terça-feira, 19 de novembro de 2013

Introdução ao Estudo do Sermão do Monte


Mateus 5-7 (5.1, 2)

O Sermão do Monte “parece encerrar a essência do ensino de Jesus. Ele torna a justiça atrativa; envergonha o nosso fraco desempenho; gera sonhos de um mundo melhor”.[1]
           
Creio que ele, Jesus Cristo, ao proferi-lo, desejava que o mesmo fosse obedecido. “De fato, se a Igreja tivesse aceitado realisticamente os seus padrões e valores, como aqui demonstrados, e tivesse vivido segundo eles, ela teria sido a sociedade alternativa que sempre tencionou ser, e poderia oferecer ao mundo uma autêntica contracultura cristã”.[2]

O Sermão encontra-se no Evangelho de Mateus, logo no começo do ministério público de Jesus. Ime­diatamente após o seu batismo e tentação, Cristo começou a anunciar as boas novas de que o reino de Deus, há muito prome­tido no período do Velho Testamento, estava agora às portas. Ele mesmo viera para inaugurá-lo. Com ele nascia a nova era e o reinado de Deus irrompia na História.

Jesus enfatizou que os seus verdadeiros discípulos, os cidadãos do reino de Deus, tinham de ser inteiramente diferentes. Não deveriam tomar como padrão de conduta as pessoas que os cercavam, mas sim Deus, e assim provar serem filhos genuínos do seu Pai celestial.[3] Para John Stott, o texto-chave do Sermão do Monte é Mateus 6.8: "Não vos asse­melheis, pois, a eles."

E este tema foi desenvol­vido através de todo o Sermão do Monte. O caráter deles teria de ser completamente diferente daquele que era admirado pelo mundo – as bem-aventuranças. Deveriam brilhar como luzes nas trevas reinantes. A justiça deles teria de exceder à dos escribas e fariseus, tanto no comportamento ético quanto na devoção religiosa, enquanto que o seu amor deveria ser maior, e a sua ambição mais nobre do que a dos pagãos vizinhos.[4]

Não há um parágrafo no Sermão do Monte em que não se trace este contraste entre o padrão cristão e o não cristão. Às vezes, Jesus contrasta os seus discípulos com os gentios ou com as nações pagãs. Assim, os pagãos amam-se e saúdam-se uns aos outros, mas os cristãos têm de amar os seus inimigos (5.44-47); os pagãos oram segundo um modelo, com "vãs repetições", mas os cristãos devem orar com a humilde reflexão de filhos do seu Pai celestial (6.7-13); os pagãos estão preocupados com as suas próprias necessidades materiais, mas os cristãos devem buscar primeiro o reino e a justiça de Deus (6.23, 33).

Em outros pontos, Jesus contrasta os seus discípulos, não com os gentios, mas com os judeus, ou seja, não com pessoas pagãs, mas com pessoas religiosas; especificamente, com os escribas e fariseus que, são dois grupos de pessoas totalmente diferentes, pois os escribas são os mestres da teologia que tiveram alguns anos de estudo; os fariseus, por outro lado, não são teólogos, mas sim grupos de leigos piedosos de todas as camadas da socie­dade. Certamente Jesus opõe a moral cristã à casuística ética dos escribas (5.21-48) e a devoção cristã à piedade hipócrita dos fariseus (6.1-18).

Assim, os discípulos de Jesus têm de ser diferentes: tanto da igreja nominal, como do mundo secular; tanto dos religiosos, como dos irreligiosos. O Sermão do Monte é o esboço mais com­pleto, em todo o Novo Testamento, do sistema de valores cristãos, um padrão ético, uma devoção religiosa, uma atitude para com o dinheiro, uma ambição, um estilo de vida e uma teia de relacionamentos: tudo completa­mente diferente do mundo que não é cristão.[5]

Martyn Loyd-Jones afirma que nenhuma outra coisa nos ensina tão intensamente a absoluta necessidade de novo nascimento, bem como a necessidade do Espírito Santo e de sua atuação em nosso íntimo, como o estudo do Sermão do Monte. 

Creio que três perguntas básicas formam-se imediatamente na mente de quem lê e estuda o Sermão do Monte: Primeira, o Sermão do Monte é um autêntico pronunciamento de Jesus? Foi realmente pregado por ele? Segunda, o seu con­teúdo é relevante para o mundo contemporâneo, ou é totalmente fora de moda? Terceira, os seus padrões são atingíveis, ou devemos esquecê-los por serem em larga escala um ideal im­praticável?

Primeira pergunta a ser respondida: O Sermão do Monte é um autêntico pronunciamento de Jesus? Foi realmente pregado por ele?

O Sermão do Monte está registrado em Mateus 5-7 e Lucas 6.20-49. Eles não são idênticos por conta do objetivo do escritor e seu público alvo. Temos em Mateus um registro mais amplo com 107 versículos e em Lucas um registro mais sintético, com 30 versículos apenas.

Cada um contém matérias que estão ausentes no outro e muitas semelhanças. “Os dois sermões começam com bem-aventuranças, terminam com a parábola dos dois construtores, e no meio con­têm a regra áurea, a ordem para amar os nossos inimigos e ofe­recer a outra face, a proibição de julgar as pessoas, e as vivas ilustrações da trave no olho e da árvore com os seus frutos. Esta matéria comum aos dois sermões, com um começo e um final em comum, sugere que os dois são versões do mesmo sermão”.[6]

Tanto Mateus como Lucas apresentam o sermão como de Cristo, e pretendem que seus leitores o entendam assim. “Ambos lhe dão um contexto histórico e geográfico preciso, atribuindo-o ao começo do ministério de Jesus na Galiléia e declarando que ele o transmitiu no monte ou numa planura sobre os montes. Mateus registra a reação de perplexidade das multidões, quando Jesus terminou de proferi-lo, destacando que foi por causa da autoridade com que ele falava. E ambos dizem que, quando terminou, entrou em Cafarnaum”.[7]

O Sermão começa assim: E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;... (Mt 5.1)

Segunda pergunta a ser respondida: O con­teúdo do Sermão do Monte é relevante para o mundo contemporâneo, ou é totalmente fora de moda?

Tanto Mateus (5.1) como Lucas (6.20), nos informam que Jesus dirigiu esse sermão aos seus discípulos, embora estivessem presentes religiosos e uma multidão de gentios. Por isso, foi ao monte e assentou-se para ensiná-los. Ele precisava focar só nos discípulos para melhor instruí-los.

É de suma importância entender que o Sermão do Monte não é para não cristãos. Ele destina-se aos cristãos, àqueles que já entregaram suas vidas ao Senhor Jesus reconhecendo-O como único Senhor e Salvador e de suas vidas.

O Sermão destina-se a pessoas regeneradas. Não foi elaborado para ter uma mera aplicação social ou para ser um estilo de vida de uma pessoa qualquer. Ele representa a síntese do que Deus espera de um cristão.

A sua relevância para a nossa época e para todas as gerações está no fato de que o Sermão do Monte é um ensino que, sendo vivido, levará a pessoa a um estilo de vida de qualidade, que o conduzirá à estabilidade e felicidade. Mas, esse sermão não é uma lista de deveres que funcionam automaticamente, antes é um conjunto de ensinos que quer dar à pessoa um estilo novo de vida. E esse viver de qualidade e felicidade tem inicio com um relacionamento com Jesus. Na verdade, nenhum dos ensinos do Sermão de Jesus podem ser praticados plenamente sem este pré-requisito: um relacionamento pessoal com Jesus.[8]

Terceira pergunta a ser respondida: Os padrões do Sermão do Monte são atingíveis, ou devemos esquecê-los por serem em larga escala um ideal im­praticável?

Ao longo do tempo temos ouvido e lido duas posições extremistas sobre o Sermão do Monte. De um lado temos os que dizem que seus ideais são nobres, mas inatingíveis, atraentes à imaginação, mas impossíveis de serem cumpridos. Do outro lado temos os superficiais que afirmam que a veracidade dos padrões éticos expressos no Sermão são comuns a todas as religiões e fáceis de praticar. A verdade não se encontra nas posições extremadas, pois os padrões do Sermão não são rapidamente executáveis por todos nem completamente inatingíveis para todos.[9]

Eles são praticáveis, mas apenas por aqueles que já experimentaram o novo nascimento, condição indispensável para ver e entrar no Reino de Deus, pois a justiça descrita no Sermão começa no interior da pessoa. “Ainda que se manifeste de forma exterior e visível por meio de palavras, atos e relacionamentos, ela permanece em essência na justiça do coração”[10].

Assim, sendo o Sermão do Monte um autêntico ensino de Jesus, relevante e praticável em nosso tempo pelos que nasceram de novo e se tornaram seus verdadeiros discípulos “é a parte mais conhecida e importante do ensino de Jesus, um resumo do que ele desejava que os seus seguidores fossem e fizessem”[11].

Então, vamos estudá-lo em suas divisões naturais, usando o texto do Evangelho de Mateus 5-7. Nosso esboço será o seguinte:

1. O caráter do cristãoMt 5.3-12. As bem-aventuranças, no começo do Sermão, enfatizam oito aspectos do caráter cristão e as bênçãos que Deus promete aos que cultivam estas qualidades.

2. A influência do cristão – Mt 5.13-16. As metáforas do sal e da luz falam da influência que os cristãos podem e devem exercer no mundo.

3. A justiça do cristão – Mt 5.17-48. O Novo Testamento ensina que o pecador é perdoado e salvo pela graça de Deus, e isto quando se arrepende dos seus pecados e crê em Cristo; não esforçando-se para obedecer à Lei (Rm 3.24, 28; Ef 2.8-9). Mas, e então? O cristão fica dispensado de obedecer à Lei? Não. O Sermão do Monte ensina que Cristo não veio para abolir a Lei, mas para cumpri-la e para dar aos seus seguidores a graça de viverem uma justiça ou padrão de vida ética e moral que excederia à daqueles que, sem Cristo, esforçam-se para obedecer à Lei.

4. A piedade do Cristão – Mt 6.1-18. Os cristãos não devem acomodar-se nem com a religião hipócrita dos escribas e fariseus, nem com a idolatria e formalismo dos pagãos. Devem ser fiéis a Deus e sinceros.

5. A ambição do Cristão – Mt 6.19-34. O “mundanismo” (modo de pensar e agir característico do mundo ímpio) não se presta para os cristãos. Estes têm que ser diferentes dos não cristãos tanto nas devoções como nas ambições. Não devem se preocupar demais com as coisas materiais.

6. Os relacionamentos do Cristão – Mt 7.1-20. Os cristãos têm uma rede de relacionamentos, todos dependentes do relacionamento que eles têm com Deus e com Cristo.

7. As bases do Cristão – Mt. 7.21-27. Firmam-se na autoridade do pregador, Cristo. Não basta chamá-lo de “Senhor” (vs. 21-23) ou ouvir seus ensinos (vs. 24-27). É preciso obedecê-lo, praticar seus ensinos. As multidões ficaram admiradas com a autoridade com que Jesus ensinava (vs. 28-29).  É a esta autoridade que devemos nos submeter.[12]

Hoje, vamos estudar Mateus 5.1, 2. Se observarmos os capítulos anteriores do Evangelho de Mateus veremos que ele inicia narrando o nascimento de Jesus, fala sobre João Batista, sobre o Batismo e tentação de Jesus e, em seguida, sobre como Jesus chama seus discípulos e ensinava e curava o povo. Aqui, no capítulo 5, Mateus, inicia o Sermão do Monte. Uma forma bem resumida do Evangelho de Mateus, pensando na ênfase do discipulado, seria: 1º) Jesus convoca os discípulos; 2º) Jesus estabelece os valores e paradigmas para a vida dos discípulos; 3º) Jesus convive, ensinando e praticando, com os discípulos; e 4º) Jesus envia seus discípulos a formarem novos discípulos em todas as nações.

Com base na análise desse contexto do Sermão do Monte, podemos identificar cinco razões pelas quais é importante estudá-lo:

ð Ele mostra a necessidade humana do novo nascimento.
ð Ele aponta claramente para Jesus Cristo e talvez seja a maior e única compreensão que podemos ter da mente de Cristo, exposta por ele mesmo.
ð Ele descreve para os cristãos o único caminho para felicidade.
ð Ele é o melhor meio de evangelização já conhecido.
ð Ele mostra que obedecer ao seu ensino agrada a Deus.

John Stott disse ser ele o mais lido, o menos compreendido e o menos praticado de todos os ensinos de Jesus.

O seu valor e autoridade está no Mestre que o proferiu. Ele é mais importante que o seu próprio ensino. Precisamos tomar consciência disso e aceitar e praticar os Seus ensinos. Na sua introdução, por Mateus, nos versículos 1 e 2, temos a identidade e a personalidade do Mestre Jesus, a identificação de seus ouvintes primários e a sua pedagogia.

(1) E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; (2) E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:

I. A identidade e a personalidade do Mestre Jesus – v.1a

1. Quando Mateus escreveu: E Jesus... – ele queria dizer: Foi o Senhor Jesus quem proferiu esse sermão.

Ali diante da multidão e dos discípulos estava o Filho de Deus, humanamente ainda jovem, com aproximadamente 30 anos de idade. Embora tenha nascido em Belém da Judéia, passou os primeiros anos de sua vida, cerca de 30, na pequena cidade de Nazaré, na região da Galileia, onde exerceu o oficio de carpinteiro, profissão que aprendeu com o homem que o criou, José, seu pai terreno.

Foi um homem simples, uma pessoa comum, que com seu ensino e a pratica do mesmo causou um impacto extraordinário nos seus ouvintes e mudou a história da vida daquelas pessoas e da humanidade depois delas.

O Evangelho de Mateus afirma categoricamente quem era Jesus. Mateus pode ser visto como “O Evangelho do Rei” porque apresenta Jesus de Nazaré como o Rei que veio. A palavra “reino” aparece 162 vezes no Novo Testamento. Em suas várias formas, este termo é usado 55 vezes só no Evangelho de Mateus! Uma expressão única em Mateus é o “reino dos céus” que ocorre 32 vezes. Embora a expressão o “reino de Deus” seja usada muitas vezes nos outros Relatos do Evangelho, ela é usada apenas 4 vezes em Mateus. Ele também é descrito com frequência pelo termo “Senhor” e umas 32 vezes nesse Evangelho. “Filho do Homem” aparece 31 vezes em Mateus como uma das autodesignações favoritas de Jesus. No Novo Testamento, Jesus é referido como “Rei” pelo menos 35 vezes e Seu “reino” é mencionado pelo menos 6 vezes.[13]

No Sermão do Monte, em Mateus, Jesus é retratado “como o derradeiro mestre de Israel, cujas palavras se cumpriram sob a autoridade divina e gerando consequências eternas (Mt 7.21-29)”[14]

A melhor descrição de Jesus no Evangelho de Mateus está em Mt 16.16E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

2. Em sua personalidade, Jesus, era de caráter integro, tinha autoridade absoluta e viveu em obediência perfeita.

a.    Sua inteireza moral foi o que o caracterizou, pois, foi cem por cento aquilo que ensinou e ensinou aquilo que praticou. Ele viveu o Sermão do Monte que pregou: Desafiou os seus discípulos a ser a luz do mundo e foi e é a luz do mundo (Mt 5.14; Jo 8.12); Recomendou que seus discípulos orassem por seus inimigos e orou por aqueles que o perseguiam (Mt 5.44; Lc 23.34). Ensinou os seus discípulos a falarem a verdade e ele próprio era e é a verdade (Mt 5.37; Jo 14.6).

b.   Os primeiros ouvintes ficaram impressionados com a autoridade com que Jesus ensinava. Ele deixou a multidão atônita e o faz até hoje, quando é pregado e ensinado por meio dos seus evangelhos. O seu ensino era extraordinário, ele não hesitava, não era inseguro nem extravagante. Ele foi e é superior a todos os mestres da humanidade. O Sermão do Monte “reflete a autoridade suprema que Jesus, o Messias, possui sobre todos que recebem a vida eterna”[15].

c.    Mas, o objetivo principal da vida de Jesus foi fazer a vontade do Pai. Ele nunca buscou sua própria vontade. Veio ao mundo para obedecer ao Pai e à sua Lei:

ð Mateus 5.17 – Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.

ð Mateus 7.21 – Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

Perguntas para reflexão: Quem é Jesus para nós? O que exatamente vemos quando olhamos para ele pelas paginas dos evangelhos?

II. A identificação dos seus ouvintes primários – v.1b

Não há dúvida de que o propósito principal de Jesus ao subir a esse monte para ensinar, era se afastar um pouco da numerosa multidão da Galiléia, Decápolis, Jerusalém, Judéia e dalém do Jordão, que o seguiam (Mt 4.23, 24). O texto diz: ... vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos... (v.1b). Ele passara os primeiros meses do seu ministério público por toda a Galiléia, "ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo". Como resultado, "sua fama correu por toda a Síria", e o povo vinha em grandes multidões, trazendo os seus doentes para serem curados. Por isso Jesus precisava se afastar, não só para ter uma oportunidade de ficar sozinho e orar, mas também para ensinar particularmente aos seus discípulos.

Logo, vemos que os ouvintes primários de Jesus aqui, são dois grupos: a multidão e os discípulos. Quando falamos em multidão temos ali os religiosos e os não-religiosos. Os religiosos são os escribas, os fariseus e os saduceus e os não religiosos são os herodianos, os zelotes, os galileus, os publicanos e pecadores.

1. Multidão

a. Os religiosos:[16]

ð Os escribas – A palavra grega implica a ideia de saber. Parece que a tradição dos escribas começa com Esdras. “Ele era escriba versado na Lei de Moisés...” e “... tinha disposto o coração para buscar a Lei do Senhor, e para cumpri-la, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos” (Esdras 7.6 e 10). O trabalho que Esdras começou foi confiado por ele a um grupo de escribas especialmente escolhidos. A sua função era conservar, traduzir e explicar os oráculos sagrados. Aos poucos esta função de explicação (ou ensino) se tornou a mais importante e isso deu um status importante ao escriba. O escriba passou a ser um aristocrata no meio de um povo. A palavra do escriba se tornou autoritária em matéria de fé e prática religiosa. O escriba era um exegeta das leis de Deus e, juntamente com os principais sacerdotes e anciãos, um juiz nos tribunais religiosos da capital e do interior. Apesar de serem frequentemente citados junto com os fariseus nos evangelhos, eles não faziam parte dos fariseus. A função legítima de ensino das Escrituras pelos escribas é reconhecida em Mateus 2.4, mas os seus acréscimos às Escrituras são fortemente condenados pelo Senhor Jesus em Mateus 23. Os escribas aparecem com frequência associados aos sacerdotes e aos anciãos como membros do Sinédrio.

ð Os fariseus – Os Hassidim (piedosos) do tempo dos macabeus eram provavelmente os antecessores dos fariseus. O termo fariseus surgiu à época de João Hircano (135-105 a.C.). Esta palavra significa “os separados” e provavelmente foi dado pelos seus adversários. Esse nome demonstra sua característica de separação, não do povo judeu, mas de todos os elementos externos relacionados ao mundo pagão. Esta separação se alcançava pela aplicação rigorosa da Lei e da tradição judaica até nos seus mínimos detalhes. Eles ensinavam que Deus só concede sua graça àqueles que cumprem integralmente Seus mandamentos. Mas, exageraram e isso gerou o legalismo, que na sua origem pode ter sido uma expressão sincera de sentimento religioso, que passou nos dias do Novo Testamento a ser um cobertor que acobertava todo tipo de hipocrisia. Jesus denunciou severamente essa piedade vazia. Os fariseus formavam uma associação de aproximadamente 6.000 membros. Para definir exatamente as suas obrigações religiosas, davam às tradições dos rabinos a mesma importância das Escrituras (ou mesmo até maior). Amavam a antiga ideia de uma teocracia e se opunham aos herodianos e à potência romana. Eram mais uma organização religiosa do que um partido político.

ð Os saduceus – Não conhecemos com certeza a origem do nome. Pode ser o equivalente de sadoquita, isto é, descendente do sacerdote Zadoque (ou Sadoque). A doutrina dos saduceus é geralmente o oposto à dos fariseus. É mais fácil entender os saduceus como sendo uma reação ao extremismo dos fariseus. De tendências moderadas e tradicionais, os saduceus procuravam uma posição equilibrada dentro dos limites do Judaísmo e defendiam uma interpretação mais literal das Escrituras. Na prática os saduceus caíram no racionalismo. Os saduceus eram menos numerosos do que os fariseus, mas eram pessoas instruídas, funcionários públicos, sacerdotes e contavam com membros influentes e ricos. Sob a dominação romana e dos Herodes os saduceus tinham uma participação grande na política. Na era apostólica, o Sumo Sacerdote e seus aliados pertenciam aos saduceus.

b. Os não religiosos:

ð Os herodianos – Eram mais um partido político do que uma seita religiosa. Os herodianos eram favoráveis à dinastia iduméia, de origem pagã. Esta era a dinastia dos Herodes. O partido era da situação, aceitando o domínio romano e dos Herodes. Os herodianos eram favorecidos pelos governadores e, em troca, procuravam fazer de tudo para amenizar os valores morais judeus e diminuir o fervor religioso do povo para torná-los mais submissos ao poder.

ð Os zelotes – Era o partido de resistência política aos herodianos e aos romanos. Eram tão nacionalistas na política quanto os fariseus na religião. Eles eram adversários ferrenhos dos herodianos. Estes rebeldes das montanhas da Galiléia recorreram à luta armada no início do reinado de Herodes o Grande e foram derrotados sem piedade na ocasião, assim como em oportunidades posteriores à vida de Jesus. O nome que tinham indica o zelo que tinham pela sua causa.

ð Os galileus – Os nascidos na Galiléia eram menosprezados pelos judeus do sul que os consideravam um povo rústico e ignorante. Galileu passou a ser usado como um termo pejorativo. Onze dos doze discípulos de Jesus (menos Judas Iscariotes) eram galileus (At 1.11). Os galileus tinham um temperamento forte e apaixonado. Muitos se tornaram zelotes. Na época do recenseamento narrado em Lucas 2, o historiador judeu Josefo nos informa que uma resistência séria foi organizada por um zelote chamado Judas. O recenseamento tinha por finalidade servir de base ao sistema de tributação do povo. O governo romano reprimiu a resistência e matou Judas, mas a atitude de insubmissão persistiu e se tornou motivo de preocupação para os romanos. É por isso que o termo galileu se tornou quase que sinônimo de violência e rebelião. É por isso que os judeus acusavam Jesus de ser um galileu quando ele foi denunciado a Pilatos.

ð Os publicanos – Eram os coletores de impostos do poder civil. Os agentes de impostos da província dividiam o seu território em distritos e vendiam o direito de recolher imposto no distrito por sistema de leilão a coletores locais (publicanos) que conheciam a população. O coletor de impostos vencedor pagava ao agente do governo o valor combinado e depois saía extorquindo o quanto pudesse da população. O valor excedente recolhido ficava no bolso do coletor. Os publicanos judeus eram odiados pela população e menosprezados, sendo qualificados como os elementos mais baixos da população. Os publicanos, apesar de judeus, eram vistos como agentes corruptos a serviço do poder estrangeiro de ocupação. Eram vistos como traidores da pátria e de Deus.

ð Os pecadores – Eram o povo comum, tanto judeus não praticantes da sua religião e todos os povos não judeus, chamados de gentios e pagãos.

2. Discípulos – No entanto, veremos, ao estudarmos o texto, que Jesus dirige seus ensinamentos para seus discípulos. Jesus fala sobre o caráter de seus seguidores. Jesus toca em pontos como ética, espiritualidade e atitudes de um discípulo para um viver feliz ou bem-aventurado, estável, sem ansiedade que ele mesmo compara à vida de uma pessoa que constrói sua casa sobre a rocha (Mateus 7.26, 27).

Os discípulos de Jesus ao que o texto se refere são basicamente aqueles que espontaneamente o seguiam e os doze, que se tornaram apóstolos por escolha do próprio Jesus. Os doze, de acordo com a ordem em Mateus 10.2-4, são: Pedro, André, Tiago (filho de Zebedeu), João, Filipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago (filho de Alfeu), Tadeu, Simão (o Cananita) e Judas Iscariotes.

3. Monte – A identificação mais provável desse monte é a que o localiza ao norte das praias do mar da Galiléia, entre Cafarnaum e Tabga, conhecido hoje como o Monte das Bem-aventuranças, onde há uma capela, na lateral do monte, em homenagem a esse Sermão proferido por Jesus.

III. A pedagogia do Mestre Jesus – v.1b, 2

No Novo Testamento há quarenta e cinco referências a Jesus ensinando e quando pregava, ele pregava e ensinava. O Sermão do Monte é o maior exemplo disso. Ele viu no ensino a oportunidade para formar caracteres, atitudes e ideais no homem e, por isso, ensinou a toda hora e em qualquer lugar. Ele conhecia, mais que qualquer outro, os princípios que devem nortear o ensino: conhecimento da matéria, compreensão da natureza humana e método adequado.

1. Conhecimento da matéria – Uma das leis do ensino diz: O professor deve conhecer muito bem o assunto que está sendo ensinado.

Jesus conhecia o mundo, pois o mundo foi criado por Ele; conhecia o homem, pois foi Ele quem o criou, conhecia toda a verdade, pois Ele é a própria verdade – Jo 1.3; 14.6.

O Sermão do Monte nunca precisou ser corrigido. Nada teve que ser acrescentado ou excluído. Nunca precisou ser atualizado. Ele é sempre atual e relevante. Ele conhecia profundamente as Escrituras. E não somente as conhecia, como as aplicava à sua vida. (Mt 5.21-48; Lc 24.27)

2. Compreensão da natureza humana – Outra lei do ensino diz: O professor precisa conhecer seus alunos.

Jesus conhecia e compreendia a natureza humana. Ele foi mestre na compreensão daquilo que se passava no íntimo das pessoas – Lc 5.22; 6.8; 9.46-47; Jo 2.23-25; 4.29.

Ele se interessou mais pelas pessoas do que por coisas. Interessou-se mais por pessoas do que por si mesmo. Amou a todos e se preocupou com seus problemas buscando soluções para eles.

3. Método adequado – Ainda outra lei do ensino diz: O ensino deve partir do conhecido para o desconhecido, do próximo para o remoto, do concreto para o abstrato. O professor deve variar seus métodos de aula.

Jesus não enunciou nenhum princípio pedagógico, nenhuma lei do ensino, nenhuma teoria da educação, mas mostrou um profundo conhecimento metodológico e aplicou-o com a maior eficiência.[17] O seu procedimento para ensinar as grandes verdades do Sermão do Monte foi:

a. Começou com coisa simples até chegar as complexas – Utilizou a analogia dos pássaros do céu, dos lírios do campo, da casa construída na rocha e na areia – Mt 6.26-28; 7.24-26.

b. Partiu do conhecido para o desconhecido – Usou as figuras do sal, da luz, da traça, da ferrugem, do ladrão, do argueiro no olho – Mt 5.13, 14; 6.19; 7.3.

c. Sempre fez uso da pergunta – Para que serve o sal?; Qual a recompensa de amar os que vos amam?; Pode alguém colher uvas do espinheiro? – Mt 5.13, 46; 7.16.

d. Contou histórias, conversou, discutiu, dramatizou, ilustrou, planejou, aplicou. Suas lições tinham começo, meio e fim. (Mt 7.24-27) Ele foi e continua sendo o Mestre por excelência!
Concluindo

Assentado e falando naturalmente como o Mestre dos mestres, Jesus que é Rei dos reis e Senhor dos senhores proferiu o Sermão do Monte.

O Sermão do Monte é um autêntico pronunciamento de Jesus. Seu conteúdo é relevante para o mundo moderno e seus padrões foram estabelecidos para serem cumpridos pelos cidadãos do Reino, aqueles que passaram pelo novo nascimento e fazem parte da família de Deus.[18]

“Façamos do padrão de Jesus o nosso padrão de vida. Falemos a Palavra com autoridade. Tenhamos um caráter integro: Amemos mesmo quando não esperamos receber amor, façamos o bem sem esperar recompensas. Tenhamos como objetivo supremo da nossa vida fazer a vontade do Pai, obedecer à Sua Palavra, obedecer aos Seus ensinamentos”.[19]

Pr. Walter Almeida Jr.
Limeira, SP – 23/11/13




[1] Stott, John R. W. Contracultura Cristã, A mensagem do Sermão do Monte, ABU Editora, 1981, p. 5.
[2] Ibid., p. 5.
[3] Ibid., p. 5.
[4] Ibid., p. 6.
[5] Ibid. p. 8-10.
[6] Ibid. p. 10.
[7] Ibid. p. 11.
[8] Pontos Salientes. JUERP, 1996, p. 117.
[9] Stott, John R. W. Série Crescimento Espiritual – Sermão do Monte, Vida Nova, 2009, p. 5-6.
[10] Ibid., p. 6.
[15] Ibid.
[16] Esse ponto é da apostila da ETBL. Novo Testamento 1 – Evangelhos, Pr. Kenneth Eagleton, p. 11-14.
[17] Oliveira, Profa. Odila Braga de. O Sermão do Monte, Lição 1, Editora Cristã Evangélica, p.11.
[18] Ibid., 11
[19] Ibid., p. 7-9.


domingo, 20 de outubro de 2013

Exposição da Carta de Judas (6) - Revisão (3)


Jd 14-16

Defender a fé do erro exige consciência dos desígnios de Deus para com hereges na medida em que apóstatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico na sua conduta, seu caráter e sua condenação.[1]

No estudo anterior nos vv.12, 13, discorremos sobre o tema Revisão com a seguinte tese: Os apóstatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico em seu caráter. Expomos o texto, como na semana anterior, versículo por versículo.

Hoje, vamos estudar os vv.14-16 também com o tema Revisão e a seguinte tese: Os apóstatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico em sua condenação.

Então, Judas, após mostrar que os apostatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico em sua conduta e em seu caráter, termina enfatizando que esses falsos mestres contemporâneos se encaixam no padrão histórico, também, em sua condenação.

Faremos essa exposição do texto com duas coisas em mente: 1ª)A impiedade foi marcada para o juízo de Deus desde o início da história humana, como se comprova pela profecia de Enoque”[2]vv.14, 15; 2ª)Hereges contemporâneos demonstram sua impiedade em seu falar – marcando-se assim, para o juízo[3]v.16.

I. A impiedade foi marcada para o juízo de Deus desde o início da história humana, como se comprova pela profecia de Enoque – vv.14, 15

Aqui, Judas, chega ao clímax de sua denúncia ao citar a profecia de “Enoque a fim de confirmar o castigo iminente de certo desses homens ímpios e conclui com palavras muito bem escolhidas”[4].

1. v.14a E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão,... Alguns comentaristas acreditam que Judas citou aqui a profecia do livro apócrifo Apocalipse de Enoque 1.9 que diz: Eis que vem com dez mil de seus santos para executar julgamento sobre todos. E para destruir todos os ímpios. E para condenar toda carne por causa da sua impiedade que impiamente cometeram e por todas as coisas duras que ímpios pecadores têm falado contra ele.

Concordo com Augustus Nicodemus de que o reconhecimento da inspiração da profecia de Enoque, da parte de Judas, não precisa necessariamente se estender ao livro que a registrou. E. C. Pentecost afirma que se Judas citou o livro apócrifo, ele estava apenas afirmando a verdade da profecia de Enoque e não endossando o livro em sua inteireza. Por exemplo, Paulo cita um poeta cretense chamado Epimênedes em Tito 1.2, sem com isso considerar os escritos dele como inspirados.[5]

Creio, juntamente com MacArthur, que a fonte dessa informação foi à inspiração do Espírito Santo a Judas e que o fato de estar registrado num documento pseudepigráfico não anula a sua precisão.

De acordo com a genealogia de Gn 5.3-21 (cf. Lc 3.27), Enoque é realmente o sétimo depois de Adão. Enoque, segundo Gn 5.21-24, andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou (v.24).

Segundo Hebreus 11.5, 6, “Enoque foi transladado ao céu porque viveu pela fé, tendo, assim, agradado a Deus e se tornado um dos heróis da fé a serem imitados pelos cristãos”[6].

Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus. Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.

2. v.14b – ... dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos;... – Essa vinda do Senhor tem a ver com o juízo final contra todos os ímpios. Os profetas do AT e os apóstolos do NT, à semelhança de Enoque, profetizaram acerca desse juízo, do dia da ira de Deus, quando ele finalmente exercerá juízo e castigo contra os ímpios.[7]

“Este é aquele dia solene quando a criatura responde perante o Criador pelo que fez com a mordomia da vida. Todos responderão perante o Senhor; não haverá ausentes à essa sessão do tribunal”[8].

3. v.15aPara fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios,... – Para Judas, todo ensino que se desviasse da verdade e ensinamento revelado por Deus, aos seus santos profetas e apóstolos, era impiedade e ímpios, também, seriam todos os que propagassem tal ensino. É assim que ele encara o ensino desses falsos mestres, como impiedade e palavras insolentes contra o Senhor. A irreverência daqueles falsos mestres é destacada aqui pela repetição da palavra ímpio, por quatro vezes da no texto grego original.

Temos aqui, claramente declarado por Judas, o propósito da segunda vida do Senhor Jesus, após o arrebatamento da Igreja. Ele vem com dois objetivos: 1º) Para fazer juízo contra todos... – todos os ímpios enfrentarão o juízo divino, mas Judas tem em mente, em particular, aqui, os falsos mestres que estavam infestando as igrejas com seu ensino errôneo, os quais Judas chama de homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo. (v.4); 2º) ... e condenar dentre eles todos os ímpios,... – o termo condenar tem o sentido primário, no grego, de trazer à luz, expor, com o objetivo de provar a culpa de alguém, de convencê-lo de seus erros e inculcar-lhe a consciência da culpa; declarar alguém culpado.

4. v.15b – ... por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele. Aqui temos as coisas pelas quais Deus fará juízo e condenará os ímpios:

ð obras de impiedade – essa obras ímpias tem paralelo em 2Pe 2.8, onde se menciona as obras injustas (de impiedade) dos moradores de Sodoma.

ð que impiamente praticaram – que praticaram de maneira deliberadamente ímpia, isto é, sem nenhum temor ou tremor.

ð duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele – palavras desagradáveis, cruéis, insolentes e terríveis. Judas diz isso em referência ao falso ensino desses mestres. Jesus ensinou que as pessoas haverão de dar conta no juízo de todas as palavras que proferirem (Mt 12.36), e Judas sabia disso. É nessa categoria que Judas enquadra o ensinamento dos apóstatas.

ð Uma coisa que não podemos esquecer é que, uma das características do anticristo é que ele fala blasfêmias ou com insolência contra Deus e as coisas de Deus – Dn 7.20; 11.36; Ap 13.5, 6, 11.

II. Hereges contemporâneos demonstram sua impiedade em seu falar – marcando-se assim, para o juízo – v.16

Além do que Judas já falou a advertiu a Igreja sobre os libertinos, ele diz mais duas coisas sobre eles nesse versículo que, são a sua marca para o juízo divino final.

1. v.16a Estes são murmuradores, queixosos da sua sorte,... – murmuradores e queixosos no texto grego têm significa muito próximo e falam de pessoas insatisfeitas com a sua situação na vida, que tem o hábito de reclamar e de achar defeito em todas as coisas. A BLH traduz o termo assim: “acusando os outros”. “No fundo, esse descontentamento e murmuração são contra Deus, aquele que governa e guia todas as coisas”[9].

Paulo, no NT, usa o exemplo de murmuração dos israelitas no AT, como advertência para os cristãos – 1Co 10.10.

2. v.16b... andando segundo as suas concupiscências,... – concupiscência (ACF) ou paixão (ARA) é a palavra padrão no NT para desejos impuros. A referência, aqui, é ao modo de viver dos libertinos e, em particular, a sua licenciosidade na área sexual. Portanto, a murmuração e o descontentamento dos tais, são provenientes das paixões e dos desejos impuros que marcam a vida deles. A natureza corrompida e pecaminosa do homem não somente é inclinada a toda sorte de desejos maus e impuros, como também a murmurar e reclamar de Deus e dos homens.[10]

“Os apóstatas são especialmente motivados por um desejo pecaminoso de satisfazer seus próprios interesses”[11].

3. v.16c – ... e cuja boca diz coisas mui arrogantes,... – a palavra arrogantes poderia ser traduzida também como coisas excessivamente grandes, bombásticas, fantásticas, extravagantes. Judas se refere ao fato de que os falsos mestres, para se promoverem e ganharem adeptos entre os cristãos, contavam “coisas incríveis, talvez narrando visões ou relatando milagres”[12]. E por isso que a versão BLH traduz assim o termo “eles vivem se gabando”. No v.8, Judas já os havia chamado de adormecidos ou sonhadores alucinados.

“Eles falam com arrogância, com pompa e até com magnificência, mas suas palavras são vazias e não tem vida nem valor espiritual. Sua mensagem pode parecer atrativa, mas não tem o conteúdo poderoso da verdade divina”[13].

4. v.16d – ... admirando as pessoas por causa do interesse. – Além de arrogantes, eles eram interesseiros ou aduladores de outros (ARA). O sentido aqui é ficar impressionado diante da face de uma pessoa, e daí passar a tratá-la de maneira diferenciada. Esse tipo de atitude era proibido no AT e também é proibido no NT – Dt 10.17; Is 9.15; At 10.28, 34; Tg 2.1.

“Eles dizem às pessoas os que elas querem ouvir para seu próprio benefício, em vez de proclamarem a verdade da Palavra de Deus para o benefício dos ouvintes”[14]2Tm 4.3, 4; Rm 3.13; 16.18; Pv 26.28; 29.5.

“Os falsos mestres amavam-se a si mesmos e queriam promover-se. Suas intenções, ao contrário do verdadeiro pastor e mestre, eram promover-se”[15].

Concluindo – duas aplicações:

1ª) A graça salvadora de Deus se manifestou para nos salvar e nos ensinar a renunciarmos à impiedade e às concupiscências mundanasTt 2.11, 12.

2ª) A atitude amorosa de Deus por todos os homens nos ensina a não fazermos acepção de pessoas em hipótese algumaAt 10.28, 34; Tg 2.1.

Pr. Walter Almeida Jr.
Limeira, SP – 19/10/13



[1] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento, Hagnos, 2008, p. 586.
[2] Ibid., p. 587.
[3] Ibid., p. 587.
[4] Carson, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova, Vida Nova, 2009, p. 2124.
[5] Lopes, Augustus Nicodemos. Interpretando o NT, II e III João e Judas, Editora Cultura Cristã, 2008, p. 133.
[6] Ibid., 132.
[7] Ibid., 133, 134.
[8] Comentário Bíblico Broadman, Volume 12, Novo Testamento, Hebreus a Apocalipse, 1987, p. 280.
[9] Lopes, p. 136.
[10] Lopes, p. 137.
[11] MacArthur, John. Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, 2010, p. 1774.
[12] Lopes, p. 138.
[13] MacArthur, p. 1775.
[14] Ibid., p. 1775.
[15] Lopes, p.138.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Exposição da Carta de Judas (5) - Revisão (2)

Jd 12, 13
Defender a fé do erro exige consciência dos desígnios de Deus para com hereges na medida em que apóstatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico na sua conduta, seu caráter e sua condenação.[1]

No estudo anterior nos vv.8-11, discorremos sobre o tema Revisão com a seguinte tese: Defender a fé cristã do erro exige consciência dos desígnios de Deus para com hereges na medida em que apóstatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico na sua conduta, seu caráter e sua condenação.

Expomos o texto e o expomos versículo por versículo, com a ênfase em que os  apostatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico em sua conduta.

Hoje, vamos estudar os vv.12, 13 também com o tema Revisão e a seguinte tese: Os apóstatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico em seu caráter.

Após mostrar que os apostatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico em sua conduta, Judas, agora, passa a mostrar como os mesmos se encaixam no padrão histórico em seu caráter.

1º) Eles são destrutivos como rochas submersas (manchas) – v.12a

A primeira descompostura é dirigida à desfaçatez e enganação com que os falsos mestres se se infiltraram nas igrejas. O termo usado para manchas aqui é spilas e tem seu significado no grego popular como escolho submerso ou submerso pela metade contra o qual um barco pode encalhar facilmente. Por isso a versão ARA traduz esse termo como rochas submersas.  “Assim como as rochas submersas no mar, que são um perigo invisível para a navegação, aqueles homens não aparentavam ser perigos para as igrejas”[2].

Esses falsos mestres participavam das festas cristãs – festas de amor (ACF), festas de fraternidade (ARA), festas de caridade (ARC), refeições de amizade (BLH) – como se fossem irmãos, partes da comunidade, irmãos em Cristo. Essas festas de amor eram festividades organizadas pela igreja no período apostólico onde os irmãos e as irmãs em Cristo, de uma determinada localidade, comiam (almoçavam ou jantavam) juntos e celebravam a Ceia do Senhor.

Esse costume teve sua origem no fato de que o Senhor Jesus instituiu a Ceia do Senhor durante uma refeição com os seus discípulos – Mt 26.17-30; Mc 14.22-24; Lc 22.19, 20; Jo 13.1-4.[3]

Essas festas do amor de Deus deixaram de ser realizadas a partir do 2º Século por causa dos abusos que falsos irmãos estavam cometendo. Temos pelo menos três exemplos desses abusos: em Corinto – 1Co 11.17-34; em 2Pe 2.13; e aqui em Judas. Os falsos mestres aproveitavam as festas para espalhar sua heresia e sua libertinagem.

2º) Eles são egoístas como pastores mercenários – v.12b

Esses falsos mestres se apresentavam como se fossem pastores e se aproveitavam da posição de autoridade eclesiástica para espalhar seu “erro, conquistar discípulos dentre os cristãos e dividir as igrejas. Assim não hesitavam em lançar mão da hipocrisia e do fingimento para se infiltrar nas comunidades”[4].

Jesus mesmo alertou sobre esses em Mateus 7.15Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.

O que dizer dos falsos pastores, bispos, e apóstolos de hoje?

3º) Eles são enganosos como nuvens sem chuva – v.12c

Essa imagem, bem como a próxima, falam de vidas vazias, inconstantes e mortas. Aqui, nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte, “são inúteis pois não trazem nenhuma chuva sobre a terra, aparecem e logo se vão, na velocidade do vento que as impele”[5]. Tais nuvens representam promessas falsas e temporárias de bênçãos.

Provérbios 25.14 diz: Como nuvens e ventos que não trazem chuva, assim é o homem que se gaba falsamente de dádivas.

4º) Eles são decepcionantes como arvores infrutíferas – v.12d

Assim como a imagem anterior: ... nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como arvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas. A ideia das árvores aqui é que em plena estação dos frutos, no outono (NVI), estavam com folhagem vistosa, mas sem frutos. Por isso eram arrancadas pela raiz, elas eram infrutíferas embora tivessem suas folhas verdes e aparentassem estar vivas, Judas diz que eram duas vezes mortas.

O ponto de comparação é que nuvens sem água na estação das chuvas e árvores sem frutos na estação dos frutos não cumprem o propósito pelo qual existem, assim como aqueles falsos mestres com seus falsos ensinamentos.

5º) Eles são inconstantes como ondas num mar revolto – v.13a

Judas faz outra comparação dos falsos mestres usando um aspecto negativo da natureza para mostrar o perigo que eles representam e o fim que lhes aguarda.

Aqui temos a sugestão das marés altas que são implacáveis e após muito barulho e reboliço só deixam espuma e refugo nas suas margens. As ondas impetuosas do mar se encarregam de regurgitar na praia toda a sujeira lançada nele e aquela que é própria do mar – escumam as suas mesmas abominações. Exemplo: sargaços, lama e infelizmente latas vazias, sacos plásticos, pedaços de isopor, vasilhames de refrigerantes, etc.

O profeta Isaías usa essa mesma figura para descrever os ímpios: Mas os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar, e as suas águas lançam de si lama e lodo. (Isaías 57.20)

Os falsos mestres, à semelhança das ondas impetuosas do mar, escumam suas imoralidades e falas doutrinas, trazendo perigo e contaminação para a igreja.[6]

6º) Eles são indignos de confiança como estrelas errantes – v.13b.

Na citação aqui a estrelas errantes, cremos que Judas está se referindo às estrelas cadentes, aquelas que costumam riscar os céus de uma noite clara e estrelada por um breve momento, desaparecendo em seguida, Quando uma dessas estrelas risca o céu, refulge por segundos e depois se perde, em nossa visão aqui da Terra, na escuridão do espaço.[7]

O aspecto que Judas deseja destacar aqui nessa comparação das estrelas cadentes com os falsos mestres é a brevidade de sua trajetória e o fim que lhes tem sido guardado.

Concluindo

Augustus Nicodemus, em seu comentário de Judas diz: “Que lição solene para nós! Embora possam existir cristãos verdadeiros que estejam equivocados em pontos doutrinários secundários, e estes, o próprio Judas recomenda que procuremos resgatar, v.22 – abundam falsos profetas e falsos mestres, lobos devoradores, dentro da própria Igreja de Deus. Estes devem ser tratados com todo o rigor. São ímpios, destinados ao castigo eterno. Como rochas submersas, nuvens sem água, árvores sem fruto, ondas bravias do mar e estrelas errantes, o destino dele é a escuridão eterna”[8].


Pr. Walter Almeida Jr.
Limeira, SP – 13/10/13



[1] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento, Hagnos, 2008, p. 586.
[2] Lopes, Augustus Nicodemos. Interpretando o NT, II e III João e Judas, Editora Cultura Cristã, 2008, p. 126.
[3] Ibid., p.126.
[4] Ibid., p.128.
[5] Ibid., p.128.
[6] Ibid., p. 130.
[7] Ibid., p. 130.
[8] Ibid., p.131.

Exposição da Carta de Judas (4) - Revisão (1)


Jd 8-11
Defender a fé do erro exige consciência dos desígnios de Deus para com hereges na medida em que apóstatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico na sua conduta, seu caráter e sua condenação.[1]

No estudo anterior nos vv.5-7, discorremos sobre o tema Recapitulação com a seguinte tese: Defender a fé do erro exige consciência dos desígnios de Deus para com os hereges, visto que foram marcados pela severa punição por suas variadas formas de rebelião.

Expomos o texto e o subdividimos em três pontos: 1º) Como Deus puniu a incredulidade dos israelitas errantesv.5; 2º) Como Deus puniu a insubordinação dos anjos caídosv.6; 3º) Como Deus puniu a imoralidade de Sodoma e Gomorrav.7.

Hoje, vamos estudar os vv.8-11 com o tema Revisão e a seguinte tese: Defender a fé cristã do erro exige consciência dos desígnios de Deus para com hereges na medida em que apóstatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico na sua conduta, seu caráter e sua condenação.

Após citar três exemplos do passado que mostram a certeza do juízo de Deus sobre os ímpios, Judas volta seu olhar para a conduta, o caráter e a condenação dos falsos mestres no presente, denunciando-os com veemência.

Então, vamos ver como apostatas contemporâneos se encaixam no padrão histórico em sua conduta. No seu caráter e na sua condenação veremos nos próximos finais de semana.

1º) Eles estão alienados da realidade – v.8a – E, contudo, também estes, semelhantemente adormecidos...

A história bíblica apresenta diversos exemplos de imorais e rebeldes que foram castigados por Deus e nós vimos três no estudo anterior (vv.5-7). Contudo, apesar desses exemplos, os falsos mestres estavam agindo de maneira semelhante àqueles castigados, desprezando completamente a advertência divina. Isso torna o erro deles ainda mais grave, pois quanto mais conheciam a verdade, mais responsáveis se tornavam.[2]

O erro fatal dos falsos mestres era a distorção da doutrina da graça para promover a licenciosidade sexual e nisso eram como os sodomitas, e a arrogância em relação às autoridades superiores se assemelham aos anjos rebeldes.

2º) Eles são imorais – v.8b – ... contaminam a sua carne...

O verbo contaminar, que Judas usa aqui, no grego significa fazer com que a pureza de alguém ou de alguma coisa seja violada por meio de comportamento inadequado. Esse termo ocorre na LXX varias vezes com o sentido de imoralidade sexual. Então, a contaminação referida por Judas, “tem a ver com a imoralidade sexual, já que os falsos mestres contaminam a carne, isto é, o corpo”.[3]

Judas, aqui, faz uma referência direta aos resultados do ensinamento e da prática dos falsos mestres, que transformavam a graça de Deus em licença para o pecado.

3º) Eles são duros e arrogantes em sua falta de conhecimento espiritual – v.8c-10 – ... e rejeitam a dominação, e vituperam as dignidades. Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem.

Essa atitude pecaminosa dos falsos mestres, denunciada por Judas, de que rejeitam a dominação é em relação ao governo de Deus neste mundo e sobre o seu povo, mediante as autoridades constituídas.

Essa rejeição do governo de Deus pelos libertinos se manifestava pela rejeição da autoridade dos líderes das igrejas locais, que eles desafiavam ao questionarem a doutrina apostólica, como os israelitas rejeitaram o governo de Moisés sobre eles.[4]

Judas ainda fala que os falsos mestres vituperam as dignidades, isto é, eles falam mal das autoridades eclesiásticas, blasfema, insultam, vituperam o que é o real significado da palavra grega usada.

Segundo Judas, os líderes das igrejas locais estavam sendo difamados pelos libertinos, como parte da estratégia destes de subverter toda a ordem estabelecida. A descrição que Judas faz, aqui, desses falsos mestres é supreendentemente atual.[5]

Interessante é que em contraste com atitude insubordinada e difamatória dos libertinos para com as autoridades eclesiásticas locais, Judas apresenta a atitude do arcanjo Miguel para com Satanás.

O falar mal do que não entendem no v.10, provavelmente, os falsos mestres estavam difamando o evangelho da graça de Deus em Cristo Jesus e os que o pregavam (v.8), porque realmente nunca entenderam essa doutrina. Como resultado de não compreendê-la, apresentam uma versão distorcida da mesma, que levava a licenciosidade (v.4).

4º) Eles são egocêntricos quanto a religião – v.11aAi deles! porque entraram pelo caminho de Caim...

Temos aqui mais uma tríade da carta de Judas em continuação de sua denúncia dos falsos mestres que, se infiltraram na igreja local com um ensinamento distorcido da graça de Deus. Esses três exemplos falam de outras atitudes erradas dos falsos mestres.

O primeiro exemplo é o de Caim, e “o provável ponto de comparação entre ele e os falsos mestres combatidos por Judas é que ambos eram adeptos de uma religião natural e tiveram um entendimento distorcido da verdade de Deus”[6].

Assim, ao manifestarem uma compreensão distorcida do evangelho e um entendimento natural, por instinto, das coisas religiosas, e ao difamarem os pregadores do evangelho, os falsos mestres eram verdadeiros discípulos de Caim.[7] (Gn 4.1-16)

5º) Eles são moralmente pervertidos por sua ganância – v.11b – ... e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão...

Nesse segundo exemplo errôneo de atitude, comparando os falsos mestres com Balaão, Judas, quer dizer que assim como a ganância foi a motivação de  Balaão na tentativa de amaldiçoar Israel os falsos mestres também estavam sendo movidos por ela para promover, pelo seu falso ensino, a licenciosidade entre o povo de Deus com o fim de destruí-lo. “Balaão é o paradigma de todos os libertinos que vieram mais tarde na história da igreja”[8]. (Nm 22.1-15; 25.1-3; Ap 2.14)

6º) Eles são rebeldes contra a autoridade – v.11c – ... e pereceram na contradição de Coré.

Coré foi um dos príncipes de Israel, da tribo de Levi, que liderou 250 outros príncipes de Israel numa rebelião contra a liderança de Moisés – Nm 16.1-40. A semelhança entre os falsos mestres e Coré reside no fato da tentativa de perturbação da paz e promoção de sedição e revolta contra os líderes do povo de Deus. Mas, assim como “Coré e seus adeptos pereceram diante de Deus, os apóstatas também haveriam de perecer”[9].

Concluindo

“Os três verbos usados por Judas podem indicar uma intensificação. Primeiro, eles entraram no caminho errado, depois foram levados intensamente ao erro e, finalmente, pereceram em sua revolta. Essa é a história não somente de Caim, de Balaão, de Coré e dos apóstatas da época de Judas, mas de todo aquele que se afasta da verdade de Deus, perverte a verdade e é movido pela cobiça”[10].

“Todas as gerações de fiéis terão de enfrentar perseguidores que professam uma falsa religião, como Caim, profetas vendidos por dinheiro para falar mentiras, como Balaão, e líderes facciosos, movidos pela arrogância e pelo desejo de poder, como Coré”.[11]


Pr. Walter Almeida Jr.
Limeira, SP – 06/10/13



[1] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento, Hagnos, 2008, p. 586.
[2] Lopes, Augustus Nicodemos. Interpretando o NT, II e III João e Judas, Editora Cultura Cristã, 2008, p. 113.
[3] Ibid., p. 114.
[4] Ibid., p. 114.
[5] Ibid., p. 115.
[6] Ibid., p. 123.
[7] Ibid., p. 123.
[8] Ibid., p.124.
[9] Ibid., p.125.
[10] Ibid., p. 125.
[11] Ibid., 125.