segunda-feira, 14 de julho de 2014

O amor de Deus

1 João 4.8

Qual é a motivação divina para nos alcançar pela sua graça, como diz a carta a Tito 2.11 – Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens...?

A razão da graça e da vocação de Deus para conosco é o seu amor! O amor é a perfeição de Deus que faz com que ele trate de forma bondosa todas as suas criaturas e de maneira especial os seus eleitos pela fé, que vem pelo ouvir a Palavra de Deus.

Hoje, veremos as características do amor de Deus para conosco, que é um dos seus atributos comunicáveis:

I. O amor de Deus é eterno

Assim como Deus é eterno o seu amor também é! Escute e leia comigo Jeremias 31.3:
De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei;
por isso, com benignidade te atraí.

II. O amor de Deus é incondicional

Efésios 2.4-7 – Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.

2 Tessalonicenses 3.5 – Ora, o Senhor conduza o vosso coração ao amor de Deus e à constância de Cristo.

1 Timóteo 1.14 – Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus.

III. O amor de Deus age

Romanos 5.8 – Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

1 João 3.16-18 – Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.

IV. O amor de Deus é soberano

Assim como Deus é soberano, seu amor também é soberano e isso significa que:

1. Deus decide quando demonstrar o seu amor

1 João 4.9 – Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele.

Gálatas 4.3-6 – Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo; vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!
 
2. Deus decide como demonstrar o seu amor

1 João 5.3 – Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos...

1 João 3.1 – Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo.

3. Deus decide por quem demonstrar seu amor
 
Romanos 9.13 – Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.

Efésios 2.4 – Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou...

Conclusão

E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele.

1 João 4.16

Boletim IBL Limeira - Nº 62 - 13/07/2014

domingo, 6 de julho de 2014

Estudos Expositivos em Hebreus - Introdução

Hebreus 1.1-4
Introdução ao Estudo da Carta aos Hebreus e Jesus Cristo é a Revelação Superior

Introdução

A Carta aos Hebreus foi escrita com o propósito de encorajar os cristãos perseguidos por causa da sua fé no início do cristianismo. Esses destinatários originais eram judeus convertidos que estavam sofrendo agressões físicas e o roubo de seus bens materiais (Hb 10.32-24). Alguns deles, por conta disso, não estavam suportando e já começavam a negligenciar a sua salvação, deixando de crescer espiritualmente, se endurecendo pelo engano do pecado e deixando de congregar-se (Hb 2.1; 3.13; 5.11, 12; 10.25).

O autor de Hebreus exorta aos cristãos a permanecerem na fé cristã, sendo fiéis ao ensino do Evangelho (Hb 13.22), pois as consequências da apostasia são irreversíveis e horríveis (Hb 6.4-8; 10.31).

O estudo da Carta aos Hebreus é relevante, para nós hoje, pelo menos por três razões: 1ª) Por sua relevância teológica – “ela ensina a teologia da pessoa e da obra de Jesus Cristo, como cumprimento do ensino teológico do Antigo Testamento”[1]. “Há 29 citações diretas do AT, além de 53 alusões claras e várias outras passagens”[2]. Ela exorta por meio do ensino bíblico e teológico. Nela Jesus é o Profeta, o Sacerdote e o Rei; 2ª) Por sua relevância pastoral – “ela começa como um tratado, procede como um sermão e termina como uma carta”[3] pastoral. O autor a chama de palavra de exortação (13.22); 3ª) Por sua relevância apologética – a carta defende que Jesus Cristo é superior a tudo e a todos.

Hebreus foi escrita, ao que tudo indica, por evidências internas e externas, no final da década de 60 d.C. Nela não há indicação de autoria e muitas opiniões se tem dado a respeito de quem seria seu autor. Os nomes mais indicados são: Paulo, Apolo, Lucas, Barnabé, Àquila e Priscila, Clemente de Roma e Silas. No seu último capítulo, o das saudações finais, a carta dá três informações importantes sobre sua autoria: 1ª) O autor da carta é um pastor que envia uma exortação escrita para o seu rebanhov.22; 2ª) O autor conhecia Timóteo e mantinha relacionamento fraternal com elev.23; e 3ª) O autor escreveu de Roma ou a seus leitores que residiam em Romav.24.

O tema da carta é “A superioridade de Cristo”. Em seu esboço, a carta, mostra como esse “tema é desenvolvido ao provar que Jesus Cristo é superior tanto em sua pessoa quanto em seu sacerdócio”[4].

Um esboço simples e prático é o usado por Charles C. Ryrie na Bíblia Anotada Expandida: 1) A superioridade da Pessoa de Cristo1.1-4.16; 2) A superioridade do sacerdócio de Cristo5.1-10.39; 3) A superioridade do poder de Cristo11.1-13.25.

Hoje, vamos estudar os vv.1-4 do capítulo 1, com o seguinte tema: Jesus Cristo á a Revelação Superior.

“Revelação é o ato de Deus comunicar a sua existência e a sua vontade aos homens. A Teologia Sistemática ensina que Deus se revela de quatro maneiras”[5]: 1ª) Deus se revela através da criaçãoSl 19.1-6; Rm 1.19-21; 2ª) Deus se revela na consciência dos homensRm 2.14, 15; 3ª) Deus se revela pela Bíblia – 2Tm 3.16; Jo 5.39; 4ª) Deus se revela por intermédio de JesusJo 1.18.

Nas três primeiras formas em que Deus se revela ao homem, ele dá o conhecimento de sua existência, mas, somente por intermédio de Jesus Cristo, ele se dá a conhecer pessoalmente e concede a vida eterna aos homens que nele creem.

Uma coisa que não devemos esquecer é que a revelação divina é progressiva, começa no Antigo Testamento e termina no Novo Testamento. Por isso o autor começa falando do passado até chegar ao presente.

I. No v.1 – seis lições importantes sobre a revelação divina no passado:

1. Quem falou? – v.1a – Deus. Assim o conhecimento que temos de Deus não é por nossa busca pessoal, mas por sua revelação.

2. Quando ele falou? – v.1b – antigamente – Refere-se a todo o tempo de revelação feita antes de Jesus.

3. Quantas vezes ele falou – v.1c – muitas vezes. Literalmente em muitas partes ou porções.

4. Como ele falou – v.1d – de muitas maneiras. Significa usando diversos métodos.

5. Para quem ele falou – v.1e – aos pais. A ênfase aqui é aos primeiros destinatários, ou seja, aos nossos ancestrais começando por Adão.

6. Por quem ele falou – v.1f – pelos profetas. Isso mostra que Deus fez uso do instrumento humano para se comunicar com o ser humano. De Genesis a Malaquias essa comunicação foi escrita como lei, história, salmos, provérbios e profecias. Os escritores da Escritura receberam a revelação de Deus.

II. No v.1 – três destaques importantes sobre a revelação divina por meio de Jesus:

1. Quando ele falou? – v.1 – nestes últimos dias. Esse é o período que começou com a primeira vinda de Jesus e terminará com a sua segunda vinda.

2. A quem ele falou? – v.1 – a nós falou-nos. O alvo dessa revelação são todas as gerações desde a primeira vida de Cristo até a sua segunda vinda. Nós somos esse alvo.

3. Como ele nos falou? – v.1 – pelo Filho. Jesus é superior a todos os profetas que existiram antes dele. Ele é o Filho de Deus que nos trouxe a revelação definitiva e completa.

III. Nos vv.2-4 – a superioridade de Jesus Cristo como profeta.

O autor de Hebreus demonstra quanto à nova revelação está acima da velha, afirmando sete coisas pelas quais o Filho de Deus se mostra superior àqueles por quem Deus falará no passado.

1. v.2a Jesus é o herdeiro de todas as coisas – Sl 2.8; Gl 4.7; Rm 11.36; Cl 1.16; Mt 28.18; Fp 2.6-9.

2. v.2b Jesus é o criador de tudo – Jo 1.2, 3.

3. v.3aJesus é o resplendor da glória de Deus – Jo 1.14.

4. v.3bJesus é a expressão exata da divindade – Jo 1.1; Cl 1.15.

5. v.3cJesus é o sustentador de todas as coisas – Cl 1.17.

6. v.3dJesus é quem nos purifica de todo o pecado – At 2.38.

7. v.3eJesus está assentado à direita de Deus – 1Pe 1.22; Rm 8.34; Hb 4.16.

Concluindo

O autor termina sua argumentação afirmando que Jesus recebeu um nome superior ao dos anjos – v.4. Que nome é esse? Creio que é Senhor (Fp 2.9-11).

Para sermos encorajados a não desistirmos da fé, como os primários leitores da Carta as Hebreus, “precisamos olhar para a superioridade de Jesus. Ele é o Filho de Deus, o profeta, o herdeiro, o criador, o resplendor, o sustentador, o salvador e o Senhor. Ele é incomparável, insuperável e insubstituível”[6].

Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 06/07/2014


[1] Casimiro, Arival Dias. Revista Exposição Bíblica – Estudos Expositivos na Carta aos Hebreus, Z3 Editora, 2013, 1ª Lição, p. 4.
[2] Ryrie, Charles. A Bíblia Anotada e Expandida, Mundo Cristão e SBB, 2007, p. 1196.
[3] Casimiro, p. 4.
[4] Ryrie, p. 1196.
[5] Casimiro, p. 7.
[6] Casimiro, p. 10.

Boletim IBL Limeira - Nº 61 - 06/07/2014

domingo, 15 de junho de 2014

O Cuidado do Cristão - Relacionamentos, escolhas e compromissos

Mateus 7.1-29

Em nosso estudo anterior, vimos que:

ü  Deus está igualmente preocupado com as duas áreas da nossa vida: a particular e a pública; a religiosa e a secular. Em ambas, precisamos ser diferentes: da hipocrisia religiosa dos fariseus (vv.1-18) e do materialismo secular dos gentios (vv.19-34).

ü  Jesus coloca diante dos seus discípulos alternativas contrastantes: 1) Dois tesouros – na terra e no céu vv.19-21; 2) Duas condições físicas – luz e trevas –  vv.22-23; 3) Dois senhoresDeus e as riquezasv.24; e 4) duas preocupações – nosso corpo e o reino de Deusvv.35-34.

ü  Terminamos afirmando que, depois de escolher entre os dois tesouros (onde ajuntá-los), as duas visões (onde fixar os olhos), os dois senhores (a quem servir) e; as duas preocupações (como viver) nos resta a recomendação de Jesus: Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. (v.34)

Hoje, estamos terminando os estudos no Sermão do Monte no capítulo 7, onde Jesus fala sobre relacionamentos cristãos (vv.1-6), escolhas cristãs (vv.7-14), e compromissos cristãos (vv.15-27).

I. Relacionamentos Cristãos – vv.1-6

Para um bom relacionamento entre os cristãos é necessário saber como lidar com os julgamentos ou críticas, saber os critérios e em que medida usá-los. Nos vv.1-5 Jesus adverte os seus discípulos contra a atitude de criticar outras pessoas sem verificar primeiro se eles estavam abertos à crítica.

No v.1, Jesus “não está condenado o exercício natural do ser humano de fazer uso da faculdade crítica, do juízo de valor e escolha entre diferentes programas ou planos de ação, mas sim o hábito de fazer julgamento ferino e duro contra as pessoas, o que deprime, machuca e enfraquece em vez de corrigir, fortalecer e edificar.”[1]

Como, então, julgar (criticar) corretamente? 1º) Julgar como gostaria de ser julgadov.2; 2º) Julgar-se primeiro (autocrítica) – v.3, 4; 3º) Não ser hipócrita ou falsov.5; 4º) Não se colocar na posição de juiz – v.1; cf. Rm 14.4, 13; 1Co 4.5; Tg 4.12.

John Stott disse: “O discípulo de Jesus é um crítico no sentido de usar o seu poder de discernimento, mas não um juiz no sentido de censurar”.[2]

No v.6, Jesus ordena aos seus discípulos que façam um julgamento correto na hora de compartilhar as coisas de Deus, pois a verdade do Evangelho “não deve ser desnecessariamente exposta a insultos e zombarias”.[3] Para MacArthur, aqui temos um “princípio que regulamenta a maneira como se trata o Evangelho diante daqueles que odeiam a verdade”.[4]

II. Escolhas Cristãs – vv.7-14

Em todas as situações da vida o cristão deve manter-se em comunhão com Deus através da oração. Segundo Jesus, aqui, “a persistência na oração pode esperar resposta não em razão da técnica utilizada, mas do Deus a quem é dirigida a oração”.[5]

O interessante é que nos vv.7-11 “os imperativos estão todos no presente, o que sugere o buscar, pedir e bater à porta constante, e não apenas uma única petição”.[6]

O v.12 é a chamada Regra de Ouro, que também existe no judaísmo, no hinduísmo e budismo, mas de forma negativa, por exemplo: “Não faça a outros o que você odeia” do Rabi Hilel. Aqui, Jesus, sintetiza suas instruções acerca de como os seus discípulos devem viver. Ele resume de “maneira precisa a essência dos princípios éticos contidos na Lei e nos Profetas”.[7]

Agora, a partir dos vv.13 e 14, Jesus, começa as suas advertências e aplicações finais no Sermão do Monte. Nesses versículos iniciais da sua conclusão estão presentes duas portas, dois caminhos, dos destinos e dois grupos de pessoas. Que porta, qual caminho, que destino e de que grupo de pessoas fazem parte os verdadeiros discípulos de Jesus?

III. Compromissos Cristãos – vv.15-27

Continuando suas considerações finais no Sermão do Monte, Jesus, fala de dois tipos de árvores e dois tipos de frutos (vv.15-20), dois tipos de julgamentos (vv.21-23) e dois tipos de construtores, construindo sobre dois tipos de fundamentos (vv.24-27). Usando esse recurso pedagógico comum do seu tempo, Jesus, revela o tipo de compromisso dos falsos e verdadeiros discípulos.

1. Dois tipos de árvores e dois tipos de frutosvv.15-20 – A lição, aqui, é que o verdadeiro discípulo de Jesus é conhecido não pelo que professa, mas, pelos frutos resultantes do seu discurso e comportamento na sua comunidade, que devem genuinamente agradar a Deus – cf.: Mt 3.8-10; 12.33-37; 21.43. Um verdadeiro discípulo de Cristo assume um compromisso de viver o equilíbrio entre a fé e as boas obras da fé.

2. Dois tipos de julgamentosvv.21-23 – A lição, aqui, é que a aceitação de um discípulo de Jesus diante de Deus, não depende do que ele professa ou faz, mas do fato de Jesus conhecê-lo ou não. Um verdadeiro discípulo de Cristo, antes de fazer alguma obra cristã, já experimentou a obra redentora de Cristo em sua vida.

3. Dois tipos de construtores, construindo sobre dois tipos de fundamentosvv.24-27 – A lição, aqui, é que o verdadeiro discípulo de Jesus edifica sua vida espiritual ouvindo e praticando o ensino do Evangelho. Ele cresce na graça e no conhecimento do Senhor Jesus. Ele não é apenas ouvinte da Palavra, mas praticante dela também. (cf.: 1Pe 3.18; Tg 1.22)

Essa conclusão do discurso de Jesus nos deixa com a necessidade incômoda de considerar não apenas o que professamos, mas se isso, de fato, está ou não baseado em um relacionamento genuíno com Ele e em questões ligadas à vida de um verdadeiro discípulo seu.

Concluindo

Terminado o Sermão do Monte, Mateus destaca a reação da plateia: ... a multidão se admirou da sua doutrina; Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas. (vv.28, 29)

A autoridade de Jesus estava no fato de que a multidão via em sua vida o equilíbrio entre o discurso e a sua prática. Minha oração é que possamos buscar esse equilíbrio Nele.

Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 14/06/14




[1] Filho, Pr. José Soares Pinto. O Sermão do Monte, Lição13, Editora Cristã Evangélica, p. 58.
[2] Ibid., p.58.
[3] Carson, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, 2009, p. 1373.
[4] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1218.
[5] Carson, p. 1373.
[6] Ibid., p. 1373.
[7] MacArthur, p. 1219.

Boletim CBL Limeira - Nº 60 - 15/06/2014

sábado, 7 de junho de 2014

A Piedade do Cristão (2) - Dois tesouros, duas visões, dois senhores e duas preocupações

Mateus 6.19-34

Em nosso estudo anterior, comparamos o que Jesus ensina no capítulo 5 com o que ensina no capítulo 6 e vimos que em Mateus 5 ele fala de justiça moral relacionada com bondade, pureza, honestidade e amor,  e em Mateus 6 fala de justiça religiosa relacionada a esmola, oração e jejum.

Vimos, também, que em Mt 6.1, o que Jesus condena é a prática de boas obras, morais ou religiosas, com a intenção de se exibir, de parecer o que não é e receber elogios por isso. E que em Mt 5.14-16, ele ensina que as verdadeiras boas obras, tão naturais, espontâneas e visíveis como a luz, glorificam a Deus, não aos que as praticam.

Em Mateus 6.1-18 Jesus trata da vida particular do cristão e suas praticas religiosas: doações, orações e jejuns. Hoje, vamos ver Mateus 6.19-34 que trata da vida pública do cristão em relação a questões seculares – valores, prioridades, serviço e preocupações.

[1]A distinção entre o que é religioso e o que é secular é didática. Na prática, não podemos separar estas duas esferas da vida. Se somos cristãos, tudo o que fazemos, por mais secular que pareça, é religioso ou espiritual, feito para a glória de Deus (Cl 3.23-24). Nesta parte do Sermão do Monte, Jesus mostra isto: Deus está igualmente preocupado com as duas áreas da nossa vida: a particular e a pública; a religiosa e a secular. Em ambas, precisamos ser diferentes: da hipocrisia religiosa dos fariseus (vv.1-18) e do materialismo secular dos gentios (vv.19-34).

Jesus, outra vez, coloca diante dos seus discípulos alternativas contrastantes: 1) Dois tesouros – na terra e no céu vv.19-21; 2) Duas condições físicas – luz e trevas –  vv.22-23; 3) Dois senhoresDeus e as riquezasv.24; e 4) duas preocupações – nosso corpo e o reino de Deusvv.35-34.

Mas como fazer a escolha? A ambição do mundo nos fascina. O encanto do materialismo é difícil de quebrar. Aqui, Jesus nos ajuda a escolher o melhor. Ele destaca a insensatez do caminho errado e a sabedoria do caminho certo.

1. Dois tesouros (vv.19-21)

Observar:

a. O que Jesus não proibiu: (a) a propriedade particular (ver Gn 13.2); (b) a poupança para o futuro (ver Pv 6.6-7); (c) o desfrutar das coisas que Deus nos dá (ver 1Tm 6.17).

b. O que Jesus proibiu? (a) o acúmulo exagerado de dinheiro e bens; (b) o consumismo exagerado, materialista; (c) a vida extravagante e luxuosa (ver Lc 12.15).

Como ajuntar tesouros no céu? Fazendo coisas cujos efeitos se perpetuam além da morte, por toda a eternidade. Isto não significa que Jesus estava ensinando uma doutrina de méritos, como se pudéssemos acumular no céu, através de boas obras praticadas na terra, uma espécie de crédito bancário. Tal noção contradiz o evangelho da graça que Jesus e seus apóstolos ensinaram. E, de qualquer modo, Jesus estava falando a discípulos que já estavam salvos.

Note também o que Jesus disse sobre a durabilidade das riquezas: as da terra são temporais, as do céu são eternas. (cf.: Jó 1.21; 2Co 4.18; Cl 3.2)

Então, o que, especificamente podemos fazer para ajuntar tesouros no céu?

a) Desenvolver um caráter semelhante ao de Cristo; b) Crescer na fé, na esperança e no amor, posto que estas virtudes, como escreveu o apóstolo Paulo, “permanecem...” (1Co 13.13); c) Crescer no conhecimento de Cristo, com quem estaremos no céu, eternamente; d) Falar de Cristo com outras pessoas de modo que também possam estar conosco no céu; e) Investir dinheiro nas causas cristãs (dízimos e ofertas). Este é o único investimento financeiro cujos dividendos são eternos.

2. Duas condições físicas – vv.22-23

Jesus passa da durabilidade dos dois tesouros para o benefício relativo de duas condições. O contraste agora é entre uma pessoa cega e uma pessoa que tem visão e, consequentemente, entre as trevas e a luz em que elas respectivamente vivem. “Os olhos são a lâmpada do corpo...” O corpo depende da visão... para andar, correr, ler, cozinhar... O olho “ilumina” o que o corpo faz com as mãos e os pés. “Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso”. Com frequência, na Bíblia, olho é equivalente a coração. “Fixar os olhos” em alguma coisa é equivalente a “colocar o coração” (Sl 66.18). Então, Jesus está falando da importância de se fixar os olhos ou pôr o coração na coisa certa (v.21). Se os colocamos nas coisas erradas, ficamos intolerantes, egoístas, desumanos, e perdemos o verdadeiro propósito da vida (1Ts 6.9-10).

3. Dois senhores – v.24

Depois da escolha entre dois tesouros (onde ajuntá-los) e duas visões (onde fixar os olhos), temos ainda que escolher entre dois senhores (a quem servir). Trata-se de uma escolha entre Deus e as riquezas. Muitos se recusam a fazer esta escolha; acham possível servir a ambos. Acabam servindo a Deus com os lábios, às riquezas com o coração; ou a Deus na aparência, às riquezas na realidade. Outros servem a Deus com a metade do seu tempo, às riquezas com a outra metade. Mas é justamente esta solução popular de comprometimento dividido que Jesus condena. (ver Js 24.15, 24)

Devoção e serviço exclusivos a Deus e a Cristo não significam passar todo o tempo lendo a Bíblia, orando, adorando ou pregando. Porém, quando a intenção é ajuntar tesouros no céu, quando os olhos (e o coração) estão fixos nas coisas de Deus, tudo o que fazemos é para Deus, para a sua glória (1Co 10.31).

Perguntaram a um cristão: O que o Senhor faz da vida? Qual é a sua profissão? Ele respondeu: Eu sirvo a Deus. Querem saber como eu faço isto? Como médico.

4. Duas preocupações – vv.25-34

A frase inicial “Por isso...” relaciona o que segue com as escolhas referidas nos parágrafos anteriores. Se escolhemos o céu, a luz e Deus, então, não precisamos ficar ansiosos, preocupados com a subsistência: água, comida, roupa. Deus sabe que precisamos disso. Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (v.33) Não tudo o que queremos, mas o necessário. (Tg 1.17; Fp 4.11).

Concluindo

Depois de escolher entre os dois tesouros (onde ajuntá-los), as duas visões (onde fixar os olhos), os dois senhores (a quem servir) e; as duas preocupações (como viver) nos resta a recomendação de Jesus: Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. (v.34)

Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 06/06/14





[1] Esse estudo segue um resumo e adaptação livre do livro de John Stott, A Mensagem do Sermão do Monte, Ed. ABU, São Paulo, SP, 2ª edição, 1997, preparado pelo Pr. Éber Lenz Cesar, para Escolas Dominicais, 2001, com algumas adaptações minhas.