpa, enquanto a fé é a volta para Deus para depositar nele inteira confiança (6.1).[7]

Hernandes fala dos sinais e perigos dessa falsa conversão de Israel:[8]

1. Arrependimento superficial – vv.1-3. Por que o arrependimento de Israel foi superficial? 1º) Porque queria livrar-se das consequências do pecado, e não do pecado (v.1); 2º) Porque queria respostas imediatas sem um aprofundamento da sua experiência com Deus (v.2); e 3º) Porque a busca pelo conhecimento de Deus visava mais as bênçãos de Deus do que o Deus das bênçãos (v.3).

2. Amor Inconstante – v.4, 5. Seu amor por Deus era epidérmico, vacilante, instável e passageiro. Não havia sinceridade em conhecer ao Senhor nem constância em amá-lo. Algumas verdades devem ser aqui destacadas: 1ª) Deus não se impressiona com palavras bonitas, ele vê o coraçãov.4; 2ª) A palavra de Deus, que deveria salvá­-los, é enviada para castigá-losv.5; e 3ª) Aqueles que rejeitam a misericórdia terão de enfrentar o juízov.5b.

3. Culto fingido – v.6. O falso arrependimento de Israel e sua conversão superficial consistiam numa manifestação religiosa, com abundantes sacrifícios, mas desacompanhada de uma vida santa. Não havia conexão entre o culto e a vida. O povo de Israel queria substituir piedade por religiosidade. Queria substituir quebrantamento por desempenho; amor verdadeiro por pomposos rituais. Algumas verdades podem ser aqui observadas: 1ª) O culto que agrada a Deus manifesta-se numa relação correta com o próximov.6a; e 2ª) O culto que agrada a Deus manifesta-se numa relação correta com Deusv.6b.

4. Aliança quebrada – v.7. Israel viola sua aliança com Deus e se comporta aleivosamente contra o Senhor. Destacamos aqui duas verdades: 1ª) Uma infidelidade clamorosav.7a; e 2ª) Um comportamento traidorv.7b.

5. Violência desumana – vv.8, 9. O povo não se voltou para Deus de verdade, mas se voltou para a violência com toda força. Destacamos aqui dois pontos: 1º) Os lugares sagrados que deveriam pro­teger da violência promovem a violênciav.8; e 2º) Os ministros sagrados que deveriam proteger o povo exploram e matam o povov.9.

6. Imoralidade contagiosa – vv.10, 11. A idolatria levou o povo à imoralidade. Essa imoralidade contaminou Israel e atingiu Judá, que também num breve espaço de tempo sofreria amargas consequências. Chamamos a atenção para dois pontos: 1º) O pecado do povo de Deus é mais grave do que o pecado dos ímpiosv.10; e 2º) O pecado do povo de Deus é mais contagioso que o pecado dos ímpiosv.11.

II. O estilo de vida hipócrita e o pecado descrito em metáforas – 7.1-16

Os sacerdo­tes, os reis, os príncipes e todo o povo capitularam à iniquidade e à devassi­dão. Em vez de voltar-se para o Senhor, aprofundavam-se ainda mais no pecado. Em vez de buscar socorro no Altíssimo, voltavam-se para as superpotências es­trangeiras para fazer alianças insensatas. Anestesiados por seus pecados, pensan­do tolamente que Deus não via as suas mazelas, Israel alimentou a soberba no coração.[9] Numa série de símiles e metáforas vividas, Oseias revela o verdadeiro caráter do povo de Deus.[10]

Antes de usar as metáforas para revelar o pecado, Oseias faz três observações: 1ª) O povo tem um relacionamento errado com Deusv.1a; 2º) O povo tem um relacionamento errado com os homensv.1b; e 3º) O povo perdeu o temor e o pudorvv.2-4a.

O profeta Oseias usa quatro símiles para descrever o amadurecimento de Israel para o juízo.[11]

1. Um forno aceso – vv.4-7. Os sacerdotes e os reis perderam completamente o refe­rencial da santidade e da decência. As mazelas da nação começaram nos templos religiosos e nos palácios. Oseias descreve com cores vivas a inclinação desses líderes para o pecado. Todo o quadro de Oseias 7.3-7 coloca a perfídia sacerdotal contra a credulidade real.

Temos aqui cinco pontos para a reflexão: 1º) Uma paixão ardente pela sensualidadev.3; 2º) Um descontrole total pela bebedeira v.5; 3º) Uma maquinação constante para o malv.6; 4º) Uma conspiração contínua para matarv.7; e 5º) Uma apostasia generalizadav.7b.

A apostasia que começara nos templos e passara pelo palácio estava agora em todas as famílias. Nenhum dos líderes sacerdotais clamou a Deus em busca de alguma solução real. Todos os demais recursos foram tentados: invasão militar (5.8-12), intriga interna­cional (5.13), arrependimento falso (6.1-3) e conspiração assassina (6.7-9; 7.3-7). A que ponto chega um povo quando seus líderes religiosos confiam em uma série de homens perversos e incompetentes para proporcionar salvação e depois os matam quando falham? O maior pecado deles é que queriam seguir o próprio caminho sem Deus.

2. Um pão que não foi virado – vv.8-10. Oseias descreve o amadurecimento de Israel para o juízo e usa mais uma figura doméstica, comparando agora Efraim a um pão encruado, ou seja, um pão que não foi virado. O que essa figura sugere? Quatro pontos para reflexão: 1º) Um povo que é influenciado em vez de influenciarv.8; 2º) Um povo ignorante que trabalha, mas não desfruta os frutos do seu laborv.9a; 3º) Um povo que envelhece, mas não ama­durecev.9b; e 4º) Um povo que se volta, mas para a direção erradav.10.

O pecado de Israel o levou à soberba, e a soberba é a sala de espera do fracasso. A soberba precede a ruína. A soberba é o corredor da queda. Mesmo no aperto, Israel preferiu buscar o falso refúgio das alianças políticas a voltar-se para o Senhor, seu Deus (vv.7, 9, 10, 13-15). Mesmo diante das nuvens escuras se formando no horizonte, anunciando a iminente chegada do cativeiro, Israel preferiu alimentar-se da soberba a se humilhar sob a mão divina.

3. Uma pomba enganada – vv.11-15. Oseias deixa a figura doméstica para usar uma figura campestre. Depois de comparar Israel a um forno aceso e a um pão encruado, agora o compara a uma pomba enganada. A pomba é uma ave inocente e volúvel. Ela não tem noção de perigo.

Para entendermos essa figura, destacamos aqui cinco fatos acerca de Israel: 1º) Um povo que corre para o refúgio errado em vez de buscar a Deusv.11; 2º) Um povo que recebe castigo em vez de bênçãov.12; 3º) Um povo que recebe destruição em vez de redençãov.13; 4º) Um povo que corre atrás de coisas, mas não anseia por Deus v.14; 5º) Um povo que responde ao cuidado divino com ingratidão, e não com obediência v.15.

Como um Pai, Deus adestrou, ensinou e fortaleceu Israel, mas em vez de demonstrar gratidão diante de tão acendrado amor e tão generoso cuidado, Israel maquinou contra Deus para trocá-lo por outros deuses.

4. Um arco enganoso – v.16. Oseias conclui com uma figura de guerra. Essa é a mais forte das figuras, porque o arco era uma arma de guerra. A situação agora era uma questão de vida ou morte. Um arco enganoso não podia atingir o povo. Um arco enganoso não podia ser arma de ataque nem de defesa. Um guerreiro com um arco enganoso estaria completamente vulnerável, à mercê de seus inimigos.

Dois fatos acerca de Israel para nossa reflexão: 1º) Porque o povo não se voltou para Deus, tornou-se vulnerável nas mãos de seus inimigosv.16a; e 2º) Porque os príncipes não se arrependeram de seus pecados, foram mortos em seus pecadosv.16b.

Por causa da queda dos príncipes, os israelitas foram escarnecidos na terra do Egito. Foram ridicularizados porque se vangloriaram de serem fortes e caíram diante da Assíria. A presunção de Israel desembocou na sua humilhação!

Concluindo

Ao misturar-se com os povos vizinhos, Israel perdeu a própria identidade. Muitas igrejas hoje são tentadas a imitar o mundo com o propósito de atrair o mundo. Isso é um ledo engano. A igreja é sal e luz. Ela é totalmente distinta do mundo e só assim pode influenciá-lo. O nosso relacionamento com o Senhor deve ser completo e não apenas parcial. A obra da graça divina deve permear todo o nosso ser, de modo que nossa mente, coração e forças sejam dedicados a ele. A transigência com o mundo leva a uma conduta desequilibrada e a um caráter imaturo. Podemos ter muita doutrina e poucos atos, muito credo e pouca conduta, muita crença e pouco comportamento, muitos princípios e pouca prática, muita ortodoxia e pouca ortopraxia.[12]

Pr. Walter Almeida Jr.
IBL Limeira – 13/08/16



[1] Lopes, Hernandes Dias. Oséias – O amor de Deus em ação, Editora Hagnos, p. 115.
[2] Lopes, p. 115.
[3] Lawrence, Richards. Comentário Bíblico do Professor, Editora Vida, 2004, p. 523.
[4] Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo do Antigo Testamento V. 4 – Oséias, Ed. Geográfica, p. 399.
[5] Champlin, R. N. O Antigo Testamento Interpretado, Volume 5 – Oseias, p. 3459.
[6] Wiersbe, p. 399.
[7] Lopes, p. 116.
[8] Lopes, p. 116-125. Esse ponto segue literalmente o comentário do livro nas páginas já citadas, com cortes e acréscimos necessários ao ensino local.
[9] Lopes, p. 131.
[10] Wiersbe, p. 399.
[11] Lopes, p.134-144. Esse ponto segue literalmente o comentário do livro nas páginas já citadas, com cortes e acréscimos necessários ao ensino local.
[12] Lopes, p. 143.