domingo, 15 de setembro de 2013

Exposição da Carta de Judas (1) - Introdução à Carta de Judas – Saudação


Judas 1, 2

Quando comecei a ler a carta de Judas, para preparação dos estudos expositivos pensei, por um momento, que seria um pouco mais fácil do que nas outras cartas do Novo Testamento, pela fato de ser ela o quatro livro mais curto dele – 2 João com 13 versículos, 3 João com 15 versículos, Filemom com 25 versículos e Judas com 28.

Mas, como todo estudo sério das Escrituras requer muita oração, muita leitura e meditação no próprio texto da Bíblia e vasta pesquisa em livros específicos sobre o assunto, assim tem sido meu dia a dia para expor essa carta aos irmãos. Como diria Stuart Olyott, em seu livro Ministrando como o Mestre, para explicar, ilustrar e aplicar sua mensagem à nós hoje.

Para situarmos o livro que é objeto de nosso estudo na literatura do Novo Testamento, quero relembrar aos irmãos que dos 27 livros deste, 21 são epístolas (cartas), ou pertencem a esse gênero literário. Eles são divididos da seguinte forma:

1) Epístolas Paulinas (13)

a) Primeiras Epístolas

1 Tessalonicenses
2 Tessalonicenses

b) Grandes Epístolas

Romanos
1 Coríntios
2 Coríntios
Gálatas

c) Epístolas da Prisão

Efésios
Filipenses
Colossenses
Filemom

d) Epístolas Pastorais

1 Timóteo
2 Timóteo
Tito

2) Epístola aos Hebreus (1)

3) Epístolas Gerais (Universais) (7)

Tiago
1 Pedro
2 Pedro
1 João
2 João
3 João
Judas[1]

O título que recebe cada grupo está inspirado no tema ou propósito geral das cartas que integram, ou nas circunstâncias que rodearam a sua redação. A pergunta mais frequente sobre as cartas é: Porque elas são classificadas dessa forma? Por isso é necessário um esclarecimento desse tipo de classificação:

ü Primeiras Epístolas – Porque faz referência à época em que foram escritas. Não somente se considera que são os escritos mais antigos de Paulo, mas também de todo o Novo Testamento.
ü Grandes Epístolas – São as consideradas de grande extensão de texto. Mas entre elas está inclusa a de Gálatas. A razão está no seu estreito parentesco com Romanos.
ü Epístolas da Prisão – Porque quando Paulo redigiu estas cartas, se encontrava preso em algum lugar que a tradição sugere terem sido dois: Roma e Éfeso.
ü Epístolas Pastorais – Foram escritas no tempo em que o Cristianismo, tendo já progredido na fixação da doutrina e na elaboração da estrutura eclesiástica, precisava ordenar administrativa e pastoralmente a sua vida e trabalho.
ü Epístolas Universais (Gerais) – Este título foi dado no II Século, quando o cânon do Novo Testamento ainda estava sendo formado. Significa que estas cartas não são dirigidas a um destinatário determinado, mas aos crentes em geral.[2]

Na época em que foi escrito o livro de Judas, havia uma diferença entre cartas pessoais e cartas dirigidas as comunidades. As cartas pessoais eram chamadas de cartas mesmo, mas, as cartas as comunidades eram chamadas de epístolas. Como em nossa língua podemos chamar carta a todas as formas de carta, vamos chamar a Epístola de Judas de, a Carta de Judas.

A carta mesmo indica o seu autor – Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, ... (v.1). Judas vem da palavra grega Iouda que é a tradução do termo hebraico (Yehûdâ) Judá.

Judas era um nome comum na Palestina da época e pelo menos seis deles são citados diretamente no Novo Testamento. (1) Judas, filho de Tiago, também chamado de Tadeu (apóstolo) – Mt 10.3; Lc 6.16; (2) Judas Iscariotes – Mt 10.14; (3) Judas, irmão de Tiago, José e Simão, irmãos de Jesus – Mt 13.55; (4) Judas, cristão da cidade de Damasco, onde Paulo se hospedou após a sua conversão – At 9.10, 11; (5) Judas Barsabás, homem distinto entre os irmãos – At 15.22; (6) Judas, o galileu, nos dias do alistamento – At 5.37.

Judas, o escritor da carta, é o irmão de Tiago e de Jesus. Ele era o mais novo dos irmãos, segundo a ordem do texto de Mateus 13.55 – Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?

Os irmãos de Jesus, Tiago, José, Simão e Judas não creram nele no período de seu ministério terreno, mas, após sua morte e ressurreição eles se converteram e passaram a ser pregadores itinerantes, juntamente com suas esposas – Jo 7.1-9; 1Co 9.15. Tiago se tornou um dos líderes da igreja em Jerusalém – At 15.13; Gl 1.19; Tg 1.1.

Não há na carta “evidência alguma, nem mesmo pistas, acerca de onde ele (Judas) estava na época em que escreveu a carta”[3] e qual eram os seus destinatários primários. Mas, pelo motivo declarado da carta nos vv.3, 4, “embora a sua localização não esteja designada no texto, a natureza específica do erro que ela combatia sugere uma destinação localizada. A semelhança com o conteúdo de 2Pedro aponta para o centro-norte da Ásia Menor como a residência dos destinatários, em acordo com 1Pedro 1.1 e 2Pedro 1.1.”[4]

A apostasia doutrinária e moral discutida por Judas nos vv.4-18, corresponde em muito à de 2Pedro 2.1-3.4. Acredita-se que 2Pedro foi escrita antes de Judas por dois motivos: 1º) 2Pedro antecipa a vinda dos falsos mestres (2Pe 2.1, 2; 3.3), enquanto Judas trata da chagada desses falsos mestres (vv.4, 11, 12, 17, 18); e 2º) Judas faz uma citação direta de 2Pe 3.3 e reconhece que é de um apóstolovv.17, 18.[5]

Sendo assim, podemos sugerir que a carta foi escrita em Jerusalém por volta do ano 60 d.C., depois da morte de Nero e da luta por poder entre os generais romanos e antes da destruição da cidade em 70 d.C.

A Carta de Judas “é o único livro do Novo Testamento que se dedica exclusivamente a confrontar a apostasia, cujo significado é a deserção da fé bíblica verdadeira”[6]v.3, 17. Esses apostatas expostos por Judas são descritos, também, em outras partes do Novo Testamento – 2Ts 2.10; Hb 10.29; 2Pe 2.1-22; 1Jo 2.18-23.

Em seu combate a apostasia e seus proponentes, Judas, exorta os irmãos a lutarem por sua fé com discernimento e uma defesa rigorosa da verdade bíblica. Ele tem como exemplo: Jesus – Mt 7.15ss; 16.6-12; 24.11ss; Paulo – At 20.29-30; 1Tm 4.1; 2Tm 3.1-5; 4.3, 4; Pedro – 2Pe 2.1, 2; 3.3, 4; e João – 1Jo 4.1-6; 2Jo 6-11.

Judas está repleta de ilustrações do Antigo Testamento: 1) o êxodov.5; 2) a rebelião de Satanásv.6; 3) Sodoma e Gomorrav.7; 4) a morte de Moisésv.9; 5) Caimv.11a; 6) Balaãov.11b; 7) Corév.11c; 8) Enoquevv.14, 15; 9) Adãov.14. Judas “também faz alusão a algumas tradições judaicas não bíblicas”[7] (literatura pseudepigráfica – A Assunção de Moisés e O Livro de Enoque) – v.6; 9, 14, 15.

O propósito da carta está declarado nos v.3Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Ao exortar seus leitores a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos, Judas usou um verbo grego (epagonizesthai) composto que dá a ideia de uma intensa batalha, de manter o inimigo a distância por meio de esforço concentrado e sem reservas. Isso mostra a seriedade da situação na igreja local para onde Judas escreveu – v.4Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.

Judas busca alcançar seu propósito recapitulando para seus leitores o trágico destino de hereges e libertinos na história sacra (vv.5-7), revendo o caráter, a conduta e a condenação dos hereges (vv.8-16) e relembrando-os da necessidade de estarem conscientes do problema, serem constantes na obediência e serem compassivos para com os que vacilam frente ao erro (vv.17-23). Assim, o propósito da carta pode ser formulado do seguinte modo: Estimular os crentes a defender a fé cristã contra a heresia (antinomianismo) recapitulando o juízo de Deus sobre os hereges, revendo o caráter dos adversários e relembrando-os dos seu deveres frente ao erro.[8]

Para nossa exposição do texto vamos usar a proposta de mensagem e esboço da carta de Judas defendida por Carlos Osvaldo: “Defender a fé do erro exige consciência dos desígnios de Deus para com os hereges e dos deveres do crente em tempos de heresia”.[9]

O esboço simplificado da carta que vamos usar é o seguinte:

I. SaudaçãoJudas se apresenta e deseja aos crentes capacitação divina segundo a posição segura deles diante de Cristovv.1, 2.

II. Declaração de PropósitoA atual apologia veio como uma reação ao ataque da heresia, a fim de motivar os crentes a defender a sua févv.3, 4.

III. RecapitulaçãoDefender a fé do erro exige consciência dos desígnios de Deus para com os hereges, visto que foram marcados pela severa punição por suas variadas formas de rebelião vv.5-7.

IV. RevisãoDefender a fé do erro exige consciência dos desígnios de Deus para com os hereges na medida em que apostatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico na sua conduta, seu caráter e sua condenação vv.8-11.

V. RecordaçãoDefender a fé do erro exige consciência dos deveres dos crentes em tempos de heresia vv.17-23.

VI. DoxologiaO Deus que é completamente capaz de guardar os Seus até que se unam a Ele na glória, é digno de todo o louvor e majestade por meio de Jesus Cristovv.24, 25.[10]

Saudação
Judas se apresenta e deseja aos crentes capacitação divina
segundo a posição segura deles diante de Cristo.

1. Judas se apresenta como servo de Cristo e irmão de Tiago – v.1a.

Judas se apresenta de forma tradicional, ele diz quem é, “descreve aqueles a quem está escrevendo e ora pelo crescimento espiritual deles[11].

A carta começa com uma tríade (conjunto de três pessoas, coisas, formações, órgãos, acordes, no caso, aqui, grupo de três palavras que ocorrem juntas), que é uma das características dessa carta, “a identificação de Judas pelo nome, pelo relacionamento com Jesus (servo), e pelo relacionamento com a igreja como o irmão Tiago”[12].

2. Judas identifica seus leitores com a obra salvadora de Deus – v.1b.

Os irmãos também são descritos com uma tríade, que enfatiza sua condição passada (chamados), seu estado presente (santificados, amados) e sua segurança futura (conservados, guardados).

Essa descrição destaca o quanto a salvação é inteiramente de Deus e resultado direto de sua soberania, seu amor e seu poder, com um escopo que vem da eternidade, passa pelo tempo e volta para a eternidade. (Rm 8.30; 1Pe 1.3-5)

3. Judas deseja e ora pelos irmãos por capacitação divina na medida da sua posição e do desafio diante deles – v.2.

Temos aqui uma saudação diferente das que encontramos nas outras cartas. Geralmente as cartas paulinas e as gerais trazem a seguinte saudação: Graça e paz ou Graça, misericórdia e paz. Judas substitui a palavra graça por amor e forma a terceira tríade da carta – Misericórdia, e paz, e amor vos sejam multiplicados. (v.2)

Essa saudação que expressa o desejo e é uma oração de Judas, é um elo com a tríade do v.1: o chamado de Deus traz misericórdia, o seu amor envolve o seu povo e o seu poder de guardar dá paz. Mas também expressa uma forma trinitária – Deus o Pai, traz misericórdia, o Filho concede a paz e o Espirito Santo dá o amor.[13]

Somente aqui essas três qualidades aparecem tão próximas. Onde prevalecem a lei e as obras, há fracasso e morte, mas onde prevalece a graça, há misericórdia, paz e amor em abundância[14] – “... vos sejam multiplicados.” (v.2b) – Ef 2.4; Hb 4.16; Rm 5.1; 5.5.

Concluindo – Aplicações:

1ª) Somos servos de Jesus e irmãos em Cristo como servos de Jesus devemos nos colocar a sua disposição para o seu serviço de aperfeiçoamento dos santos e como irmãos devemos servir uns aos outros dentro de nossas possibilidades.

2ª) Fomos salvos por iniciativa direta de Deus – nossa salvação não depende nós, mas exclusivamente de Deus que nos chamou, santificou e conserva (preserva). Como disse Paulo em Rm 8.30E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.

3ª) Recebemos capacitação diretamente de Deus para perseveramos na fé – essa capacitação para a perseverança na fé vem da graça de Deus e provem misericórdia, paz e amor para uma vida cristã autentica.


Pr. Walter Almeida Jr.
Limeira –SP – 14/09/13



[1] Almeida, Bíblia de Estudo de. SBB, 1999, NT p. 216.
[2] Ibid., p. 216.
[3] Carson, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, 2009, p. 2119.
[4] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento, Hagnos, 2008, p. 579.
[5] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1771.
[6] MacArthur, p. 1771.
[7] Almeida, p. 368.
[8] Pinto, p. 581.
[9] Ibid., p.585.
[10] Ibid., p. 585-588.
[11] Carson, p. 2121.
[12] Pinto, p. 581.
[13] Carson, p. 2121.
[14] MacArthur, p. 1772.

O pedido de um aflito ao Deus eterno e imutável


Salmo 102

Nosso Salmo Messiânico anterior foi o Salmo 91, e o tema foi: Bases e Bênçãos da Segurança do Crente. Estudamos ele em dois pontos: 1º) As bases da segurança do crente se encontram no caráter e no cuidado de Deusvv.1-8; 2º) As bênçãos da segurança do crente são a proteção e o amor de Deusvv.9-16.

O Salmo Messiânico de hoje é o Salmo 102. As referências messiânicas que o identificam como salmo messiânico são: Salmo 102.25-27 – Hebreus 1.7-13.

Há duas propostas de autoria deste salmo – Daniel ou Jeremias. Aqueles que sugerem ser Daniel, o fazem por conta dos vv.13, 14 darem a impressão de que Jerusalém estava abandonada a tempos e o escritor estar em avançada idade – vv. 23, 24. Os que afirmam ser Jeremias ou um dos seus contemporâneos, alguém que compartilhou de sua realidade e que conhecia sua teologia, o fazem pelas características ligadas ao contexto e sua semelhança com Lamentações. Possivelmente este “salmo vem do período do cativeiro na Babilônia ou do retorno a Jerusalém”[1].

Nosso tema de hoje é: O pedido de um aflito ao Deus eterno e imutável. Nós vamos estudá-lo em três pontos: 1º) O pedido de um aflito por ele mesmo e a sua cidadevv.1-11; 2º) A confiança de um aflito no Deus eternovv.12-24; e 3º) A confiança de um aflito no Deus imutávelvv.25-28.

I. O pedido de um aflito por ele mesmo e por sua cidade – vv.1-11

Desde o título do salmo é possível ver o ânimo do escritor, pois se descreve como alguém “angustiado” e “que está a desfalecer”. Ele expõe a Deus seu clamor angustiado (vv.1, 2) com termos sugestivos como “meu clamor”, “no dia em que eu clamar”, e “dia da minha angustia”.

A aflição do salmista é fruto de uma reflexão e da observação presente da calamidade da cidade que ama e do povo a que pertence – suas ações são de profundo luto (vv.4-7, 9), há inimigos que o perseguem por causa da calamidade (v.8) e a ira de Deus não parece estar prestes a acabar, mas em pleno decurso (v.10).[2]

A partir de então, o salmista passa a descrever seu estado de abatimento por meio de comparações marcantes e tristes. Ele se descreve como alguém a quem o tempo está consumindo (v.3, 11) e que está para morrer antes da hora (vv.23, 24). Sua alegria se dissipou de modo que nem sequer tem o desejo de se alimentar (v.4). O sentimento de aflição é tão grande que ele passa a sentir efeitos psicossomáticos que lhe causam dores corporais (v.5). Entre suas reações estão insônia frequente (v.6, 7) e choro amargurado (v.9).

Não é para menos, pois, além de ver o sofrimento do seu povo, ele também se tornou alvo da amargura alheia (v.8) pelo que está acontecendo com Judá e, mais especificamente, com a cidade de Jerusalém, nomeada como “Sião” (v.13).[3]

II. A confiança de um aflito no Deus eterno – vv.12-24

Em contraste com a breve vida do salmista, Deus é eterno e capaz de atender ao pedido de seu servo. Ele olhou para as ruínas de Jerusalém e pediu a compaixão de Deus para restaurar a cidade (vv.13-17). Como outras grandes orações, esta se baseia no santo caráter de Deus. Não é apenas um pedido egoísta, do ponto de vista humano, e sim uma petição para glorificar o nome do Senhor (vv.18-22). A resposta favorável de Deus serviria como prova aos povos de sua grandeza. Como outros textos do Velho Testamento, especialmente chegando ao final do período, este mostra a esperança da salvação de povos não judeus (vv.15, 22).[4]

Como base para a segurança e a esperança apresentadas, o salmista, propõe alguns atributos de Deus que garantiam o futuro de Israel e de Jerusalém: 1º) O poder de Deus é exaltado a fim de criar esperança nos leitores de que, independente da força das nações, o Senhor é poderoso para reverter a situação. Esse poder é visto na sujeição dos reis e dos reinos a ele (vv.15, 22), na sua demonstração de glória (vv.15, 16) e na supremacia e elevação do seu trono (v.19); 2º) O salmista alista a eternidade de Deus como motivo de confiança, já que ele – e seu correspondente domínio – sempre existiu e sempre existirá (vv.12, 25, 27). Mesmo os reinos poderosos pereceriam, enquanto o Senhor permaneceria (v.26), de modo que a geração que seria restaurada testemunharia tal permanência (v.18).[5]

III. A confiança de um aflito no Deus imutável – vv.25-28

Ao afirmar que a terra e o ceús, obra das mãos de Deus (v.25), um dia perecerão (v.26), o salmista fala sobre a imutabilidade de Deus: Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim. (v.27)

O salmista aponta para o fato de que Deus é quem as Escrituras descrevem e que não haverá tempo em que ele não corresponderá à descrição bíblica ou às expectativas baseadas em suas promessas. Razão pela qual ele confia nas promessas de restauração futura do seu povo (nova aliançacf. Jr 31; Ez 36; Jl 2), na habitação de Israel na terra prometida a Abraão (aliança abraâmicacf. Gn 15.17-21) e no reinado perpétuo do descendente de Davi (aliança davídicacf. 2Sm 7.11-17). Nesse dia se cumprirá o que o salmista, ao escrever, previu esperançosamente (v.28): Os filhos dos teus servos continuarão, e a sua semente ficará firmada perante ti.[6] O mesmo Deus que criou o mundo e existe eternamente vai abençoar os descendentes dos fiéis[7].

Concluindo

A mesma angustia e esperança do salmista é compartilhada pela igreja, visto ser beneficiária de promessas de estabelecimento eterno na presença de Deus. A certeza de que Deus cumprirá todas as suas promessas nos enche de esperança de ver o que foi anunciado. E a convicção de que, não importa quanto o mundo se afaste do bem e quanto o diabo demonstre ser o “deus desse século” (cf. 2Co 4.4), a vitória final pertence a Deus e ao Senhor Jesus Cristo (Ap 11.15)! Essa é uma esperança que devemos nutrir todos os dias e, guiados e fortalecidos por ela, manter uma vida santa no presente como quem viverá em glória no futuro.[8]

Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 15/09/13



[2] Tronco, Pr. Thomas. Estudo do Salmo 102, IBR, (1).
[3] Ibid., (2)
[5] Pr. Tomas, (2).
[6] Ibid., (3)
[8] Pr. Tomas, (4).

sábado, 14 de setembro de 2013

O Processo Bíblico da Frutificação


João 15.4-11

No estudo anterior vimos que, um dos mais belos ensinos do NT é o da união espiritual do pecador remido com o Salvador Jesus Cristo e que somente através desta união os crentes tem acesso aos benefícios da obra salvadora de Jesus.

Vimos, também, que o significado da metáfora da videira e os ramos se torna claro quando consideramos os personagens do drama daquela noite: A videira – Jesus; O agricultor – Deus, o Pai; O ramo frutífero – os onze discípulos; e O ramo infrutífero – Judas Iscariotes.

Concluímos afirmando que, o princípio da frutificação está em que a videira tem que ser a verdadeira – Jesus, o agricultor tem que ser Deus – o Pai, e o ramo tem que ser um crente verdadeiro – uma nova criatura.

Hoje, nosso tema é: O Processo Bíblico da Frutificação – João 15.3-8.

Quando o Senhor Jesus começa a explicar sobre frutificação ele usa uma escala progressiva: v.2anenhum fruto; v.2bfruto; v.2cmais fruto; vv.5, 8muito fruto. Isso indica que o verdadeiro seguidor de Jesus é alguém que cresce espiritualmente produzindo cada vez mais frutos espirituais. A vida cristã autentica está em constante desenvolvimento e crescimento espiritual – Fp 2.12; 2Pe 1.3-11; 3.18.

O Senhor Jesus usa a palavra fruto para falar do resultado do amadurecimento da vida cristã. Um fruto é o resultado natural de um organismo vivo. A igreja de Deus é um organismo vivo e dinâmico, pois se trata do corpo de Cristo – Rm 7.4; 1Co 12.27; Ef 4.12.

O fruto de que trata Jesus é de natureza espiritual, mas pode ser visualizado muitas vezes. A Bíblia fala de vários tipos de fruto espiritual: Os frutos do arrependimentoMt 3.8-10; o fruto de levar pessoas a CristoRm 1.13; o fruto do EspíritoGl 5.22, 23; o fruto do louvorHb 13.15; o fruto da oferta missionáriaFp 4.17. O fruto, aqui, envolve o caráter e o serviço a Deus, tudo como resultado da nossa comunhão com Ele!

O processo de frutificação eficaz é simples e está em permanecer em Cristo (no amor de Deus) (vv.3, 4, 8-10), depender totalmente de Jesus (vv.5, 6), orar continuamente (v.7), e viver contente (alegria completa) (v.11). É sobre esse processo que queremos meditar hoje!

I. Permanecer em Cristo – no amor de Deus (vv.3, 4, 8-10)

O termo grego traduzido por “Estai em” na ACF e “Permanecei” na ARA aparece onze vezes nesses onze versículos e significa manter, continuar, progredir, fazer parte, criar raízes, preservar, alimentar. Tudo isso em relação a nossa comunhão com Jesus que começou no dia da nossa conversão – João 15.16; 2Co 5.17-19.

Permanecer em Cristo inclui a oração – Ef 6.18; 1Ts 5.17, 18; Jd 20; obediência à Palavra – vv.9, 10; Jo 14.15; 1Pe 1.22-25; 1Jo 2.3-6; e confissão de pecados – 1Jo 1.4-2.2.

O fruto ou evidência de estar em Cristo é a continuidade no serviço a Cristo e no seu ensino – Jo 8.31; Cl 1.23; 1Jo 2.24.

II. Depender totalmente de Jesus (vv.5, 6)

v.5 – esse versículo é um lembrete para nunca esquecermos, os discípulos primeiramente e nós, de quem realmente é autosuficiente – Jesus. (Rm 13.36)

v.6 – Este versículo fala sobre a inutilidade de qualquer ramo que deixa de dar fruto. Temos aqui as consequências da não frutificação: 1) será lançado fora – fala da perda de comunhão como Senhor; 2) secará – fala de perda de vitalidade espiritual; 3) lançam no fogo, e ardem – fala de perda de recompensa (galardão).

Por isso o cristão deve depender totalmente de Jesus na sua vida, em todos os sentidos. Atentemos para as advertências em Hb 2.1-4 e 12.1-3.

III. Orar continuamente (v.7)

Como já enfatizamos, a vida cristã inclui a oração – Ef 6.18; 1Ts 5.17, 18; Jd 20. O que entendo sobre orar continuamente, vejo claramente em Efésios 6.18 na NTLH:

Façam tudo isso orando a Deus e pedindo a ajuda dele.
Orem sempre, guiados pelo Espírito de Deus. Fiquem alertas.
Não desanimem e orem sempre por todo o povo de Deus.”

IV. Viver contente (alegria completa) (v.11)

Lendo os vv.9-11, vemos em especial o estreito relacionamento entre Jesus e seus discípulos e as lições que podemos aprender: 1ª) o amor do Pai pelo Filho é o padrão para o amor do Filho pelos seus discípulosv.9; 2ª) a obediência do Filho ao Pai é o padrão para a obediência dos discípulos ao Filhov.10; 3ª) a necessidade de que os discípulos permaneçam no amor do Pai é destacada pela repetição do verbo permanecervv.9, 10; e 4ª) a alegria do Filho é a base para a alegria dos discípulosv.11.[1]

O contentamento no servir ao nosso Senhor Jesus está no seu próprio contentamento em servir ao seu amado Pai. E isso está claro, não só aqui, mas em toda a Bíblia – Ef 5.1, 2; 1Jo 1.3, 4; Hb 12.2.

Creio que “assim como Jesus sustentou que o fato de obedecer ao Pai era a base de sua alegria, do mesmo modo também os crentes que são obedientes aos mandamentos de Cristo sentirão a mesma alegria”[2]. (Jo 16.24; 17.13)

Concluindo

Portanto, para que haja fruto em nossa vida cristã é necessário que permaneçamos em Cristo (no amor de Deus) (vv.3, 4, 8-10), dependamos totalmente Dele (vv.5, 6), oraremos continuamente (v.7), e vivamos contente com o que Deus tem nos dado e nos ajudado a alcançar em nossa vida pessoal e na sua obra (v.11).


Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 12/09/13


[1] Carson, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, 2009, p. 1589.
[2] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1419.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Observações importantes em relação a atitude de Maria na unção dos pés de Jesus em Betânia


João 11.55-12.11

Os últimos dias do Senhor na terra poderiam ser descritos como “o ministério de Cristo em Jerusalém”. Antes disso, Jesus nunca havia passado tanto tempo (até onde sabemos) nem havia gasto tanta energia nessa cidade. Esse foi Seu último esforço concentrado para conduzir Jerusalém, e seus líderes e por meio deles toda a nação, de volta ao plano de Deus para Israel. Infelizmente, esse foi um período de oportunidades perdidas.

João fez um prefácio aos “oito dias que mudaram o mundo”. Primeiramente, ele salientou que “estava próxima a Páscoa dos judeus” (João 11:55a).

A Páscoa comemorava a libertação dos israelitas do cativeiro egípcio, quando foram instruídos a passar o sangue de um cordeiro nos batentes de suas portas (Êxodo 12:1–28). Durante as festividades da Páscoa, o cordeiro pascal era morto assim como fizeram os israelitas no início do êxodo à Terra Prometida.

Não havia momento mais propício para o sacrifício do “Cordeiro de Deus” “sem defeito e sem mácula” (João 1:29; 1 Pedro 1:19). João observou a seguir que “muitos daquela região subiram para Jerusalém antes da Páscoa, para se purificarem” (João 11:55b). A purificação cerimonial era necessária antes de ocasiões espirituais (veja Êxodo 19:10, 11), incluindo a festa da Páscoa (veja 2 Crônicas 30:13–20, especialmente v. 17). Os que estivessem cerimonialmente impuros não tinham permissão de comer a Páscoa (veja João 18:28). Como grandes multidões afluíam para Jerusalém por causa da festa, os rituais de purificação podiam levar dias. Os viajantes que tinham condições chegavam antes para garantir que estivessem aptos a participar da festa. As “multidões” eram compostas de peregrinos que haviam chegado uma semana ou mais antes da festa propriamente dita.

Segundo João, os primeiros viajantes a chegar “procuravam Jesus e, estando eles no templo, diziam uns aos outros: Que vos parece? Não virá ele à festa?” (João 11:56). A ressurreição de Lázaro, ocorrida várias semanas antes e sucedida pela decisão dos líderes oficiais de matar Jesus (João 11:1–53), desencadeou uma agitação febril (veja João 12:9, 17–19). “Ora, os principais sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para, se alguém soubesse onde ele estava, denunciá-lo, a fim de o prenderem” (João 11:57). As pessoas almejavam ver Jesus, mas diante do perigo, pensavam que Ele não ousaria comparecer à festa. Por isso João esboçou a situação explosiva que aguardava Jesus enquanto Ele caminhava os últimos quilômetros saindo de Jericó.

Jesus chegou a Betânia “seis dias antes da Páscoa”, segundo João 12:1. Betânia, que “distava cerca de três quilômetros de Jerusalém” (João 11:18; NVI), era onde moravam Maria, Marta e Lázaro (João 11:1). Ali Cristo ressuscitara Lázaro pouco tempo atrás (João 11:2–46; 12:1). Ele deve ter chegado a Betânia na sexta-feira, perto do pôr-do-sol.

Presumimos que Jesus passou o sábado judaico calmamente, visitando Seus amigos e talvez participando das reuniões na sinagoga local. A seguir, após o fim do sábado judaico e no começo do primeiro dia da semana judaica, “deram-lhe, pois, ali, uma ceia” (João 12:2a). A ceia foi na “casa de Simão” (Mateus 26:6; Marcos 14:3), provavelmente um ex-leproso curado pelo Senhor. Era um jantar em homenagem a Jesus e Lázaro (João 12:2b, 9). Jantar oferecido por Simão, Lazaro, Maria, Marta e possivelmente outros amigos da cidade. Este jantar e o que nele aconteceu está registrado, além de João, em Marcos 14.3-9 e Mateus 26.6-13.

De repente, no meio do jantar, Maria toma um vidro de perfume e o derrama sobre Jesus – v.3Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo.

Não faltaram críticas a essa ação de Maria, por parte dos que estavam ali e principalmente de um dos discípulos, Judas Iscariotes, que disse: Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? (v.5)

Mas a resposta de Jesus aos comentários e críticas à Maria foi o seguinte: Jesus, entretanto, disse: Deixa-a! Que ela guarde isto para o dia em que me embalsamarem; porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes. (vv.7, 8) A passagem paralela de Marcos 14.6-9 narra a resposta de Jesus do seguinte modo: Mas Jesus disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo. Porque os pobres, sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre me tendes. Ela fez o que pôde: antecipou-se a ungir-me para a sepultura. Em verdade vos digo: onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.

Espalhou-se a notícia de que Jesus e Lázaro estavam ali, e multidões chegavam de Jerusalém, ansiosas por vê-los (João 12:9). Era uma oportunidade para ver uma testemunha viva do poder de Cristo. Por conta disso, “muitos dos judeus… voltavam crendo em Jesus” (João 12:11).

Até os líderes judeus poderiam ter sido persuadidos, mas, o que ateou as chamas da popularidade também alimentou as chamas do ódio. A inveja insana do Sinédrio fica evidente na decisão que eles tomaram a seguir: “Mas os principais sacerdotes resolveram matar também Lázaro; porque muitos dos judeus… voltavam crendo em Jesus” (João 12:10, 11). Lázaro não cometeu nenhum crime senão estar vivo quando deveria jazer num túmulo, mas eles viam Lázaro como uma ameaça, por isso ele tinha de morrer.

Algumas observações importantes podemos fazer aqui em relação a essa atitude de Maria – a unção dos pés de Jesus:

1ª) Observação: Foi um ato espontâneo e voluntárioungir os pés de Jesus foi uma expressão voluntária de reconhecimento de quem Ele era e o que fez!

2ª) Observação: Foi um ato de excelência Ela deu o melhor para Jesus. Nosso Deus merece o melhor de nós, o nosso excelente! IlustraçãoO relógio de ouro puro e os cabelos lindos e caríssimos...

3ª) Observação: Foi um ato de amor sacrificialnão devemos dar a Deus/Jesus o que não nos custa nada, ou as sobras!

4ª) Observação: Foi um ato oportuno – Era a última vez que Jesus estaria ali, e Maria aproveitou a oportunidade. Não devemos adiar o que temos que fazer para Deus, devemos aproveitar as oportunidades. Ilustração O homem que não tratou bem sua mulher a vida toda e não teve a oportunidade de dizer quanto a amava, pois ela morreu antes...

Concluindo

Hoje quero concluir com três perguntas para sua reflexão essa semana:

1ª) Com o que nos indignamos no uso dos recursos no reino de Deus?

2ª) O nosso discurso cristão (religioso) corresponde como as nossas reais intenções?

3ª) Pelo seremos lembrados no futuro? Pelo que você será lembrado no futuro?

Pr. Walter Almeida Jr.
IPB Bethel – Limeira – 08/09/13

domingo, 8 de setembro de 2013

Bases e Bênçãos da Segurança do Crente


Salmo 91

Nosso Salmo Messiânico anterior foi o Salmo 89, e o tema foi: Os atributos de Deus que garantem o cumprimento das suas promessas nas Escrituras, não somente na aliança davídica, mas em todas as suas alianças e dispensações. Os atributos são: 1º) Fidelidadevv.1-5; 2º) Podervv.6-18; 3º) Bondadevv.19-29; 4º) Graçavv.30-37; 5º) Santidadevv.38-51; e 6º) Glóriav.52.

O Salmo Messiânico de hoje é o Salmo 91. As referências messiânicas que o identificam como salmo messiânico são: Salmo 119.11, 12 – Mateus 4.6-7.

O Salmo 91 “descreve a contínua e soberana proteção de Deus para o seu povo em relação aos perigos e terrores que estão sempre presentes e cercam a humanidade. Os crentes de todas as épocas podem ler este salmo e aprender que nada pode afetar um filho de Deus, a menos que o Senhor permita”[1].

Creio que este salmo é um testemunho pessoal (vv.2, 9), e que “aqui o testemunho humano é envolvido por um testemunho divino e confirmado pela Palavra de Deus (vv.1, 14-16, 3-8, 9-13). O conjunto todo é uma forma altamente artística de expressar um fato profundamente importante: que nós estamos sempre totalmente seguros”[2].

Diariamente o cristão verdadeiro enfrenta perigos, como ciladas armadas contra sua vida física, emocional e espiritual. Alguns deles “rastejam furtivamente (vv.3, 6); alguns são os nossos próprios terrores, reais ou imaginários, outros refletem hostilidade (v.5); alguns nós encontramos no curso da vida (vv.12, 13). A vida é assim. Mas, a fé simples nos coloca num lugar onde contamos com forte proteção (v.2), calor pessoal do cuidado divino, defesa prometida solenemente (v.4) e um exército de guardiães celestiais para nos proteger a cada passo (v.11)”[3].

Nosso tema de hoje é Bases e Bênçãos da Segurança do Crente.

Vamos estudar isso em dois pontos: 1º) As bases da segurança do crente se encontram no caráter e no cuidado de Deusvv.1-8; 2º) As bênçãos da segurança do crente são a proteção e o amor de Deusvv.9-16.

I. As bases da segurança do crente se encontram no caráter e no cuidado de Deus – vv.1-8

1. No caráter de Deus – vv.1, 2 – temos aqui quatro nomes usados para se referir a Deus – Altíssimo, Onipotente, Senhor e Deus.

Os muitos nomes de Deus na Bíblia apresentam uma revelação adicional de seu caráter. Não são meros títulos dados pelas pessoas, mas, em sua maioria, descrições que ele fez de si mesmo. Sendo assim, revelam aspectos de seu caráter.

a. Altíssimo – El Elyon em hebraico que significa “O Deus Altíssimo”, enfatiza a força, a soberania e a supremacia de Deus. Foi usado pela primeira vez em Gn 14.19, quando Melquisedeque abençoou a Abraão.

b. Onipotente – significa que Deus é Todo-Poderoso e pode fazer tudo o que seja coerente com sua própria natureza. Essa expressão é sinônima de “Todo-Poderoso” que é usada apenas para referir-se a Deus na Bíblia, ocorrendo 56 vezes, e essa é a base do conceito de onipotência.

c. Senhor – Esse é o nome pessoal de Deus (YHWH ou Yahweh) nas Escrituras, pelo qual ele era conhecido por Israel. Esse nome ocorre cerca de 5.321 vezes no Antigo Testamento e era considerado sagrado, ao ponto de não ser pronunciado pelo povo de Deus do AT. Por isso, esse nome passou a ser usado como Adonai (Senhor) que no Novo Testamento é kyrios. Esse nome enfatiza a auto existência imutável de Deus, assegura que Ele está no meio de seu povo e está ligado ao Seu poder para operar em benefício de seu povo e para manter sua aliança com ele.

d. Deus – Esse é o primeiro nome que aparece nas Escrituras em relação a Deus – Gn 1.1. É o termo Elohim que é um plural trinitariano e majestático, isto é, a Deidade triúna é percebida e entendida no uso dessa forma na leitura do AT à luz da revelação do NT, e esse plural de majestade demonstra a grandeza e a supremacia ilimitada de Deus. No NT esse nome é Theos.[4]

A segurança do crente neste mundo está no único Deus verdadeiro,
inigualável, transcendente e salvador!

2. No cuidado de Deus – vv.3-8 – a ênfase aqui está em coisas que acontecem com o cristão sem motivo aparente. Aqui, como em outras partes da Bíblia, “a promessa não é de segurança contra, mas de segurança em”[5].

O salmista demostra firme confiança no caráter e cuidado de Deus, nesses oito versos, evidenciando três resultados da proteção divina para o seu povo: 1º) segurança amplavv.1-4; 2º) segurança constantevv.5, 6; e 3º) segurança pessoalvv.7, 8.

II. As bênçãos da segurança do crente são a proteção e o amor de Deus – vv.9-16

1. Proteção de Deus – v.9-13 – Esses versos ressaltam os perigos encontrados no dia a dia da vida cristã – “... para que te guardem em todos os teus caminhos” (v.11b) – e o tipo de proteção divina para esses perigos: v.9proteção espiritual, v.10proteção familiar, v.11, 12proteção angelical – (conf.: Hb 1.14) e v.13proteção contra as forças do mal.

2. Amor de Deus – v.14-16 – vemos o amor de Deus em ação pelo seu povo, aqui, em oito promessas: 1ª) v.14bresgate, ação interventora; 2ª) v.14csegurança, fora do alcance do perigo; 3ª) v.15bresposta à oração; 4ª) v.15ccompanheirismo na necessidade; 5ª) v.15dlivramento de perigos constantes; 6ª) v.15eprova de inocência; 7ª) v.16arealização pessoal; e 8ª) v.16b – alegria da salvação. Uma coisa que chama a atenção é que “as promessas partem de uma ação de salvamento inicial e vão até o pleno gozo da salvação, cobrindo todas as necessidades intermediárias[6].

Concluindo

Outra coisa a observar, também, é que na Bíblia, Deus faz promessas incondicionais e promessas condicionais. As promessas que acabamos de ver, tem condições e elas são: 1ª) v.14a – Porquanto tão encarecidamente me amou... – amor que faz querer estar junto do Amado; 2ª) v.14d – ... porque conheceu o meu nome... – viver com o Senhor à luz do que ele revelou sobre si mesmo; e 3ª) v.15a – Ele me invocará... – comunhão, oração.

Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 08/09/13


[1] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 750.
[2] Carson, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, 2009, p. 826.
[3] Ibid., p.825.
[4] Ryrie, Charles Caldwell. Teologia Básica, Editora Mundo Cristão, 2004, p. 46, 53-58.
[5] Carson, p. 826.
[6] Carson, p. 826.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O Princípio Bíblico da Frutificação

João 15.1


Um dos mais belos ensinos do NT é o da união espiritual do pecador remido com o Salvador Jesus Cristo. Somente através desta união os crentes tem acesso aos benefícios da obra salvadora de Jesus. Essa união “possui cinco características básicas: 1ª) É uma união orgânica similar à de um corpo, onde cada membro serve aos outros e a Cristo – 1Co 6.15-19; Ef 1.22, 23; 2ª) É uma união vital e transformadora, em que Cristo habita no crente gerando vida e desenvolvimento espiritual – Rm 8.10; Gl 4.19; 3ª) É uma união pessoal em que cada crente está unido individualmente a Cristo – Jo 14.20; Gl 2.20; 4ª) É uma união mediada pelo Espírito Santo – 1Co 6.17; 2Co 3.17, 18; 5ª) É uma união que exige reciprocidade[1] – Jo 14.4.

Esse ensino foi proferido por Jesus enquanto, ele e os onze discípulos, saiam do cenáculo (Jo 14.31), onde celebraram a Páscoa e foi instituída a Ceia do Senhor. É possível que Jesus e seus discípulos estivessem passando por uma vinha, rumo ao Jardim do Getsêmani, e assim ele usou a imagem da videira, que todo judeu conhecia bem, pois o cultivo dos vinhedos na região naquela época era comum.

No AT, essa metáfora da videira é comumente usada como símbolo de Israel. Mas Israel fracassou em produzir bons frutos e foi julgada por Deus, o agricultor – Conf.: Sl 80.8-16; Is 5.1-7; 27.2-6; Jr 2.21; 12.10; Ez 15.1-8; 17.1-21; 19.10-14; Os 10.1, 2.

O significado da metáfora da videira e os ramos se torna claro quando consideramos os personagens do drama daquela noite. Todos os personagens tiveram uma participação na metáfora utilizada por Jesus, observe: 1º) A videira – Jesus; 2º) O agricultor – Deus, o Pai; 3º) O ramo frutífero – os onze discípulos; e 4º) O ramo infrutífero – Judas Iscariotes.

Para compreendermos melhor o texto de João 15.1, 2a, vamos dividi-lo em três partes: 1ª) A videira – v.1a; 2ª) O agricultor/viticultor – v.1b; 3ª) Os ramos – v.2.

I. A videira – v.1a

1. Eu sou... – essa é a última das sete afirmações de Jesus sobre a sua divindade em João – 6.35; 8.12; 10.7, 9; 10.11, 14; 11.25; 14.6.

2. ... a videira... – Jesus usou essa metáfora para esclarecer e estabelecer um contraste com Israel, “a vinha plantada por Deus que provou ser estéril (Is 5.1-7)”[2]. Deus, no ensino de Jesus, “começa algo novo. Ele planta Jesus, seu próprio Filho, no mundo, como videira verdadeira, fundando com isso uma nova comunidade eclesial, que tem o privilégio de tornar-se o que Israel deveria ter sido e não se tornou: uma videira que traz muito fruto e dessa forma glorifica a Deus (v. 8)”.[3]

3. ... verdadeira... – a palavra verdadeira, aqui, significa: original, genuína ou a original, da qual todas as outras são cópias. Em Jesus se encontra “vida, unidade e fertilidade. Ele é a raiz que sustenta, floresce e frutifica a videira”[4]. “Tudo o que uma videira deveria ser no sentido espiritual. Cristo não é simplesmente a raiz ou o tronco, mas toda a planta”[5].

II. O agricultor/viticultor – v.1b

Nessa “ilustração que Jesus está fornecendo de si mesmo não podemos ignorar que no começo e no fim está Deus, como o viticultor. É o Pai quem planta a videira, é o Pai quem limpa as vides, é o Pai quem deve ser glorificado por meio da videira e do fruto”[6].

1. ... meu Pai... – Jesus, em suas afirmações sobre a sua divindade, sempre enfatizou a figura do Pai – Lc 2.49; Mt 11.27; Jo 10.29, 30; 14.9, 20, 23; 26; 28; 31. Jesus, também, enfatizou que Deus é Pai de seus seguidores – Mt 5.48; 6.8, 9.

2. ... é o agricultor. – aqui Deus é identificado como aquele que cuida da videira. Essa figura mostra quão estreito é o relacionamento entre Jesus e o Pai.

III. Os ramos – v.2

Na videira, segundo Jesus, há dois tipos de ramos – os que dão frutos e os que não dão frutos.

1. Os ramos que dão frutos – no contexto imediato são os onze discípulos, mas no contexto global abrange todos os crentes genuínos. Aqueles que já estão limpos pela Palavra – Jo 15.3; Ef 2.8-10.

2. Os ramos que não dão frutos – no contexto imediato é Judas Iscariotes, mas no contexto global todos os que que nunca se converteram e os apostatas. Jesus chamou esses de joio no meio do trigo – Mt 13.36-43; 1Jo 2.19. É alguém como Judas, que apesar de se beneficiar da companhia de Jesus, de ter os seus pés lavados pelo próprio Filho de Deus, o traiu e apostatou do ministério apostólico.

ConcluindoO princípio da frutificação está em que a videira tem que ser a verdadeira – Jesus, o agricultor tem que ser Deus – o Pai, e o ramo tem que ser um crente verdadeiro – uma nova criatura. (2Co 5.17)


[1] Casimiro, Arival Dias. Estudos Bíblicos no Evangelho de João, Z3, p. 27.
[2] Comentário Bíblico Moody. João, p. 87.
[3] Boor, Werner de. Evangelho de João I, Comentário Esperança, Editora Evangélica Esperança, 2002, p. 213.
[4] Casimiro, p. 28.
[5] Moody, p. 88.
[6] Boor, p. 213.