sábado, 8 de dezembro de 2012

Reconhecimento e Intercessão


Salmo 119.73-80

Na semana passada, expomos a nona estrofe do Salmo 119, 119.65-72, que começa com a nona letra do alfabeto hebraico Teth e significa “bolo de pão ou pacote”. Esta letra era usada para indicar o numeral 9. Era também usada para, em combinação com outras letras, representar os numerais de 15 a 19. Normalmente é transliterada como a letra “t” em português. Nosso tema foi “Desfrutando da bondosa disciplina do Senhor”.

Nossa estrofe de hoje do Salmo 119 é 119.73-80, que começa com decima letra do alfabeto hebraico Yode e significa “mão”. Era usada para indicar o numeral 10 e normalmente era transliterada como a letra Y em português e soa como a letra i.

Esta estrofe “trata especialmente da avaliação do mundo do ponto de vista interior: discernimento e aprendizado (73), confiança no futuro (74), conhecimento (75), consolo (76), prazer (77), meditação (78) e um coração irrepreensível (80), isto é, um ser interior no qual todas as capacidades são perfeitamente integradas em torno da palavra”.[1] A estrofe mostra a oração, o alvo e o compromisso do salmista, mesmo em tempos de aflição e sofrimento – vv.75, 78.

Nosso tema de hoje é: Reconhecimento e Intercessão

I. Reconhecimento – vv.73-75

1. v.73a – do modo maravilhoso como Deus criou o ser humano (Salmo 139.14-17).

2. v.74 – da bondade divina, na alegria dos que testemunham a recuperação promovida pelo Senhor. (v.75b)

3. v.75 – da justiça e retidão do Senhor em sua ação restauradora, quando bondosamente disciplina seus filhos (vv.67, 68, 71)

II. Intercessão – vv.73b, 76-80

1. v.73b – ... ensina-me... – um pedido de discernimento “a capacidade de enxergar o cerne da verdade de Deus”[2].

2. v.76 – por consolo, pela bondade de Deus, exclusivamente pela Palavra do Senhor.
Conf.: Romanos 15.4-6; 2Coríntios 1.3-7.

3. v.77 – pela presença constante da compaixão divina, no equilíbrio da Palavra de Deus, que traz satisfação interior.

4. v.78 –  pelo exercício da plena justiça de Deus.
v.78b – a meditação na Palavra de Deus ajuda na imparcialidade na hora do julgamento, quando nos achamos injustiçados.

5. v.79 – por companheirismo, comunhão e compromisso daqueles que temem a Deus.

6. v.80 – por um coração irrepreensível segundo a Palavra do Senhor, isto é, uma disposição interior onde “todas as capacidades são perfeitamente integradas em torno da palavra”[3] de Deus.
v.80b – assim o temor do fracasso se transforma na convicção do sucesso na busca da excelência da vida na perfeição da Palavra de Deus.

Concluindo

Nunca e cedo ou tarde demais para nos alegrarmos diante do Deus da nossa salvação, para orarmos por nós e pelos outros, para dar graças a Ele, pelo que é, e pelo que tem feito por nós! No Novo Testamento, em 1Tessalonicenses 5.16-22, o apóstolo Paulo enfatiza e recomenda isso e muito mais:

“Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não apagueis o Espírito.
Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom;
abstende-vos de toda forma de mal.”

Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 09/12/12




[1] D. A. Carson, Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, pg. 860.
[2] Ibid., pg. 860.
[3] Ibid., pg. 860.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Promessas Cumpridas (1)


Gênesis 2.4-4.26

Introdução

Em nossa introdução ao estudo da profecia bíblica vimos que ela tem dois significados, um mais abrangente – “tudo que Deus tem a dizer para Suas criaturas racionais pela Bíblia”, e um mais especifico – a profecia como predição de Deus, ou seja, “as revelações que nos permitem saber o que vai acontecer, isto é, a habilidade de Deus, com a Escritura, de prever o futuro que está em quase um terço da Escritura”.

Vimos também que, quase todas as profecias preditivas falam sobre o povo de Israel e a vinda do Messias, Jesus Cristo. Em Isaías 43.10, 11 vimos que a profecia declara o plano de Deus de antemão. E o propósito é que nós todos possamos conhecê-lo, crer nEle e entender que somente Ele é Deus.

Olhando a profecia deste modo, afirmamos que: “Deus é o Deus da Profecia. Ele é também o Deus da nossa salvação; e a Profecia sublinha e aponta para a salvação. Israel foi escolhido por Deus para o propósito primário de trazer o Messias ao mundo”[1] “... para que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3.17).

Ao estudarmos as profecias ou promessas da 1º vinda de Jesus Cristo, ou a sua encarnação, consideramos que a “sua vinda ao mundo nada teve de casual, e nem mesmo de inesperada. O plano divino da encarnação tinha sido, desde os primórdios da raça humana, anunciado de muitas formas e maneiras, por intermédio de muitas pessoas inspiradas diretamente pelo próprio Deus”[2].

Assim, em nosso primeiro estudo, tratamos da preexistência de Cristo, defendendo que a preexistência de Cristo significa que ele existia antes de nascer, e não somente isso, mas que ele existia antes da criação e antes do tempo.[3] Estudamos o assunto em três pontos: (1º) as evidências da preexistência de Cristo, (2º) a eternidade do Cristo pré-existente, e (3º) as atividades do Cristo pré-existente. Concluímos com Gálatas 4.4, afirmando que “quando as precisas condições religiosas, culturais e politicas exigidas pelo seu plano (plano de Deus) perfeito haviam atingido o auge, Jesus veio ao mundo”[4], e que o fato de o Pai ter enviado seu filho, Jesus, “ao mundo ensina a respeito de sua preexistência como o eterno membro da trindade!”.[5]

Hoje, começando pela primeira promessa em Gênesis 3.15, vamos estudar as promessas de Deus para a vinda do Salvador no Antigo Testamento e seu cumprimento na história do Novo Testamento.

O texto de Gênesis 2.4-4.26, “descreve três etapas em que a sociedade humana se degenerou de sua perfeição apresentada”[6] em Gênesis 1.31: 1º) O desafio ao mandamento divino – Gn 3.6; 2º) O primeiro assassinato – Gn 4.8; e 3º) A vingança 77 vezes maior realizada por Lameque – Gn 4.24. Essa passagem nos ajuda a entender e explicar os efeitos do pecado de forma simples, mas ao mesmo tempo profunda.

Observemos o texto do seguinte modo: 1º) A criação e o Criador – Gn 2.4-24; 2º) A mais triste passagem da Bíblia – Genesis 3.1-24; e 3º) As consequências da queda na humanidade – Gênesis 4.1-26; 4º) A primeira promessa do salvador – Gn 3.15.

I. A criação e o Criador – Genesis 2.4-24

1. Gênesis 2.4 – Esta é a gênese dos céus e da terra quando foram criados, quando o SENHOR Deus os criou.

a.    Aqui o texto volta à situação antes da humanidade ser criada – 1.1-25.

b.   A expressão “Senhor Deus” revela duas coisas importantes sobre Deus em sua ação criadora e seu relacionamento com a humanidade.

Primeira – o termo “Deus” que se refere a Deus como o Criador e que é usado no capítulo 1 de Gênesis e em toda a vez que a Bíblia fala sobre a criação – Gn 1.1-2.3.

Segunda – o termo “Senhor” que se refere ao nome pessoal de Deus (YHWH – Yahweh – Javé) revelado a Israel (Êxodo 3.14; 6.13) e que se encontra 6.823 vezes no texto do Antigo Testamento e está associado à sua santidade e à sua bondosa providência de salvação – Levítico 11.44, 45; Isaías 53.1, 5, 6, 10.

Assim fica claro para nós, que Deus é tanto criador dos céus e da terra, como da humanidade com que mantinha e providenciou meios para continuar em comunhão.

2. Gênesis 2.5-7 – Por meio dessa passagem temos os detalhes da criação do primeiro homem e de modo implícito “que as pessoas são, por natureza, mais que matérias, também possuem um elemento espiritual soprado por Deus”[7].

3. Gênesis 2.8-17 – Temos aqui, outra vez, ressaltado o interesse de Deus nas necessidades humanas, coisa que já tinha sido mencionado em Gn 1.29. Também observamos duas coisas importantes:

a.    Primeira – Tudo o que havia no jardim aponta para o que havia de mais importante ali – a presença de Deus!

b.   Segunda – as duas árvores: (v.9)

v.9b – A árvore da vida, “uma árvore real com propriedades especiais de sustentar a vida eterna”[8] ou que proporciona vida eterna e que um dia também estará nos novos céus e na nova terra – Ap 22.2.

v.9c – A árvore do conhecimento do bem e do mal – o fruto dessa árvore foi proibido para consumo, por que a sabedoria ou conhecimento obtido pela ingestão desse fruto conduziria o ser humano a ser independente de Deus, enquanto a verdadeira sabedoria começa com o termo do Senhor – Pv 1.7. A árvore “serviu de teste de obediência e pela qual nossos primeiros pais foram tentados, se eles obedeceriam ou desobedeceriam a Deus”[9].

4. Genesis 2.18-24 – Por essa linda passagem temos os detalhes da criação da mulher, sem a qual o homem não estaria completo. A expressão “uma auxiliadora que lhe seja idônea” seria melhor traduzida por “ajudadora que o complemente”, isto é, que supra o que lhe falta. Ela é a costela que falta a ele.

a. Enquanto vemos em Gn 1.28 o destaque na importância da procriação, em Gn 2.20-24 temos destaque na natureza do amor e companheirismo na união do homem com a mulher.

II. A mais triste e mais esperançosa passagem da Bíblia – Genesis 3.1-24

Temos aqui a mais triste passagem da Bíblia, quando a “harmonia inocente do Éden foi, arruinada com a entrada do pecado”[10]. A desobediência de Adão e Eva, por serem eles os pais da raça humana inteira, teve as mais graves consequências que afetou toda a humanidade.

A história da queda é a explanação da Escritura sobre o pecado e os males que prejudicaram a sociedade, corromperam os relacionamentos pessoas, interpessoais e internacionais, e nos condenou a morte física e espiritual.

Esse capítulo faz uma abordagem sobre a tentação – 3.1-6; o impacto do pecado no relacionamento do homem com Deus e com outras pessoas – 3.7-13; o registro do juízo divino e o impacto do pecado na própria natureza humana – 3.14-20; e a expulsão de Adão e Eva do Éden – 3.21-24.

III. As consequências da queda na humanidade – Gênesis 4.1-26

As consequências da queda agora se mostram nos descendentes de Adão e Eva: 1) Caim mata seu irmão Abel – 4.1-18; 2) Lameque quebra a monogamia estabelecida por Deus e estabelece a bigamia casando-se com duas mulheres – 4.19-22; Lameque tenta justificar o homicídio que cometeu, tornando clara a inclinação pecaminosa da sociedade – 4.23, 24. Assim percebemos que a sociedade estava se esfacelando e pronta para o juízo divino.

Mas, apesar disso, Adão e Eva reestruturam suas vidas e tem outro filho a quem põem “o nome de Sete porque, disse ela, Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou. A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos; daí se começou a invocar o nome do SENHOR.” (vv.25, 26)

Agora, com a compreensão correta da criação, do Criador e do homem e sua queda, voltemos para a promessa de Deus sobre o Salvador, Jesus Cristo.

IV. A primeira promessa do salvador – Gn 3.15

Observamos aqui, que a misericórdia de Deus alcança o homem antes de puni-lo por sua transgressão. O Salvador foi prometido antes da promulgação das maldições oriundas do pecado.

Temos, também, aqui, um principio que é norteador para compreendermos a obra de Cristo e nos identificarmos com sua pessoa: O Descendente da mulher, Cristo, esmagaria a cabeça da antiga serpente, Satanás (conf.: Ap 12.9), e este lhe feriria o calcanhar, já apontando para o sofrimento e martírio do Messias. Esta é a primeira alusão à primeira vinda do Cristo.

Poderíamos chamar esse texto de o primeiro Evangelho, profético é claro, “e se refere à luta e ao respectivo resultado entre “a sua descendência” (Satanás e os descrentes, que são chamados de filhos do diabo em Jo 8.44) e “o seu descendente” (Cristo, descendente de Eva, e aqueles que estão nele)... Cristo, que mais tarde derrotaria a serpente. Satanás apenas conseguiria ferir o calcanhar de Cristo (fazê-lo sofrer), enquanto Cristo esmagaria a cabeça de Satanás (destruí-lo com um sopro fatal)”[11].

Durante todo o Antigo Testamento, o fio condutor que liga os diferentes livros e os torna uma impressionante unidade é a promessa da vinda do Messias (o Ungido), Salvador.

O cumprimento literal dessa primeira promessa encontrasse no Novo Testamento, quando é narrado o nascimento, a vida, o sofrimento, o sacrifício, a morte e a ressurreição de Jesus!

Concluindo – Gálatas 4.4, 5 deixa isso bem claro – “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.

Pr. Walter Almeida Jr
CBL Limeira - Dez de 2012


[1] T. A. MacMahon – TBC – http:/www.chamada.com.br
[2] Oliveira, Kelson Mota T. – Cristologia – A Pessoa e a Obra de Nosso Senhor Jesus Cristo, pg. 1.
[3] Ryrie, Charles C. – Teologia Básica ao alcance de todos, pg. 273.
[4] John MacArthur, Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1592.
[5] Ibid., p. 1592.
[6] D. A. Carson, Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, pg. 103.
[7] Ibid., pg. 104.
[8] John MacArthur, Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 19.
[9] Ibid., p. 19.
[10] D. A. Carson, pg. 104.
[11] MacArthur, p. 21, 22.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Lições Importantes do Ministério de Paulo para os nossos Ministérios Hoje


                 (Sermão Pregado na Posse do Pr. Jeferson na PIBL Araras – 02 de dezembro 2012)
Atos 20.17-38
(testemunho, ensino e recompensa)

Introdução

Sem dúvida alguma o livro de Atos dos Apóstolos é um dos mais importantes do Novo Testamento. Seu primeiro título foi “Atos”, depois é que foi acrescentado “dos Apóstolos”, isso porque a palavra grega traduzida por atos é (praxeis) praxeis” e era usada para descrever as realizações de grandes homens o que, de fato, o livro de Atos dos Apóstolos faz, retratando personagens notáveis dos primeiros anos da igreja.
                          
É o segundo livro escrito por Lucas, que era médico e da equipe do apóstolo Paulo, a partir de sua segunda viagem missionária – observar as várias passagens em que aparece a expressão nós – Atos 16.10-17; 20.5-16; 27.1-26. O próprio Paulo testifica a amizade e companheirismo de Lucas em Colossenses 4.14; 2 Timóteo 4.11; Filemom 24. “Os escritos dos primeiros pais da igreja, tais como Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Orígenes, Eusébio e Jerônimo afirmam a autoria de Lucas, e o mesmo acontece com o Cânon Muratoriano (170 d.C.)”[1].

Lucas, além de médico, “foi pesquisador esmerado e historiador minucioso, demonstrando conhecimento profundo das leis e dos costumes romanos, bem como da geografia da Palestina, da Ásia Menor e da Itália”[2]. Ao escrever Atos, usou fontes escritas (Atos 15.23-29; 23.26-30) e entrevistas feitas, sem dúvida, entre os apóstolos e irmãos da época – “... conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra...” (Lucas 1.2; Atos 1.1).

“Lucas e Atos parecem ter sido escritos praticamente ao mesmo tempo, Lucas primeiro e Atos depois. Combinados, eles compõem um relato em dois volumes endereçados a Teófilo, apresentando uma história abrangente da fundação do Cristianismo, que vai do nascimento de Cristo à prisão domiciliar de Paulo em Roma”[3].

O primeiro livro escrito por Lucas foi o Evangelho de Jesus Cristo Segundo Lucas, que ele começa assim:

Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído.
Lucas 1.1-4

O segundo livro, que é o que estamos tratando, Atos dos Apóstolos, começa assim:

Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas.
Atos 1.1, 2

Esses dois textos sugerem o seguinte: 1º) A obra de Lucas em dois volumes narra dois estágios do único ministério de Jesus; 2º) Atos é uma continuação dos atos e ensinos de Jesus, por meio dos apóstolos e da Igreja e; 3º) A ascensão de Cristo é o fato que separa os dois estágios, o qual encerra o ministério terreno de Jesus e inicia o seu ministério celestial.

Sobre esse Teófilo sabe-se pouco, provavelmente um alto funcionário do governo romano. Seu nome significa “amigo de Deus”. O que observamos aqui é uma preocupação pastoral de Lucas pelo “bem estar espiritual de Teófilo, que precisava de mais instrução sobre a pessoa, o ensino e a obra de Jesus”[4].

Segundo Arival Dias Casimiro, além de outros propósitos que podem ser apresentados, o livro tem dois propósitos relacionados a missões: 1º) O de motivar o crescimento da igreja e; 2º) o de oferecer aos cristãos um manual de missões[5].

Esse livro, além de seu valor histórico, “tem um valor teológico e prático permanentes para os cristãos de todas as épocas”[6].

Se observarmos os princípios contidos no livro de Atos, entenderemos “que a obra de Deus é feita pelo poder de Deus, com os recursos de Deus e dentro da metodologia de Deus”[7].

John MacArthur diz que “Atos é pródigo em transições: do ministério de Jesus para o ministério dos apóstolos; da antiga aliança para a nova aliança; de Israel como nação para a Igreja (composta tanto de judeus quanto de gentios) como povo testemunha de Deus”[8].

Para Carlos Osvaldo, “Atos talvez seja o melhor exemplo no Novo Testamento da multiplicidade de propósitos de uma obra”[9]. Seus propósitos sejam eles, apologéticos, teológicos ou didáticos, são enfatizados pelos estudiosos de acordo com sua abordagem específica.

“O tema central do livro de Atos é o progresso da mensagem do Reino das ruas estreitas de Jerusalém no começo da década de a.D. 30 às colinas abafadas de Roma no verão de a.D. 60. Este livro trata das forças, humanas e sobrenaturais, que permitiram que o Evangelho de Jesus Cristo atingisse o centro do Império Romano em menos de uma geração”[10].

Atos dos Apóstolos tem sido esboçado de diversas maneiras com fins pedagógicos. Um esboço que gosto de usar e sugerir, com algumas adaptações, é o de Carlos Osvaldo, que fez uma opção “por uma divisão do livro em duas partes, observando os seus limites racial-geográficos, com os doze primeiros capítulos tratando do crescimento do evangelho no mundo judaico ou palestiniano, e os últimos dezesseis descrevendo o mesmo fenômeno no mundo gentílico”[11].

Assim, os pontos principais do esboço do livro seriam:

1º) A mensagem soberana do reino proclamada no mundo judaico – 1.1-12.24
2º) A mensagem soberana do reino proclamada no mundo gentílico – 12.25-28.31

O texto que lemos e que vamos expor, rapidamente, hoje, está dentro do segundo ponto do esboço principal do livro. Olhemos agora o capítulo 20 de Atos:

Primeiro 20.1-3Fala sobre o ministério de Paulo na Macedônia e na Acaia, que segue sua estratégia de confirmar igrejas previamente estabelecidas e fazê-las participar de seus planos.

20.1, 2a – Paulo encorajou os crentes na Macedônia;

20.2b-3a – Paulo permaneceu em Corinto por três meses;

20.3b – Uma tentativa judaica de assassinar Paulo, o que fez com que ele decidisse iniciar a viagem para Jerusalém por terra, e não por mar.

Segundo20.4-38 Temos a descrição do ministério de Paulo a caminho de Jerusalém destacando a sua autoridade apostólica e a sua dedicação à orientação que recebera do Senhor.

20.4, 5 – Os seus companheiros na viagem eram representantes de diversas igrejas regionais, que estavam encarregados de levar o dinheiro das ofertas para os pobres da Judéia.

20.6-13 – O ministério de Paulo em Trôade revela seu poder apostólico e seu compromisso com a edificação dos irmãos.

20.14-35 – O ministério de Paulo aos presbíteros da igreja de Éfeso, em Mileto, revela sua filosofia de ministério e sua preocupação com o bem-estar espiritual da igreja.

     20.14-16 – Paulo convocou os presbíteros a Mileto para não correr o risco de demorar em Éfeso.

     20.17-21 – Ele faz uma recapitulação de sua filosofia de ministério durante seu tempo em Éfeso.

    20.22-24 – Ele reafirma o seu compromisso em fazer a vontade de Deus ao viajar para Jerusalém sob a direção do Espírito Santo.

     20.25-27 – Ele recorda a abrangência de seu ensino como a base para sua paz de espírito quanto ao destino espiritual de seus ouvintes.

    20.28-31 – Ele aconselha aos presbíteros a se apoiarem e se ajudarem mutuamente, e a protegerem a igreja, como pastores, com muito cuidado por causa do possível surgimento futuras de heresias.

    20.32-35 – Ele encomenda os presbíteros à graça de Deus com uma exortação a um ministério autossustentado e sacrificial.

    20.36-38 – E, por fim, temos a calorosa despedida dos presbíteros e Paulo, e um contraste entre essa manifestação afetuosa e as intenções assassinas dos judeus em relação a sua pessoa.

Bem, que lições poderemos aprender deste texto sobre o ministério de Paulo? Creio que três lições importantes estão claras aqui para nós, hoje: 1º) A lição do testemunho no ministério cristão; 2º) A lição do ensino no ministério cristão; e 3º) A lição da recompensa do ministério cristão.

I. A lição do testemunho no ministério cristão – vs. 18-21

Quem foi e quem se tornou Paulo? Em Atos 22.1-15 temos uma síntese de sua vida!

C.E. Macartney escreve:

"O mais amargo inimigo tornou-se o maior amigo. A mão que escrevia a acusação dos discípulos de Cristo, levando-os à presença dos magistrados e para a prisão, agora escrevia epístolas do amor redentor de Deus. O coração que bateu de júbilo quando Estevão caiu sobre as pedras sangrentas, agora se regozijava em açoites e apedrejamentos por amor de Cristo. Do outrora inimigo, perseguidor, blasfemador proveio a maior parte do Novo Testamento, as mais nobres declarações de teologia,  os mais doces poemas de amor cristão" (J.O. Sanders, p.28).

Em que consistiu o testemunho de Paulo em Éfeso?

1. v.18 – em seu procedimento piedoso – “... Vós bem sabeis como foi que me conduzi entre vós em todo o tempo...”

2. v.19a – em humildade – “... servindo ao Senhor com toda a humildade...”

3. v.19b – em quebrantamento – “... lágrimas e provações...”

4. vs.20 –  verbalmente (na pregação e no ensino) – “... jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa...”

O procedimento piedoso, a humildade, o quebrantamento diante das provações e o testemunho verbal na pregação e ensino de Paulo tinham um objetivo comum: testificar “... tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo”. (v.21)

II. A lição do ensino no ministério cristão – v.20, 22-27

Paulo é claro aqui: “... jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa...” (v.20).

Temos aqui duas coisas importantes feita por Paulo: 1ª) ... jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa... – isto é, a pregação da mensagem da cruz ou o plano da salvação; e 2ª) ... e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa... – ou seja, o ensino sistemático da mensagem da cruz e suas implicações ou doutrina para crescimento e edificação.

Jesus em seu ministério, comunicou aos seus discípulos e aqueles que comissionou para apóstolos, um pacote completo de ensinamentos e ordenou-lhes expressamente que ensinassem todas as coisas que eles tinham aprendido com ele. Escute as palavras de Jesus: (Mateus 28.19, 20)

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Paulo fez justamente isso, escute o que ele disse no v.27 – “... jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus.”

v.22, 23 – Por isso ele, Paulo, estava tranquilo para continuar sua viagem, mesmo sabendo que as circunstancias e o que o esperava era um tempo de tribulação.

Escute sua declaração de clássica de filosofia de ministério – v.24: Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.

Qual era o objetivo do ministério didático de Paulo? “... o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus. Portanto, eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos; porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus”. (vv.24b, 26, 27)

John MacArthur diz que ... todo o desígnio de Deus... foi “todo o plano e propósito de Deus para a salvação do ser humano nos mínimos detalhes: as verdades divinas da criação, eleição, redenção, justificação, adoção, conversão, santificação, vida santa e glorificação”[12].

III. A lição da recompensa no ministério cristão – vv. 28-35

1. vv.28-31 – temos aqui, da parte de Paulo, uma advertência oportuna, que se provou correta por acontecimento posteriores em Éfeso – 1Tm 1.3-7; 19-20; 6.20-21. Falsos mestres já estavam, realmente, atuando nas igrejas da Galácia e Corinto – Gl 1.6; 2Co 11.4.

a. v.28 – Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.

Atendei – um chamado a auto avaliação do ministério. A ênfase aqui está na responsabilidade dos líderes de vigiarem e protegerem a igreja, não uma comunidade qualquer, mas a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.

b. v.31 – Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um.

Paulo, agora, diz lembrem-se de como foi meu modo de vigiar e proteger a igreja de Deus ... por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um.

2. vv.32-35 – Paulo, agora, fala da recompensa ministerial de quem recebeu o chamado para servir ao Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações... ... jamais deixando de anunciar coisa alguma proveitosa e de ensinar publicamente e também de casa em casa, testificando o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.  Em nada considerando a vida preciosa para si mesmo, contanto que complete a carreira e o ministério que recebeu do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus. Pregando o reino. Jamais deixando de anunciar todo o desígnio de Deus. No tempo que for necessário, noite e dia, não cessando de admoestar, com lagrimas, a cada um.  (vv.19-21, 24, 25, 27)

a. Que recompensa?

1ª) Edificação pela palavra da graça de Deus – v.32a
2ª) Herança entre todos os que são santificados – v.32b
3ª) Bem-aventurança da doação – dar – v.35

Escute o que Paulo disse em 2 Timóteo 4.6-8:

Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.

Concluindo – vv.36-38 – Vamos orar!

Vamos orar para que a lição do testemunho, do ensino e da recompensa do ministério de Paulo e dos pastores de Éfeso, seja uma realidade em nossos ministérios hoje!

O texto diz (36-38)

Tendo dito estas coisas, ajoelhando-se, orou com todos eles. Então, houve grande pranto entre todos, e, abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam, entristecidos especialmente pela palavra que ele dissera: que não mais veriam o seu rosto.
E acompanharam-no até ao navio.


Pr. Walter Almeida Jr.
CBL  Limeira  - SP




[1] John MacArthur, Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1433.
[2] Ibid., p. 1433.
[3] Ibid., p. 1315
[4] Arival Dias Casimiro, Plante Igrejas, p. 18.
[5] Ibid., p. 21.
[6] Ibid., p. 17.
[7] Ibid., p. 8
[8] MacArthur, p. 1434.
[9] Carlos Osvaldo Cardoso Pinto, Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento, Hagnos, 2008, p. 188.
[10] Ibid., p. 191.
[11] Ibid., p. 191
[12] MacArthur, p. 1473.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Desfrutando da bondosa disciplina do Senhor


Salmo 119.65-72

Introdução

Na semana passada, expomos a oitava estrofe do Salmo 119, 119.57-64, que começa com a oitava letra do alfabeto hebraico Hêt e significa “cerca”. Esta letra é também usada para indicar o numeral 8. Normalmente é transliterada como a letra “h ou ch” em português. Nosso tema foi Plena satisfação em Deus por sua Palavra.

Nossa estrofe de hoje do Salmo 119 é 119.65-72, que começa com a nona letra do alfabeto hebraico Teth e significa “bolo de pão ou pacote”. Esta letra era usada para indicar o numeral 9. Era também usada para, em combinação com outras letras, representar os numerais de 15 a 19. Normalmente é transliterada como a letra “t” em português.

Nosso tema de hoje é: Desfrutando da bondosa disciplina do Senhor

O salmista, aqui, mostra a correção do Senhor em sua jornada de fé e busca da excelência da vida na Palavra de Deus, com base no que Ele é, especificamente em Sua bondade manifestada, mesmo quando está usando de disciplina com os seus filhos. Então, a estrofe, mostra como os filhos de Deus podem desfrutam da bondade dele, na sua Palavra, mesmo em períodos de aflições corretivas.

Deus é um Pai zeloso e corrige seus filhos de maneira especial, quando estes estão se desviando de sua vontade e de seus caminhos. Ele usa, além de outras coisas, as aflições da vida para disciplina-los e traze-los de volta para os seus santos caminhos pela direção de sua Santa Palavra.

Assim, a estrofe pode ser dividida do seguinte modo: 1º) A bondosa disciplina do Senhor é para o nosso bem – vv.65-67; 2º) A bondosa disciplina do Senhor é para os seus filhos – vv.68-70; e 3º) A bondosa disciplina do Senhor ensina o valor de sua Palavra – vv.71, 72.

I. A bondosa disciplina do Senhor é para o nosso bem – vv.65-67

1. v.65 – a bondosa disciplina do Senhor dispensada para seus servos vem da sua Palavra.

2. v.66 – a bondosa disciplina do Senhor vem pelo ensino dos seus mandamentos, nos quais creem seus servos.

3. v.67 – a bondosa disciplina do Senhor corrige à nossa vida e caminhada, nos trazendo de volta a uma vida de obediência à sua Palavra.

II. A bondosa disciplina do Senhor é para os seus filhos – vv.68-70

1. v.68 – a bondosa disciplina do Senhor abençoa os seus filhos.

2. v.69 – os ímpios – soberbos e mentirosos – vivem sem a disciplina do Senhor. Já os seus filhos, a tem pela sua Palavra que a guardam de todo o coração.

3. v.70 – o coração endurecido dos ímpios não se importam com a vontade do Senhor, mas os seus filhos se alegram na sua Palavra.
III. A bondosa disciplina do Senhor ensina o valor de sua Palavra – vv.71, 72

1. v.71 – a boa disciplina do Senhor abre os olhos de seus servos e lhes ensinam o caminho excelente da obediência.

2. v.72 – quando disciplinado e de volta ao caminho do Senhor, os seus servos reconhecem o valor da Palavra de Deus, mais valiosa do que as riquezas da terra.

Concluindo

Uma coisa que aprendemos também é que, o bem vem do Senhor (65), que é bom (68) e é isso que ele concede aos seus filhos amados, mesmo na hora que a disciplina se faz necessária (71, 72).

A carta aos Hebreus 12.4-13 deixa isso muito claro para todos os filhos de Deus!

Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 02/12/12

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Introdução ao Estudo das Promessas Cumpridas sobre a 1ª Vinda de Jesus Cristo


2 Pedro 1.16-21; Gálatas 4.4

A profecia bíblica tem dois significados:

1º) Em uma definição mais abrangente, refere-se a “tudo que Deus tem a dizer para Suas criaturas racionais. A Bíblia, portanto, como revelação específica de Deus à humanidade, é um livro completamente profético – 2 Pedro 1.19-21. Trata-se da proclamação de Deus acerca das coisas que não poderíamos saber de outra maneira”.[1]

2º) A Profecia como predição de Deus, ou seja, as revelações que nos permitem saber o que vai acontecer. Essa habilidade de prever o futuro está em quase um terço das Escrituras, e é declarada por Deus como sendo a maior prova de que somente Ele é Deus:[2] “... Eu sou Deus e não há outro; Eu sou Deus e não há outro semelhante a mim, que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam...” (Is 46.9-10).

Quase todas as profecias preditivas falam sobre o povo de Israel e a vinda do Messias, Jesus Cristo. Deus, em sua soberania, “declara aos israelitas que eles seriam um sinal para o mundo, glorificando-se a Si mesmo neles e através deles (Is 46.13). Em Isaías 43.10, 11 Deus lhes diz: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador.” Em outras palavras, Deus usará aos judeus e à sua terra como “testemunhas”, tanto para eles mesmos quanto para o mundo. Isso se dá não somente quanto à Sua existência, como também mostrando que Ele está ativamente envolvido em desenvolver a história de Israel e a cumprir Seu propósito para toda a humanidade. A Profecia declara o plano de Deus de antemão. E o propósito é que nós todos possamos conhecê-lo, crer nEle e “entender” que somente Ele é Deus. A Profecia é a prova convincente não apenas da existência de Deus, mas também de que a Bíblia é exatamente o que diz ser, a Palavra de Deus”.[3]

Olhando a profecia deste modo, podemos afirmar que: “Deus é o Deus da Profecia. Ele é também o Deus da nossa salvação; e a Profecia sublinha e aponta para a salvação. Israel foi escolhido por Deus para o propósito primário de trazer o Messias ao mundo[4] “... para que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3.17).

Ao nos prepararmos para estudar as profecias ou as promessas da 1º vinda de Jesus Cristo, ou a sua encarnação, temos que considerar que a “sua vinda ao mundo nada teve de casual, e nem mesmo de inesperada. O plano divino da encarnação tinha sido, desde os primórdios da raça humana, anunciado de muitas formas e maneiras, por intermédio de muitas pessoas inspiradas diretamente pelo próprio Deus[5].

Em nossos estudos, a partir de hoje, vamos considerar as várias promessas relacionadas à sua primeira vinda, bem como o planejamento, antes da fundação do mundo, da encarnação da segunda pessoa da trindade – Jesus Cristo!

Hoje, em nosso primeiro estudo, vamos tratar da preexistência de Cristo. A ideia da preexistência de Cristo significa que ele existia antes de nascer. Também significa que ele existia antes da criação e antes do tempo.[6]

Vamos ver então, (1º) as evidências da preexistência, (2º) a eternidade do Cristo preexistente (pré-encarnado), e (3º) as atividades do Cristo preexistente (pré-encarnado).

I. Evidências da preexistência de Cristo

1. Sua origem celestial – textos bíblicos que afirmam a origem celestial de Cristo, comprovam sua pré-existência – João 3.13, 31-36.

2. Sua obra na criação – se ele estava envolvido na criação, é logico que existia antes dela – João 1.3; Colossenses 1.16; Hebreus 1.2.

3. Seus atributos (qualidades) – Colossenses 2.9 – em Cristo, diz o texto, habita a plenitude da divindade.

4. Seu relacionamento com João Batista – João 1.15, 30 – João Batista reconheceu a existência de Jesus antes dele.

II. A eternidade do Cristo pré-existente (pré-encarnado)

Eternidade não significa, apenas, que Cristo existia antes de seu nascimento
ou mesmo antes da criação, mas que ele sempre existiu.[7]

Se a eternidade de Cristo for negada, automaticamente, pode-se afirmar que não existe a Trindade, Cristo não possui a divindade absoluta, e ele mentiu. Mas, a Bíblia, afirma claramente a eternidade de Cristo.

1. Em seu relacionamento com Deus, o Pai – Hebreus 1.3. O termo grego usado aqui para expressão exata indica que Cristo é a representação exata da natureza ou essência de Deus.

2. Em seus atributos divinos (eternidade) – Miqueias 5.2; Habacuque 1.12; Isaías 9.6.

3. Ele (Cristo) mesmo afirmou sua eternidade – João 8.58.

4. João afirma claramente a eternidade de Cristo – João 1.1. Se o verbo, que é Cristo, era Deus, então, ele é eterno, pois Deus é eterno!

III. As obras do Cristo pré-existente (pré-encarnado)

Em Sua ação com Criador:

1. Ele estava envolvido na criação de todas as coisas – João 1.3; Cl 1.16; Hb 1.2. Isso é uma demonstração de seu poder – “o fato de ser capaz de criar todas as coisas”.

2. Todas as coisas foram criadas por ele – Cl 1.16. Isso é uma demonstração de suas prerrogativas – “o fato de fazer com que a criação servisse aos seus propósitos”.

3. Ele também sustenta a criação – Cl 1.17. Isso é uma demonstração de sua presença constante – “o fato de que continua a sustentar a criação”.

Concluindo

Em nosso texto base, Gálatas 4.4, para os estudos que introduzimos hoje, observamos que no tempo designado por Deus, isto é, “quando as precisas condições religiosas, culturais e politicas exigidas pelo seu plano perfeito haviam atingido o auge, Jesus veio ao mundo”.[8]

Observamos, também, que o fato de o Pai ter enviado seu filho, Jesus, “ao mundo ensina a respeito de sua preexistência como o eterno membro da trindade!”.[9] (Conf.:     Fp 2.6, 7; Hb 1.3-5; Rm 8.3, 4)


Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 28/11/2012



[1] T. A. MacMahon – TBC – http:/www.chamada.com.br
[2] T. A. MacMahon – TBC – http:/www.chamada.com.br
[3] T. A. MacMahon – TBC – http:/www.chamada.com.br
[4] T. A. MacMahon – TBC – http:/www.chamada.com.br
[5] Oliveira, Kelson Mota T. – Cristologia – A Pessoa e a Obra de Nosso Senhor Jesus Cristo, pg. 1.
[6] Ryrie, Charles C. – Teologia Básica ao alcance de todos, pg. 273.
[7] Ryrie, Charles C. – Teologia Básica ao alcance de todos, pg. 274.
[8] John MacArthur, Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1592.
[9] John MacArthur, Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1592.