terça-feira, 28 de outubro de 2014

Panorama do AT – Levítico (3) Terceira Parte: A maneira apropriada para a consagração de toda a vida a Deus

Levítico 17-27

No estudo anterior, na segunda parte do livro de Levítico, vimos:

ü Em três pontos, para melhor compreensão, a maneira apropriada para a pureza física, moral e espiritual: 1º) A maneira apropriada para a pureza física Lv 11-15; 2º) A maneira apropriada para a pureza moral Lv 11.44, 45; e 3º) A maneira apropriada para a pureza espiritualLv 16.

ü Terminamos com as lições da primeira parte: 1ª) Deus tem interesse em nós de modo integral – quem somos, o que temos e o que fazemos. (Rm 12.1, 2); 2ª) O que fazemos para Deus só tem valor se a intenção pela qual fazemos é para glorificá-lo e para o estabelecimento do Seu reino. (1Co 10.31); 3ª) Nunca devemos esquecer quem somos, pecadores, que precisam de perdão continuo da parte de Deus. E isso só acontece se confessarmos os nossos pecados, porque ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1Jo 1.9)

Hoje, vamos terminar o estudo de Levítico, na terceira parte: A maneira apropriada para a consagração de toda a vida a Deus Lv 17-27.

Essa parte do livro faz um detalhamento de “como ser aceitável a Deus por meio de uma vida de obediência.”[1] Assim sendo, vamos tratar esses capítulos em três pontos: A maneira apropriada para a consagração de toda a vida a Deus: 1º) Exigia comportamento sexual e social corretos Lv 17-20; 2º) Exigia a celebração das festas religiosas e da adoração sinceraLv 21-24; e 3º) Exigia o uso da Terra Prometida de maneira compatível com o caráter de Deus – Lv 25-27.

I. A maneira apropriada para a consagração de toda a vida a Deus:
1º) Exigia comportamento sexual e social corretos – Lv 17-20

1. Antes de tratar dos relacionamentos corretos, Deus, exige do seu povo “uma visão correta da singularidade dos sacrifícios instituídos por Moisés e da importância do sangue como substituto (em favor de e em lugar de) para a vida”[2] Lv 17.

2. A presença de Deus entre o seu povo exigia um padrão de santidade para cada tipo de relacionamento em Israel – Lv 18-20.

a. Santidade na conduta sexual em contraste com as nações vizinhas – Lv 18:

ð Israel deveria ser uma nação diferente – vv.1-5;
ð Relações incestuosas eram totalmente proibidas – vv.6-18;
ð Perversões sexuais, em suas diversas formas, eram proibidas – vv.19-23;
ð Desfrutar das bênçãos de Deus em Canaã dependia da obediência à exigência de santidade por parte de Deus – vv.24-30.[3]

b. Santidade nos relacionamentos interpessoais devido ao caráter de Deus – Lv 19.

c. Santidade na execução das punições prescritas por Deus – Lv 20.

II. A maneira apropriada para a consagração de toda a vida a Deus:
2º) Exigia a celebração das festas religiosas e da adoração sincera – Lv 21-24

1. Antes de tratar das festas religiosas que Israel deveria observar, Deus, trata da vida e das atitudes dos sacerdotes – Lv 21-22.

a.  Os sacerdotes deveriam ter uma vida sem contaminação – 21.1-9;

b. Os sacerdotes deveriam ser o exemplo máximo de pureza e separação – 21.10-15;

c. Os sacerdotes deficientes eram isentos do serviço mas, não do sustento – 21.16-24;

d.  A conduta sacerdotal em relação as coisas sagradas e sua atitude para com as ofertas sagradas deveriam trazer honra à santidade de Deus – 22.1-30;

e.  A obediência dos sacerdotes às ordens divinas deveria revelar a santidade de Deus – 22.31-33.

2.   A presença de Deus entre o seu povo exigia a celebração meticulosa de Suas festas religiosas – Lv 23.[4]

a.  O sábado – deveria ser desfrutado como um dia sagrado – vv.1-3. É o sinal da aliança mosaica e aponta para o descanso oferecido por Cristo ao crenteÊx 31.13-17; Hb 4.1-11.

b.  A Páscoa – deveria ser celebrada abrindo o calendário litúrgico de Israel – vv.4, 5. Recapitulava a redenção do Egito e contemplava a redenção em CristoÊx 12.1-30; 1Co 5.7.

c. A Festa das pães ázimos – deveria ser celebrada com assembléias e sacrifícios públicos – vv.6-8. Relembrava a saída às pressas dos Egito e apontava a comunhão pura com o MessiasÊx 13.1-10; 1Co 5.7, 8.

d. A Festa das Primícias – deveria ser celebrada na Terra Prometida com a apresentação de um molho de espigas de cevada e sacrifícios dedicatórias – vv.9-14. Antecipada as boas colheitas que Deus lhes daria em Canaã e apontava para a ressurreição de Cristo1Co 15.20-23.

e. A Festa das Semanas – deveria com ofertas de cereais, holocaustos e uma oferta pela pecado em favor da nação – vv.15-21. Antecipava a plena alegria pela plena colheita de grãos e apontava para as bênçãos espirituais do PentecostesAt 2.1-4.

f.   A Festa das Trombetas – deveria ser celebrada com um dia de descanso e um holocausto buscando o favor de Deus para com a nação – vv.23-25.

g.  O Dia da Expiação – deveria ser celebrada com um dia de descanso e jejum, e os sacrifícios prescritos – vv.26-32; cf. Lv 16. Retratava a necessidade de purificação eficaz do pecado e apontava para a propiciação efetuada por Cristo sobre a cruzHb 9.7; 10.3, 19-22.

h.   A Festa dos Tabernáculos – deveria ser celebrada com ofertas dedicatórias e a permanecia em abrigos temporários para recordar a peregrinação no deserto – vv.33-44. Relembrava a peregrinação no deserto e apontava a futura alegria de Israel no reino messiânicoZc 14.16.

3.  A presença de Deus entre o seu povo exigia provisão suficiente dos elementos de culto e uma rápida punição para aqueles que menosprezassem o objeto da adoração de Israel, o Deus Vivo e Verdadeiro – Lv 24.

III. A maneira apropriada para a consagração de toda a vida a Deus: Exigia o uso da Terra Prometida de maneira compatível com o caráter de Deus – Lv 25-27

1.  As atividades de Israel em Canaã deveriam ser orientadas pelos princípios do descanso sabático e da redenção – Lv 25.
                                                                                      
2.  A conduta de Israel deveria ser orientada pelas cláusulas pactuais de bênção e maldição impostas por Deus – Lv 26.

3.  Os atos de dedicação voluntária a Deus além dos requisitos da aliança nunca deveriam ser considerados opcionais – Lv 27. A origem divina dos regulamentos mosaicos de Levítico é declarada mais uma vez no último versículo do livro:
Estes são os mandamentos que o SENHOR ordenou a Moisés,
para os filhos de Israel, no monte Sinai.
Lv 27.34

Concluindo – Lições da terceira parte do livro de Levítico:

1) Nossas relações devem ser marcadas pelo amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espirito Santo que nos foi dadoRm 5.5; 12.9-21.

2) Nossa adoração a Deus em nossas celebrações deve ser verdadeiraJo 4.23, 24.

3)   Tudo o que Deus tem nos dado deve ser usado para sua glória1Co 10.31.

Pr. Walter Almeida Jr.



[1] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 146.
[2] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento, Editora Hagnos, Primeira Edição, 2006, p. 113.
[3] Ibid., p. 114.
[4] A exposição das Festas Religiosas segue uma transcrição direta com modificações pessoais das páginas 117 e 118 do livro de Carlos Osvaldo Cardoso Pinto – Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento, Editora Hagnos, Primeira Edição, 2006.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Panorama do AT – Levítico (2) Segunda Parte: A maneira apropriada para a pureza física, moral e espiritual

Levítico 11-16

No estudo anterior, no livro de Levítico, vimos:

ü Na introdução ao estudo do livro: O significado do seu nome: assuntos dos levitas ou o que é relativo aos levitas; as questões relativas à autoria e à data são resolvidas pelo versículo final do livro – Lv 27.24; o caráter orientador do livro; que Levítico trata de um Deus santo e de um povo chamado a ser santo; que o propósito geral do livro é a instrução sobre a adoração reverente nacional e individual a Deus em sua santidade, apresentando as condições para que Israel se aproximasse d’Ele e preservasse Sua presença santa entre o povo; e que a sua ênfase principal é a santidade de Deus e a Sua exigência de santidade por parte de seu povo.

ü A primeira parte de Levítico: A maneira apropriada para aproximar-se de Deus e cultuá-lo – Lv 1-10: 1º) Através dos sacrifícios estabelecidos por Deus – 1.3-7.38; e 2º) Através da liderança do sacerdócio araônico – 8.1-10.20.

ü Terminamos com as lições da primeira parte: 1ª) Assim como Deus instituiu os diversos sacrifícios e ofertas para consagração, comunhão e perdão de Israel, ele enviou seu filho amado, Jesus, para ser o sacrifício definitivo para salvação da humanidadecf.: Jo 1.17; 3.16; 2ª) Assim como foi Deus quem escolheu o sacerdócio araônico, ele é quem escolhe hoje a liderança da sua igrejacf.: Ef 4.11, 12; 3ª) Assim como Deus corrigiu o erro dos primeiros sacerdotes, hoje ele também disciplina seus filhos e a liderança da sua igrejacf.: Hb 12.5-8.

Hoje, vamos continuar nosso estudo, na segunda parte de Levítico: A maneira apropriada para a pureza física, moral e espiritual Lv 11-16.

Nesses seis capítulos “são tratadas as prescrições sobre a impureza. Deus usou as questões concretas de vida que ele havia classificado como limpo/imundo para inculcar repetidamente sobre Israel a diferença entre o que era santo e o que era profano. Limpo significa aceitável a Deus; imundo significa inaceitável a Deus. Levítico 11-15 detalham o código de pureza e Levítico 16 fala sobre os sacrifícios do dia da expiação.”[1]

Assim, essa parte do livro dá sequência à instrução aos sacerdotes dada em Lv 10.10, 11, apresentando distinções detalhadas entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo, estabelecendo os métodos de tratar desta.[2]

Uma coisa que precisamos ter em mente é que para Israel, a realidade era dividida entre o santoo próprio Deus e tudo o que era colocado à parte para ele ou intimamente associado a ele, e o profano – todo o resto. É importante observar que o oposto de santo não era pecaminoso, mas profano. Profano significa, basicamente, a situação comum, costumeira e ordinária das coisas do mundo em que vivemos. Portanto, o estado normal era que as pessoas e coisas fossem profanas e limpas, mas a contaminação de qualquer espécie pode torná-las imundas.[3]

Com isso em mente, vamos dividir o nosso tema de hoje em três pontos para melhor compreensão da maneira apropriada para a pureza física, moral e espiritual: 1º) A maneira apropriada para a pureza física Lv 11-15; 2º) A maneira apropriada para a pureza moral Lv 11.44, 45; e 3º) A maneira apropriada para a pureza espiritualLv 16.

I. A maneira apropriada para a pureza física – Lv 11-15

1.    Obedecer às estritas leis dietéticas dadas por Deus – 11.1-47
As leis dietéticas de Israel deveriam refletir a consagração nacional a Deus,
seu santo Deus RedentorLv 11.44-48.

2.    Observar a separação cultual das mulheres, depois que dessem à luz, devido às secreções corporais associadas ao parto – Lv 12.1-8

3.    Seguir as medidas estritas de purificação e reclusão para pessoas e objetos que exibissem sinais de contaminação nos tecidos ou superfícies – Lv 13.1-14.57. Em Lv 14.54-57 temos um resumo dessas medidas que deveriam ser adotadas.

4.    Manter regras estritas de higiene corporal para manter a pureza cerimonial – Lv 15.1-33. O propósito desses regulamentos de higiene corporal era manter o povo de Israel e o santuário de Deus cerimonialmente limpos vv.31-33.

II. A maneira apropriada para a pureza moral – Lv 11.44-47

Esses quatro versículos trazem um “lembrete do propósito por trás das regras e da motivação histórica para guardá-las, a saber, que os israelitas eram o povo que Deus havia resgatado, tirando-os do Egito, e, portanto, deviam ser distintos (santos).”[4] Eram uma constante lembrança da importância da santidade e do chamado a ser diferente.

Uma vez que as leis alimentares e de higiene corporal eram apenas parte de toda a lei, em Levítico, “incluía exigências morais e espirituais, individuais e sociais e, desse modo, a santidade estava entretecida na vida cotidiana. Cada refeição e cada encontro com o mundo normal do trabalho lembrava a família israelita de que Deus havia redimido seu povo e também os lembrava dos valores morais com que estavam comprometidos.”[5]
O conceito veterotestamentário de inteireza incluía tudo o que fazia parte da vida do povo de Deus. O desejo de Deus é que pessoas limpas vivam num mundo limpo. Era isso que os rituais de Levítico buscavam alcançar dentro da esfera de Israel. Fica claro que tudo isso existia por causa da obra redentora de Deus na história de Israel e do seu propósito redentor para o futuro.[6]

Assim, a maneira apropriada para a pureza moral do povo era vivência natural, no dia a dia, dos preceitos de Deus estabelecidos aqui, para uma vida saudável em todos os sentidos.

III. A maneira apropriada para a pureza espiritual – Lv 16

O Dia da Expiação era a provisão divina para uma remoção periódica eficaz da impureza e da culpa de Israel por meio de um sacrifício vicário.[7] Era uma oportunidade anual para a nação recomeçar mediante a purificação, tanto do santuário quanto do povo, de todas as contaminações que não haviam sido notadas e tratadas, a fim de que Deus continuasse a habitar no meio dele.[8]

1.    Incluía o tempo apropriado, os sacrifícios apropriados e as vestimentas apropriadas para o sumo sacerdote – vv.1-10.

2.    Exigia expiação pelo sumo sacerdote oficiante, pelo tabernáculo e pela nação – vv.11-22.

3.    Exigia a rededicação do sumo sacerdote e da nação por meio do sacrifício – vv.23-28.

4.    vv.29-34 – Temos aqui um resumo do Dia da Expiação, sua natureza e seu propósito.

Concluindo – Lições da segunda parte de Levítico:

1)   Deus tem interesse em nós de modo integral – quem somos, o que temos e o que fazemos. (Rm 12.1, 2)

2)   O que fazemos para Deus só tem valor se a intenção pela qual fazemos é para glorificá-lo e para o estabelecimento do Seu reino. (1Co 10.31)

3)   Nunca devemos esquecer quem somos, pecadores, que precisam de perdão continuo da parte de Deus. E isso só acontece se confessarmos os nossos pecados, porque ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1Jo 1.9)

Pr. Walter Almeida Jr.
IBL Limeira – 12/10/14



[1] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 158.
[2] Carson, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, 1ª Edição 2009, p. 214.
[3] Ibid., p. 214.
[4] Ibid., p. 216.
[5] Ibid., p. 217.
[6] Ibid., p. 222.
[7] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento, Editora Hagnos, Primeira Edição, 2006, p. 112.
[8] Carson, p. 224.

domingo, 28 de setembro de 2014

Panorama do AT – Levítico (1) Primeira Parte: A maneira apropriada para aproximar-se de Deus e cultuá-lo

Levítico 1-27 (1-10)

Nos estudos anteriores no livro de Êxodo, vimos:

ü  1º) A ação de Deus no livramento de Israel do cativeiroÊx 1-18; 2º) A ação de Deus oferecendo a Israel uma regra para a vida sob a promessaÊx 19-31; 3º) A ação de Deus fazendo-se presente no meio do Seu povoÊx 32-40.

Hoje, vamos começar o estudo panorâmico do livro de Levítico, fazendo uma breve introdução ao livro e vendo a sua primeira parte.

I. Introdução ao Livro de Levítico

Como todos os livros do Antigo Testamento, Levítico, tem um título hebraico que vem da primeira palavra do livro “E chamou...” (Lv 1.1a), e um que provem da versão grega do AT, a Septuaginta, que passou para a versão latina, a Vulgata, que é o nome Levítico e significa: “assuntos dos levitas ou o que é relativo aos levitas”.

“As questões relativas à autoria e à data são resolvidas pelo versículo final do livro – Estes são os mandamentos que o SENHOR ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai.[1] (Lv 27.24; cf.: 7.38; 25.31; 26.46) Portanto, o autor é Moisés e “a data do livro é praticamente a mesma de Êxodo, uma vez que um intervalo de um mês e meio pode ser postulado entre a consagração do Tabernáculo em Êxodo 40.17 (1º de Nisã, 1445 a.C.) e a partida de Israel do Monte Sinai.”[2] (Nm 10.11) A comunicação das leis e normas a Moisés ocorreu durante o ano que o povo passou acampado ao pé do monte Sinai. Esdras afirmou a autoria de Moisés (Ed 6.18), bem como, Jesus atestou a autoria mosaica do livro – Mc 1.44; cf.: Lv 13.49.

Vinte dos vinte e sete capítulos do livro começam da seguinte forma: Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo...”, ou semelhantes. Em sua maioria, Deus manda que Moisés transmita uma mensagem a Israel ou a Arão e aos seus filhos. (cf.: 1.1; 4.1; 6.1; 8.1; 11.1; 12.1) A maior parte do material do livro apresenta mensagens vindas diretamente de Deus para Moisés.[3] Em 56 ocasiões Deus falou estas palavras a Moisés que as anotou pessoalmente ou providenciou seu registro.[4]

Ao ler Levítico é necessário ter em mente o seu caráter orientador: ele é como um capítulo fundamental da Lei, isto é, para a história impar do povo de Deus, constituída no e pelo Pentateuco: trata de um Deus santo e de um povo chamado a ser santo.[5]

Levítico apresenta o plano de Deus para ensinar o Seu povo escolhido a se aproximar d’Ele de maneira santa. Um destaque especial foi dado às funções sacerdotais, tornando reverente e santa esta aproximação a Deus.[6]

Então, o propósito geral do livro é a instrução sobre a adoração reverente nacional e individual a Deus em sua santidade, apresentando as condições para que Israel se aproximasse d’Ele e preservasse Sua presença santa entre o povo. E a sua ênfase principal é a santidade de Deus e a Sua exigência de santidade por parte de seu povo.[7]

Levítico, não apenas, “prescreve as condições para que Israel desfrutasse da presença e da bênção de Deus”[8], da adoração apropriada e da pureza ritual, mas, ele “estabelece uma ampla variedade de responsabilidades pessoais, familiares, sociais e econômicas, todas elas com o objetivo de capacitar Israel a manter o seu caráter nacional de santidade, para o qual Deus o havia criado”.[9] “Pode, com toda a propriedade, ser interpretado como um guia abrangente, que mostra como Israel devia por em prática, na rotina da vida cotidiana, à grande promessa feita no monte Sinai”[10]: E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo – Êx 19.6.

O nosso estudo panorâmico de Levítico será dividido em três partes: 1ª) A maneira apropriada para aproximar-se de Deus e cultuá-lo Lv 1-10; 2ª) A maneira apropriada para a pureza física, moral e espiritualLv 11-16; e 3ª) A maneira apropriada para a consagração de toda a vida a DeusLv 17-27.

Hoje, após essa breve introdução, vamos estudar a primeira parte de Levítico:
A maneira apropriada para aproximar-se de Deus e cultuá-lo – Lv 1-10.

II. A maneira apropriada para aproximar-se de Deus e cultuá-lo – Lv 1-10

Levítico começa onde Êxodo termina. Assim que a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o Tabernáculo (Êx 40.34)... ...chamou o Senhor a Moisés, e falou com ele da tenda da congregação... (Lv 1.1).
Deus, agora, instruiu Moisés com o conteúdo de Levítico.

1. Através dos sacrifícios estabelecidos por Deus – 1.3-7.38

Temos aqui nesses seis capítulos a regulamentação da apresentação das ofertas e sacrifícios como demonstração de gratidão a Deus, como sinal de arrependimento diante de Deus e como expiação de algum pecado cometido. Essas ofertas ou sacrifícios são cinco e estão agrupados em três categorias: de consagração, de comunhão e de perdão (expiação).

a.  Ofertas ou sacrifícios de consagração – eram de dois tipos: 1º) Holocaustos – ato voluntário de adoração que expressava a consagração do ofertante a Deus no contexto da expiação (Lv 1) – O elemento para essa oferta era um de gado bovino, ou de ovino/caprino ou uma ave sem defeito. O animal era oferecido de acordo com a situação econômica do ofertante; 2º) Oferta de Manjaresato voluntário de adoração que expressava a devoção do ofertante a Deus (Lv 2) – Os elementos para essa oferta eram: grãos, flor de farinha, azeite, incenso, pão cozido sem fermento e sal.

b.  Ofertas ou sacrifícios de comunhão – um tipo: Sacrifícios pacíficosato voluntário de adoração que expressava a gratidão e o louvor do ofertante e o seu desejo de comunhão com Deus (Lv 3) – O elemento para esse sacrifício era de gado bovino, ou de ovino, ou de caprino.

c.  Ofertas ou sacrifícios de perdão – dois tipos: 1º) para os pecados involuntários de comissão e omissão e para as impurezas cerimoniais (4.1-5.13) – temos aqui a descrição do tipo de pessoa e do elemento para o sacrifício: sacerdote ungido4.3-12; a congregação4.13-21; um dos líderes do povo4.22-26; e um indivíduo comum4.27-35; e 2º) para pecados involuntários nos quais era necessário fazer restituição (5.14-6.7).

d.   Lv 6.8-7.38 – Legislação sobre os procedimentos nas diversas ofertas que são oferecidas para os sacerdotes.

2. Através da liderança do sacerdócio araônico – 8.1-10.20

a.    A consagração de Arão e seus filhos antes de ministrarem ao Senhor – 8.1-36.

b.   A primeira serie de sacrifícios oferecidos pelo sacerdócio araônico em favor do povo – 9.1-24.

c.    A primeira correção no ministério sacerdotal revelam a santidade de Deus e como ele abomina o relaxamento, a arrogância e um ministério independente dele – 10.

Concluindo – Lições da primeira parte:

1) Assim como Deus instituiu os diversos sacrifícios e ofertas para consagração, comunhão e perdão de Israel, ele enviou seu filho amado, Jesus, para ser o sacrifício definitivo para salvação da humanidade – cf.: Jo 1.17; 3.16.

2) Assim como foi Deus quem escolheu o sacerdócio araônico, ele é quem escolhe hoje a liderança da sua igreja – cf.: Ef 4.11, 12.

3) Assim como Deus corrigiu o erro dos primeiros sacerdotes, hoje ele também disciplina seus filhos e a liderança da sua igreja – cf.: Hb 12.5-8.

Pr. Walter Almeida Jr.
IBL Limeira – 25/09/14




[1] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 145.
[2] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento, Editora Hagnos, Primeira Edição, 2006, p. 90.
[3] Cox, Leo G. Comentário Bíblico Beacon 1 – Gênesis a Deuteronômio, CPAD, 1ª Edição, 2005, p. 253.
[4] Ryrie, Charles C. A Bíblia Anotada, SBB e MC, 2007, p. 101.
[5] Fernandes, Leonardo Agostini. Pentateuco – Levítico, Introdução Geral, 2011, p. 52.
[6] Comentário Bíblico Moody (PDF). Levítico, p. 1.
[7] Pinto, p. 98.
[8] Ibid., p. 98.
[9] Carson, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, 1ª Edição 2009, p. 192.
[10] Clements, Robert E. Comentário Bíblico Broadman, Volume 2 – Levítico-Rute, 1994, p. 15, 16. 

Boletim Dominical IBL Limeira - Nº 70 - 28-09-2014

domingo, 7 de setembro de 2014

Panorama do AT – Êxodo (3) - Terceira Parte - A ação de Deus fazendo-se presente no meio do Seu povo

Êxodo 32-40

Nos estudos anteriores no livro de Êxodo, vimos:

ü  A ação de Deus no livramento de Israel do cativeiroÊx 1-18; e A ação de Deus oferecendo a Israel uma regra para a vida sob a promessaÊx 19-31.

Hoje, vamos terminar o estudo sobre o livro vendo a sua terceira parte, com o seguinte tema: A ação de Deus fazendo-se presente no meio do Seu povo Êx 32-40.

I. Condenando e Punindo a Idolatria – Êx 32.1-33-6

1. A idolatria de Israel com deuses semelhantes aos do Egito quebra a aliança e a sua comunhão com Deus trazendo a ira divina sobre si – 32.1-6.

2. A intercessão de Moisés pelo povo, diante de Deus, livra-os da ira divina – 32.7-14.

3. Moisés destrói os símbolos da aliança, demoli o ídolo e denuncia que os fez – 32.15-24.

4. A disciplina contra a idolatria de Israel significou a perda da vida para alguns e a perda da presença imediata de Deus para todos[1]32.24-33.6.

II. Ouvindo a intercessão de Moisés e Restaurando a aliança – Êx 33.7-34.35

1. O relacionamento íntimo entre Moisés e Deus permite a intercessão pelo povo de modo pessoal – 33.7-11.

2. Deus responde a dupla petição de Moisés: pela continuação de sua presença e pela manifestação da sua glória33.12-23.

3. Deus restaura a sua aliança com Israel à medida que se revela a Moisés – 34.1-9.

a.    Novas tabuas de pedra com os dez mandamentos são reescritas por Deus – vv.1-4.

b.   O caráter de Deus como o Deus da aliança com Israel – vv.5-7.

c.    O pedido de Moisés pela presença imediata de Deus entre a nação – vv.8, 9.

4. Deus renova a aliança e faz algumas estipulações – 34.10-26.

a.    Israel deve permanecer em obediência a Deus – vv.10, 11.

b.   Israel não deve fazer alianças com nações pagãs – vv.12-17.

c.    Israel deve ser uma nação consagrada em todos os sentidos – vv.18-26.

5. Deus confirma Moisés com líder do seu povo ao permitir que sua face refletisse temporariamente sua glória – 34.27-35.

III. Pelo Tabernáculo – Êx 35.1-40.38

1. O término da construção do Tabernáculo exigia dedicação de vidas e bens por parte de Israel – 35.1-29.

a.    Fidelidade na guarda do sábado, o sinal da aliança – vv.1-3.

b.   Dedicação de capacidades e bens – vv.4-19.

c.    Liberalidade do povo em participar na construção – vv.20-29.

2. O provimento necessário para o Tabernáculo foi entregue para aqueles que foram capacitados por Deus para a tarefa – 35.30-36.7.

3. As instruções sobre as diversas partes e objetos do Tabernáculo foram fielmente executadas como o Senhor ordenara a Moisés – 36.8-39.43.

4. O relacionamento entre Deus e Israel atinge sua expressão plena com a presença da glória divina no Tabernáculo no primeiro dia do mês de Abibe (1445 a.C.) – 40.1-38.

Quando a glória de Deus enche o Tabernáculo, Israel torna-se uma nação dirigida diretamente pela presença de Deusvv.34-38.

Concluindo – Lições da terceira parte:

1)   O pecado separa Deus do seu povo, por isso ele o condena e disciplina o seu povo.
2)   O arrependimento e a confissão de pecados são os meios bíblicos para o recebimento do perdão divino.
3)   A presença de Deus na vida do seu povo, coletiva e individualmente, esta intimamente ligada à fidelidade, dedicação e liberalidade.

Pr. Walter Almeida Jr.
IBL Limeira 06/09/2014



[1] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento, Editora Hagnos, Primeira Edição, 2006, p. 86.