domingo, 6 de dezembro de 2015

Estudos Bíblicos na Carta aos Hebreus (11) - A verdadeira e perseverante fé

Hebreus 11

O que vimos no estudo anterior, no capítulo 10?

ð “Jesus realizou um sacrifício superior” em três pontos:
1º) O sistema sacrificial da Lei – vv.1-4;
2º) A eficácia do sacrifício de Jesus Cristo – vv.5-18; e
3º) Decisões motivadas pelo sacrifício de Jesus Cristo – vv.19-39.

Terminamos com a afirmação:

A única ação segura para quem professa ser cristão, e a única ação feliz, é progredir espiritualmente a cada dia, conforme a carta aos Hebreus nos ensina,
até que nosso Senhor Jesus Cristo volte.

Até aqui aprendemos que o crente verdadeiro é uma pessoa de fé que, tendo recebido a Cristo como único e suficiente Salvador, nunca o abandonará, apesar de suas deficiências. Ele crê e continua crendo. O autor dá ênfase a esse assunto porque alguns dos irmãos hebreus estavam cansados e queriam desistir da fé.

Mas o que é a fé? Como é uma pessoa de fé? Como a fé se demonstra? Se o crente souber responder a tais perguntas, ele, saberá, também, responder questões vitais como: Eu tenho fé? A minha fé é real? Minha fé perdurará por toda a minha vida, me susterá até em minha morte e me conduzirá em segurança até o céu?[1]

Todas essas perguntas importantes a respeito da fé são respondidas no capítulo 11 de Hebreus. Estudaremos o capítulo em dois pontos: 1º) A verdadeira fé definida e ilustrada – vv.1-16; e 2º) A verdadeira fé é perseverante – vv.17-40.[2]

I. A verdadeira fé definida e ilustrada – vv.1-16

Vemos que, “hebreus mostra o elo entre a fé, esperança, obediência e perseverança, ilustrando que a fé é mais do que concordância intelectual com algumas crenças. A fé que honra a Deus leva a sério o que Deus diz e vive em expectativa e obediência no presente, esperando que ele cumpra as suas promessas”[3].

Simon Kistemaker diz: “Para o autor, fé é aderir às promessas de Deus, confiar na Palavra de Deus e permanecer fiel ao Filho de Deus”.[4]

1. vv.1-3, 6 – A fé definida.

a.  v.1 – Temos aqui os traços essências da fé: a fé trata de coisas futuras – coisas que se esperam, e coisas não vistas – coisas que se não vêem. A ênfase é na fé como expressão da nossa confiança nas promessas de Deus.

A fé é a certeza daquilo que não enxergamos, ou seja, daquilo que é invisível. Essas coisas invisíveis estão em duas categorias: 1ª) algumas coisas são invisíveis porque ainda não aconteceram ou porque ainda não as alcançamos. Por exemplo, a Palavra de Deus promete a todo crente que após a sua morte ou, se estiver vivo até a segunda vinda de Cristo, ele vai para o céu (cf. Jo 14.1, 2; 1Ts 4.13-18), cremos nisso porque foi Deus quem prometeu – a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam; 2ª) algumas coisas não são vistas porque não podem ser vistas. Por exemplo, com relação a Deus, a quem não podemos ver, e, também, quanto a todo o mundo espiritual.  Todo o crente tem certeza de que Deus existe e é o Deus da Bíblia, assim como os anjos e os demônios também. A confiança cristã se baseia naquilo que Deus revelou em sua Palavra – a prova das coisas que se não vêem.

A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.
v.1 NTLH

b. v.2, 3, 6 – vemos também que a fé é imprescindível para se obter um bom testemunho (v.2), para entender a revelação de Deus (v.3) e para agradar e receber as bênçãos de Deus (v.6).

c. v.3 – A fé em Deus como o Criador de tudo que existe é fundamental para a perspectiva bíblica da realidade. Pois, a fé discerne que o universo do espaço e do tempo tem uma origem invisível e que ele continua dependente da Palavra de Deus. Se Deus está no controle da natureza e da história, passada e presente, cada geração de crentes pode confiar nas suas promessas acerca do futuro, não importa o que isso lhes custar.[5] (cf. v.1b; 3b)

2. A fé ilustrada (como a fé é demostrada) – vv.4-16

No v.2 foi mencionado, de modo geral, que pessoas do passado viveram e morreram pela fé, alcançando, assim, bom testemunho. Agora, o autor, dá uma lista dessas pessoas e mostra que elas tinham certeza das duas maneiras que mencionamos, levando em conta as realidades futuras e invisíveis em seu modo de viver.

a. v.4 – O Deus invisível era realidade para Abel, que desejava aproximar-se dele. Abel é prova de que aqueles que se aproximam de Deus mediante a fé são aceitos.

b. vv.5, 6 – Enoque viveu numa época em que quase todos procuravam agradar a si mesmos. Para ele, o Deus eterno e o seu reino invisível eram a realidade suprema, e estava determinado a agradá-lo. Aquele que tem a fé verdadeira só pode ter uma ambição: agradar a Deus. Nada é mais importante do que isso em sua vida. É assim que a fé se comporta.

c. v.7 – Noé cresceu e vivia num mundo onde nunca tinha chovido, então, como é que sabia que choveria? Ele creu no que Deus lhe disse, apesar de não haver evidências palpáveis que pudessem fornecer provas. E, assim, agiu pela fé com base nessa verdade invisível, e agindo com temos, Noé gastou um século construindo a arca pela qual ele e sua família acabariam sendo salvos. Ele é um exemplo de alguém que creu, creu e continuou crendo, apesar das circunstâncias e do mundo ao seu redor!

d. vv.8-10 – Para Abraão, o Deus invisível era tão real e a sua Palavra tão verdadeira que ele não hesitou em obedecer. Deixou aquilo que outras pessoas chamam de certezas pelo que tais pessoas chamam de incertezas, pois ele mesmo não via as coisas dessa forma. Era homem de fé, portanto, a Palavra de Deus era para ele mais segura do que qualquer outra coisa.

e. vv.11, 12 – Sara, apesar das dúvidas sobre a sua condição física, demonstrou a mesma fé de Abraão, porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido. Foi desse casal de idosos, com uma fé persistente, que a nação de Israel veio a existir.

f. vv.13-16 – viver em verdadeira fé significa também morrer na fé. Essas pessoas viveram e agiram do modo que fizeram porque para eles o Deus invisível e o seu reino eram reais, e porque creram na palavra dele. Todo o seu coração, todas as suas esperanças – estavam na chegada, com segurança, à habitação eterna no céu. O que, acima de tudo mais, era real para eles? Deus, o Deus invisível. De que, acima de tudo, eles tinham maior certeza? De que a Palavra de Deus é confiável e verdadeira e que a glória eterna aguarda aqueles que andam com o Senhor. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade. Viveram na fé e morreram na fé!

II. A verdadeira fé é perseverante – vv.17-40

O autor está focado no tema da fé, por isso explicou o que é a fé e como ela se comporta. Agora, ele destaca um ponto especifico sobre o tema: a verdadeira fé não morre, isto é, nada pode destruí-la pois ela é perseverante. Agora, ele se ocupa em demonstrar isso e o faz dando ênfase no seu ensino há duas verdades:

1. A fé olha para frente mesmo quando não há mais nada para esperar – vv.17-28

a. vv.17-19 – Abraão creu na Palavra de Deus e não duvidou que fosse se cumprir. O grande fato é este: em determinado tempo da história humana, quando nenhuma pessoa morta tinha sido ressuscitada, Abraão concluiu que era exatamente isso que Deus faria. É assim que a verdadeira fé se manifesta. Ela jamais deixa de estar convencida de que podemos confiar na Palavra de Deus.

b. v.20 – Mesmo avançado na idade, Isaque estava olhando para a frente. Sua mente se fixava nas coisas que ainda estava para vir – no tocante às coisas futuras. Ele estava absolutamente convicto de que as promessas de Deus se cumpririam, embora jamais tivesse chegado a ver tal coisa por si mesmo. Isso é a fé!

c. v.21 – Nos últimos momentos de sua vida aqui na terra, Jacó, teve uma grande percepção da presença do Deus invisível e abençoou os dois netos que seu filho José trouxera à beira da sua cama. Ele tinha somente uns poucos momentos na terra, mas ainda estava olhando para frente. Deus era real e sua Palavra certa. É assim que vemos a manifestação da verdadeira fé.

d. v.22 – Durante a sua vida, José passou por uma grande variedade de experiências. No entanto, em seus últimos momentos, ainda olhava adiante! Ele viveu e morreu sem ver tudo o que Deus prometera. Mas isso não o tornou cínico ou hesitante e cheio de dúvidas. Ele tinha certeza de que o que Deus prometeu certamente aconteceria. E essa convicção governou tanto o seu modo de viver quanto o modo como morreu. É o que a fé autêntica faz!

e. vv.23-28 – Numa época em que não havia futuro para os meninos hebreus, os pais de Moisés viam as cosias de forma diferente e olhavam adiante pela fé... ...não temeram o mandamento do rei (v.23). Numa época em que não havia futuro fora da corte real do Egito, Moisés via as coisas de forma diferente (vv.24-26). Portanto, pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.

O Deus invisível e seu reino eterno eram mais reais para Moisés do que era o ditador de uma superpotência terrena, e ele não demonstrou medo quando teve que confrontá-lo com a exigência de que o seu povo fosse libertado da escravidão – porque ficou firme, como vendo o invisível (v.27). Dá mesma forma, na celebração da primeira Páscoa na noite anterior a saída de Israel do Egito, Moisés tinha seu olhar fixo no futuro, baseado na Palavra de Deus que não desaponta jamais (v.28).

O otimismo inabalável do crente não se baseia em qualquer coisa vivível. As promessas de Deus são firmes e a certeza de tais promessas traz ao crente sereno conforto e vibrante expectativa.

2. A fé segue em frente mesmo quando tudo o mais falha – vv.29-40

a. v.29 – Veja o que aconteceu no Mar Vermelho. Parecia impossível a travessia do mar. Era contra a razão. Mas a fé não morre em tais situações. As dificuldades não matam a fé. Venha o que vier, a fé vai adiante.

b. vv.30-31 – Pense no povo de Israel diante dos muros da cidade de Jericó. Também, parecia impossível tomar aquela cidade. Durante uma semana o povo marchou em volta da cidade e nada aconteceu. Mas, Israel continuou crendo no que Deus disse e obedeceram a cada palavra de suas instruções. A fé deles não esvaeceu e após o grito de vitória e o tocar das trombetas os muros vieram abaixo e completaram a conquista da cidade de Jericó.

E a situação de Raabe, mesmo nas aparentemente impossíveis condições que se encontrava, ela creu no Deus dos hebreus espias. Sua fé tinha consciência continua da realidade e confiabilidade de Deus, que nunca abandonou o seu povo. Portanto, se a fé for autentica, ela continua em frente e nada poderá apagá-la.

c. vv.32-38 – Agora, o autor, admite não ter condições de mencionar todos os exemplos de fé dados nas Escrituras e na história dos hebreus – Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas (v.32). O que eles têm de entender é que todos quantos foram heróis naquela nação, o foram por serem pessoas de fé. Foi pela fé que fizeram o que fizeram!

O que eles fizeram? Leia os vv.33-38. Quando tudo estava contra eles, esses homens e mulheres permaneceram fiéis a Deus. Para eles, Deus era a realidade! A certeza deles era maior que qualquer outra coisa e, assim, jamais desistiram, jamais cederam, jamais voltaram ao que era antes, jamais deram as costas para o seu Deus e jamais viveram da mesma maneira que as outras pessoas.

d. vv.39-40 – Todos os homens e mulheres de fé das Escrituras do Antigo Testamento viveram e morreram pela fé, mas, nunca tiveram em mãos qualquer das coisas em que haviam firmado o coração. Deus não lhes permitiu porque tinham que esperar por nós. Mas, nem por isso eles perderam a fé, e Deus se agradou deles (v.6).

Concluindo

A prova final da fé cristã autêntica do crente, será o fato dele permanecer nela até o dia da sua morte. Nos seus últimos momentos, ainda permanecer olhando à frente. Quando tiver perdido tudo o mais, até mesmo os últimos resquícios da sua saúde e consciência – na fé permanecer!

Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.
Hebreus 11.6

Pr. Walter Almeida Jr.
IBL Limeira 06/12/15




[1] Olyott, Stuart. A Carta aos Hebreus bem explicadinha, Editora Cultura Cristã, 2012, p. 100.
[2] Olyott, p. 100-110. No esboço dos pontos sigo o comentário do livro nas páginas citadas, com cortes e acréscimos que julguei necessário.
[3] Carson, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, SP, 2009, p. 2019, 2020.
[4] Casimiro, Arival Dias. Revista Exposição Bíblica – Estudos Expositivos na Carta aos Hebreus, Z3 Editora, 2013, 12ª Lição, p. 55.
[5] Carson, p. 2020.

domingo, 22 de novembro de 2015

Estudos Bíblicos na Carta aos Hebreus (10) - Jesus realizou um sacrifício superior

Hebreus 10

No nosso estudo anterior, no capítulo 9, com o tema: Jesus estabeleceu um santuário superior. Vimos: 1º) No passado: o Tabernáculo terrestre com os seus objetos – nenhum acesso – vv.1-10; 2º) No presente: o Tabernáculo celestial – acesso total – vv.11-14; e 3º) Olhando para traz, para cima e para frente – vv.15-28.

Terminamos afirmando que a Nova Aliança não somente nos dá acesso agora a Deus, como também um lar eterno em sua glória celeste! É ali que nosso Redentor crucificado está neste momento e sua presença ali assegura nossa aceitação. Onde ele está, estaremos também.

Neste capítulo, o autor enfatiza o caráter definitivo do sacrifício de Cristo, contrastando-o com a natureza repetitiva e incompleta do sistema da lei e dos sacrifícios do Antigo Testamento. A redenção que Cristo oferece não precisa de nenhuma repetição ou complementação. Por isso, a rejeição de seu sacrifício é definitiva e imperdoável.[1]

Assim, vemos, mais uma vez, o autor expressar de forma intensa as limitações da lei e suas provisões quando alguém tenta se aproximar de Deus (vv.1-4); citar o Salmo 40.6-8 para estabelecer que todo sistema sacrificial é substituído pelo autossacrificio perfeitamente obediente de Cristo (vv.5-10); fazer um contraste entre os sacerdotes da Antiga Aliança, que estão diariamente diante do altar para oferecer repetidamente os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados, e Jesus que está a direita de Deus, tendo concluído a obra sacrificial (vv.11-14); e como resultado disso para os crentes é que Jesus Cristo com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados (v.14 ARA). Ele, ainda cita Jeremias 31.33, 34, de forma abreviada, para sinalizar que o seu argumento iniciado no capítulo 8, chegou ao fim. O perdão prometido por Jeremias está disponível, tornando possível a renovação do coração e da mente que é fundamental para a nova aliança.[2] (cf. Rm 12.1, 2)

Em sua argumentação, aqui, o autor, não quer que os hebreus, seus leitores originais, deixem de entender que o que o Senhor Jesus Cristo fez é infinitamente superior à antiga aliança, o antigo sacerdócio e os antigos sacrifícios, e que por isso, eles não deveriam voltar à sua antiga religião.

Nosso estudo de hoje é no capítulo 10 com o tema “Jesus realizou um sacrifício superior”. Faremos isso três pontos:[3] 1º) O sistema sacrificial da Lei – vv.1-4; 2º) A eficácia do sacrifício de Jesus Cristo – vv.5-18; e 3º) Decisões motivadas pelo sacrifício de Jesus Cristo – vv.19-39.

I. O sistema sacrificial da Lei – vv.1-4

Para o autor que gosta de usar o contraste para argumentar[4], a lei mosaica com seus sacerdotes e sacrifícios contínuos e inadequados, não passam de uma sombra da vinda de Cristo e de sua oferta definitiva[5]. Temos, aqui, três observações relevantes:

1. v.1 – todos os sacrifícios da antiga aliança são sombras do sacrifício de Cristo. Tal sombra (grego skia), isto é, uma imagem turva, um reflexo pálido, um mero contorno ou uma silhueta, não a imagem real das coisas, apontava para o sacrifício real de Jesus Cristo. “Quando o autor descreve a Lei como sendo sombra dos bens vindouros, ele quer dizer que ela prefigurava as bênçãos da nova aliança que Jesus traria”[6], isto é, as bênçãos da salvação, recebidas por meio de Jesus Cristo (cf. Is 52.7; Rm 10.15). Assim, a sombra é o Dia da Expiação que é a imagem real das coisas, isto é, Jesus na cruz do Calvário.

2. v.2 – todos os sacrifícios da antiga aliança são ineficazes para remover pecados. “O fato claramente apresentado é que as ofertas anuais e o sangue dos sacrifícios dos animais não podiam tirar o pecado e nunca deu a ninguém maturidade na fé e confiança. Se tivesse produzido crentes perfeitos, não teria sido substituída”[7]. A dedução é simples e lógica: se a perfeição tivesse sido alcançada pelo sacrifício de animais eles não precisavam ser repetidos.

3. v.3, 4 – todos os sacrifícios da antiga aliança precisavam ser repetidos frequentemente.  A repetição anual dos sacrifícios da antiga aliança, no ritual do Dia da Expiação, era uma garantia de que Deus era capaz de perdoar pecados, uma recordação constante da deficiência dos mesmos e um lembrete de que o pecado é um empecilho à comunhão com Deus e traz o seu juízo. “O sistema levítico não foi designado por Deus para perdoar pecados, definitivamente, mas, foi uma preparação para a vinda do Messias, no sentido de criar expectativas no povo”[8] (cf. Gl 3.24; 1Pe 1.10). Ele revelou a necessidade do perdão total e completo para que fossem restaurados o acesso e a comunhão com Deus, para todos os que creem!

II. A eficácia do sacrifício de Jesus Cristo – vv.5-18

Agora, após descrever a inferioridade e a ineficiência dos sacrifícios da antiga aliança, o autor apresenta as razões que explicam a superioridade do sacrifício de Cristo.

1. O sacrifício de Jesus Cristo foi uma ordem divina – vv.5-10. O que o autor está dizendo aqui é bastante claro. A vontade de Deus para o Messias era que fizesse plena expiação pelo pecado. Isso requeria um sacrifício com derramamento de sangue, e assim foi-lhe preparado um corpo em que pudesse sofrer. Em seu sofrimento e morte, foi plenamente cumprida a vontade de Deus e foi assim que a nova, e melhor, aliança passou a operar.[9]
O autor cita o Salmo 40.6-8 atribuindo suas palavras a Jesus, onde encontram cumprimento absoluto na sua vida. Ele veio para colocar de lado o antigo sistema sacrificial e produzir a obediência a Deus que sempre tinha sido a intenção por traz dos rituais.[10]

Assim, os crentes são salvos e aperfeiçoados porque foram purificados e santificados mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas (v.10 ARA). Por meio deste sacrifício, foi feita a expiação, o que agradou perfeitamente a um Deus santo.

2. O sacrifício de Jesus Cristo é eficaz e único – vv.11-14. Jesus ofereceu um único sacrifício pelos pecados, que é eficaz para sempre.[11] O triunfo final de Cristo vê-se no fato de que ele não vem repetidamente, nem representa uma redenção incompleta; mas ao oferecer-se a si mesmo, assentou-se à destra de Deus. Agora, ele pacientemente aguarda o momento de seus inimigos serem subjugados. Então não haverá mais oposição a Cristo ou ao Seu governo.[12]

O aperfeiçoamento dos crentes que são santificados, inclui a sua qualificação para que se aproximem de Deus e sejam capacitados para desfrutar da certeza do relacionamento da nova aliança (cf. Hb 7.11, 12, 19; 9.9; 10.1; 11.40; 12.23). E isso significa o perdão dos pecados e a purificação da consciência, tornando possível a consagração ao serviço de Deus daqueles que estão sendo santificados e finalmente a sua participação na promessa da vida eterna.[13] (cf. vv.10, 14; 9.15)

3. O sacrifício de Cristo é a base da nova aliança – vv.15-18. O autor, agora, cita Jeremias 31.33, 34, de forma abreviada, para sinalizar que o seu argumento iniciado no capítulo 8, chegou ao fim. O perdão prometido por Jeremias está disponível, tornando possível a renovação do coração e da mente que é fundamental para a nova aliança (cf. Rm 12.1, 2). Além disso, o Espírito Santo dá testemunho acerca das coisas mencionadas nas Escrituras anteriormente, e que, ele, que inspirou os profetas no início continua a falar por meio de seus escritos aos crentes de todas as gerações (cf. 3.7).[14]

O sacrifício de Cristo como base da nova aliança está no fato de que ele proporciona perdão total dos pecados àqueles que creem, e é a maior bênção da Nova Aliança, porque garante ao pecador perdoado acesso as todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo (Ef 1.3b, cf. 4-14). “Agora gozamos o perdão dos nossos pecados – pecados da nossa natureza, pecados abertos, pecados secretos, pecados repetidos, pecados de ontem, pecados de hoje, pecados de amanhã, pecados de comissão ou pecados de omissão – todo pecado! Deus não se lembra mais deles”.[15]

Portanto, quando os pecados já foram perdoados e esquecidos uma vez para sempre, não há necessidade de oferecer mais sacrifícios para nos livrarmos deles. (v.18 VIVA)

III. Decisões motivadas pelo sacrifício de Jesus Cristo – vv.19-39

Depois de vários capítulos de complexa argumentação doutrinária, o autor elabora implicações práticas, repetindo algumas advertências e encorajamentos dados anteriormente. Demonstrando, assim, o elo entre boa teologia e vida cristã fiel.[16]

1. vv.19-21 – Aqui temos um resumo simples dos argumentos doutrinários apresentados nos capítulos 7 a 10.

A base da confiança do cristão é o fato de que ele tem, agora, ousadia para entrar no santuário, isto é, na presença santa de Deus, pelo sangue de Jesus e, também, do fato de que Jesus é o grande Sacerdote sobre a casa de Deus. Ou seja, há duas coisas que temos como cristãos:

a.    1ª) ousadia para entrar no santuário (v.19) – a palavra ousadia (intrepidez na ARA) aparece em quatro contextos diferentes em Hebreus – 3.6; 4.16; 10.19; 10.35. Significando que Deus é quem nos dá a confiança de acesso livre e aberto a sua santa presença por meio da obra de Jesus Cristo, e isso ele chamado de vivo e novo caminho que Ele nos consagrou (v.20);

b.   2ª) um grande Sacerdote sobre a casa de Deus (v.21) – não somente temos acesso diretamente a Deus, mas, nosso Senhor está lá e intercede por nós, tornando a comunhão entre o crente e Deus, perfeita. É sobre essa base que o autor exorta os irmãos hebreus nos versículos seguintes.

2. vv.22-25 – O autor, agora faz um convite, um chamado para uma tomada de decisão em resposta às grandes verdades doutrinárias dos capítulos anteriores:

a.    v.22 – ele chama os irmãos a aproximarem-se mais de Deus e faz isso mostrando as condições para isso: com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, ou seja, com sinceridade, com segurança, salvo e santificado.

b.   v.23 – ele chama os irmãos para manterem uma confissão inabalável de fé no Cristo vivo. Deus envolve nossa esperança com Suas próprias promessas, porque fiel é o que prometeu. Isto fala, então, de mais uma afirmação baseada sobre fé na fidelidade de Deus.[17]

c.    v.24 – ele chama os irmãos ao testemunho público da fé. Expressar o amor de Deus por meio de ações sociais é uma das evidências da nossa conversão (cf. 1Jo 3.14-16). O amor cristão não vive apenas de palavras, mas na prática de boas ações pelo próximo.

d.   v.25 – ele chama os irmãos à adoração e ao ensino congregacional. “Quando o zelo descai e a fé vacila, o desejo de manter comunhão com outros crentes também enfraquece. O estímulo do v.24 se torna possível através da congregação. Quando os cristãos se reúnem, eles se exortam mutuamente ao serviço frutífero e à comunhão ininterrupta. O perigo da apostasia está emboscado na falha dos crentes em se reunirem e se ajudarem mutuamente”.[18] E isso deve ser intensificado tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. Aquele dia é a mais curta e direta referência à segunda vinda do Senhor Jesus “A urgência da passagem no que se refere à exortação deve-se à iminência deste Dia de Cristo”.[19]

3. vv.26-31 – Agora, o autor repete o que as outras passagens de advertência sobre a apostasia disseram: “a apostasia é algo deliberado e não há como encobrir tal pecado. Se você der as costas ao Senhor Jesus Cristo, o único lugar para você será nas trevas exteriores”[20].

Para isso, ele lembra os irmãos que na antiga aliança não havia sacrifício para os pecados deliberados (cf. vv.26, 27; Dt 17.1-7; Nm 15.27-31). Ele contrasta isso no v.29 e mostra três aspectos graves da apostasia: 1º) pisar (desprezar) o Filho de Deus, isto é, desprezar Jesus com um qualquer; 2º) tiver por profano (profanar) o sangue da aliança, isto é, desvalorizar a obra de Cristo, considerar o sangue de Jesus algo comum; e 3º) fizer agravo (ultrajar) ao Espírito da graça, isto é, blasfemar contra o Espírito Santo.

Termina afirmando que é o próprio Deus quem julga o pecador e lhe aplica a punição. Ninguém escapará do julgamento de Deus – vv.30, 31; Dt 32.35; Sl 135.14; Hb 3.12; Ap 20.11-15.

4. vv.32-39 – Desde o início, após uma advertência severa, o livro traz palavras de encorajamento e esperança. Aqui não é diferente, o autor, relembra o começo da vida cristã dos irmãos e os convida a refletir sobre isso. Ele os convida a continuar a viver pela fé e mostra três momentos importantes para o exercício da fé na vida cristã: 1º) nos momentos de adversidades (nas lutas, nos sofrimentos e nas perdas) – v.32-34; 2º) nos momentos de desesperança – vv.35, 36; e 3ª) nos momentos de dúvidas sobre a fé – vv.37-39.

Concluindo

A única ação segura para quem professa ser cristão, e a única ação feliz, é progredir espiritualmente a cada dia, conforme a carta aos Hebreus nos ensina, até que nosso Senhor Jesus Cristo volte.

Mas o justo viverá pela fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição,
mas daqueles que crêem para a conservação da alma.
Hebreus 10.38, 39

Pr. Walter Almeida Jr.



[1] Ryrie, Charles. A Bíblia Anotada e Expandida, Mundo Cristão e SBB, 2007, p. 1207.
[2] Carson, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, SP, 2009, p. 2013, 2014.
[3] Casimiro, Arival Dias. Revista Exposição Bíblica – Estudos Expositivos na Carta aos Hebreus, Z3 Editora, 2013, 11ª Lição, p. 50-54. No esboço dos pontos sigo o comentário da lição nas páginas citadas, com cortes e acréscimos que julguei necessário.
[4] Casimiro, p. 50.
[5] Ryrie, p. 1207.
[6] Carson, p. 2014.
[7] Comentário Bíblico Moody, Hebreus, p. 44.
[8] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1704.
[9] Olyott, Stuart. A Carta aos Hebreus bem explicadinha, Editora Cultura Cristã, 2012, p. 91.
[10] Carson, p. 2014.
[11] Carson, p. 2015.
[12] Moody, p. 45.
[13] Carson, p. 2015.
[14] Carson, p. 2014.
[15] Olyott, p. 75.
[16] Carson, p. 2015.
[17] Moody, p. 47.
[18] Moody, p. 47, 48.
[19] Ibid., p. 48.
[20] Olyott, p. 96.

sábado, 7 de novembro de 2015

Estudos Bíblicos na Carta aos Hebreus (9) - Jesus estabeleceu um santuário superior

Hebreus 9

Em nosso estudo anterior, no capítulo 8 com o tema: Jesus estabeleceu uma aliança superior vimos, em dois pontos, que:

ð 1º) Jesus estabeleceu uma aliança superior porque o seu sacerdócio (ministério) é tanto mais excelente (superior) – vv.1-6a; e

ð 2º) Jesus estabeleceu uma aliança superior que está confirmada em melhores promessas – vv.6b-13.

Terminamos afirmando que a Nova Aliança promete um coração transformado e obediente, o privilégio de conhecer e pertencer ao Senhor, intimidade com ele e perdão total e perpetuo de pecados. E, não é de admirar que, o versículo 6 diga: Jesus Cristo é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas.

Então, no capítulo anterior, vimos a visão do autor sobre a Antiga Aliança e sobre a Nova Aliança inaugurada por nosso Senhor Jesus Cristo, mediador de uma melhor aliança.

Agora, ele, olha para o Tabernáculo do Antigo Testamento, onde ministravam os sacerdotes levitas da Antiga Aliança, que, embora belíssimo e impressionante, não dava ao pecador acesso real a Deus. Contudo, isto é algo que Cristo, que ministra no próprio céu, concedeu ao pecador. Por isso, ele é sacerdote de um santuário ou tabernáculo superior.[1]

O autor ensina essa verdade de forma simples e de fácil acompanhamento: 1º) Ele considera o antigo tabernáculo e seis objetos encontrados ali, concluindo que a velha dispensação não dava acesso verdadeiro e direto a Deus (vv.1-10); 2º) Ele traça um contraste entre o que Cristo fez e onde ministra, apresentando sete fatos que, ao concluir, nos garante que por meio de Jesus Cristo temos verdadeiro e direto acesso a Deus (vv.11-14); e 3º) Ele convida os crentes da Nova Aliança para olhar o que Cristo fez no passado, o que Ele está fazendo agora e o que fará no futuro (vv.15-28).[2]

Portanto, hoje, vamos estudar o capítulo 9 com o tema: Jesus estabeleceu um santuário superior. Faremos isso em três pontos: 1º) No passado: o Tabernáculo terrestre com os seus objetos – nenhum acesso – vv.1-10; 2º) No presente: o Tabernáculo celestial – acesso total – vv.11-14; 3º) Olhando para traz, para cima e para frente – vv.15-28.

I. No passado: o Tabernáculo terrestre com os seus objetos – nenhum acesso – vv.1-10

1. A primeira coisa dita pelo autor sobre o serviço que se realizava no santuário terrestre, o culto divino, era uma ordenança de Deus – v.1.

2. vv.2-5 – Aqui temos uma descrição do tabernáculo com seus objetos: a planta do tabernáculo, os seus móveis e utensílios e o serviço que era realizado nele. Tudo isso, é claro, apontava para Jesus Cristo e eram as figuras das coisas que estão no céu (v.23a). A tenda do tabernáculo era dividida em duas partes: lugar santo e o lugar santíssimo ou santo dos santos.

a.    v.2 – No lugar santo, o primeiro... que se chama o santuário. Estavam:

ð O candelabro de ouro com seis hastes (Êx 25.31-40) – aponta para Jesus Cristo, luz do mundo e para a igreja como filhos da luz (Jo 8.12; Ef 5.7-14).

ð A mesa da proposição e os pães (Êx 25.23-30) – aponta para Jesus Cristo, o Pão da Vida ou o Pão que desceu do céu para satisfazer a fome espiritual do seu povo (Jo 6.32-47).

ð O altar do incenso (v.4a; Êx 30.1-10) – onde o sacerdote queimava incenso duas vezes ao dia e apontava para Jesus Cristo, o nosso intercessor diante de Deus (Hb 7.24, 25; Rm 8.33, 34).

b. v.3-5 – Mas depois do segundo véu... o santo dos santos (v.3) – Estavam:

ð v.4a – ... o incensário de ouro... – Embora estivesse fora do Santo Lugar (Êx 30.6), o escritor de Hebreus descreve o altar de ouro dentro do Santo dos Santos porque ele pensa, em primeiro lugar, no papel do altar na liturgia do dia da Expiação, pois nesse dia o sumo sacerdote leva o incenso desse altar para o ligar santíssimo. Isso só acontecia uma vez por ano (Lv 16.12, 13).[3]

ð v.4b – ...e a arca da aliança, coberta de ouro toda em redor... – A madeira da arca simboliza a humanidade de Cristo e a sua cobertura de ouro a Sua divindade. Além disso a arca da aliança simboliza a direção de Deus na vida do seu povo, o poder de Deus no meio do seu povo e a pureza e santidade de Deus entre o seu povo[4] (cf. Nm 10.33-35; Js 3.6; 15-16; 1Sm 7.1-4) Dentro da arca da aliança estavam:

·  v.4c – ...um vaso de ouro, que continha o maná... – Para trazer à memória do povo a provisão de Deus em tempos de angustia (cf. Êx 16.32, 33).

·  v.4d – ...e a vara de Arão, que tinha florescido... – Guardada como símbolo da ressureição e da vida, pois a vara de Arão, depois de morta veio a florescer (cf. Nm 17.8; Jo 11.25)

· v.4e – ...e as tábuas da aliança... – As tabuas da Lei, escritas por Deus no Monte Sinai, deveriam acompanha o povo de Israel pelos séculos dos séculos (cf. Êx 25.16, 21; 40.20; Dt 10.1-5)

ð v.5 – A tampa da arca era um propiciatório feito de ouro com um querubim em cada extremidade. Anualmente, no dia da expiação, o sumo sacerdote entrava no santo dos santos e derramava o sangue do cordeiro no propiciatório (cf. Lv 6). Espiritualmente, o sangue do cordeiro morto cobria o pecado da transgressão da Lei, da rebelião e da murmuração, representado pelos três objetos que estavam dentro da arca. Tudo isso aponta para Jesus Cristo que, através do seu sacrifício removeu o nosso pecado e as nossas culpas perante Deus[5] (cf. Rm 3.23-25; 1Jo 2.2; 4.10)

3. vv.6-10 – Aqui o autor destaca três informações sobre a deficiência do tabernáculo terrestre:

a.    1ª) Ele era inacessível para o povo – v.6, 7 – Ninguém podia entrar no tabernáculo, exceto os sacerdotes no lugar santo e o sumo sacerdote, no santo dos santos, uma vez por ano. O povo fica do lado de fora da tenda.

b.   2ª) Ele era temporário – v.8 – Foi designado, temporariamente, por Deus por um período para tipificar Jesus Cristo e a sua obra salvadora. Jesus rasgou o véu que impedia o acesso a Deus (Mt 27.50, 51).

c.    3ª) Ele era ineficaz espiritualmente – v.9, 10 – Todo o ritual, dons e sacrifícios realizados e oferecidos no tabernáculo terrestre eram ineficazes para perdoar pecados e promover a salvação, bem como, mudar o coração e a consciência do povo pecador. Portanto, o serviço prestado no tabernáculo era ritual externo, imposto e não opcional, e temporário até a primeira vinda de Jesus Cristo.[6]

II. No presente: o Tabernáculo celestial – acesso total – vv.11-14

Após apresentar as deficiências do tabernáculo terrestre da Antiga Aliança, o autor descreve as razões da superioridade do tabernáculo celestial.[7] Com isso, ele, faz um contraste entre o ministério antigo e o ministério de Cristo.

1. O ministério celestial foi construído por Deus – v.11 – a sua origem é divina, a sua natureza é celestial e a sua existência é eterna ou definitiva.

2. No tabernáculo celestial realizou-se o sacrifício superior – vv.11-14 – o santuário celestial é superior ao terreno por causa do sacrifício que nele foi realizado. Temos aqui cinco argumentos:

a.    Ele é superior por causa da pessoa que oferece o sacrifício – Jesus Cristo – v.11.

b.   Ele é superior por causa da preciosidade do sacrifício de Jesus Cristo – v.12a (cf. 1Pe 1.18, 19).

c.    Ele é superior por causa da permanência do sacrifício – uma vez só – v. 12b.

d.   Ele é superior por causa do poder do sacrifício – eterna redenção – v12c. (cf. Jo 1.29)

e.    Ele é superior por causa do resultado alcançado – v.13, 14 – ...purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo. Transformados interiormente, os crentes, são agora pessoas diferentes, que realmente adoram e servem o Deus vivo. Eles não somente têm acesso a Deus com também são convocados para o seu serviço.

III. Olhando para traz, para cima e para frente – vv.15-28

O autor continua fazendo um contraste entre a experiência do povo do tempo da Antigo Testamento com a vivida pelos crentes, hoje, mediante o que o Senhor Jesus Cristo fez por eles.[8] Para deixar bem claro seu ensino, ele usa três argumentos:

1. Olhando para traz: O que Cristo fez no passado – veio ao mundo – vv.15-23 – O Senhor Jesus veio ao mundo e morreu a morte necessária à salvação dos pecadores. Assim, ele realmente cumpriu tudo o que os tipos do Antigo Testamento falavam de forma figurada. O fato de crermos, sermos novas criaturas em Cristo, termos todos os pecados perdoados, termos a Deus como Pai e desfrutarmos do acesso a ele se deve ao Gólgota. Tais bênçãos, e inúmeras mais, são minhas, em razão da cruz e somente por causa da cruz.[9]

2. Olhado para cima: O que Cristo está fazendo agora – comparecendo no céu – vv.24-28a – Quando o Senhor Jesus Cristo morreu, carregou a plena penalidade do pecado que era devida pela humanidade pecadora. Cristo levou os pecados de todos. O Pai o aceitou completamente e, assim, Cristo está perpetuamente no céu. Ele, agora, nos representa diante do Pai. A própria presença dele no céu proclama que não resta nenhuma condenação a ser carregada pelo crente.[10] (cf. Rm 8.1-4)

2. Olhando para frente: O que Cristo fará no futuro – aparecerá do céu e descerá à terra – v.28b – Desta vez ele não virá tratar do pecado, já o fez em sua primeira vinda. Não virá salvar pecadores, mas juntar todos os pecadores que foram salvos pelo derramamento de seu sangue.[11]

Concluindo – A Nova Aliança não somente nos dá acesso agora a Deus, como também um lar eterno em sua glória celeste! É ali que nosso Redentor crucificado está neste momento e sua presença ali assegura nossa aceitação. Onde ele está, estaremos também.[12]



[1] Olyott, Stuart. A Carta aos Hebreus bem explicadinha, Editora Cultura Cristã, 2012, p. 76.
[2] Ibid., p. 76, 82.
[3] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1700.
[4] O Tabernáculo, Cristo e o Cristão. Série Antigo Testamento 2. Editora Cristã Evangélica, Estudo 13, p. 56.
[5] Casimiro, Arival Dias. Revista Exposição Bíblica – Estudos Expositivos na Carta aos Hebreus, Z3 Editora, 2013, 10ª Lição, p. 45.
[6] Ibid., p. 46, 47.
[7] Ibid., p. 47.
[8] Olyott, p. 82.
[9] Ibid., p. 85.
[10] Ibid., p. 86.
[11] Ibid., p. 88.
[12] Ibid., p. 88.