sábado, 25 de janeiro de 2014

Primeiro Mandamento

Êxodo 20.3

Na introdução ao Estudo dos Dez Mandamentos, vimos que:

ð O cristão precisa se relacionar de modo correto com a Lei de Deus, sem cair nos extremos do legalismo ou do antinomismo;

ð O cristão precisa entender quais as funções da Lei, que consiste em apontar para Cristo, refrear o mal no mundo e ser instrumento de santificação;

ð O cristão observa a Lei não para ser salvo, mas porque ele já foi salvo e, portanto, é dever dele buscar conhecer cada vez mais como viver de modo a agradar a Deus;

ð Os Dez Mandamentos tem deveres para com Deus e para com os homens;

ð A felicidade consiste em alinhar-se à verdade tal qual é descrita por Deus; e

ð Os Dez Mandamentos são pilares existenciais, válidos para nós hoje.

Terminamos a introdução com a seguinte pergunta: Será que em nossa profissão de fé diante da Igreja e em nosso testemunho de vida diariamente estamos resolvidos a seguir os preceitos da Lei de Deus, deixando de fazer o que Ele nos proíbe em sua Palavra, e fazendo toda a sua vontade auxiliados por sua graça?

A descrição geral dos dez mandamentos também receberam de Moisés o título de as “dez palavras”. (Êx 34.28; Dt 4.13) Com a ênfase em Deus falando essas palavras, todas as teorias sobre que Israel tenha emprestado padrões ou conceitos legais de outros povos vizinhos são inaceitáveis.[1] (Dt 5.12-16, 22, 32, 33)

Vemos que, após o prólogo histórico introdutório no v.2, o decálogo é formado como um preceito ou mandamento diretamente dado na segunda pessoa. Diferentemente dos Códigos legais antigos do Oriente Próximo que eram, na maior parte, “casuísticos ou formados por jurisprudência quanto à forma, ou seja, uma construção ‘se... então’ escrita na terceira pessoa, na qual uma suposta ofensa era seguida por uma afirmação de uma ação a ser formada ou uma penalidade a ser aplicada”[2].

Pelo decálogo, “a verdadeira teologia e o verdadeiro culto, o nome de Deus e o sábado, a honra familiar, a vida, o casamento, a propriedade, a verdade e a virtude estão bem protegidos”[3].

Nos Dez Mandamentos, como afirmamos na introdução ao seu estudo, há deveres para com Deus e para com os homens. Por isso, eles podem ser agrupados em duas categorias gerais: a verticalprincípios para o relacionamento do ser humano com Deus (vv.3-11) e a horizontalprincípios para o relacionamento do ser humano com o seu próximo ou com a comunidade (vv.12-17).

Hoje, vamos estudar o primeiro mandamento “Não terás outros deuses diante de mim.” (v.3)

Este mandamento é de suma importância, pois o contexto dele mostra que “o povo de Israel tinha habitado por um longo período no Egito, convivendo de perto com uma religião politeísta, e que a terra para qual Deus estava conduzindo o seu povo era também permeada pela crença em vários deuses. Assim, Deus, deixa claro ao seu povo que eles não deveriam confiar em nenhum outro deus além Dele (Dt 11.16; 7.25)”[4].

Mas, infelizmente, ao olharmos para a história de Israel, percebemos que a idolatria foi um dos grandes pecados que a marcaram, trazendo consequências desastrosas para o povo. Exemplos disso foi que, ainda no deserto, “antes mesmo que Moises descesse do Monte Sinai, o povo já havia se voltado para adoração de outros deuses, possivelmente ao deus Ápis, ao fazerem para si o bezerro de ouro (Êx 32.1-4), dando a ele o louvor pela libertação do Egito. Outro momento de grande enfraquecimento espiritual da nação de Israel foi durante o reinado de Acabe, o qual incentivou o culto a Baal, no território israelita”[5] (1Rs 16.30-33).

Não somente no passado do povo de Israel e da humanidade, mas, ainda hoje vemos isso nas diferentes concepções sobre Deus. O ateísmo propaga que Deus não existe, o agnosticismo opta por afirmar que Deus não pode ser conhecido, o deísmo afirma que Deus não esta ativo no mundo, o panteísmo não faz distinção entre Deus e o mundo, pois para eles Deus está permeado na criação e o politeísmo que, continua mais vivo do nunca, pois uma matéria publicada pela Revista Superinteressante[6], aponta que no hinduísmo indiano existe oficialmente mais de 330 milhões de deuses.

Diante disso, precisamos entender que, quando Deus exige adoração exclusiva, Ele não está preocupado com a concorrência nem protegendo a si mesmo, mas, protegendo o coração humano de suas próprias fantasias, porque não existem outros deuses. Eles são apenas a imaginação dos homens e a reprodução do próprio desejo do seu coração pecaminoso, uma verdadeira fabrica de ídolos[7] – 1Cr 16.26; 2Cr 32.19; 1Co 8.4-6.

Na concepção cristã reformada, o cumprimento deste mandamento não se restringe apenas em não ter oficialmente um deus além do nosso, mas vai além. O Breve Catecismo de Westminster ao definir quais sãos os deveres exigidos no primeiro mandamento afirma: Os deveres exigidos no primeiro mandamento são: conhecer e reconhecer Deus como único verdadeiro Deus, e nosso Deus; cultuá-lo e glorifica-lo como tal, pensar e meditar nele, lembrar-nos dele, altamente apreciá-lo, honrá-lo, adorá-lo, escolhê-lo, amá-lo, desejá-lo e teme-lo; crer nele, confiando, esperando, deleitando-nos e regozijando-nos nele; ter zelo por ele; invocá-lo, dando-lhe todo louvor e agradecimentos, prestando-lhe toda obediência e submissão do homem todo; ter cuidado de o agradar em tudo, e tristeza quando ele é ofendido em qualquer coisa; e andar humildemente com ele.[8]

Portanto, quando Deus proíbe substituí-lo por outros deuses, que de fato só existem na mente e no coração humano, Ele conduz à reflexão sobre a necessidade de um relacionamento pessoal e exclusivo de amor supremo com o Ele, o único Deus vivo e verdadeiro.

A conclusão a que chegamos é que o primeiro mandamento tem a ver com o nosso coração, e assim, mostra um dos maiores problemas sobre o nosso relacionamento com Deus: a nossa dificuldade para amá-lo acima de todas as coisas.

Existe uma conexão entre o primeiro mandamento e a necessidade do ser humano amar a Deus, pois o amor a Deus é uma decorrência necessária do fato de que somente ele é Deus. Na verdade, Deus se impõe como o valor máximo da nossa existência.[9]

Moisés falando ao povo sobre a Lei, disse: Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração... (Dt 6.4-6)

Jesus, ao resumir a Lei afirmou: Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. (Mc 12.30, 31)

Concluindo

O primeiro mandamento nos ensina que “nada deve ser considerado como mais amável ou importante do que Deus. Colocar qualquer coisa à sua frente é idolatria”.[10] E idolatria “é inventar ou ter alguma coisa em que se deposite confiança, em lugar ou ao lado do único e verdadeiro Deus, que se revelou na sua Palavra”.[11]

Pr. Walter Almeida Jr.
Limeira, 25/01/14.




[1] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 117.
[2] Ibid., p. 118.
[3] Ibid., p.118.
[4] Dias, Thiago de S. Como se relacionar com Deus à luz dos 4 primeiros mandamentos, p. 1.
[5] Ibid., p. 2.
[6] http://super.abril.com.br/religiao/hinduismo-330-milhoes-divindades-619195.shtml.
[7] Lição “Os Dez Mandamentos – Os Preceitos do Deus da Aliança”, Editora Cultura Cristã, 1º Trimestre de 2014, Lição 3, p. 10.
[8] Catecismo Maior de Westminster, Pergunta 104.
[9] Lição, p. 11.
[10] Nascimento, Misael Batista do. Os primeiros passos do discípulo, Editora Cultura Cristã, 2011, p. 12.
[11] Catecismo de Heidelberg, pergunta 95. 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A Frutificação e o Ambiente Hostil do Mundo

João 15.18-27

Em nossos estudos anteriores, em 2013, vimos que:

ð  O princípio da frutificação está em que a videira tem que ser a verdadeira – Jesus, o agricultor tem que ser Deus – o Pai, e o ramo tem que ser um crente verdadeiro – uma nova criatura;
ð  O processo de frutificação eficaz é simples e está em permanecer em Cristo (no amor de Deus) (vv.3, 4, 8-10), depender totalmente de Jesus (vv.5, 6), orar continuamente (v.7), e viver contente (alegria completa) (v.11); e
ð  A frutificação excelente, que a Bíblia exige do cristão, tem como base a excelência do amor (vv.9, 12, 13) e da amizade de Jesus por seus discípulos (vv.13b-16).

Concluímos o nosso último estudo, frutificação por excelência, afirmando que Jesus, ao repetir o v.12 no v.17, deixa claro que a excelência da frutificação está na mutualidade do amor. Os frutos excelentes, ou aqueles que permanecem, são aqueles colhidos unicamente para a glória de Deusv.8.

Hoje, nosso tema é: A Frutificação e o Ambiente Hostil do Mundo – João 15.18-27.

Há uma inimizade espiritual entre a igreja e o mundo, entre a luz e as trevas. Essa inimizade é descrita em todos os livros da Bíblia, de Genesis a Apocalipse. Na verdade, há duas descendências que se opõem na história da humanidade: a descendência da serpente e a descendência da mulher[1] – Gn 3.15; Ap 12.1-6.

A maior evidência desta inimizade, que observamos, é ódio que o mundo tem para com o povo de Deus. Trata-se de um ódio cruel, gratuito e sem motivo, o mesmo que foi experimentado por Jesus, o Filho de Deus[2] – Sl 35.19; Jo 7.7.

Depois de ordenar aos discípulos a prática do amor uns pelos outros, Jesus os alerta sobre o ódio do mundo. A palavra mundo é usada na Bíblia com três significados: 1º) como mundo criadoJo 1.10; 2º) como humanidadeJo 3.16; e 3º) como sociedade – que significa a estrutura social separada de Deus e contraria a Ele. A Bíblia afirma que Satanás é o príncipe que domina esse sistema (Jo 14.30), e o mundo inteiro jaz no maligno (1Jo 5.19).

Em nosso estudo, hoje, veremos como frutificar em um ambiente hostil ao Evangelho e a prática dele pelo povo de Deus: 1º) Identificando o porquê o mundo odeia o cristãovv.18-25; e 2º) Vencendo o ódio pela prática do amor cristãovv.26, 27.

I. Identificando o porquê o mundo odeia o cristão – vv.18-25

Temos, aqui, as razões apresentadas por Jesus pelas quais o mundo odeia os cristãos desde a época em que ele mesmo esteve aqui no mundo.

1. O mundo odeia o cristão por causa de sua ligação com Jesus – vv.18-21.

a.    Antes de odiar o crente, o mundo odeia a Jesus – v.18.

b.   O ódio do mundo em relação ao crente está no fato dele não pertencer mais ao mundo e isso ter sido uma escolha pessoal de Jesus – v.19, 20; Jo 17.14-16.

c.    Esse ódio, também, está relacionado à ignorância que o mundo tem de Deus – v.21; 1Jo 3.1.

2. O mundo odeia o cristão por causa de sua condição espiritual – v.22-24.

a.  A condição espiritual do mundo é de pecador perdido ou morto espiritual – v.21-23; Ef 2.1-3; 1Co 2.14.

ð A Bíblia chama a sociedade sem Deus, de: filhos deste mundo – Lc 16.8; filhos da ira – Ef 2.3; geração corrompida – At 2.40; geração ímpia – Mt 12.45; geração pecaminosa – Mc 8.28; inimigos de Deus – Tg 4.4; inimigos da cruz de Cristo – Fp 3.18; inimigos de toda a justiça – At 13.10; escravos do pecado – Jo 8.34; ver outras citações – 2Pe 2.14; At 10.13; Mt 13.38; 23.15.

b.  Por causa de sua condição espiritual o mundo deseja permanecer no pecado – vv.24; Rm 1.18-32; 3.23.

3. O ódio do mundo pelo cristão é o cumprimento da profecia bíblica – v.25; Sl 35.19; 69.4.

II. Vencendo o ódio do mundo pela prática do amor cristão – vv.26, 27

1. Essa prática do amor cristão em resposta ao ódio do mundo vem pela operação do Espirito Santo na vida cristã – v.26.

a. Rm 5.5-11essa operação começa na conversão, quando se recebe o Espírito Santo;

b.  2Tm 1.7 – essa operação concede poder, amor e moderação;

c.  Tt 3.3-8essa operação muda completamente a vida de uma pessoa e leva-a à pratica das boas obras.

2. Essa prática do amor cristão em resposta ao ódio do mundo é o testemunho sincero do que Jesus fez pelo crente e o que ele quer fazer pela humanidade – v.26.

a. Ver as recomendações do próprio Jesus sobre a prática do amor cristão no testemunho do Seu evangelho Mt 5.44; Lc 6.27, 35. “Amar, orar, fazer o bem, emprestar, sem esperar nenhuma paga”.

b.  A recompensa dessa prática é que será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. (Lc 6.35b)

Concluindo

O cristão só será frutífero em seu testemunho em um mundo hostil ao Evangelho de Jesus Cristo, quando ele passar a viver do modo ensinado por Jesus: Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas. (Mateus 7.12)

Paulo entendeu isso e ampliou o assunto escrevendo aos Romanos – Rm 12.9-21. Deus nos ajude a não nos deixarmos vencer pelo mal, mas a vencer o mal com o bem.


Pr. Walter Almeida Jr.
Limeira, 23/01/14




[1] Casimiro, Arival Dias. Estudos Bíblicos no Evangelho de João, Capítulos de 12 a 21, Z3, p. 32.
[2] Ibid., p. 32.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Introdução ao Estudo dos Dez Mandamentos

Êxodo 20.1-21
A Lei de Deus no Pentateuco é composta da Lei Moral (Êx 20.1-17; Dt 5), da Lei Cerimonial (Êx 20.22-26; Levíticos) e da Lei Civil (Êx 21.1-23.9). Não são três Leis, mas uma Lei em três partes. É também chamada de Lei de Moisés, Lei de Deus, Decálogo, a Lei e os Dez Mandamentos. “Para o nosso estudo focaremos apenas na Lei Moral, pois entendemos a luz das Escrituras, que as Leis cerimonias se cumpriram em Cristo e que as Leis civis tinha sua aplicabilidade destinada somente à nação teocrática de Israel”[1].

Os Dez Mandamentos registrados em Êxodo 20.1-17, “revelam um padrão divino de perfeição espiritual e moral”[2]. A Confissão de Fé de Westminster, Capítulo XIX, Seção V, afirma: A lei moral obriga para sempre a todos a prestar-lhe obediência, tanto as pessoas justificadas como as outras, e isto não somente quanto à matéria nela contida, mas também pelo respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a deu. Cristo, no Evangelho, não desfaz de modo algum esta obrigação, antes a confirma.

Segundo Gaspar de Sousa, “é um axioma, isto é, uma premissa considerada necessariamente evidente e verdadeira, que toda a moralidade é fundamentada na religião, principalmente cristã. A moral é fundamentada num sistema teológico, pois deriva de um Legislador Absoluto. Não sendo assim, tem-se a relativização da moral, fazendo com que certo e errado sejam conceitos particulares, pessoais ou de uma cultura em particular. Isto implica que a moral é necessária, pois senão se instalará a desordem”[3].

Antes de começarmos nosso estudo de cada mandamento do Decálogo, “precisamos entender como o cristão deve se relacionar com a Lei e em que contexto os dez mandamentos foram dados”[4].

Assim, ao estudarmos os Dez Mandamentos, precisamos também, compreender os seus propósitos para ter uma vida cristã equilibrada, pois dois erros sempre ameaçaram a relação do cristão com a lei: o legalismo e o antinomismo. No primeiro, há um apego a lei em detrimento da graça. Esse erro permeou a “teologia” dos fariseus, os quais eram apegados às minúcias das regras, acrescidas das tradições. Jesus condenou veementemente esse comportamento (Mt 23). O segundo erro, o antinomismo, consiste em viver como se não devêssemos obedecer a nenhuma lei. Tanto Pedro quanto Judas combateram o antinomismo dos seus dias através das suas epístolas (Jd 4-19; 2Pe 2).[5]

Nós, cristãos de linha reformada, entendemos que a Lei é corretamente compreendida quando identificamos corretamente os seus propósitos, que podem ser classificados em três: apontar para Cristo, refrear o mal e ser instrumento de santificação.[6]

1º) Apontar para CristoA lei tem como principal função apontar para Cristo. Ela exerce essa função ao apresentar para nós princípios morais perfeitos que o homem, enquanto pecador, não consegue cumprir na sua totalidade, conduzindo necessariamente a olharmos para Cristo como o cumpridor destes preceitos. Nesse sentido, Cristo é o fim da Lei, pois ele cumpriu toda a Lei tornando-nos aptos a entrar no céu mediante os méritos conquistado por Ele – Gl 3.24, 25; Rm 3.19, 20; 10.4.

2º) Refrear o malEste segundo uso da Lei, também chamado de “uso de contenção”, consiste na atuação da Lei refreando o pecado no mundo e promovendo a justiça. A Lei atua inspirando a formação de leis gerais que valorizam a vida e puna o mal, além de influenciar internamente cada ser humano, através da consciência (Rm 2.15), levando-o a valorizar o que é certo e repudiar o erro. É importante ressaltar que a graça geral de Deus age no mundo inclusive sobre o ímpio preservando este mundo, tornando um lugar habitável.

3º) Ser instrumento de santificação – O terceiro uso da Lei consiste em ser um instrumento de santificação, pois uma vez que ela revela qual é a vontade de Deus para o homem, nada melhor que, uma vez salvos, retornemos o nosso olhar para a Lei Moral com intuito de compreender como Deus deseja que o seu povo viva. É importante frisar que somos salvos pela graça e não pelo cumprimento da Lei – Ef 2.8-10; Rm 6.1, 2; Ef 5.8; 1Jo 3.4-6.[7]

Martinho Lutero dizia que “qualquer pessoa que conhece os Dez Mandamentos conhece perfeitamente as Escrituras”. Por eles aprendemos quem é Deus, o que ele exige de nós e, também, quem somos.[8]

Os Dez Mandamentos foram dados por Deus ao povo de Israel em um momento crucial da história da nação. Após mais de 400 anos vivendo como escravos no Egito, o povo de Israel foi libertado por Deus através de uma série de intervenções sobrenaturais – as dez pragas sobre o Egito e a abertura do Mar Vermelho. Este fato é tão importante que Deus fez questão de ressaltar antes de promulgar os dez mandamentos, a fim de ressaltar a autoridade de quem dava as leis – Êx 20.1.

Com isso em mente, podemos fazer algumas considerações introdutórias aos Dez Mandamentos no texto de Êxodo 20.1-17:

1. Que Deus é pessoal e libertadorv.2 – A passagem apresenta um Deus pessoal e libertador. O Deus que nos livra deseja interagir conosco de tal modo que o consideremos como nosso. Os Mandamentos têm a ver com liberdade, felicidade e amor. A motivação divina por detrás de cada mandamento é o amor.[9]

2. Sobre amor, dever, liberdade e proibições – Nos Dez Mandamentos há deveres para com Deus (vv.3-11) e para com os homens (vv.12-17). Isso nos ensina que não podemos ser livres sem assumir responsabilidades e que não há contradição entre amor e dever, pelo contrario, deveres são assumidos por quem ama. Liberdade é a capacidade de dizer não ao mal e de obedecer de coração ao Deus que nos ama. Sendo assim, não nos envergonhamos de falar que não fazemos certas coisas porque o Senhor não permite. Ao dizermos não àquilo que é errado, dizemos sim a Deus.[10] (Jo 8.34; Sl 1.1)

3. Sobre verdade absoluta e vida organizada – Os Mandamentos demonstram que há coisas que agradam a Deus e nos fazem livres e outras que o desagradam e nos tornam cada vez mais escravizados. Isso indica que existe o certo e o errado, o verdadeiro e o falso. E, o modo com o os Dez Mandamentos são estruturados nos ajudam a organizar nossa vida em torno daquilo que é verdadeiramente importante: Deus é o próximo. A felicidade consiste em alinhar-se à verdade tal qual é descrita por Deus.[11] (Sl 19.9; Mt 22.34-40; Mc 12.28-31)

4. Sobre pilares permanentes – Por expressarem a moralidade de Deus, os Mandamentos têm valor permanente. Eles são pilares existências válidos para os crentes de todos os tempos.[12] (Mt 5.18)

Concluindo – Vimos hoje que:

ð O cristão precisa se relacionar de modo correto com a Lei de Deus, sem cair nos extremos do legalismo ou do antinomismo;

ð O cristão precisa entender quais as funções da Lei, que consiste em apontar para Cristo, refrear o mal no mundo e ser instrumento de santificação;

ð O cristão observa a Lei não para ser salvo, mas porque ele já foi salvo e, portanto, é dever dele buscar conhecer cada vez mais como viver de modo a agradar a Deus;

ð Os Dez Mandamentos tem deveres para com Deus e para com os homens;

ð A felicidade consiste em alinhar-se à verdade tal qual é descrita por Deus; e

ð Os Dez Mandamentos são pilares existenciais, válidos para nós hoje.

Será que em nossa profissão de fé diante da Igreja e em nosso testemunho de vida diariamente estamos resolvidos a seguir os preceitos da Lei de Deus, deixando de fazer o que Ele nos proíbe em sua Palavra, e fazendo toda a sua vontade auxiliados por sua graça?
Pr. Walter Almeida Jr.
CBL Limeira – 19/01/14




[1] Dias, Thiago de S. Uma análise introdutória dos dez mandamentos como referencias de santidade, p. 1.
[2] Nascimento, Misael Batista do. Os primeiros passos do discípulo, Editora Cultura Cristã, 2011, p. 9.
[3] http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=208.
[4] Dias, p. 1.
[5] Ibid., p. 2.
[6] Ibid., p. 2.
[7] Ibid., p. 3.
[8] Nascimento, p. 9.
[9] Ibid., p. 10.
[10] Ibid., p. 10.
[11] Ibid., p. 10.
[12] Ibid., p. 11.

domingo, 5 de janeiro de 2014

O Fortalecimento da Fé Cristã (2)

1Pedro 1.12-21

Em nosso estudo anterior, nós vimos:

ð Quem foi o autor da 2Pe – Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo – v.1;

ð Que Pedro escreveu essa Segunda Carta para “fortalecer a fé e a esperança cristã, e combater o falso ensino e as atitudes destrutivas decorrentes desse ensino destrutivo”.

ð Expomos o prefácio e a saudação da carta, nos vv.1, 2, de onde aprendemos as seguintes lições: 1) Reconhecer quem éramos sem Cristo e quem somos com Cristo! 2) Ter comunhão com todos os que professam a nossa mesma fé!; e 3) Viver pela graça e pela paz do Senhor no pleno conhecimento de Deus e Salvador Jesus Cristo!

ð E, dos vv.3-11, estudamos o seguinte tema: Fortalecimento da Fé Cristã (1)1º) Pelo conhecimento completovv.3, 4; 2º) Pelas sete virtudes que procedem da févv.5-9; 3º) Pela confirmação da vocação e eleiçãovv.10, 11.

Hoje, vamos estudar os vv.12-21, ainda com o tema Fortalecendo a Fé Cristã (2): 1º) Pela verdade presentevv.12-15; e 2º) Pela superioridade e suficiência das Escriturasvv.16-21.

I. Pela verdade presente – vv.12-15

Pedro quer incutir na mente e no coração dos irmãos que o progresso do crescimento espiritual ou o fortalecimento da vida cristã, se fundamenta na Palavra de Deus. E, aqui, ele revela sua tríplice motivação para fazer com que os crentes entendam isso:

1. v.12 – Prontidão em lembrar os crentes acerca da Palavra de Deus.

2. v.13, 14 – Consideração justa para manter os crentes acordados espiritualmente pela Palavra de Deus.

3. v.15 – Esforço e diligência em conservar a Palavra de Deus na memória dos crentes, mesmo depois de sua partida.

II. Pela superioridade e suficiência das Escrituras – vv.16-21

Antes de falar sobre as Escrituras, Pedro, conta um testemunho pessoal. Uma experiência que teve quando Jesus foi transfigurado no monte – Mt 17.1-8; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36. Creio que a intenção de Pedro ao contar esse testemunho era contrastar o seu ensino com o dos falsos profetas e falsos mestres de sua época.
Observamos que a origem do ensino de Pedro é a revelação do próprio Deus, ele diz: nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo. (vv.16b, 18) Mas, a dos falsos profetas e falsos mestres eram fábulas engenhosamente fabricadas. (v.16a)

De acordo com 2Pe 3.1-7, os falsos mestres zombavam do ensino bíblico acerca da segunda vinda de Jesus.

Com essa defesa da verdade, Pedro, fala que os crentes devem obedecer a Palavra de Deus por três motivos:

1. v.19 – A Palavra de Deus brilha e resplandece nas trevas. É pelo conteúdo da Bíblia que vamos sendo iluminados e transformados à semelhança de Jesus – 1Jo 3.1, 2.

2. v.20, 21a – A Palavra de Deus não é de origem humana. Ela é superior a qualquer escrito ou ensino humano – 1Ts 2.13.

3. v.21b – A Palavra de Deus foi inspirada por Ele mesmo – 2Tm 3.16. David S. Clark disse: Inspiração é a influencia divina exercida sobre os escritores da Bíblia, a fim de  preservá-los de erros em seu ensino.

Concluindo

Pedro nos ensina aqui que, o fortalecimento da fé cristã vem diretamente pela Palavra de Deus, pelo que ela é e pelo que ela faz. (Conf. Hebreus 4.12)


Pr. Walter Almeida Jr.

Limeira (SP), 04/01/14

O Fortalecimento da Fé Cristã (1)

1Pedro 1.1-11

Simão, que foi alcançado para o Senhor Jesus pelo seu irmão André, a quem o próprio Jesus deu o nome de Pedro ou Cefas – João 1.40-42; Mateus 16.18.

Esse Pedro, através de Silvano (em latim) ou Silas (em grego), escreveu sua primeira carta, Primeira Pedro, para “... resumidamente, exortando e testificando, de novo, que esta é a genuína graça de Deus; nela estai firmes.” (1Pedro 5.12)

Pedro foi o discípulo de Jesus que proferiu frases, durante e após o ministério terreno de Jesus, que deram origem a declarações de fé cristãs, como:

ü  Mateus 16.16 – Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

ü  João 6.68, 69 – Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.

ü  Atos 2.38, 39 – Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.

ü  Atos 3.19-21 – Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade.

ü  Atos 10.34-43 – Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável. Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos. Vós conheceis a palavra que se divulgou por toda a Judéia, tendo começado desde a Galiléia, depois do batismo que João pregou, como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele; e nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém; ao qual também tiraram a vida, pendurando-o no madeiro. A este ressuscitou Deus no terceiro dia e concedeu que fosse manifesto, não a todo o povo, mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressurgiu dentre os mortos; e nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos. Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados.

Pedro escreveu também essa Segunda Carta para “fortalecer a fé e a esperança cristã, e combater o falso ensino e as atitudes destrutivas decorrentes desse ensino destrutivo”. Em 2 Pedro 3.1, 2 ele diz: “Amados, esta é, agora, a segunda epístola que vos escrevo; em ambas, procuro despertar com lembranças a vossa mente esclarecida, para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos

Nos vv.1, 2 temos o prefácio e a saudação de Pedro, onde aprendemos as seguintes lições e aplicações práticas: 1) Reconhecer quem éramos sem Cristo e quem somos com Cristo! 2) Ter comunhão com todos os que professam a nossa mesma fé!; e 3) Viver pela graça e pela paz do Senhor no pleno conhecimento de Deus e Salvador Jesus Cristo!

Hoje, vamos expor ou estudar 2 Pedro 1.3-11 com o seguinte tema: Fortalecimento da Fé Cristã (1)1º) Pelo conhecimento completovv.3, 4; 2º) Pelas sete virtudes que procedem da févv.5-9; 3º) Pela confirmação da vocação e eleiçãovv.10, 11.

I. Pelo conhecimento completo – vv.3, 4

Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, espera nesta carta fortalecer a fé cristã de todos os que obtiveram fé igualmente preciosa (1.1), pelo pleno conhecimento (1.2) ou conhecimento completo (1.3b) da nossa salvação em Jesus Cristo. O cristão recebe força para viver a vida cristã pelo conhecimento completo do que Deus fez, faz e fará por ele:

1. Foi pelo divino poder que o crente recebeu a vida eterna e é pelo mesmo poder que ele pratica a piedade, isto é, vive como herdeiro da vida eterna aqui no mundo – João 1.12; Romanos 1.16; 1 Timóteo 3.16; 4.8; 6.3; Tito 1.1; 2.12; 2Pedro 3.11.

2. Pelo divino poder, também, o crente se torna participante da glória e virtude de Deus. Paulo diz isso mesmo em 1Tessalonicenses 2.12 - exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.

3. Pelo divino poder o crente recebe de Deus a doação das suas preciosas e mui grandes promessas. Em Jesus, Paulo diz que temos o sim em todas as promessas de Deus – 2Coríntios 1.20 – “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio.

4. Pelo divino poder nos tornamos coparticipantes da natureza divina – Romanos 8.9, 17; Gálatas 2.20; 3.29.

5. Pelo divino poder recebemos o livramento da corrupção das paixões que há no mundo – Gálatas 1.14; 5.24; 2Timóteo 4.8; Romanos 13.14; Efésios 4.22; Tito 2.12.

II. Pelas sete virtudes que procedem da fé – vv.5-9

Pedro, após afirmar que o pleno conhecimento de Deus em Jesus Cristo sobre a nossa salvação plena deve fortalecer nossa fé, mostra, agora, que essa fé fortalecida deve gerar disposição para o desenvolvimento de um caráter cristão maduro. Nessa compreensão o apóstolo diz: ... por isso mesmo, vós,... (v.5a) – referindo-se ao ato divino de livra-nos da corrupção das paixões que há no mundo (v.4b),  ... reunindo toda a vossa diligência... (v.5b) significando que o cristão deve ser cuidadoso e prudente no desenvolvimento de virtudes cristãs que procedem de sua fé. Paulo disse aos Romanos: No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor – Romanos 12.11.

Associai significa adicionar ao que a pessoa já tem. No entendimento de Pedro, o crente já tem a fé para associar virtudes. Assim ele concorda com Judas (v.3): Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.

A essa fé que recebemos de uma vez por todas é que Pedro diz: associai. Tendo a sua fé como alicerce, o crente deve acrescentar as sete virtudes ou qualidades, uma sobre a outra, em um escala ascendente, até que o amor coroe o todo. A ideia é a da construção de um edifício de vários andares, tendo a fé como alicerce e o amor como telhado. Green, teólogo americano, desenvolveu o que ele chama de “a escada da fé”, tendo a fé como o degrau inicial e o amor como o último degrau.

Para Pedro, essas sete virtudes fortalecem a fé cristã porque procedem da fé. A fé é a porta de entrada para a vida cristã, pois sem fé é impossível agradar a Deus – Hebreus 11.6; 2Pedro 1.1; Romanos 10.17; Efésios 2.8. A Bíblia fala sobre três tipos de Fé: 1º) Fé salvadora – Romanos 3.25-28; 5.1, 2; 2º) Fé dom do Espírito Santo – 1 Coríntios 12.9; 3º) Fé como confissão de fé ou declaração doutrinária (conjunto de doutrinas da fé) – Romanos 1.17; Efésios 4.13; 6.16; Filipenses 1.27; 1Tessalonicenses 3.2; 1Timóteo 4.1, 6.  Por isso, a fé é o alicerce sobre o qual tudo mais é erguido ou acrescentado para fortalecimento e crescimento do cristão.

1. v.5b ... associai com a vossa fé a virtude... – virtude significa excelência moral ou vigor na vida cristã, que deve nos mover em direção a uma vida reta diante de Deus. A fé coloca-nos em comunhão com Deus e a virtude impulsiona-nos a viver esse relacionamento abençoado com Deus. (Filipenses 1.9; 1Pedro 1.22)

2. v.5c - ... com a virtude, o conhecimento... – conhecimento ou ciência que significa a compreensão ou sabedoria prática a fim de que a virtude não seja direcionada na direção errada. (1Coríntios 2.6, 7; Efésios 1.7, 8; Colossenses 1.9, 28; 3.16; 4.5; Tiago 3.17)

3. v.6a – ... com o conhecimento, o domínio próprio... – domínio próprio é a tradução do termo grego egkrateia que significa o poder de um individuo conter-se ou a capacidade efetiva de controlar seu corpo e sua mente. É ele que permite ao crente conhecer os seus limites e a viver de modo sábio, abstendo-se daquilo que é nocivo à vida. Domínio próprio que também aparece no texto do NT como temperança faz parte do fruto do Espírito descrito por Paulo em Gálatas 5.23.

4. v.6b – ... com o domínio próprio, a perseverança... – perseverança que literalmente significa a capacidade para permanecer debaixo de um grande peso, é a palavra neotestamentária básica para paciência. Perseverança, como usada aqui, é a disposição mental que não é abalada pela dificuldade e pela aflição, é o que não nos permite desistir diante das lutas. (Romanos 2.7; Efésios 6.18)

5. v.6c – ... com a perseverança, a piedade... – piedade aqui, diferente do que se pensa hoje em dia, mas, significa o compromisso cristão levado a sério e traz na sua etimologia a ideia de reverência e de uma consciência prática da presença de Deus em todos os aspectos da vida. (2Pedro 1.3; 1Timóteo 4.8; 5.4; Tito 1.1; Hebreus 12.28)

6. v.7a – ... com a piedade, a fraternidade... – fraternidade do grego philadelphia significa o afeto familiar entre os crentes como irmãos e irmãs na família de Deus. Esse termo vem da raiz phileo que significa calorosa afeição pessoal por outrem. Indica, aqui, que o caráter cristão não deve ser visto como uma conquista individual, pelo contrario, devemos nos unir aos demais na comunidade cristã a serviço do reino de Deus. (Romanos 12.10; 1 Tessalonicenses 4.9; Hebreus 13.1; 1Pedro 1.22; 3.8)

7. v.7b – ... com a fraternidade, o amor. – amor do termo grego agapao significa dar supremo valor a algo.  Palavra da mesma raiz do termo grego ágape que significa amor de Deus é a principal característica da vida cristã e o ápice do crescimento e fortalecimento da fé cristã. Esse tipo de amor, na verdade, já foi derramado no coração do crente pelo Espírito Santo – “... o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” Romanos 5.5

Pedro crê, e deixa claro, que se estas sete virtudes estiverem sendo uma prática crescente na vida do crente,... existindo em vós e em vós aumentando... (v.8a), isso fará com que o crente dê fruto e fruto com abundância (João 15.5),... com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. (v.8b)

Aqui também é retratado o triste estado do crente que não tem na sua vida a manifestação das virtudes da fé que fortalecem sua vida cristã – Pois aquele a quem estas coisas não estão presentes é cego, vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora. (v.9) (Hebreus 3.12-14; 10.19-25; 10.32-39)

II. Pela confirmação da vocação e eleição – vv.10, 11

1. v.10aPor isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior,... – aqui, Pedro, exorta os irmãos a que sejam zelosos no cuidado da vida cristã e que isso demonstre a validade de sua experiência de salvação em Jesus Cristo. É justamente o que Hebreus 2.1-4 diz com muita clareza.

2. v.10b... confirmar a vossa vocação e eleição... – Pedro, assim como Paulo, sabia que aquele que começou boa obra (salvação pela vocação e eleição divina) iria terminar. Em Filipenses 1.6 está escrito: Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. Mas, aqui, Pedro está estimulando os crentes a confirmarem essa verdade. Ele está aconselhando os irmãos a buscarem diligentemente, cada vez mais, a convicção da vida eterna. Ler Hebreus 6.9-12.

3. v.10c... porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. – Se o crente viver de acordo com a vocação a que foi chamado, pode ter certeza que não vacilará em sua fé – Romanos 11.29; 1Coríntios 7.20; Efésios 4.1; 2Tessalonicenses 1.11; Hebreus 3.1.

4. v.11Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O apóstolo Pedro garante que se um cristão for firme em suas convicções e elas forem confirmadas pela vocação e eleição de Deus, esse tal crente desfrutará da entrada triunfal dos salvos no céu, que aqui ele chama de reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! (Filipenses 3.20)

Conclusão

Pedro tinha convicção de que a fé dos crentes seria fortalecida se eles: 1º) Tivessem o conhecimento completo do que Deus fez, faz e fará por ele; 2º) Associassem à fé salvadora as sete virtudes que procedem dessa fé; e 3º) Confirmassem a sua vocação e eleição através de um modo cristão digno de viver.

Que Deus nos abençoe na compreensão da sua Palavra na Segunda Carta de Pedro!

Pr. Walter Almeida Jr.

Limeira (SP), 29/12/13